18/07/2015

Da relatividade das coisas.

Na última vez que fui sozinha a um casamento (e este "sozinha" significa sem marido) estava grávida do Manuel e, com uma barriga de quatro meses, achei que podia vestir um vestido solto e uns saltos de 10cm. Como sou daquelas que sai da festa como entrou na festa, como é óbvio não levei outros sapatos. Aliás, isso nem me passa pela cabeça em festa alguma, muito menos num casamento. Não sei se foi por causa dos saltos, das hormonas ou de outra coisa qualquer, fui embora no meio da festa lavada em lágrimas e mais stressada que nunca. A quinta do copo-de-água tinha um lago e eu não consegui estar descansada sentada a jantar sabendo que o meu filho de três anos podia ir parar àquele lago sozinho (ele decidiu que não ia alinhar nas actividades da animadora). Eram nove da noite, eu estava esganada de fome, todos os convidados comiam, bebiam e divertiam-se e eu limpava a maquilhagem esborratada no jardim de uma quinta em Sintra atrás de uma criança curiosa. Peguei no puto e fui para casa. 

Foi por isto que eu fiquei de pé atrás quando me convidaram para um casamento: eu sabia que tinha que ir sozinha com os três miúdos porque o J ia trabalhar o dia todo. O casamento era no sábado, fui convidada na 5ª e comprei a roupa na 6ª. Decidi que não ia com saltos e escolhi umas calças largas bem ao meu estilo (34! comprei o 34!!!) e um top bem elegante mas confortável. A condição era poder pegar em filhos ao colo sem me preocupar se ia mostrar maminhas ou nádegas. Mais: levei as melhores e mais confortáveis sabrinas que tenho e estreei o carrinho de gémeos que compramos.

Não podia ter corrido melhor. Não me sentei 10 minutos seguidos, entre mudas de fraldas, sopa e dois pratos e ainda a sobremesa. Mas o sítio era muito acolhedor, não era muito grande e eu conseguia ver os miúdos no jardim quando estava na sala. Também ajudou tê-los vestido com um pólo encarnado: as crianças estavam todas de branco e os meus saltavam à vista. Dancei, conversei, comi (rápido e pouco) e, mais importante que tudo, relaxei. Os miúdos estiveram à vontade, comeram e brincaram, fizeram amigos e divertiram-se à brava. Claro que preferíamos ter vivido aquele dia com a companhia do Papá, mas foi importante para mim conseguir fazer isto sozinha.  

Conclusão: o tamanho dos saltos é inversamente proporcional à capacidade de divertimento em festas de arromba. Quanto mais altos, menos diversão. 
Lição a reter.

23/06/2015

As pequenas vitórias.

A jantar, expliquei-lhes que é noite de S. João e que faz 2 anos que o António deitou a chucha para o lixo. Estávamos no Porto e ele disse: não quero mais chucha; vou deitar no lixo. O meu coração doeu nessa noite. Já aqui expliquei que o assunto chucha é dos mais sensíveis para mim porque lembro-me per-fei-ta-men-te do dia em que eu larguei a minha e o que me custou. Lembro-me como se fosse hoje. O meu coração doeu por isso mas também por perceber que o meu bebé já não era assim tão bebé.
Deitei-os como de costume. Beijinhos (de todos) e ralhetes (meus) e juras de amor eterno (do António). Pouco depois, veio ter comigo à sala:

- Mamã, posso dizer-te uma coisa?

E eu já ia lançada num novo ralhete quando ele mostrou os dedos.

- Olha, Mamã, o que eu já consigo fazer.

E começou a fazer estalidos com os dedos. Primeiro com a direita, depois com a esquerda. Até já consegue fazer com a esquerda!! Anda a treinar há meses e hoje conseguiu na perfeição. Hoje, dois anos depois do primeiro passo para ser crescido. 
Abracei-o com força, disse BOA!!! com entusiasmo e fiquei mesmo feliz por vê-lo tão feliz. No fim:

- Agora posso dormir na tua cama?

Como se pode recusar um pedido destes? Não se pode.

21/06/2015

Viagem de metro.

