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17/10/2017

Histórias de amor

Há histórias de amor que não terminam. Ficam suspensas no ar como um suspiro que alguém soltou. Como uma palavra que não foi dita. Como uma folha que caiu da árvore mas não chegou a tocar no chão. Como se alguém tivesse tocado no botão da pausa sem querer e a cena ficasse ali: suspensa. 

Retida. 

Congelada.

As histórias de amor que não terminam são as que magoam mais. Magoa o "e se?". Magoa muito o que não chegou a ser dito. Magoa a falta de coragem para enfrentar. Para pedir justificação. Magoam as perguntas que não se fizeram e as respostas que ficaram por dar. Doem porque não se percebe. E porque dói olhar todos os dias para um ecrã de telefone com a mensagem escrita sem coragem para tocar no enviar.

Todos os dias.

O cursor a piscar.

As histórias de amor que não terminam doem muito porque, como todos sabemos, a ausência do fim é, por si só, o próprio fim.


06/12/2016

Mãe Cansada.

Será uma Mãe cansada uma boa Mãe?
A Mãe cansada não tem paciência para nada, principalmente para os filhos. O que até nem faz sentido, porque uma Mãe cansada não deixa de ser Mãe. Não tem vontade de brincar, nem de cozinhar, nem de tratar do ninho. Os banhos são dados com sacrifício porque, fisicamente, é a tarefa mais dura da maternidade. Pelo menos, para esta Mãe cansada que já tinha problemas nas costas ainda antes de ser Mãe.
A Mãe cansada não tem forças para contar histórias de embalar. Aliás, a Mãe cansada costuma adormecer antes dos filhos. E, quando acorda toda torta no meio dos minis, muitas vezes às duas ou três da manhã, ainda vai arrumar a cozinha, estender uma máquina de roupa ou fazer o jantar do dia seguinte. Porque, no dia seguinte, quando a Mãe cansada chegar a casa com os filhos, já é hora do jantar.
A Mãe cansada só pensa em dormir. Mas as noites são interrompidas por tosses, febres, pesadelos ou apenas por mãos pequeninas a pedir para dormir na cama grande. E, quando não há filhos para interromper o sono, o sono é interrompido pelas insónias: medos, preocupações ou apenas aquelas palpitações que teimam em aparecer de vez em quando. 

A Mãe cansada não pode ser uma boa Mãe. Mas é a única Mãe que sabe ser quando o cansaço não a deixa ser uma Mãe feliz.

13/10/2016

365 dias.

Há datas que se comemoram.
Há datas que se assinalam. 
Há datas que se esquecem.
Há datas que nos marcam. 

12/07/2016

Quando os momentos de euforia têm um efeito precisamente oposto ao desejado.
Quando passamos umas horas divertidas, soltas e leves.
Quando pensamos que podemos ser felizes outra vez, rir outra vez. Quando nos é permitido tudo isto.
Quando chegamos a casa e percebemos que a realidade não é assim tão fácil quanto dois copos de vinho nos fizeram acreditar.
Quando acordamos e olhamos à volta e percebemos que o Mundo está exactamente no mesmo lugar. E o mesmo lugar não é o melhor lugar.

02/01/2016

2/1/2016

Um dia é apenas um dia. 
Uma efeméride, triste ou feliz, não passa de uma efeméride. Terá tanta importância quanta aquela que lhe dermos.
Um dia só é feliz até deixar de o ser. Não há dias bons para comemorarmos acontecimentos maus. E não há maus dias para comemorar acontecimentos felizes. 

Neste dia, há sete anos, foi o meu dia. Um dos dias mais felizes da minha vida. Lembro-me de cada minuto do dia, cada pormenor, cada cara e cada olhar que comemorou comigo, cada passo, cada música, cada sorriso. Lembro-me com todo o pormenor da vista sobre o Tejo, a ponte iluminada, o céu limpo e estrelado, apesar de ter estado a chover o dia todo. Lembro-me de todos os pormenores. 

Foi há sete anos e não se comemora mais. 

13/11/2015

1 mês

Já passou um mês. 
O seu coração já não salta quando ouve o elevador do prédio. Já não fica mais triste quando não pára no seu andar. Já não espera ouvir uma chave no lado de lá da porta. Já não se zanga com o barulho que os miúdos fazem de manhã, porque já não há ninguém a dormir. 

