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13/01/2018

Até amanhã.

Estava a precisar de um dia como o de hoje.

Os últimos tempos não foram fáceis: o natal é sempre uma época complicada para mim, vivi grandes desilusões, uma perda incompreensível, o acidente da minha Avó... Tudo num espaço de tempo muito curto. Ando sem energia, irritada, revoltada. Ando cheia de frio, a dormir mal, a comer pior. 
Estava a precisar de um dia como o de hoje. Um dia só para mim. Oito horas de puro deleite e cabeça focada naquilo que me dá mais prazer: a Dança. Aulas, ensaios, treinos.

Quem me conhece bem sabe onde é a minha segunda casa. É naquela escola onde me sinto bem, onde recupero as minhas energias, onde penso positivo, onde posso fazer o que mais gosto. Mal ou bem. Melhor ou pior. Posso ser eu ou posso representar: uma bailarina elegante ou um guarda furioso. E foi aquela escola que deu origem aos meus três bens mais preciosos: os meus filhos.

Agora, sentada às escuras no meu quarto, num silêncio calmo e relaxado, pronta para dormir, sinto que exorcizei todos os desgostos dos últimos tempos. Sinto-me descansada e feliz. Sinto-me só mas completa. 
Amanhã, não sei: talvez o cinzento volte a toldar a minha vontade, talvez o brilho irradie. 
Mas hoje... hoje foi um dia branco de esperança e de paz.

Até amanhã.

20/08/2016

Desistir? Agora é tarde demais...

Houve momentos em que a desilusão era tão grande, a tristeza tão profunda, era tanto o desapontamento, que eu não queria sequer acordar. Nem comer. Nem respirar. Nesses dias, ia buscar forças a uma paixão maior e seguia para mais um ensaio. Houve dias em que estive quase a ser vencida pelo cansaço e pelo desânimo, dias que fui sem comer e sem dormir.

Foto: Carmo Sousa na Escola de Dança Ana Kohler, algures entre Novembro 2015 e Maio 2016


Quando olhei a primeira vez para esta foto, pensei "porque é que não desisti?" Era tão mais fácil esconder-me durante aqueles fins de semana, fechar-me todos os sábados e todos os domingos, isolar-me e não me mostrar a ninguém. Eu fui. E todo o processo teve tanto de sofrido como de prazeroso. Tanto de sacrifício como de deleite. Saiu-me do corpo como sai um filho.
Quando vi esta foto de cima pensei como fui capaz de continuar. Mas a verdade é que em momento algum pensei em desistir. Simplesmente, essa ideia não me ocorreu. Quando vi esta fotografia e me lembrei que essa poderia ser uma saída, já tudo tinha acabado: a montagem, os ensaios, o espectáculo.

Depois, olho para a foto de baixo. A foto que não precisa de palavras. Não precisa, pois não?

Foto: Jorge Chincho Macedo no CCB, 5-6-2016

04/08/2016

Eu feliz.

Um dia, no início de uma aula, disse à Carmo (a fotógrafa): este ano vou ter muitas fotos tontas do espectáculo. Quero uma foto de bailarina.
No final da aula, ela disse-me que não tinha conseguido. Que era muito difícil, que as fotos estavam uma confusão, que não gostou de nenhuma. Depois mostrou-me esta. 
Não gosto nada desta, disse. Está horrível e vou apagá-la.
Não deixei. Esta sou eu. Esta sou eu a fazer o que mais gosto de fazer, no ambiente que mais gosto, com a concentração, a dedicação e a habilidade que sou capaz de dar. Havia muito para corrigir: o calcanhar devia estar mais para fora. A barriga mais para dentro. Os ombros para trás. As costas mais direitas. O pescoço (sempre o pescoço) está errado. A meia ponta consegue estar mais alta. Por isso é que existem as quartas feiras: para voltar àquele estúdio, para trabalhar, para corrigir, para ser todas as semanas melhor que na semana anterior.


Mas esta sou eu feliz.

08/06/2016

Quero mais.

Sento-me em frente a esta folha branca. Quero escrever sobre o fim de semana passado. Quero contar como correu o espectáculo da escola de Ballet, todos os pormenores, todos os episódios. Tento concentrar-me e não consigo escrever nada. 
Acontece todos os anos: são emoções muito fortes. Fortes demais para serem contadas: têm de ser vividas. A única coisa que eu consigo explicar é que vivi um sonho. Durante dois dias, vivi um sonho.
Correu muito bem: enchi a alma de aplausos, senti as gargalhadas do público, provoquei emoções, tive 1470 pessoas a olhar para mim. Dancei e actuei numa das melhores salas de espectáculo do país. É assustador e ao mesmo tempo esmagador. E viciante. Inebriante. Inexplicável.
Chorei, ri, tive medo, cansei-me, mas acima de tudo, diverti-me muito. E tive muita pena que tivesse chegado ao fim. Foram muitas emoções: fez acordar sentimentos adormecidos, fez reavivar memórias guardadas, fez descobrir novas amizades, cimentar antigas, sentir novas energias. Fez-me, sobretudo, crescer e amadurecer esta minha realidade.