Estou no metro. As viagens de metro tornaram-se momentos de introspecção, nos últimos tempos. Deve ser porque, apesar de raras, são os únicos momentos que tenho para mim, para pensar em mim. 
Estou no metro a caminho da escola de Dança. Hoje, vamos fazer um espectáculo de angariação de fundos para umas alunas irem a Nova Iorque e terem oportunidade de mostrar o seu trabalho e talento para além fronteiras. Hoje, vou pisar um palco, mais uma vez. 
Aqui, no metro, olho para o meu caminho. Vejo o que deixei em casa e para onde vou. Os meus Amores e a minha Paixão. 
Hoje, aqui nesta cadeira do metro, sou só mais uma pessoa vulgar num transporte vulgar. Ponho a minha mão no peito: lá dentro bate um coração feliz.

Esta pessoa vulgar é, afinal, a mais feliz. 

28/05/2015

As voltas que a vida dá e as contas que a vida tira.

Eu, que até sou de letras e bem avessa a números (apesar de trabalhar única e exclusivamente com eles) pus-me a fazer contas. Contas aos dias, que já desisti de fazer contas à conta do banco. Nessas contas, dou conta que os meus filhos passam 10 horas na escola. E passam 11 horas a dormir. Ou seja: comigo, eles passam acordados cerca de três horas por dia. Metade delas a gritar ou a arrumar ou a dar ordens. Ou as três coisas ao mesmo tempo.

E o Manu... o Manu que não me dá espaço para mais nenhum filho. E a Teresa que cresce  uma velocidade estonteante sem que eu consiga acompanhar. E o António, no alto dos seus cinco anos, com tantas novidades na vida dele, a tomar atenção a tantas coisas novas, com aquela cabeça sempre a 1000km/h e cheio de curiosidade, sem que eu consiga dar-lhe espaço para me perguntar coisas.

O resultado nem sempre é positivo. Aliás, todas as contas dão-me saldo negativo numa equação que eu não consigo entender com tantas variáveis que eu desconheço.

Noves fora, nada.
O resto é zero.

26/05/2015

Alpista? Yeah... right!

Tenho reparado que quando falo deste assunto da alimentação saudável, dos super alimentos e da opção que fiz em cortar o açúcar (entre outras coisas que me faziam mal), a maioria das pessoas ri-se. E diz coisas do género "o bitoque com ovo à cavalo e batatas fritas também é um super alimento". Normalmente, quem diz isto tem barriga a sobrar por fora das calças.
Não quero que concordem comigo. Não quero evangelizar a questão da alimentação saudável por aí. Mas aprecio que respeitem as minhas escolhas e, principalmente, a minha pessoa. Se me fazem perguntas sobre o que estou a comer e quais as propriedades da quinoa, não me interrompam a rir e a dizer que "alpista também é rico em proteínas".
Se não querem saber, não perguntem!
Vale?
Obrigada.

25/05/2015

Caros leitores,

De certeza que já estarão fartos de ler aqui sobre criancinhas. Também já estarão cansados do registo pseudo-nostálgico-depressivo. Por isso, vou falar-vos hoje dos resultados do meu plano alimentar ou, como eu gosto de chamar, a minha re-educação alimentar. Pareceu-me ouvir gritos de contentamento desse lado!
Ponto principal: já perdi 6kg. Podia ficar por aqui e este já era um post feliz. Mas esta transformação vai muito para além dos números da balança.

O exercício
Tropecei num plano de exercícios diários, com vídeos online, à base de cardio. São 25 minutos por dia que podem ser feitos em casa e que consegui cumprir à risca durante sete semanas. Depois veio o horário completo e ficou mais difícil mas ainda consigo fazer duas ou três vezes por semana para além do Ballet. Se quiserem saber mais sobre o plano de exercícios, espreitem aqui ou aqui.

A alimentação
Consegui eliminar o açúcar refinado da minha vida. Não sou fundamentalista: abro excepções em festas (na festa da Teresa lambuzei-me com os brigadeiros da minha cunhada que são os melhores do mundo). Tenho experimentado coisas novas, receitas, ingredientes, alternativas à comida processada. Tenho lido muito sobre alimentação biológica, sobre os super-alimentos, sobre a adaptação das refeições dos miúdos a esta nova forma de comer. Às vezes, eles torcem o nariz (serão só os meus que não gostam de batata doce?), mas já se habituaram a ver quinoa à mesa, por exemplo. O mais difícil com eles é variar mas tenho conseguido alternar carne-peixe com alguma criatividade. Nem sempre é fácil, especialmente com a falta de tempo, mas vai-se fazendo.

