22/11/2015

A vida continua?

Viver em constante sobressalto. Sentir o coração na boca a toda a hora. Saber que a qualquer palavra mais sensível, as lágrimas vão escorrer. Provar as palavras debaixo da língua que nunca vão ser ditas. Os toques dos dedos que nunca se vão sentir. O cheiro, o sabor, o quente de um corpo que nunca mais se tocará. 
A vida continua. Tem continuado na rotina de sempre, na velocidade de sempre, no desgaste de sempre. Os dias têm corrido muito depressa, tudo volta à normalidade. Os amigos mostram-se presentes, preocupam-se e querem confortar. Aprecio. Agradeço. Muitas vezes, fica-se alegremente surpreendida com a proveniência desses carinhos, vindos de gente que não se estava à espera. A vida continua. 
Ainda há dias menos bons. Há refúgios de sempre que nos falham. Há a solidão que se sente no meio da multidão. A falta de tempo para chorar. É tão importante chorar... 
A voz embargada a querer gritar. A urgência em disfarçar. A coragem para resolver.

Contigo sou mais forte. Sem ti, sou apenas eu. 

13/11/2015

1 mês

Já passou um mês. 
O seu coração já não salta quando ouve o elevador do prédio. Já não fica mais triste quando não pára no seu andar. Já não espera ouvir uma chave no lado de lá da porta. Já não se zanga com o barulho que os miúdos fazem de manhã, porque já não há ninguém a dormir. 

Passou um mês. 
E já consegue olhar o espelho de frente, já consegue sorrir, já vê o sol a brilhar quando olha para o céu. Já consegue segurar as rédeas dos seus dias em vez de conduzir em piloto automático sem pensar o rumo que isto vai levar. 

Passou um mês. 
A sensação de querer desaparecer já não existe. As lágrimas já conseguem ficar guardadas, as noites já se dormem. Já tem a certeza que não vai tocar um despertador a lembra-la que isto não passou de um pesadelo. 

Passou um mês. 
E esta é a realidade. E este dia 13 vai ficar-lhe para sempre gravado como o dia em que o chão desapareceu. O dia em que lhe foi arrancada uma boa parte da vida. Uma das mais importantes.

Já passou um mês. 
A história de Amor mais bonita que eu conheço chegou ao fim.



10/11/2015

5k

Foi a minha primeira prova a sério. Daquelas com chip no sapato, tempo contado, dorsal na camisola. Foram apenas 5km mas neste momento é o máximo que eu consigo correr. Há menos de dois meses, queixava-me que não fazia mais que 3,5. 
Tenho tido cada vez mais vontade de correr. Não tenho muita disponibilidade para treinar (nas melhores semanas, consigo treinar uma vez) mas tenho a sensação que, com um pouco mais de treino, facilmente chegaria aos 10km. 
No dia da corrida (um evento banal para a maioria das participantes mas tão especial para mim), estava com as emoções à flor da pele. Os miúdos estavam com o Pai e quis ouvir a voz deles antes de começar. Chamaram por mim e eu chorei. 
No percurso, vi imensos filhos a puxarem pelas Mães, a incentivarem, a gritarem, com cartazes, a baterem palmas. Senti vários apertos na garganta: nenhuma daquelas crianças era minha. Respirava fundo e ia continuando. 
À chegada, liguei-lhes. O António ainda nao percebe que o mais importante foi ter chegado ao fim e ficou desiludido quando lhe disse que não fiquei em primeiro lugar. Mas sobretudo senti necessidade de partilhar esta "vitória" com quem partilha a vida comigo. Só depois me lembrei que a vida já não é partilhada e bati num muro. Frio. Concentrei-me nas vozes dos miúdos (mais do que no conteúdo) e voltei a chorar. Quando desliguei o telefone, tinha  cinco garrafas de água à minha volta e uma voz autoritária:
 - Hidrata-te. E compõe-te. 
Assim o fiz. 

Foi uma sensação do caraças. 28 minutos e 52 segundos. 
5 km inteirinhos. 
É indiscritível. 