Passou um mês. 
E já consegue olhar o espelho de frente, já consegue sorrir, já vê o sol a brilhar quando olha para o céu. Já consegue segurar as rédeas dos seus dias em vez de conduzir em piloto automático sem pensar o rumo que isto vai levar. 

Passou um mês. 
A sensação de querer desaparecer já não existe. As lágrimas já conseguem ficar guardadas, as noites já se dormem. Já tem a certeza que não vai tocar um despertador a lembra-la que isto não passou de um pesadelo. 

Passou um mês. 
E esta é a realidade. E este dia 13 vai ficar-lhe para sempre gravado como o dia em que o chão desapareceu. O dia em que lhe foi arrancada uma boa parte da vida. Uma das mais importantes.

Já passou um mês. 
A história de Amor mais bonita que eu conheço chegou ao fim.



27/10/2015

Aqui dentro.

Há algumas semanas que me sento no quarto dos miúdos até adormecerem. Normalmente, lia a história, enchia cada um deles com mil beijos e ia embora tratar do resto da casa. Agora, gosto de ficar a ouvir a respiração pesada de quem acabou de adormecer. Gosto de perceber que até a dormir eles são tão diferentes.
Sinto-os a acalmar, o barulho a chuchar na chucha cada vez mais fraco, o ninho que cada um faz até adormecer. 
Fico aqui no escuro até me fartar ou, mais frequentemente, até adormecer embalada no quentinho de um deles. 

Junto deles sinto-me em paz. Sinto-me completa: não preciso mais nada para ser feliz. Sinto-me amada e sinto o Amor incondicional. Sei ainda que sou uma sortuda porque não tenho apenas um grande Amor: tenho três.
Para lá daquela porta, o mundo ruiu. Mas aqui dentro, está tudo exactamente no sítio certo. 

25/10/2015

Quando é que se desiste de lutar? Como é que se troca um futuro planeado e pensado ao segundo por uma felicidade incompleta? Como é que tantas certezas e promessas de desfazem em pó? Como vai ser, a partir daqui, esta meia vida que me foi imposta?

"Se a vida te puxa o tapete, salta", dizem eles.

Eles não sabem nada de nada.

24/01/2014

37

Eu não gosto de fazer anos. Nunca gostei. Uma das maiores desilusões da minha vida aconteceu no meu dia de anos. Há muitos anos. Hoje, continuo sem gostar de fazer anos. E gostava de gostar de fazer anos. Mas não gosto. Porque, invariavelmente, acontece qualquer coisa que troca as voltas aos meus anos. 
prometi uma vez que não fazia mais anos. Nunca mais.

Talvez seja uma questão de expectativa. Mas hoje não foi um bom dia.

(Obrigada R., por me teres salvo o dia com a tua companhia!)

13/08/2013

Dos castelos de areia.

Os amores da adolescência têm tanto de assustador como de excitante. De um lado, a novidade, as borboletas na barriga que se sentem pela primeira vez, o desconhecido, a adrenalina. Do outro, a imaturidade, a certeza de que tudo está certo, a ausência de dúvidas.
Depois crescemos, conhecemos novas pessoas, temos novas experiências e as borboletas vão ficando naquele frasco de vidro: sabemos que elas existem e que até voam mas ficam mais seguras lá fechadas. E o tempo passa. E constrói-se uma vida em alicerces de tijolo e cimento. Tudo nos parece certo e no fundo não está errado. É assim que faz sentido.
Até que deixa de fazer. Acordamos um dia e olhamos para o lado e afinal não era nada disto. E voltamos ao passado e a ter 18 anos outra vez e entramos numa escola que não é a nossa sentados numa mota de 50cc. só para beijar aquela miúda. A verdade é que passaram 20 anos e as borboletas voltam a voar na nossa barriga. E de repente, estão os dois disponíveis com uma história por acabar. Desta vez, o que faz sentido é acabá-la. E todos sabemos que todas as histórias de Amor têm um final feliz e por isso mergulha-se de cabeça, dá-se o tudo-por-tudo, aceita-se uma vida diferente do nosso sonho, mas ainda assim é o nosso sonho. A casa do sonho. O casamento do sonho. Os projectos do sonho. Agora sim: é assim que faz sentido.
Até que deixa de fazer. De repente, sem que se perceba muito bem como ou porquê ou mesmo quando, olhamos para o lado e não conhecemos aquela pessoa por quem esperamos 20 anos. E o sonho acaba, e o príncipe encantado era um ogre, e a princesa era uma rã. Não damos muito valor, não lutamos (será que vale a pena lutar?), pomos em causa e queremos voltar ao que éramos naquele intermédio. Assobiar para o lado e fingir que nunca aconteceu. Ou então, fechamo-nos no casulo e fugimos de todos os que nos querem bem e dizem "estou aqui; não estás sozinho". Nada faz sentido. O mundo devia acabar.