As pontas
Foram as grandes culpadas de tudo isto. Tinha tanto  medo de começar, andei a fugir durante tantos anos e nem imaginei o bem que isto me ia fazer. Faço as aulas de Ballet em pontas e em casa costumo calçar as sapatilhas porque tenho de ganhar muita força, sobretudo no tornozelo esquerdo, que está claramente descompensado em relação ao direito. Acho que não faço muito mal. Não farei bem, com certeza, mas juro (não pensem que estou maluca, mas eu juro!) que estou mais alta.
Se me doem os pés? Não sei: quando calço as sapatilhas há qualquer coisa que muda e eu quase consigo voar. Não sinto dores, não vejo os pés inchados, não sinto as bolhas. Ponho um penso rápido e subo outra vez. E voo. É um sonho.
(Obrigada, A.K,!)

O Futuro
Quando é que a "dieta" acaba? Não acaba porque não é uma dieta: é um estilo de vida. E não tem fim. É adoptado e abraçado e por aqui fica. O meu corpo (e a minha mente) têm agradecido este estilo e isso nota-se a léguas: melhor pele, melhor barriga, melhores pernas, mais paciência, mais calma, mais tolerância.

E mais leve! :)
Foto encontrada na net.

20/05/2015

A Grande Invasão

Na noite passada, eles invadiram a minha cama. Primeiro o Manuel, com aqueles passinhos curtinhos, ouço-o a chegar. Sinto a mão dele na minha cara e  sussurra "Mamã". Aproveito a noitada de trabalho do Pai, puxo-o para o meu lado e adormeço com os seus braços no meu pescoço. 
Acordo antes do despertador tocar e sinto um peso na minha perna: há quanto tempo estaria o António ali a dormir? Fechei os olhos mais um bocadinho e fiquei a ouvi-los dormir, o cheiro a encher-me a alma. 
Quando chegou a minha hora, saí da cama e fui à minha vida. Saí de casa e deixei-os todos a dormir. 

À tarde, no carro, expliquei que não podia ser, cada um tinha a sua cama, que não podiam dormir comigo. Que eu não dormia bem com eles, que o Papá não dormia bem na cama deles, que isto tinha de acabar. 

Agora, estou aqui deitada nesta cama enorme, cheia de vontade que um deles decida invadir novamente este espaço, para poder beber daquele mimo outra vez. 

15/05/2015

A minha casa tem estado mais arrumada.

À partida, ter-se a casa arrumada é bom sinal (para a minha Mãe, é!) e eu devia estar contente. À noite, antes de ir dormir, os brinquedos que apanho do chão têm vindo a ser cada vez menos, os livros espalhados no quarto já escasseiam. Tudo repousa nos devidos lugares. Tal como ontem. E no dia anterior.
À partida, este seria um facto que me deixaria feliz. Qualquer pessoa gosta de ter a casa arrumada. Eu também. 
Mas, quando olho para o tapete da sala e vejo-lhe a cor, ou olho para o sofá e vejo-o com as almofadas no sítio, sinto um aperto no coração e só me apetece chorar.

Voltei a trabalhar com horário completo. Dois anos e sete meses depois. 
Por causa disso, os miúdos acordam antes das 7 da manhã, são os primeiros a chegar à escola, muitas vezes antes das 8. Quando chegamos a casa, a preocupação é fazer o jantar, dar banhos, comer e ir dormir cedo. Basicamente, eles não têm tempo para brincar em casa. Não há tempo para desarrumar. 

Casas com crianças não combinam com casas arrumadas. São incompatíveis. 
Olho a minha casa arrumada e sinto que não estou com os meus filhos. Não os olho, não os ouço, não os cheiro. As manhãs e as noites são passadas a correr. Eles não gozam a casa. Eu não os gozo.

Olho a minha casa arrumada e não gosto. 
Quero o meu tempo de volta.