Próximo objectivo: 10km. 

02/11/2015

Importa-se de repetir?

Estávamos os quatro no carro, a caminho da escola. Ouvíamos o noticiário das 8h e a jornalista anunciava o fim da greve de fome de Luaty Beirão. Não consegui esconder a minha alegria e manifestei-a em alta voz:
- Que bom! Acabou aquela luta. Aquele miúdo não merecia ser mártir. Que alívio daquela família. Estou mesmo contente.
Começaram as perguntas:
- O que aconteceu? Porque estás contente? Angola é o país do Délcio; é muito longe? O que é uma greve? Porque é que ele tinha fome?
Decidi desligar o rádio e explicar o que tinha acontecido. Fiz os possíveis para que um miúdo de seis anos percebesse.
- Um grupo de rapazes foi preso em Angola porque pensaram que eles queriam fazer mal a quem está no Governo.
- Ao Presidente da República?
- Sim, pensaram que eles queriam fazer maldades e então prenderam-nos. Mas na verdade, eles não fizeram mal a ninguém. Só disseram que não estavam contentes com o Presidente da República.
- Dizer mal é proibido?
- Não é proibido. Só é proibido dizer asneiras e palavras de adultos. Mas eles nem disseram asneiras nenhumas. Foi muito injusto o que fizeram: prenderam-nos sem razão. Por isso, um dos rapazes decidiu parar de comer até serem libertados. Não comeu nada: nem pequeno almoço nem almoço nem jantar durante mais de um mês. Já imaginaste o que isso é? Sabes o que acontece quando as pessoas não comem?
- Morrem?
- Exactamente! Ele estava a ficar doente porque não comia. E hoje decidiu voltar a comer.
- Já não está preso?
- Está. Ele e os outros. Mas agora ele come e já ninguém vai morrer.
- E estás contente?
- Estou.

Dei um tempo para aquela cabeça assimilar tanta informação Estava mesmo contente com as perguntas que me ia fazendo. Ele estava mesmo a perceber e a interessar-se por questões actuais e fracturantes da vida política do século XXI. Já não era o menino desligado a fazer perguntas sem ouvir as respostas. Aquela cabeça estava no lugar.
Passados uns bons cinco minutos:

- Mamã?
- Sim?
- Esse grupo de rapazes eram os Queen?

27/10/2015

Aqui dentro.

Há algumas semanas que me sento no quarto dos miúdos até adormecerem. Normalmente, lia a história, enchia cada um deles com mil beijos e ia embora tratar do resto da casa. Agora, gosto de ficar a ouvir a respiração pesada de quem acabou de adormecer. Gosto de perceber que até a dormir eles são tão diferentes.
Sinto-os a acalmar, o barulho a chuchar na chucha cada vez mais fraco, o ninho que cada um faz até adormecer. 
Fico aqui no escuro até me fartar ou, mais frequentemente, até adormecer embalada no quentinho de um deles. 

Junto deles sinto-me em paz. Sinto-me completa: não preciso mais nada para ser feliz. Sinto-me amada e sinto o Amor incondicional. Sei ainda que sou uma sortuda porque não tenho apenas um grande Amor: tenho três.
Para lá daquela porta, o mundo ruiu. Mas aqui dentro, está tudo exactamente no sítio certo. 

18 meses

Ano e meio de Princesa na minha vida. 18 meses de sorriso doce, olhar curioso, caracóis dourados.

Está teimosa, faladora, espertalhona. Não deixa que lhe dêem a mão na rua, não deixa que lhe dêem de comer, usa o bacio como se nunca tivesse usado uma fralda na vida. Come maçãs inteiras com casca e tudo, se eu deixar está sempre a comer. É vaidosa, tem uma panca com sapatos, adora brincar com carros e com loiças. Canta e dança a toda a hora, ajuda-me a fazer a sopa e a estender a roupa. Ajuda-me com os manos: "Nanuuuu, mêja!" mas está sempre às turras com o Manu:

- Mamã, Nanu bateu.
- Oh, deve ter sido sem querer. Bateu onde?
. Atiiii!!!

