27/03/2015

Está a tornar-se grave...

Domingo à tarde, aproveitamos os minis a dormir a sua sesta e jogamos Uno: eu, o António e o Pai. A coisa até corre bem e vamos ganhando um jogo cada um. O pequeno ainda não tem aquela destreza manual que permita manter as suas cartas na mão em leque de modo a conseguir vê-las, por isso vai passando uma a uma com pouco cuidado e nós vamos vendo o jogo dele. 
A páginas tantas, ele tem duas cartas na mão. É a vez dele jogar: coloca na mesa aquela carta que tem todas as cores e que lhe permite escolher qual a cor que quer. Como mandam as regras, depois de jogar essa carta, ele diz:

- Uno!
- Já?? - digo eu - Então, agora tens de escolher uma cor!

Ele olha para a carta que tem na mão, olha para nós, olha para a janela e diz, decidido:

- VERMELHO!

Acho estranho aquela escolha, porque sei que só lhe resta uma carta amarela. Pergunto porquê a sua escolha. 

- Oh Mamã! Porque sou do Benfica, não sabes??

Na alcofa





Está a chegar ao fim! Nem acredito que a Teresinha está quase a fazer um ano. In-tei-ri-nho!
Começou a fazer a adaptação à sala de 1 ano: a primeira manhã correu bem, foi almoçar e dormir a sesta no berçário, voltou para passar mais um bocadinho da tarde e já não quis sair. A adaptação durou assim umas três horas. 
Já se põe de pé em dois segundos, pede colo a toda a hora, come bem, prova tudo. Gatinha pela casa toda sem medos, o que me deixa os nervos em franja a pensar em todos os 19783569 bonecos pequenos espalhados pelo chão deixados pelos manos. Ao terceiro filho, passamos a relativizar o perigo, mas não tanto assim. Ou seja, assustamo-nos com os brinquedos do chão mas não os vamos arrumar.
Está uma doida: não tem medo de nada, atira-se sem saber onde vai cair, detesta ir para a cadeira do carro ou de passeio, come gelatina e bolachas Maria como se não houvesse amanhã. 

19/03/2015

Da relatividade da sorte (ou do azar).

Há uns meses atrás, bati com a traseira do meu carro num poste do estacionamento subterrâneo do Decathlon. Não me lembrei que o poste estava ali, engatei a marcha-atrás, acelerei e PUM!, já foste. Chorei umas duas horas mas estava na fase do pós parto por isso foi desculpável (o choro, não a batida). A porta da bagageira abre, aquilo danificou a porta e o para-choques, o arranjo é coisa para ficar carote, o agravamento do seguro ainda mais carote... Bom, aquilo está assim há uns bons 8 meses.

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No domingo passado, com a família toda no carro, a entrar na 2ª Circular Av. Eusébio da Silva Ferreira, o carro que estava à nossa frente travou bruscamente. O J, que conduzia, teve reflexos rápidos e travou mesmo a tempo de evitar um acidente. Dois segundos depois, ouvimos uma batida atrás. E outra. E nós intactos. 
Saímos para ver se havia feridos e vemos dois carros à nossa frente batidos e, atrás de nós, três carros enfaixados uns nos outros. Nós no meio: intactos. 
O António ficou muito contente porque "até nunca tinha visto um acidente". O Manu perguntou 826 vezes "o qué ito?". A Teresa continuou a dormir.

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Fiquei a pensar nesta coisa da sorte/azar e pensei que fomos uns sortudos em não ter batido em ninguém e ninguém ter batido em nós. 
Vou reformular a frase de cima para não ofender o exímio condutor que é o meu marido.
Fiquei a pensar nesta coisa da sorte/azar e pensei que sou uma sortuda porque tenho um marido que conduz lindamente e evitou o acidente, e também porque somos uns sortudos porque ninguém nos bateu por trás.
Depois pensei naquela manhã de junho, em que bati com violência no poste do estacionamento do Decathlon. E olhei para a bagageira que continua a ganhar ferrugem. E cheguei à conclusão que, afinal, não sou assim tão sortuda.

17/03/2015

Na alcofa.