03/05/2015

Dia da Mãe

Este ano lectivo, na sala do António, fizeram uma iniciativa gira: a Família Leitora. Cada menino escolheu um livro e todas as semanas os livros rodam as famílias, ou seja, cada menino leva um livro para casa para lê-lo e trabalha-lo em Família. Depois de o trabalhar, deve registar o que aprendeu em forma de desenho, pintura, matemática, tentativa de escrita, o que quiser e se quiser.

Nem de propósito, hoje lemos "Quando a Mãe Grita".


Eu sou uma Mãe que grita, que dá palmadas, que põe a "pensar na vida". Confesso que há dias que sou a Mãe que só quer sair de casa e fugir, apesar de todos os livros e artigos que estudei sobre Disciplina Positiva. 

Quando as Mães gritam deixam os filhos desfeitos. E os meus não são excepção.
Quando acabamos de ler o livro, tal como a Mãe da história, pedi-lhe desculpa.

- Não faz mal, Mamã. Eu sei que gostas de nós na mesma e só gritas quando os teus filhos se portam mesmo mal. Mas vamos tentar não portar mal outra vez, está bem?

No dia da Mãe, lemos um livro de partilha das Famílias que serve para os miúdos aprenderem. Neste dia da Mãe, eu é que aprendi uma grande lição.


27/04/2015

Na alfcofa - FIM






A benjamim cá de cada faz um ano. In-tei-ri-nho!
Um ano de surpresas, de casa (ainda mais) cheia, de olho azul, de sorrisos com covinhas nas bochechas. Um ano a acordar todas as noites, a carregar dois filhos ao colo, a dividir atenções, a multiplicar o amor. Um ano fantástico!
Está a revelar o mau feitio mas come bem e dorme bem. Só quer andar agarrada a tudo mas ainda não arrisca a dar passos sozinha. Põe os pés para dentro (mais uma desculpa para ir para o Ballet), senta-se com as pernas em W e adora comer papel. Tem o sorriso mais doce que existe.
Nunca chorou para ficar na escola mas chora ao ver-me quando vou buscá-la: entra num estado de excitação e chora. Sai tanto à Mãezinha, tadita... Adora a escola, adora os manos, adora estragar as corridas de carros do António, adora guinchar com o Manuel, adora ver o Pai a tocar guitarra. Dança, bate palmas, grita para cantar. 
De todas, esta foi a foto mais difícil de tirar: não queria estar deitada. Peço desculpa pela pouca qualidade. 

A Teresa faz um ano e este desafio chega ao fim. Foram dois filhos, uma alcofa (lembram-se?), muitos registos, muitas fotos. Foi muito bom ficar com esta recordação destes reguilas. Tenho muita pena não ter conhecido esta ideia há mais tempo e ter feito também para o António. 
Vou ter saudades. Espero que vocês também. 

Ideia daqui.

23/04/2015

Tenho um filho que sabe ler.

As perguntas começaram há alguns meses. 

- Como é que se lê esta letra? O que é que está aqui escrito? Como é que se escreve Benfica?

Nunca insisti em nada. Nunca perguntei o que ele já sabia. Sei que ele gosta mais de números e contas mas ficava muito feliz quando ele me perguntava sobre as letras que via. E ficava muito triste porque ele não percebia que o N se lê ne ou quando se esquecia que um C e um A se lê ca e não ça. Explicava, mas nunca insistia. Quando ele se fartava do jogo eu agia naturalmente e encontrávamos outra brincadeira.

Lembro-me do dia em que comecei a ler. Lembro-me perfeitamente de estar na sala com um jornal na mão depois do jantar e perguntar ao meu irmão como é que se lia aquela letra. Ou o outro conjunto de letras. De achar curioso quando ele me desvendou o segredo e explicou que o L e H juntos fazem lh. Ainda a primeira classe era uma miragem distante. A minha Mãe diz que tinha cinco anos acabados de fazer.

No outro dia, o jogo voltou à hora do jantar:

- Escreve lá uma palavra para eu ler. 