18 meses de miúda gira.
Parabéns, little miss T. Obrigada por dares muito mais cor à nossa casa.





25/10/2015

Quando é que se desiste de lutar? Como é que se troca um futuro planeado e pensado ao segundo por uma felicidade incompleta? Como é que tantas certezas e promessas de desfazem em pó? Como vai ser, a partir daqui, esta meia vida que me foi imposta?

"Se a vida te puxa o tapete, salta", dizem eles.

Eles não sabem nada de nada.

17/10/2015

Tenho um filho no 1º ano!

O processo de aprendizagem está a ser maravilhoso.
Sou filha de professora, por isso tenho muitas noções (ainda que muito gerais) dos métodos de ensino básico: sempre gostei de ajudar a minha Mãe a planificar as aulas, a organizar os trabalhos dos alunos, sempre gostei de a visitar em sala e sempre que a visitava tentava participar.
Quando conheci o Professor do António, estava cheia de medo porque sabia que o método usado não era o convencional. Eu conhecia o método. Sabia que ele não iria ter manuais nem TPC's nem fichas. Sabia que ele não ia aprender o aeiou nem encher páginas de letras i's só porque sim. Sabia que era ele quem ia decidir o que aprender e com que ritmo. Sabia que ia ter meninos do 1º e 2º ano na mesma sala de aula. Ainda assim, fui com medo que o meu "bebé" não se adaptasse.
Apesar desse receio, que passou na primeira reunião individual com o Professor, nunca duvidei que era aquilo que eu queria para o meu filho. Que eu queria para nós: que o seu ritmo fosse respeitado, que a curiosidade fosse espicaçada, que ele seria provocado e levado a pensar muito mais além. Nunca duvidei do Colégio (que já conhecemos e que ele já frequenta desde o primeiro ano de vida), nunca duvidei do método (que ele já pratica desde que entrou no Colégio) e, acima de tudo, nunca duvidei do Professor que, apesar de ser novo no Colégio, foi por ele escolhido criteriosamente. Logo, para mim, foi a melhor escolha.
Todos os domingos, o Professor envia por mail o "resumo da semana": uma mail (enorme) com tudo o que os miúdos fizeram, programaram, deixaram por fazer. Todos os domingos fico com a ideia clara do ambiente que se viveu naquela sala, quase ouço as suas dúvidas, quase vejo os olhos atentos, os dedos no ar, os lápis roídos nas pontas. Isto para mim vale ouro porque tenho um filho que não fala do que se passa na escola. Nunca falou.
Talvez tenha errado na profissão. Talvez devesse ter seguido os conselhos da minha Mãe e seguido a profissão dela. Talvez.
Por agora, estou a adorar vê-lo a aprender.

15/10/2015

Tão pequenino e já sabe tanta coisa...

No seu aniversário, o António recebeu de presente (entre outras coisas) uma nota de 20€. Para ele começar a dar valor ao dinheiro, expliquei quanto ele tinha e que podia comprar o que quisesse. Ele quis ir ao Continente comprar um brinquedo para ele e outro para o Manu.
Estivemos a ver imensas coisas e ele já percebia o que podia          ou não com prar com aquela quantia. Escolheu, levamos para a caixa, pagou, recebeu troco. Ao sair:
- Obrigado, Mamã! Estou muito feliz e adoro-te.
- Mas eu não fiz nada, António! O dinheiro era teu.
- Ah, pois é! Obrigado, dinheiro. Adoro-te!

12/10/2015

Pára de crescer já!!

Hoje, no caminho para casa, o António explicou que fizeram uma lista de palavras com EU: museu, meu, adeus. Ao chegar a casa, continuou a lista com o Pai: Eusébio, Matateu, Mateus. 
Feita a lista, o António disse que agora tínhamos que fazer frases com estas palavras. O Pai foi o primeiro:
J - Este é o teu candeeiro. Agora és tu. 
A - Este é o t' Eugénio de Andrade. 