Não é por ser minha: toda a gente sabe que uma Mãe consegue ser completamente imparcial quando olha para um filho, mas a Teresinha está a bebé mais bonita do mundo. 
Está completamente diferente: já reclama atenção, reclama colo, reclama comida, reclama se algum dos manos lhe tira o brinquedo. Está a sair da casca (que não deixa de ser uma expressão engraçada, dado o nome do blog). Só quer estar de pé, quando tento sentá-la no chão ela põe o rabo para a frente e estica as pernas só para eu não a conseguir sentar! 
Já lhe cortei o cabelo (sim, eu é que cortei) e lá se foram os caracóis. Duvido que voltem a crescer. Desculpem as tias e avós. Mea culpa! Mas está com um ar mais compostinho com aquele cabelo de menino-judeu-refugiado-da-II-Grande-Guerra. Juro que está.
Sete dentes, 75cm, quase 10kg. Uma riqueza da sua Mãe.

P.S.: Desculpem a demora deste mês, mas andaram aí umas viroses esquisitas que afectaram filhos e Mãe e não conseguimos tratar do assunto. Mais vale tarde que nunca, não é o que dizem? 

10/03/2015

Como negociar aos 5 anos.

Depois de deitar os pequenos, peço ao António uma massagem nas costas, que hoje me foram massacradas. Ele faz aquela massagem à maneira dele, que não é mais que umas ligeiras pressões que sabem mesmo bem. Ao fim de meia dúzia de "pressões", fica farto e pede para parar. 
- Mas não fizeste quase nada! Faz lá mais um bocadinho que tenho mesmo muitas dores.  
- Então, só faço mais 30. 

Negócio fechado!

03/03/2015

Estar doente em casa com o mais velho:

- Tens febre?
- Sim. 
- E eu?
- Tu também. 
- Qual é o teu número?
- 39,4. 
- E o meu?
- 39,1. 
- Tu tens mais?
- Sim. 
- Ooooh... ganhaste outra vez. 

25/02/2015

Culpada!!

Terça feira, nove e meia da noite, os miúdos na cama, a cozinha arrumada, a roupa estendida, a sala apresentável, amanhã estou de folga. Sento-me no sofá com um copo de leite quente e umas bolachas com manteiga (o meu jantar desde há uns largos meses), a televisão à frente só para mim. Posso ver o que eu quiser. O que eu escolher. Uma lista infindável de canais, de filmes, de documentários para ver. A possibilidade de recuar no tempo e ver o que deu nos últimos sete dias em qualquer um dos canais. Todo um universo televisivo à distância de um botão.

Fico a pensar dois minutos e decido ver um filme. Qual o filme escolhido?


(A-do-rei! E só pensava que o António iria gostar mesmo de ver este filme.)

23/02/2015

Fartiiiiinha!

Cá em casa há:

  • roupa para lavar,
  • roupa lavada por arrumar,
  • roupa emprestada,
  • roupa para devolver,
  • roupa para emprestar,
  • roupa que já não serve,
  • roupa que ainda não serve,
  • roupa espalhada acabada de despir,
  • roupa para arranjar,
  • roupa para passar a ferro,
  • roupa para levar à lavandaria,
  • roupa que acabou de chegar da lavandaria,
  • roupa nova que oferecem,
  • roupa do futebol,
  • roupa do ballet,
  • roupa dos concertos,
  • roupa para as folgas
  • ...


Não necessariamente em simultâneo. 
Para onde quer que me vire, vejo roupa. Estou farta de roupa. Farta de não saber onde arrumar esta roupa. F-A-R-T-A.

Tendo em conta que vivemos cinco pessoas num T2, alguém tem uma solução milagrosa para isto melhorar? Temo um dia não cabermos em casa por causa da roupa.

11/02/2015

"Ai, Jesus!"

Quando ouvi isto da boca do António, não pude deixar de achar graça. Cá em casa somos ateus praticantes e não costumamos ter conversas sobre religião, seja ela qual for, nem fazemos qualquer tipo de interjeição religiosa como esta que ele usou. Por isso, tive curiosidade:

- Quem é o Jesus, António, sabes?
- É o treinador do Benfica.

Ri-me à gargalhada. Afinal, a resposta não estava errada. O Pai achou que podia desenvolver mais o tema:

- Mas há outra pessoa que se chamou Jesus. Uma pessoa muito importante. Sabes quem foi?

Eu já estava à espera de ouvir a história do Messias, d'Aquele que muita gente acredita que veio salvar os Homens, da fé, da última ceia, do sacrifício, do Jesus histórico e do Jesus bíblico. Já estava a imaginar a cabeça daquela criança a andar a mil à hora com conceitos novos como o baptismo, a ressurreição, a crucificação e afins. Estava a ficar preocupada.