E eu escrevi PATO. Ele leu PATÓ mas corrigiu imediatamente. Escrevi COPO, MALA, CAMA, MAPA. Arrisquei no TOMATE, SAPATO. Ele sempre a ler com as vogais todas abertas SÁ-PÁ-TÓ. Corrigia de seguida e dava gritos de alegria ao perceber que acertava. Fui mais longe ainda e experimentei um ditongo: PAPAIA. Engasgou-se, demorou mais mas chegou lá. O Pai, muito mais arrojado, tentou PORTO, PORTUGAL, PÊRA. E ele sempre a carregar nos rr's: PORRRTO, PÉRRRRA. Ele delirava. Ficou tão feliz! Eu, claro, comovi-me. O meu filho sabe ler. Levantei-me da mesa e fiz uma dança ridícula a rir à gargalhada para que não percebessem que eu já chorava. 
Naquele momento, tinha 5 anos outra vez e lia palavras numa folha de jornal.


Passado o momento da euforia, o Pai disse-lhe: se já sabes ler, vai lá à sala ver quanto é que está o jogo. Voltou rapidamente.

- Papá, ainda está zero a zero mas não percebo uma coisa: o que é que quer dizer DIRRETO?

16/04/2015

Ser Mãe de 3.

Depois de ler isto, chorei. 

Passo dias sem escrever neste blog. Não que não tenha ideias ou histórias giras para contar mas não tenho grande tempo para me sentar ao computador. E quando tenho tempo não tenho ideias. Basicamente, as pequenas histórias vão parar ao facebook e por ali ficam. 
Mas depois leio textos como este e a única coisa que me vem à cabeça é: fogo!, isto podia ter sido escrito por mim. É tão mas tão isto:

"A vida não é para ser simples, é para ser intensa e para ser intensa claro que vai dar trabalho."

Concordo plenamente com a relatividade do cansaço. Mas antes de ter três filhos dividia o meu tempo livre entre o trabalho, ballet, o surf, os passeios, as saídas à noite, os fins de semana fora. Nunca fui de ficar quieta (a minha Mãe e a minha professora da 3ª classe que o digam). Por isso, quando me ponho a contar histórias cá de casa aos colegas de trabalho, eles pensam que a minha sanidade mental está a passar por momentos menos bons. Principalmente, quando conto que tenho paredes pintadas de canetas de feltro e que adoro. Ou quando conto que vou às compras e ponho os três dentro do carrinho.
Ou quando contei aquele episódio em que o Manu entorna o copo de água no chão do quarto e fez com que a Teresa desse guinchos de felicidade a chapinhar na água. Não, eu não limpei a água: eu filmei a cena. Adoro registar a felicidade dos miúdos.

Sim, há dias menos bons e dias em que gostava de dormir mais que duas horas seguidas. Mas não imagino a minha vida de outra maneira. Nunca tinha percebido que era isto que eu queria ser quando fosse grande.


15/04/2015

Noitadas em 3 D

As famílias deviam ter filhos que demoram a adormecer ou filhos madrugadores ou filhos que acordam várias vezes durante a noite. Atenção aqui à conjunção ou
Devia ser proibido ter um de cada. 

09/04/2015

Cara nova

Não sei se já repararam, mas o tasco tem uma cara nova e eu estou a adorar!
Afinal, um blog na pré-adolescência já merecia um template à altura. Digam-me o que acham. Está giro, não está?

08/04/2015

Reeducação alimentar.