10/10/2015

Mãe (post que devia ter saído no dia 15/9 mas não houve tempo)

Olhar para esta foto traz-me uma sensação de conforto. O colo, o olhar, o mimo. Aqui vejo a Maternidade.
A Mãe que aqui vejo é a minha. A bebé sou eu. Há 38 anos. 
É a Mãe-Avó-galinha, a Mãe-refilona, a Mãe-complicada. É a Mãe-colo, a Mãe-ajudante, a Mãe-apaga-fogos. 

A Mãe que vocês vêem é a minha e faz anos hoje. 

Parabéns, Mamã. 

06/10/2015

1º dia de aulas.

Nunca tive o primeiro dia de aulas. Tive, claro, mas não foi igual ao da maioria das pessoas.
Eu, praticamente, nasci numa escola primária: a minha Mãe foi Professora e eu ia sempre para a escola com ela. Estive durante algum tempo num Jardim de Infância. Pouco tempo. Então, passava os dias a saltar de sala em sala, a servir de boneca dos outros meninos (mais das meninas), a ser estragada pelas Auxiliares, a ser mimada pelas outras professoras.
O meu primeiro dia de aulas foi só mais um dia na escola. Não houve fotos, não houve cerimónia, não houve apresentação oficial da professora: eu conhecia-a desde que nasci (eu sou do tempo dos professores vinculados e efectivos e que seguiam as turmas do 1º ao 4º ano).

Foi com grande entusiasmo que eu vivi o primeiro dia de aulas do António. Este, não sendo, foi o MEU primeiro dia de aulas e estava mais nervosa do que ele. Claro que, no mesmo Colégio, com os mesmos colegas, com um Professor que já conhecia desde o início do mês, para ele foi só mais um dia.
Para mim foi a emoção do começo de um percurso de, espero, sucesso.
Tirei fotos, fixei caras felizes e sorrisos desdentados e, quando me fui embora, chorei na porta da escola.

Não fui a única.

05/10/2015

Encruzilhadas

Durante o nosso crescimento, habituamo-nos ficar perante encruzilhadas: caminhos que temos de escolher quando há duas ou mais hipóteses. A escolha da área de estudo, a escolha do curso, casar ou não, ter filhos ou não. Quanto mais velhos ficamos, menos cruzamentos vão aparecendo. A estabilidade é cada vez maior. Talvez por causa disso, perdemos o calo, tornamo-nos baratas tontas sem saber o que fazer.
São várias as hipóteses. São arriscadas, todas elas. A única que não é arriscada, mas nem por isso melhor, é ficar no mesmo lugar. 

BASTA!

Ok, vamos lá pôr isto a trabalhar. Chega de procrastinar porque as férias já acabaram, há muita coisa para dizer e já não se aguentam as desculpas para a falta de tempo (que por si só é uma desculpa).
Tive duas semanas em família que teve tanto de bom como de mau, mas isso já não é novidade. 
Tenho um pre-adolescente em casa: sim, eles crescem muito mais cedo do que nós crescemos e crises existenciais aos 5 anos é coisa nunca imaginada. Por isso, há dias que alternamos a disciplina positiva e o palmadex no rabo e a coisa vai-se fazendo. 
O do meio está cada vez mais do meio e não larga a minha perna quando saímos de casa. Literalmente. O regresso à escola foi difícil mas essa fase também já está ultrapassada. 
A mais nova está uma despachada e não há quem consiga dar-lhe colo ou a mão na rua. É pô-la no chão e vê-la a correr tipo Bip-bip que ninguém a agarra. Eu sou o coiote. À parte disso, está linda de morrer. 
Eu continuo com menos 10kg e, fisicamente, numa das melhores fases da minha vida. Quem disse que a vida começa aos 40 estava certo: eu estou quase lá!
Estas são as novidades mais mediatas. Mais novidades virão. 
Stay tuned!