Agora, voltou este vazio de uma vida normal, de um emprego normal, de uma rotina normal. Não é mau ser-se normal. É-se apenas.

E eu não nasci para ser apenas.


19/05/2013

Dos sacrifícios da Maternidade.

Não foram as saídas à noite. Não foram os copos que acabaram. Os festivais de verão, as férias sem horários, as jantaradas até às tantas. Não foram as horas só para mim, o acordar sem horários, as folgas sem sair do sofá. Não foi ver a celulite a crescer, a flacidez a aparecer e as maminhas a caírem. Não foi ter perdido a barriga lisa ou ter ganho rugas e cabelos brancos. Não foi o dinheiro que se gasta em coisas que não são para mim: roupas, medicamentos, comida. Não foram os amigos que se afastaram pela minha falta de tempo e de disponibilidade. Não foi o cansaço ao fim de um dia de trabalho. Não foi a falta de tempo para namorar. 
Nada disso. 

O que me custou mesmo nesta coisa da maternidade, foi ter desistido do Ballet. 

05/06/2011

‎"Dance, dance otherwise we are lost"

Em 2008, cumpri vários sonhos. Nesse ano, por esta altura, estava a cumprir um sonho muito antigo que eu pensava já não conseguir realizar: pisar um palco a dançar. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Esse sonho cumpriu-se mais duas vezes. Fiz parte de uma Companhia (assim mesmo, com C maiúsculo) amadora, mas com projectos muito profissionais e com muita vontade de voar. Só posso dizer que essa Companhia voou e eu fazia parte dela.

Hoje, o sonho de muitas meninas vai ser realizado pela mesma Companhia e eu vou estar do outro lado. Por razões pessoais, profissionais, familiares que já se esgotaram em posts neste blogue, este ano eu vou estar sentada na plateia a ver aquela Companhia voar. Este ano, sou mera espectadora de sonhos, não vi a peça crescer, não participei, não cresci com ela.
Pensei que já tinha ultrapassado este desgosto mas sinto o mesmo aperto no coração e as mesmas lágrimas a caírem hoje, como caíram em Setembro, quando decidi desistir. E porque eu não sou pessoa de desistir, a angústia é ainda maior.

EDAK, que este seja um dia em grande para vocês. Espero que cada menina (e menino) que pisar esse palco hoje perceba a sorte que tem e sinta o mesmo orgulho que eu senti nos anos anteriores.

Toi, toi, toi!

31/08/2010

Não me importo de não ir mais ao cinema: adormeço de certeza.
Não me importo de não ir todos os fins de semana ao Bairro Alto. Não me importo de não ir ao japonês todas as semanas.
Não me importo de acordar às oito da manhã depois de nove dias seguidos de trabalho. Aliás, não me importo de acordar às oito da manhã (ou mesmo antes) todos os meus dias de folga. Não me importo de acordar uma vez por noite, ou duas ou três.
Não me importo de não poder estar na praia desde as 11 até o sol se pôr. Não me importo de não poder surfar mais. Não me importo de não poder comprar aqueles ténis de três dígitos.
A sério que não me importo.
Eu sabia que tinha de abdicar de algumas coisas.

Só não sabia que algumas delas magoavam tanto.

29/06/2010

Pensando melhor...

... esqueçam lá o post abaixo. Não conseguiria ser bailarina: os nervos seriam muitos e os meus intestinos não aguentariam até ao terceiro espectáculo.

27/06/2010

Sonho.

Hoje, percebi o que quero ser quando for grande. O que eu quero mesmo é ser bailarina. Pode ser o sonho de muitas meninas, é com certeza. Mas eu, além de tudo o que sou, sou também uma menina de cinco anos com todos os sonhos e fantasias pela frente.
Agora a sério, o Ballet faz parte da minha vida desde que me lembro. A partir dos quatro anos, e por indicação médica, descobrindo o mundo da dança e por lá andei 15 anos. Por ironia do destino, má escolha de caminho, influência (boa? má?) de um Pai que achava que a dança nunca alimentaria uma família, fui percorrendo outro trilho que tinha outro objectivo, mas que me levou ao que sou agora.
Se sou feliz? Claro que sim: continuo a dançar, sinto a adrenalina do palco (ainda que de forma muitíssimo amadora e só um dia por ano, dia esse que se tornou o mais esperado de todos), tenho um marido ligado à dança e até posso dizer que a dança nos sustenta.
Se era isto que eu queria fazer da minha vida? Claro que não. Mas trabalho todos os dias para fazer o melhor que sei, para dar o melhor de mim e agradeço por ter o emprego que tenho, com todas as regalias e onde fui ganhando grandes amizades.