Há mais ou menos três semanas, quando decidi deixar de comer açúcar, ainda não tinha saído aquela reportagem da Sic "Somos o que comemos". E mesmo que tivesse saído, eu não teria visto, como até agora não vi, mais que uns breves segundos. Mas há algum tempo que olhava para mim e não reconhecia aquela imagem que o espelho devolvia. Isto pode parecer um cliché dos grandes mas é a mais pura verdade: nunca fiz dieta, nunca tive cuidado com a alimentação, nunca pensei que pudesse vir a sentir-me mal no meu corpo. Nunca sequer pus essa hipótese. Nunca lhe dei muita atenção porque ele também nunca me deixou ficar mal.
Depois de duas gravidezes seguidas e com muito pouco tempo para parar à mesa e comer uma refeição, acordei um dia a pensar que eu só como açúcar. Papa Nestum com açúcar logo ao acordar, bolos, biscoitos, bolachas para enganar a fome, pacotes de gomas comidos em 10 minutos e, ao deitar, leite com mel e um pacote de bolachas de água e sal cheias de manteiga para a abaladiça. Esta foi a minha alimentação durante anos, com pequenas variáveis e excepções (sim, quando combino almoços com pessoas, eu almoço comida de prato e faca e garfo e tudo!).
Sei perfeitamente quando se deu a reviravolta: naquela quarta feira, na aula de Ballet, foi-me feito um ultimato: ou calças umas pontas ou calças umas pontas. Nem sequer foi dada outra opção. Saí daquela aula quase a chorar, não quis vir para casa, só pensava que não havia nem nunca houve bailarinas em pontas com 65kg. Como raio é que os meus pés vão aguentar com este peso em cima? A última coisa que eu queria era que o Ballet deixasse de ser o melhor momento da minha semana e se tornasse um sacrifício. Recusava-me!
Só havia, então, uma saída: perder peso. 
Tive vontade de rir e chorar ao mesmo tempo: eu, aquela pessoa que nunca fez uma dieta, nunca leu o rótulo de uma embalagem, que não sabe distinguir uma proteína de uma fibra, que olha para hidratos de carbono e julga serem elementos da tabela periódica. Estava à frente do desafio mais difícil da minha vida... julgava eu.
A verdade é que nunca pensei que fosse tão fácil. 
Não cheguei a cortar completamente o açúcar branco. Acho que isso é impossível, pelo menos para mim. Continuo a por açúcar no café. Substituí o Nestum pelo café com leite, que bebo com açúcar mascavado. Mas deixei de comer gomas, bolos, queijadinhas, salames de chocolate, pão branco, só como hidratos de carbono até ao almoço, raciono as bolachas, vejo os rótulos antes de comprar qualquer coisa. E passei a fazer exercício diário, mas isso é conversa para outro post que este já vai longo.
Não gosto de dizer que estou a fazer dieta. Chamo-lhe reeducação alimentar e já estou a ver resultados: ando menos cansada, durmo melhor, deixei de ter picos de boa disposição alternados com mau humor, sinto-me mais estável emocionalmente. Fisicamente, já consigo ver resultados, ainda que ligeiros: dois kg em duas semanas. E já deixei de usar aquela cinta que me apertava a barriga para disfarçar o pneu lateral. 
Não se preocupem que não vou começar a evangelização do "seja saudável, coma biológico" e muito menos do exercício e do running como vou vendo por aí. Mas há muito tempo que não me sentia tão bem comigo mesma. 
E isso sabe mesmo bem!

07/04/2015

Um dia chocante.

Ontem, estava num dia daqueles. Tudo parecia correr mal desde que acordei (mas eu cheguei a dormir??). Para piorar as coisas, à tarde, no caminho de casa para o Colégio dos miúdos:

- "atropelei" um garoto que vinha de bicicleta. Pus "aspas" porque acho que foi mais ele que me atropelou: ele ia em contramão, em grande velocidade, numa curva com descida e piso molhado. Ele viu-me e quando travou começou a derrapar e só parou no meu capot. Não quis que o levasse ao hospital, diz que não se magoou mas saiu a coxear com a bina na mão.

- fiz uma parte do eixo Norte-Sul debaixo de uma carga de água que não vi nada à frente durante uns longos dois minutos.

- já perto do Colégio, um carro decide não parar no sinal vermelho e não bate em mim por um pelinho de um careca. Ou porque sou mesmo uma exímia condutora.

Cheguei ao Colégio a tremer, mas desabafei, tomei o meu café e tratei de esquecer os incidentes.

No caminho de regresso, conto estas pequenas histórias aos filhos que me ouvem com a atenção que as suas idades permitem. O mais interessado era, sem dúvida, o António que está na fase de adorar um pequeno drama, um grande acidente ou a desgraça alheia. A meio do caminho, vemos um acidente: uma mota toda partida, o condutor deitado no chão, umas cinco pessoas ao telefone à sua volta. Não que costume parar para contemplar acidentes, mas o trânsito era tanto que vimos tudo com tempo e atenção.