05/08/2015

Considerações gerais sobre tudo (ou quase nada)

- às vezes, penso que o mundo seria um lugar melhor se não existissem telefones que tirem fotografias. 
- para desabituar a Teresa a adormecer ao colo, tenho inventado uma história por dia, o que reacendeu o meu sonho de escrever livros pra crianças. 
- desde quando é que camisa branca com sutien preto se tornou moda?
- as pessoas associam a magreza à doença. não raras vezes me perguntam: estás mais magra; mas está tudo bem? (não devia ser o contrário?)
- vender uma casa é tão difícil como vender uma prancha de surf; mais fácil é vender artigos de bebé.
- chegar ao início de Agosto sem ter feito um dia de praia é coisa nunca vista nos meus 38 anos de vida. e dói. 
- ser Mãe é ser muito bipolar. 
- o tempo tem passado mais rápido do que devia. 
- depois de receber a lista de material percebo que tenho um filho quase no 1º ano. bolas, que ainda há dias nasceu...
- correr tem sido bom. as dores de burro não. 

18/07/2015

Da relatividade das coisas.

Na última vez que fui sozinha a um casamento (e este "sozinha" significa sem marido) estava grávida do Manuel e, com uma barriga de quatro meses, achei que podia vestir um vestido solto e uns saltos de 10cm. Como sou daquelas que sai da festa como entrou na festa, como é óbvio não levei outros sapatos. Aliás, isso nem me passa pela cabeça em festa alguma, muito menos num casamento. Não sei se foi por causa dos saltos, das hormonas ou de outra coisa qualquer, fui embora no meio da festa lavada em lágrimas e mais stressada que nunca. A quinta do copo-de-água tinha um lago e eu não consegui estar descansada sentada a jantar sabendo que o meu filho de três anos podia ir parar àquele lago sozinho (ele decidiu que não ia alinhar nas actividades da animadora). Eram nove da noite, eu estava esganada de fome, todos os convidados comiam, bebiam e divertiam-se e eu limpava a maquilhagem esborratada no jardim de uma quinta em Sintra atrás de uma criança curiosa. Peguei no puto e fui para casa. 

Foi por isto que eu fiquei de pé atrás quando me convidaram para um casamento: eu sabia que tinha que ir sozinha com os três miúdos porque o J ia trabalhar o dia todo. O casamento era no sábado, fui convidada na 5ª e comprei a roupa na 6ª. Decidi que não ia com saltos e escolhi umas calças largas bem ao meu estilo (34! comprei o 34!!!) e um top bem elegante mas confortável. A condição era poder pegar em filhos ao colo sem me preocupar se ia mostrar maminhas ou nádegas. Mais: levei as melhores e mais confortáveis sabrinas que tenho e estreei o carrinho de gémeos que compramos.

Não podia ter corrido melhor. Não me sentei 10 minutos seguidos, entre mudas de fraldas, sopa e dois pratos e ainda a sobremesa. Mas o sítio era muito acolhedor, não era muito grande e eu conseguia ver os miúdos no jardim quando estava na sala. Também ajudou tê-los vestido com um pólo encarnado: as crianças estavam todas de branco e os meus saltavam à vista. Dancei, conversei, comi (rápido e pouco) e, mais importante que tudo, relaxei. Os miúdos estiveram à vontade, comeram e brincaram, fizeram amigos e divertiram-se à brava. Claro que preferíamos ter vivido aquele dia com a companhia do Papá, mas foi importante para mim conseguir fazer isto sozinha.  

Conclusão: o tamanho dos saltos é inversamente proporcional à capacidade de divertimento em festas de arromba. Quanto mais altos, menos diversão. 
Lição a reter.

23/06/2015

As pequenas vitórias.

A jantar, expliquei-lhes que é noite de S. João e que faz 2 anos que o António deitou a chucha para o lixo. Estávamos no Porto e ele disse: não quero mais chucha; vou deitar no lixo. O meu coração doeu nessa noite. Já aqui expliquei que o assunto chucha é dos mais sensíveis para mim porque lembro-me per-fei-ta-men-te do dia em que eu larguei a minha e o que me custou. Lembro-me como se fosse hoje. O meu coração doeu por isso mas também por perceber que o meu bebé já não era assim tão bebé.
Deitei-os como de costume. Beijinhos (de todos) e ralhetes (meus) e juras de amor eterno (do António). Pouco depois, veio ter comigo à sala:

- Mamã, posso dizer-te uma coisa?