- Ah! Estás a falar daquela primeira pessoa que nasceu no mundo?



Lista de compras: livro sobre o cristianismo explicado aos ateus. 

09/02/2015

2nd is 2!!


O pequeno Manuel faz dois anos.

Descrevo-o com uma frase: é o meu filho mais fácil e mais difícil, ao mesmo tempo. Não sei se perceberão o que quero dizer, mas não consigo descreve-lo de outra forma. 
Come bem, dorme bem, é muito independente, tem uma personalidade muito forte (que é a maneira simpática de dizer "mau feitio"), sabe perfeitamente o que quer e o que não quer e não vale a pena tentar dissuadi-lo ou distraí-lo com falinhas: ele não cai nessa. Já entrou na fase dos terrible two há algum tempo, desafiador, gozão mas tão, tão cómico! É difícil ralhar com ele porque é mais provável ele dissuadir-nos e distrair-nos com o seu charme. É mimocas quando tem de ser, é refilão q.b., muitas vezes esqueço-me que só tem dois anos. Fala pelos cotovelos, canta a toda a hora, dança muito, gosta de desenhar: é o artista da família. Não vive sem os manos, principalmente sem o mais velho. Ou estão aos abraços ou estão às turras, como irmãos normais.

Hoje faz dois anos, este menino de cabelo rebelde e olhar doce, este menino que passou quase metade da sua vida a dormir. Agora, está, sem dúvida, a recuperar o tempo perdido. Faz dois anos o menino que me faz correr mais, varrer mais, limpar mais, gritar mais. O maior desafio da minha vida. A minha paixão do meio que é também e menino que me faz rir mais.

Parabéns, Manu, e obrigada por encheres a nossa vida desta maneira.

04/02/2015

De menina??

Há uns dias, o António pediu-me para sair do Ballet.
- Não quero ir mais para o Ballet, Mamã. Não gosto nada de dançar.
Eu não quis explorar muito o assunto na altura, até porque já estava atrasado para o futebol. Disse apenas que depois falaríamos no assunto com calma, mas que durante o ano lectivo estaria fora de questão. Até porque vai haver um espectáculo daqui a duas semanas (ca nervos!!!) e já estão a contar com ele e blá blá blá. O assunto adormeceu.

Mais tarde, tivemos ensaio para o espectáculo (já disse? ca nervos!!!), o primeiro ensaio em que estivemos os três: eu, o António e o Pai. Com o Pai em trabalho, estive quase o tempo todo com o puto, ele viu-me a dançar, eu vi-o a dançar, elogiei, gostei mesmo de o ver e nem a presença dos pais o atrapalhou. Estava mesmo giro, o raio do miúdo, cheio de pinta e concentração. Saímos os dois da escola de dança (o Pai ainda ficou em trabalho) super animados, a falar do Ballet e do Hip hop e do que gostamos mais de ver um no outro. Não falou em desistir.

Uns dias depois:
- O Xavier* disse que o Ballet é para meninas.

Tudo se tornou claro. Claro e triste. O meu filho quer sair do Ballet porque um amiguinho da escola lhe disse que o Ballet é para meninas. Eu fiquei triste por saber que, em pleno século XXI, ainda há quem pense assim. Não pensem que culpo o amiguinho: ninguém nasce ensinado e aquela criança ouviu aquilo em algum lado. Também não culpo a família do amiguinho: ninguém é obrigado a gostar de Dança e a ver em casa bailados nas horas vagas. Se aquele garoto tivesse visto, pelo menos, dois minutos de uma peça de bailado saberia que há meninos no Ballet. 
Fico chocada que ainda haja esta diferença entre o que é de menina e o que é de menino. Fico triste pelos estereótipos que o meu filho aprende por convivência. Enquanto houver um adulto (seja ele Pai, Mãe, Avô/ó, primo/a, vizinho/a) com um comentário deste género, há uma série de crianças que não faz o que quer ou gosta ou tem vocação porque não é para o seu género.

- O Xavier disse isso? Coitado, se calhar ele também pensa que o futebol é para meninos.
- Ah, não é não, porque lá no meu futebol há meninas!
- E no teu Ballet não há meninos?
- Há, o Gabriel, o Lucas, o N., o Pedro, o...
- E no Hip hop? 
- No Hip hop há muitos meninos!
- Então tens que explicar ao Xavier que não há coisas para meninas e coisas para meninos.