- A mota fartiu!! Xenhori tem dói-dói? No xuelho? - diz o Manu até hoje. Está sempre (mas SEMPRE) a falar do assunto.

O António, ao fim do dia, conclui:

- Hoje, foi mesmo um dia chocante.
- Chocante? Porquê chocante?
- Porque as pessoas estavam sempre a chocar umas com as outras!

01/04/2015

Dia das Mentiras

- Hoje é dia das mentiras, por isso vou dizer aos meus amigos que vi um carro a arder quando vinha para a escola. Ah, espera... isso é o que eu digo todos os dias!!
- ...

27/03/2015

Está a tornar-se grave...

Domingo à tarde, aproveitamos os minis a dormir a sua sesta e jogamos Uno: eu, o António e o Pai. A coisa até corre bem e vamos ganhando um jogo cada um. O pequeno ainda não tem aquela destreza manual que permita manter as suas cartas na mão em leque de modo a conseguir vê-las, por isso vai passando uma a uma com pouco cuidado e nós vamos vendo o jogo dele. 
A páginas tantas, ele tem duas cartas na mão. É a vez dele jogar: coloca na mesa aquela carta que tem todas as cores e que lhe permite escolher qual a cor que quer. Como mandam as regras, depois de jogar essa carta, ele diz:

- Uno!
- Já?? - digo eu - Então, agora tens de escolher uma cor!

Ele olha para a carta que tem na mão, olha para nós, olha para a janela e diz, decidido:

- VERMELHO!

Acho estranho aquela escolha, porque sei que só lhe resta uma carta amarela. Pergunto porquê a sua escolha. 

- Oh Mamã! Porque sou do Benfica, não sabes??

Na alcofa





Está a chegar ao fim! Nem acredito que a Teresinha está quase a fazer um ano. In-tei-ri-nho!
Começou a fazer a adaptação à sala de 1 ano: a primeira manhã correu bem, foi almoçar e dormir a sesta no berçário, voltou para passar mais um bocadinho da tarde e já não quis sair. A adaptação durou assim umas três horas. 
Já se põe de pé em dois segundos, pede colo a toda a hora, come bem, prova tudo. Gatinha pela casa toda sem medos, o que me deixa os nervos em franja a pensar em todos os 19783569 bonecos pequenos espalhados pelo chão deixados pelos manos. Ao terceiro filho, passamos a relativizar o perigo, mas não tanto assim. Ou seja, assustamo-nos com os brinquedos do chão mas não os vamos arrumar.
Está uma doida: não tem medo de nada, atira-se sem saber onde vai cair, detesta ir para a cadeira do carro ou de passeio, come gelatina e bolachas Maria como se não houvesse amanhã. 

19/03/2015

Da relatividade da sorte (ou do azar).

Há uns meses atrás, bati com a traseira do meu carro num poste do estacionamento subterrâneo do Decathlon. Não me lembrei que o poste estava ali, engatei a marcha-atrás, acelerei e PUM!, já foste. Chorei umas duas horas mas estava na fase do pós parto por isso foi desculpável (o choro, não a batida). A porta da bagageira abre, aquilo danificou a porta e o para-choques, o arranjo é coisa para ficar carote, o agravamento do seguro ainda mais carote... Bom, aquilo está assim há uns bons 8 meses.

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No domingo passado, com a família toda no carro, a entrar na 2ª Circular Av. Eusébio da Silva Ferreira, o carro que estava à nossa frente travou bruscamente. O J, que conduzia, teve reflexos rápidos e travou mesmo a tempo de evitar um acidente. Dois segundos depois, ouvimos uma batida atrás. E outra. E nós intactos. 
Saímos para ver se havia feridos e vemos dois carros à nossa frente batidos e, atrás de nós, três carros enfaixados uns nos outros. Nós no meio: intactos. 
O António ficou muito contente porque "até nunca tinha visto um acidente". O Manu perguntou 826 vezes "o qué ito?". A Teresa continuou a dormir.

