28/03/2006

Eu e as lides domésticas.

Nunca tive muito jeito para fada do lar, mas quando precisava, até passava a ferro umas t-shirts ao meu irmão em troca de 500 paus. Desde que vivo sozinha, os meus pitéus não passam de dois pratos: bifes de peru com puré ou massada (as minhas massas são fantásticas: com natas, salsichas ou atum, tomate e milho). Quem não gosta de comer, normalmente, não gosta de cozinhar, e eu lá vou variando entre estes dois pitéus e a comida que trago da casa da Mãe.
Também tenho a sorte da D. Lurdes poder vir cá duas vezes por mês, para arrumar as pilhas de roupa que deixo a “arejar” em cima da cadeira e deixar a minha casa a brilhar e a cheirar a Sonasol Amoniacal.
Agora a parte de estender, apanhar e dobrar cuecas e meias está a revelar-se uma tarefa que habita os meus piores pesadelos. Nunca gostei de estender roupa. Meias e cuecas, muito menos. Apanhá-las da corda, idem aspas. Agora dobrá-las, nem mesmo com o melhor episódio dos Morangos com Açúcar à frente para distrair.
Hoje, estava eu entre esta tarefa e um episódio importantíssimo de Ninguém Como Tu, descobri que me sobravam uma meia preta e uma azul escura. As outras, todas dobradinhas aos pares (as pretas com as pretas, a azuis com as azuis, as rosa-shocking com as rosa-shocking, as laranja com as laranja), descansavam ao meu lado, à espera de serem arrumadas na gaveta. Aquelas duas, desemparelhadas, olhavam para mim tristes e abandonadas pelos seus pares, sem que eu soubesse bem o que lhes fazer.
Das duas, uma: ou as deito para o lixo, ou acabo por usá-las por debaixo das botas de cano alto. Assim como assim, não se vêem!


A minha vida balança entre o pseudo-desmazelo e a falta de jeito.

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