E eu já ia lançada num novo ralhete quando ele mostrou os dedos.

- Olha, Mamã, o que eu já consigo fazer.

E começou a fazer estalidos com os dedos. Primeiro com a direita, depois com a esquerda. Até já consegue fazer com a esquerda!! Anda a treinar há meses e hoje conseguiu na perfeição. Hoje, dois anos depois do primeiro passo para ser crescido. 
Abracei-o com força, disse BOA!!! com entusiasmo e fiquei mesmo feliz por vê-lo tão feliz. No fim:

- Agora posso dormir na tua cama?

Como se pode recusar um pedido destes? Não se pode.

21/06/2015

Viagem de metro.

Estou no metro. As viagens de metro tornaram-se momentos de introspecção, nos últimos tempos. Deve ser porque, apesar de raras, são os únicos momentos que tenho para mim, para pensar em mim. 
Estou no metro a caminho da escola de Dança. Hoje, vamos fazer um espectáculo de angariação de fundos para umas alunas irem a Nova Iorque e terem oportunidade de mostrar o seu trabalho e talento para além fronteiras. Hoje, vou pisar um palco, mais uma vez. 
Aqui, no metro, olho para o meu caminho. Vejo o que deixei em casa e para onde vou. Os meus Amores e a minha Paixão. 
Hoje, aqui nesta cadeira do metro, sou só mais uma pessoa vulgar num transporte vulgar. Ponho a minha mão no peito: lá dentro bate um coração feliz.

Esta pessoa vulgar é, afinal, a mais feliz. 

28/05/2015

As voltas que a vida dá e as contas que a vida tira.

Eu, que até sou de letras e bem avessa a números (apesar de trabalhar única e exclusivamente com eles) pus-me a fazer contas. Contas aos dias, que já desisti de fazer contas à conta do banco. Nessas contas, dou conta que os meus filhos passam 10 horas na escola. E passam 11 horas a dormir. Ou seja: comigo, eles passam acordados cerca de três horas por dia. Metade delas a gritar ou a arrumar ou a dar ordens. Ou as três coisas ao mesmo tempo.

E o Manu... o Manu que não me dá espaço para mais nenhum filho. E a Teresa que cresce  uma velocidade estonteante sem que eu consiga acompanhar. E o António, no alto dos seus cinco anos, com tantas novidades na vida dele, a tomar atenção a tantas coisas novas, com aquela cabeça sempre a 1000km/h e cheio de curiosidade, sem que eu consiga dar-lhe espaço para me perguntar coisas.

O resultado nem sempre é positivo. Aliás, todas as contas dão-me saldo negativo numa equação que eu não consigo entender com tantas variáveis que eu desconheço.

Noves fora, nada.
O resto é zero.

26/05/2015

Alpista? Yeah... right!

Tenho reparado que quando falo deste assunto da alimentação saudável, dos super alimentos e da opção que fiz em cortar o açúcar (entre outras coisas que me faziam mal), a maioria das pessoas ri-se. E diz coisas do género "o bitoque com ovo à cavalo e batatas fritas também é um super alimento". Normalmente, quem diz isto tem barriga a sobrar por fora das calças.
Não quero que concordem comigo. Não quero evangelizar a questão da alimentação saudável por aí. Mas aprecio que respeitem as minhas escolhas e, principalmente, a minha pessoa. Se me fazem perguntas sobre o que estou a comer e quais as propriedades da quinoa, não me interrompam a rir e a dizer que "alpista também é rico em proteínas".
Se não querem saber, não perguntem!
Vale?
Obrigada.

25/05/2015

Caros leitores,

De certeza que já estarão fartos de ler aqui sobre criancinhas. Também já estarão cansados do registo pseudo-nostálgico-depressivo. Por isso, vou falar-vos hoje dos resultados do meu plano alimentar ou, como eu gosto de chamar, a minha re-educação alimentar. Pareceu-me ouvir gritos de contentamento desse lado!
Ponto principal: já perdi 6kg. Podia ficar por aqui e este já era um post feliz. Mas esta transformação vai muito para além dos números da balança.