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Fiquei a pensar nesta coisa da sorte/azar e pensei que fomos uns sortudos em não ter batido em ninguém e ninguém ter batido em nós. 
Vou reformular a frase de cima para não ofender o exímio condutor que é o meu marido.
Fiquei a pensar nesta coisa da sorte/azar e pensei que sou uma sortuda porque tenho um marido que conduz lindamente e evitou o acidente, e também porque somos uns sortudos porque ninguém nos bateu por trás.
Depois pensei naquela manhã de junho, em que bati com violência no poste do estacionamento do Decathlon. E olhei para a bagageira que continua a ganhar ferrugem. E cheguei à conclusão que, afinal, não sou assim tão sortuda.

17/03/2015

Na alcofa.






Não é por ser minha: toda a gente sabe que uma Mãe consegue ser completamente imparcial quando olha para um filho, mas a Teresinha está a bebé mais bonita do mundo. 
Está completamente diferente: já reclama atenção, reclama colo, reclama comida, reclama se algum dos manos lhe tira o brinquedo. Está a sair da casca (que não deixa de ser uma expressão engraçada, dado o nome do blog). Só quer estar de pé, quando tento sentá-la no chão ela põe o rabo para a frente e estica as pernas só para eu não a conseguir sentar! 
Já lhe cortei o cabelo (sim, eu é que cortei) e lá se foram os caracóis. Duvido que voltem a crescer. Desculpem as tias e avós. Mea culpa! Mas está com um ar mais compostinho com aquele cabelo de menino-judeu-refugiado-da-II-Grande-Guerra. Juro que está.
Sete dentes, 75cm, quase 10kg. Uma riqueza da sua Mãe.

P.S.: Desculpem a demora deste mês, mas andaram aí umas viroses esquisitas que afectaram filhos e Mãe e não conseguimos tratar do assunto. Mais vale tarde que nunca, não é o que dizem? 

10/03/2015

Como negociar aos 5 anos.

Depois de deitar os pequenos, peço ao António uma massagem nas costas, que hoje me foram massacradas. Ele faz aquela massagem à maneira dele, que não é mais que umas ligeiras pressões que sabem mesmo bem. Ao fim de meia dúzia de "pressões", fica farto e pede para parar. 
- Mas não fizeste quase nada! Faz lá mais um bocadinho que tenho mesmo muitas dores.  
- Então, só faço mais 30. 

Negócio fechado!

03/03/2015

Estar doente em casa com o mais velho:

- Tens febre?
- Sim. 
- E eu?
- Tu também. 
- Qual é o teu número?
- 39,4. 
- E o meu?
- 39,1. 
- Tu tens mais?
- Sim. 
- Ooooh... ganhaste outra vez. 

25/02/2015

Culpada!!

Terça feira, nove e meia da noite, os miúdos na cama, a cozinha arrumada, a roupa estendida, a sala apresentável, amanhã estou de folga. Sento-me no sofá com um copo de leite quente e umas bolachas com manteiga (o meu jantar desde há uns largos meses), a televisão à frente só para mim. Posso ver o que eu quiser. O que eu escolher. Uma lista infindável de canais, de filmes, de documentários para ver. A possibilidade de recuar no tempo e ver o que deu nos últimos sete dias em qualquer um dos canais. Todo um universo televisivo à distância de um botão.

Fico a pensar dois minutos e decido ver um filme. Qual o filme escolhido?


(A-do-rei! E só pensava que o António iria gostar mesmo de ver este filme.)

23/02/2015

Fartiiiiinha!

Cá em casa há:

  • roupa para lavar,
  • roupa lavada por arrumar,
  • roupa emprestada,
  • roupa para devolver,
  • roupa para emprestar,
  • roupa que já não serve,
  • roupa que ainda não serve,
  • roupa espalhada acabada de despir,
  • roupa para arranjar,
  • roupa para passar a ferro,
  • roupa para levar à lavandaria,
  • roupa que acabou de chegar da lavandaria,
  • roupa nova que oferecem,
  • roupa do futebol,
  • roupa do ballet,
  • roupa dos concertos,
  • roupa para as folgas
  • ...


Não necessariamente em simultâneo. 
Para onde quer que me vire, vejo roupa. Estou farta de roupa. Farta de não saber onde arrumar esta roupa. F-A-R-T-A.

Tendo em conta que vivemos cinco pessoas num T2, alguém tem uma solução milagrosa para isto melhorar? Temo um dia não cabermos em casa por causa da roupa.