Mas não acaba. Não tem de acabar. Nem as amizades têm de acabar. 
Basta guardar a memória do que foi bom e guardar o respeito daquela pessoa que soube fazer-nos feliz e viver um sonho. Mesmo que por pouco tempo. Não resultou? Pois não. É muito muito triste que assim seja. Morreu. Agora é tempo de fazer o luto e voltar a viver. Ou nascer outra vez.

E vais ver que no final, tudo acaba bem. Se não está bem, é porque ainda não chegou ao final.

A vocês, por quem temos o coração partido.

19/05/2013

Dos sacrifícios da Maternidade.

Não foram as saídas à noite. Não foram os copos que acabaram. Os festivais de verão, as férias sem horários, as jantaradas até às tantas. Não foram as horas só para mim, o acordar sem horários, as folgas sem sair do sofá. Não foi ver a celulite a crescer, a flacidez a aparecer e as maminhas a caírem. Não foi ter perdido a barriga lisa ou ter ganho rugas e cabelos brancos. Não foi o dinheiro que se gasta em coisas que não são para mim: roupas, medicamentos, comida. Não foram os amigos que se afastaram pela minha falta de tempo e de disponibilidade. Não foi o cansaço ao fim de um dia de trabalho. Não foi a falta de tempo para namorar. 
Nada disso. 

O que me custou mesmo nesta coisa da maternidade, foi ter desistido do Ballet. 

05/06/2011

‎"Dance, dance otherwise we are lost"

Em 2008, cumpri vários sonhos. Nesse ano, por esta altura, estava a cumprir um sonho muito antigo que eu pensava já não conseguir realizar: pisar um palco a dançar. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Esse sonho cumpriu-se mais duas vezes. Fiz parte de uma Companhia (assim mesmo, com C maiúsculo) amadora, mas com projectos muito profissionais e com muita vontade de voar. Só posso dizer que essa Companhia voou e eu fazia parte dela.

Hoje, o sonho de muitas meninas vai ser realizado pela mesma Companhia e eu vou estar do outro lado. Por razões pessoais, profissionais, familiares que já se esgotaram em posts neste blogue, este ano eu vou estar sentada na plateia a ver aquela Companhia voar. Este ano, sou mera espectadora de sonhos, não vi a peça crescer, não participei, não cresci com ela.
Pensei que já tinha ultrapassado este desgosto mas sinto o mesmo aperto no coração e as mesmas lágrimas a caírem hoje, como caíram em Setembro, quando decidi desistir. E porque eu não sou pessoa de desistir, a angústia é ainda maior.

EDAK, que este seja um dia em grande para vocês. Espero que cada menina (e menino) que pisar esse palco hoje perceba a sorte que tem e sinta o mesmo orgulho que eu senti nos anos anteriores.

Toi, toi, toi!

27/04/2011

Ser Mãe.

Ser Mãe é andar constantemente com o coração nas mãos cheias de manteiga derretida. Aquilo escorrega imenso e o raio do coração está molhado do sangue que lhe escorre tornando uma tarefa hercúlea o equilíbrio pelos dias. E esta parece-me uma sensação constante, não acontece pontualmente como quisemos acreditar quando planeávamos esta condição. É por estarem doentes, é por estarem tristes, é porque caem, é porque não querem dormir, é porque a árdua tarefa de educar os deixa frustrados, mesmo que tenhamos a certeza que estamos a fazê-lo para os tornar adultos mais felizes.
O António decidiu agora que não quer ficar no Colégio: um sítio que conhece há meses, que adora, que o mima, que o trata bem, que o desenvolve. Todos os dias chora, berra, chama por nós, agarra-nos o pescoço e não quer ficar lá sozinho. Chora umas lágrimas gordas e dolorosas como se aquela fosse a pior das torturas. Nós deixamo-lo lá, com o aperto de ver um filho a sofrer mas com a certeza que estamos a fazer a coisa certa. No resto do dia, o meu coração fica nas mãos, bem pequenino e apertado, enquanto ando aos encontrões pelas ruas e pelo trabalho, chocando em tudo o que é parede e tropeçando em todos os buracos da estrada.
Não consigo pensar noutra coisa. Morro aos bocadinhos se o meu filho não é feliz.