Quando eu era pequena, queria ir para a tropa. E sempre ouvi que "a tropa é para meninos", mas nunca ouvi isso dos meus Pais e eles nunca me disseram que não podia ir. Calhou nunca ter ido para a tropa. Se calhar, era mais feliz. Ou não. Nunca saberei.


*nome fictício, claro.


03/02/2015

Das doenças.

Considero-me uma Mãe prática. Acho que não me atrapalho com nada, gosto de fazer tudo com eles, não há nada na maternidade que me deixe a dizer "isto não é para mim". A sério: nem as noites mal dormidas.
Mas há uma coisa que me deixa de rastos: as doenças. E se por um lado tenho sorte em ter filhos saudáveis, que (por enquanto) só sofrem daquelas mazelas típicas da idade, do tempo e dos infantários, por outro lado isto deixa-me pouco calejada para outras coisas que possam surgir. 
Ontem, a Teresa desidratou. Tomou um antibiótico durante 10 dias por causa de uma otite, o antibiótico arrasou-lhe a flora intestinal, a diarreia piorou no fim de semana, na madrugada de segunda vomitou, fez febre, ficou com sapinhos, está assada do umbigo ao cóccix... ufa!, acho que não há mais nada. No meio disto tudo, o que me deixou mais abalada foi a desidratação. A Pediatra dava indicações para resolver e eu não ouvia nada. Na-da! Felizmente, ela tem o hábito de escrever tudo o que explica e em casa pude rever tudo com mais calma.
Mas aquela frase: "ela está desidratada" ficou a martelar-me a cabeça até agora. Não consigo deixar de sentir a culpa, sentir-me irresponsável, desleixada, negligente. Caramba... ela só tem 9 meses!

Hoje, Miss Little T já sorri. Não come, não quer soro, nem chá, nem água açucarada. Só água. Mas já sorri. Talvez este sorriso ajude este coração de Mãe a voltar ao lugar.

29/01/2015

Na alcofa




Que crescida!! A Teresa está no percentil 90 e tal de comprimento (não atino com estes novos percentis - sim! há novas tabelas de percentil) e 50 de peso. Uma verdadeira top model (sai à Mãe. Ahahahah!!!). Esta filha está a sair da casca. Já reclama um colinho na hora de dormir, grita quando um dos manos não faz o que ela quer, só quer ficar de pé e arqueia as costas com força para não se sentar. Come bem, gosta de bolacha Maria e até do antibiótico. Adora a escola e dá guinchinhos de felicidade quando entra na sala dela.  Continua um doce, a Teresinha.
A partir deste mês, as fotos passam a ser tiradas na casa da Tia M., porque a alcofa já foi emprestada ao primo D. que está quase quase a nascer.

Ideia daqui.
Podem recordar o Manu aqui.

28/01/2015

Diálogos

- Mamã, sabes o que eu aprendi no projecto dos primatas?
- O quê?
- Aprendi que os Homens vêm dos macacos. Os homens e os meninos. As pessoas já foram todos macacos. Menos as meninas que nunca foram macacos. 

13/01/2015

Dramas na vida de uma criança de cinco anos.

O António tem um dente a abanar. Há meses. Não há meio daquilo cair e até já se vê o novo dente a espreitar. Não me deixa arrancar, não lhe toca, não o deixa ver. Já tentei lavar-lhe os dentes com convicção mas ele chorou lágrimas verdadeiras. Das gordas.
A conversa ao jantar andou à volta do dente.
- Oh não!! O meu dente vai cair no inverno! - dizia ele quase a chorar. Não percebi onde queria chegar mas disse que sim, era provável que não aguentasse até março. Ele continuou:
- Vai chover. Está frio. Se o meu dente cair agora, a Fada dos Dentes não vai trazer-me um presente. Ela não consegue voar com este tempo. Oh Mamã...!

Bolas... Queria tanto ter cinco anos outra vez.