Hoje, fui ver uma peça de dança.
No final, e como era a última exibição daquela peça, o público pôde fazer algumas questões a toda a equipa: bailarinos, músicos, coreógrafo. Uma das questões era para a bailarina mais nova e perguntavam o que é que ela sentia em cima do palco hoje, que tinha 18 anos e acabado de desistir da faculdade (a pergunta era feita com alguma mágoa pela Mãe da própria bailarina). Apeteceu-me falar com aquela senhora e perguntar se ela alguma vez teve um sonho e se alguma vez pôde lutar por ele. Apeteceu-me pegar na senhora e levá-la para o palco, só para ela ver o que se sente lá em cima, o que se vê, o que se ouve. Apeteceu-me ralhar com ela. A sério.
O que ela sente em cima do palco? Afinal, o que é que sentiu aquela Mãe quando viu a filha em cima daquele palco? Não pode ter ficado indiferente... Não ali.

07/06/2009

Todos os anos que tem sido assim: meses de ensaios, preparativos, nervoso-miudinho e frio na barriga. Desde Janeiro que este espectáculo tem vindo a ser preparado e alguns nervos, muitas vezes, dão-nos vontade de desistir ou mesmo questionar: para quê?
E finalmente, o dia chega e a adrenalina a correr pelo sangue faz-nos sentir mais vivas que nunca. Afinal, o para quê? encontra todas as respostas em hora e meia. Foi bom. Foi mesmo muito bom. Mau, foi ter passado tão rápido.

Foto daqui.

04/09/2008

Ui...

Há c'anos que eu não vinha aqui (aqui, às postas da Casca, porque ando sempre atenta às novidades dos meninos da lista à direita) e o blogger já tem novidades.
Muitas coisas têm mudado e essas mudanças trazem-me uma nova maneira de ver o mundo. Mas isso já quase todos sabem ou já perceberam por isso não me alongo neste assunto.
As férias passaram a correr com alguns percalços (nunca vi um Verão em Milfontes com tanto frio) e muitas coisas boas: decisões importantes, projectos a dois, provas de Amor, certezas inabaláveis e até uma prancha nova. O regresso ao trabalho foi sereno, com alguma vontade e até com motivação (!!!). O ballet também já começou com aulas de chão e muitas dores musculares. O tornozelo está a 100%, a cabeça no lugar e o coração inchado de um Amor que se quer forte e longo.
Não é novidade que o projecto "Uma Foto por Dia" ficou a meio. Nunca pensei que isto acontecesse, mas é realmente difícil postar uma foto diferente quando todos os dias são iguais, e invejo verdadeiramente quem consegue.
E estas são as novidades.
Começo a acreditar que todos temos uma oportunidade, que todos a merecemos e que, muitas vezes, essa oportunidade está mesmo à frente do nosso nariz e não a vemos porque estamos afundados em auto-comiseração e pena de nós próprios. Acho que a minha oportunidade está aqui e eu vou tratar de a agarrar.
E como não tenho jeito nenhum para conclusões, fico por aqui com um simples ponto final.

29/04/2008

Dia Mundial da Dança

Muitas vezes, as limitações do corpo deixam-me frustrada e saio das aulas irritada. Não gosto de esquecer as coreografias com esta facilidade, mas tenho a certeza que também essa parte se treina porque estou bem melhor do que há seis meses.
As nódoas negras voltaram a fazer parte dos meus joelhos e tenho a certeza que os vizinhos já não acham estranhos os barulhos dos calcanhares a bater com força no chão. As dores musculares são a prova que os exercícios foram bem feitos mas fica sempre a sensação que podia fazer ainda mais e melhor.
Os nervos aumentam por causa de um espectáculo para crianças que só vai acontecer daqui a mais de um mês porque o medo de falhar é tão grande ou maior do que a vontade de brilhar.
Hoje na aula, para comemorar este dia, concentrei-me como nunca e tentei dar o meu melhor. Os movimentos fluiram com a dificuldade do costume mas consegui sentir com naturalidade o meu corpo dentro daquela música calma.
A dançar sinto-me feliz.

18/04/2008

Ai ca nervos!!!

A dose semanal de ensaios aumenta em proporção aos nervos.
(Falta pouco mais de um mês e já ando com dores de barriga.)