O exercício
Tropecei num plano de exercícios diários, com vídeos online, à base de cardio. São 25 minutos por dia que podem ser feitos em casa e que consegui cumprir à risca durante sete semanas. Depois veio o horário completo e ficou mais difícil mas ainda consigo fazer duas ou três vezes por semana para além do Ballet. Se quiserem saber mais sobre o plano de exercícios, espreitem aqui ou aqui.

A alimentação
Consegui eliminar o açúcar refinado da minha vida. Não sou fundamentalista: abro excepções em festas (na festa da Teresa lambuzei-me com os brigadeiros da minha cunhada que são os melhores do mundo). Tenho experimentado coisas novas, receitas, ingredientes, alternativas à comida processada. Tenho lido muito sobre alimentação biológica, sobre os super-alimentos, sobre a adaptação das refeições dos miúdos a esta nova forma de comer. Às vezes, eles torcem o nariz (serão só os meus que não gostam de batata doce?), mas já se habituaram a ver quinoa à mesa, por exemplo. O mais difícil com eles é variar mas tenho conseguido alternar carne-peixe com alguma criatividade. Nem sempre é fácil, especialmente com a falta de tempo, mas vai-se fazendo.

As pontas
Foram as grandes culpadas de tudo isto. Tinha tanto  medo de começar, andei a fugir durante tantos anos e nem imaginei o bem que isto me ia fazer. Faço as aulas de Ballet em pontas e em casa costumo calçar as sapatilhas porque tenho de ganhar muita força, sobretudo no tornozelo esquerdo, que está claramente descompensado em relação ao direito. Acho que não faço muito mal. Não farei bem, com certeza, mas juro (não pensem que estou maluca, mas eu juro!) que estou mais alta.
Se me doem os pés? Não sei: quando calço as sapatilhas há qualquer coisa que muda e eu quase consigo voar. Não sinto dores, não vejo os pés inchados, não sinto as bolhas. Ponho um penso rápido e subo outra vez. E voo. É um sonho.
(Obrigada, A.K,!)

O Futuro
Quando é que a "dieta" acaba? Não acaba porque não é uma dieta: é um estilo de vida. E não tem fim. É adoptado e abraçado e por aqui fica. O meu corpo (e a minha mente) têm agradecido este estilo e isso nota-se a léguas: melhor pele, melhor barriga, melhores pernas, mais paciência, mais calma, mais tolerância.

E mais leve! :)
Foto encontrada na net.

20/05/2015

A Grande Invasão

Na noite passada, eles invadiram a minha cama. Primeiro o Manuel, com aqueles passinhos curtinhos, ouço-o a chegar. Sinto a mão dele na minha cara e  sussurra "Mamã". Aproveito a noitada de trabalho do Pai, puxo-o para o meu lado e adormeço com os seus braços no meu pescoço. 
Acordo antes do despertador tocar e sinto um peso na minha perna: há quanto tempo estaria o António ali a dormir? Fechei os olhos mais um bocadinho e fiquei a ouvi-los dormir, o cheiro a encher-me a alma. 
Quando chegou a minha hora, saí da cama e fui à minha vida. Saí de casa e deixei-os todos a dormir. 

À tarde, no carro, expliquei que não podia ser, cada um tinha a sua cama, que não podiam dormir comigo. Que eu não dormia bem com eles, que o Papá não dormia bem na cama deles, que isto tinha de acabar. 

Agora, estou aqui deitada nesta cama enorme, cheia de vontade que um deles decida invadir novamente este espaço, para poder beber daquele mimo outra vez. 

15/05/2015

A minha casa tem estado mais arrumada.