30/12/2014

Uma aventura na Noite de Natal

Quando era pequena, estreava sempre roupa nova no Natal: na véspera, claro, e no dia 25, quando vestia roupa que o Pai Natal deixava no sapatinho. Hoje, com três filhos, faço questão de vestir a minha melhor roupa (ou, pelo menos, a que tem menos nódoas de ranho/papa/bolsado no ombro esquerdo) e, aos meus filhos, as camisolas que têm menos borbotos e as calças que estão menos rasgados nos joelhos.
A Teresa só veste roupa emprestada. Tem muito pouca roupa nova e fiz questão de lhe comprar uns sapatos para estrear na véspera de Natal. Umas merceditas, como as meninas bem. Comprei online com a antecedência que me caracteriza e chegaram no correio no dia 23. Mesmo a tempo!
No dia 24, trabalhei até meio da tarde, voei para casa, vesti os putos todos (merceditas incluídas), fiz a mala e saímos para a Marinha Grande perto das seis da tarde. A dois terços do caminho, dou conta que falta um sapato à Teresa. Uma mercedita. Novinha em folha. Perdida uma hora depois de estrear. Chorei.
"Ah e tal, tanta gente a morrer de fome pelo  mundo, tanta gente sozinha na noite de Natal e tu choras porque causa de um sapato", ainda ouvi. Não era um sapato qualquer: era a mercedita nova da minha Teresinha. Custaram-me 20€, caraças! Ainda assim, fiz questão de a manter com um sapato calçado: assim como assim, o prejuízo seria só de 10€.
"Já reparaste que a tua filha tem os collants do avesso?", perguntava alguém em voz alta, já no fim da noite. A falta do sapato revelou o meu segredo: os collants do direito estavam cheios de borbotos e meio encardidos nos joelhos, do avesso eram uns collants novos. Expliquei isto aos presentes, a minha Mãe morreu de vergonha.
Felizmente, o Pai Natal não castiga meninas que só calçam um sapato e deixou-lhe presentes à maneira. No sapatinho. No que sobrava, está claro.


No dia 25, quando chegamos a casa, o sapato perdido estava dentro do prédio, em cima das caixas do correio. Um vizinho encontrou e deixou ali para nós encontrarmos. Neste momento, Miss Little T encontra-se linda de morrer com uma mercedita em cada pé.
Afinal, o Pai Natal existe e mora no 3º esquerdo do meu prédio.

27/12/2014

Na alcofa




A Teresinha continua um doce. Já tem dois novos dentes (até que enfim, que estes deram luta e muitas más noites), come cada vez melhor, interage cada vez mais. Passou o primeiro Natal muito divertida, muito atenta aos primos e a todo o frenesim à sua volta; adormeceu no momento mais caótico: a abertura dos presentes. Ela dá-se melhor no caos, 'tadita: afinal, é o dia-a-dia dela. Apareceram as primeiras bonecas nesta casa: o Pai Natal não se esqueceu. Não estava muito contente no momento da fotografia porque tinha dois melgas a incomodar a princesa. Nota-se, não?

Ideia daqui.

18/12/2014

Praticamente, onde?

- Segunda-feira, chamaram-me madura. "És tão madura", atiraram assim entre uma colher de sopa e dois dedos de conversa. E aquela palavra ficou ali entalada entre um assunto e outro, presa por uma vaga sensação que não podia ser sobre mim. O meu nome não rima com aquela palavra. Nunca rimou.

- Quarta-feira, uma colega minha no ballet, novinha, cara de estudante universitária, viu-me a chegar a esfregar as mãos com energia. "Está com frio?", perguntou e eu não percebi bem a forma e concentrei-me no conteúdo e disse que sim, estava com as mãos e o nariz frios. Ela continuou "os seus bebés, estão bons?". SEUS??!! Ela tratou-me por você. Ela, miúda educada, fofinha, no fim dos teens, achou que eu seria velha o suficiente para não me tratar por tu. Nós ali, vestidas de igual: maillot preto, collants e sapatilhas rosa. Eu era "você", ela era "tu".

- Hoje, almocei com a minha Amiga R e com o meu marido e falávamos sobre isto de sermos crescidos. Eles, ambos mais novos que eu. Contei-lhes a história do ballet e riram-se. "Ainda não percebeste que estás praticamente nos 40?"

Não. Ainda não percebi.