27/07/2010

Passamos uma vida inteira a construir uma personalidade. A manter-nos fiéis aos nossos princípios, a honrar a educação que nos deram, a sermos melhores. Dia após dia estamos perante escolhas, algumas delas muito difíceis, perante provações e temos que mostrar o que valemos. No trabalho, na família, no círculo de amigos. Mesmo que este trabalho não nos dê "trabalho" e mesmo que não dêmos conta que estamos a prestar provas. Construímos esta maneira de ser e de estar, de educados tornamo-nos educadores e passamos os nossos valores aos nossos filhos. Ensinamo-los a ser melhores pessoas, generosas, educadas, que respeitam o próximo. Valores como a partilha, a auto-estima, a segurança.
E de repente, aparece um gajo que deita isto tudo ao chão. E, não contente com isso, ainda pisa, repisa e pontapeia. Pega em nós, mesmo sem nunca nos ter visto, e pica, mexe, torce, magoa, fere. Em meia hora, essa pessoa sacode tudo o que nós somos. Chicoteia a auto-estima. E nós, sem podermos fazer nada engolimos sapos atrás de sapos. Calados, ouvindo e calando, porque a nossa educação não nos permite responder assim a uma pessoa que além de ser mais velha é desequilibrada. Mesmo que saibamos que há este desequilíbrio, mesmo que não sejamos os únicos a quem isto acontece, a volta ao estômago é tão grande, tão grande que chega a dar vontade de vomitar.

E desse gajo, só me apetece ter pena. E talvez tenha daqui a uns dias.
Hoje, só sinto raiva.

02/07/2010

Há um ano, dei entrada na Maternidade com ameaça de parto. Estava com 6 meses de gravidez e por lá fiquei 13 dias. Foram os piores dias da minha vida, em que duvidei que alguma vez seria capaz de levar isto da maternidade avante.

08/03/2010

Sabemos que S. Pedro está a gozar com a nossa cara quando...

- tiramos a roupa da corda no domingo de manhã (porque está a chover), mas não chove a tarde - e noite - toda;
- estendemos a roupa na segunda feira de manhã (porque não está a chover), e chove a tarde - e noite - toda.

07/07/2009

O que eu estou / vou perder:

- o orgulho de exibir a minha barriga por todo o lado;
- a praia, o verão, o sol;
- as aulas de hidro-ginástica;
- o curso pré-natal;
- a escolha dos últimos pormenores do quarto do Babe;
- a escolha do carrinho do Babe;
- os primeiros dias da casa nova, as decisões a dois, a estreia, as festas de inauguração;
- os vestidos frescos e as sandálias abertas, que tão bem ficam com a minha barriga;
- as férias, as folgas, os dias de trabalho, os fins de semana;
- as ecografias com o Dr. Amadeu e os ataques de riso que elas nos provocam;
- gelados, chocolates, sumos de fruta à beira mar, noites em esplanadas, fins de tarde a ver o pôr-do-sol...

E muitas mais coisas que eu não consigo escrever porque já não vejo o teclado por causa da água que sai dos meus olhos.

05/07/2009

O que é ser boa Mãe?

Acho que só agora me dei conta que o António podia mesmo ter nascido de 6 meses por erros meus.


E isto dá-me uma vontade incontrolável de chorar.

27/04/2008

Esquecer.

Ele disse: Não esperes.
Eu respondi: Eu tenho tempo.

O que eu queria dizer é que já não sei viver sem esperar. Que já não sei fazer outra coisa. Que o tempo passa mais devagar porque dói a memória. Mas passa a correr quando não se consegue conter o grito e se explode num desabafo sem sentido.
O que eu queria era perguntar como é que se apaga alguém, como é que se ultrapassa, como é que se esquece.
Ele deve saber. Ele fez isso comigo.