À partida, ter-se a casa arrumada é bom sinal (para a minha Mãe, é!) e eu devia estar contente. À noite, antes de ir dormir, os brinquedos que apanho do chão têm vindo a ser cada vez menos, os livros espalhados no quarto já escasseiam. Tudo repousa nos devidos lugares. Tal como ontem. E no dia anterior.
À partida, este seria um facto que me deixaria feliz. Qualquer pessoa gosta de ter a casa arrumada. Eu também. 
Mas, quando olho para o tapete da sala e vejo-lhe a cor, ou olho para o sofá e vejo-o com as almofadas no sítio, sinto um aperto no coração e só me apetece chorar.

Voltei a trabalhar com horário completo. Dois anos e sete meses depois. 
Por causa disso, os miúdos acordam antes das 7 da manhã, são os primeiros a chegar à escola, muitas vezes antes das 8. Quando chegamos a casa, a preocupação é fazer o jantar, dar banhos, comer e ir dormir cedo. Basicamente, eles não têm tempo para brincar em casa. Não há tempo para desarrumar. 

Casas com crianças não combinam com casas arrumadas. São incompatíveis. 
Olho a minha casa arrumada e sinto que não estou com os meus filhos. Não os olho, não os ouço, não os cheiro. As manhãs e as noites são passadas a correr. Eles não gozam a casa. Eu não os gozo.

Olho a minha casa arrumada e não gosto. 
Quero o meu tempo de volta.

03/05/2015

Dia da Mãe

Este ano lectivo, na sala do António, fizeram uma iniciativa gira: a Família Leitora. Cada menino escolheu um livro e todas as semanas os livros rodam as famílias, ou seja, cada menino leva um livro para casa para lê-lo e trabalha-lo em Família. Depois de o trabalhar, deve registar o que aprendeu em forma de desenho, pintura, matemática, tentativa de escrita, o que quiser e se quiser.

Nem de propósito, hoje lemos "Quando a Mãe Grita".


Eu sou uma Mãe que grita, que dá palmadas, que põe a "pensar na vida". Confesso que há dias que sou a Mãe que só quer sair de casa e fugir, apesar de todos os livros e artigos que estudei sobre Disciplina Positiva. 

Quando as Mães gritam deixam os filhos desfeitos. E os meus não são excepção.
Quando acabamos de ler o livro, tal como a Mãe da história, pedi-lhe desculpa.

- Não faz mal, Mamã. Eu sei que gostas de nós na mesma e só gritas quando os teus filhos se portam mesmo mal. Mas vamos tentar não portar mal outra vez, está bem?

No dia da Mãe, lemos um livro de partilha das Famílias que serve para os miúdos aprenderem. Neste dia da Mãe, eu é que aprendi uma grande lição.


27/04/2015

Na alfcofa - FIM






A benjamim cá de cada faz um ano. In-tei-ri-nho!
Um ano de surpresas, de casa (ainda mais) cheia, de olho azul, de sorrisos com covinhas nas bochechas. Um ano a acordar todas as noites, a carregar dois filhos ao colo, a dividir atenções, a multiplicar o amor. Um ano fantástico!
Está a revelar o mau feitio mas come bem e dorme bem. Só quer andar agarrada a tudo mas ainda não arrisca a dar passos sozinha. Põe os pés para dentro (mais uma desculpa para ir para o Ballet), senta-se com as pernas em W e adora comer papel. Tem o sorriso mais doce que existe.
Nunca chorou para ficar na escola mas chora ao ver-me quando vou buscá-la: entra num estado de excitação e chora. Sai tanto à Mãezinha, tadita... Adora a escola, adora os manos, adora estragar as corridas de carros do António, adora guinchar com o Manuel, adora ver o Pai a tocar guitarra. Dança, bate palmas, grita para cantar. 
De todas, esta foi a foto mais difícil de tirar: não queria estar deitada. Peço desculpa pela pouca qualidade. 

A Teresa faz um ano e este desafio chega ao fim. Foram dois filhos, uma alcofa (lembram-se?), muitos registos, muitas fotos. Foi muito bom ficar com esta recordação destes reguilas. Tenho muita pena não ter conhecido esta ideia há mais tempo e ter feito também para o António. 
Vou ter saudades. Espero que vocês também. 

Ideia daqui.