15/12/2014

Viver todos os dias cansa,

já dizia o outro, e eu não podia estar mais de acordo. Principalmente quando mete o trabalho de uma casa de cinco pessoas feita por pouco mais que duas mãos. Quando a fita da persiana se parte e não entra sol numa das poucas divisões da casa. Quando o comando da chave do carro tem um buraco negro em vez do botão que fecha as portas (pelo menos tenho carro!!!). Quando temos presentes de Natal para comprar e vontade zero. Quando há mil coisas para fazer numa semana de férias e só pensamos "raios: descanso mais a trabalhar fora de casa". Quando percebemos que uma semana não chega para almoçar com todos os Amigos de quem morremos de saudades. Quando perdemos tempo à procura da lista das compras que já fizemos há duas semanas e meia, para não perder tempo. Quando o despertador toca e-xa-cta-me-te-à-mes-ma-ho-ra-to-dos-os-san-tos-di-as. Quando damos o nosso melhor em tudo o que fazemos e percebemos que nunca chega. Quando percebemos que estamos há mais de 20 anos a lutar contra o acne "juvenil", há 10 a alternar entre o clearasil e o anti-rugas mas a coisa vai-se dando, e ainda há o dia em que acordamos com um bicanco branco mesmo no meio da testa. 

08/12/2014

Pequenos prazeres da (minha) vida*:

leite quente com mel. abraços dos meus filhos. beijos molhados. meias de lã. camisolas largas. dançar. areia quente nos pés. mergulhar. o silêncio debaixo de água. a casa em silêncio. pasteis de Belém. brigadeiros da minha cunhada. crianças à gargalhada. fogo de artifício. a respiração dos meus filhos. o cheiro deles ao acordar. adormecer no sofá. andar de mão dada. dias frios com sol. o verão. parir um filho. reencontrar velhos amigos e perceber que o tempo não passou. caipirinhas numa noite quente. caramelo. escrever. ouvir Dave Mathews a meia luz. passear a pé por Lisboa. fazer a linha de Cascais de comboio. fazer nada com Amigos. olhar o Mar. ver o pôr-do-sol. o cheiro da terra molhada. andar de avião. o cheiro do Algarve ao nascer do sol. lavar os dentes. Nestum mel com açucar em leite quase a ferver. o colo do meu Pai. andar descalça. conduzir. ler um livro. comer pipocas. tirar fotografias. ver fotografias antigas. receber amigos em casa. encontrar 20€ naquele casaco que já não visto há cinco anos. andar de baloiço. o molotov da minha avó Xia. fazer biscoitos de gengibre. adormecer os miúdos. vê-los brincar com o Pai. vê-los crescer todos os dias.

*- sem qualquer ordem de preferência e sem parar para pensar.

01/12/2014

Isto, na maioria das vezes, é divertido...


O Manuel está com otite e adenoidite. Só chora e pede colo. O meu colo. A Teresa está com fome, com sono e precisa de tomar banho. O António vomita depois do futebol, enquanto come a sopa. Basicamente, só vomita água. Quer dormir na nossa cama e eu deixo. 
Depois do antibiótico, o Manuel fica histérico: parece que levou uma forte injecção de adrenalina. A Teresa deve ter recebido parte dessa dose porque só guincha. Está cada um na sua cama. A guinchar cada um para seu lado.

E eu? Eu estou sentada no chão a olhar fixamente para as luzes da árvore de Natal e a fingir que não é nada comigo.

Ainda bem que a árvore já está montada.

27/11/2014

Na alcofa.


As primeiras febres, o primeiro antibiótico, as primeiras ranhocas, as primeiras noites mal dormidas por estar doente. A Teresinha está comprida, elegante, bem disposta, simpática, meiguinha. Adora fazer festinhas a quem lhe dá colo, adora ver os manos, adora fruta. Come bem, bate palminhas, fica sentada. Continua com dois dentes, adora fazer brrrr enquanto come a sopa, deixando tudo sujo à sua volta e os meus nervos em franja.
Ah! E a primeira ida ao teatro. Portou-se lindamente, muito atenta durante todo o tempo! 

16/11/2014

Para onde vai o tempo que passa?*

Todas as manhãs a gazela acorda: ela sabe que tem de correr mais que o mais veloz dos leões para sobreviver.
Todas as manhãs o leão acorda: ele sabe que tem de correr mais que a mais veloz das gazelas, senão morre de fome.
Não importa se você é gazela ou leão: quando acordar, comece a correr.
(sabedoria africana)

Quando li esta história, identifiquei-me imediatamente. A minha vida passa com tanta velocidade que estou com sérias dificuldades em encontrar-me nela. Os miúdos crescem e eu já não consigo agarrar-lhes os momentos mais importantes. O trabalho exige tanto e a uma rapidez que eu já não consigo desfrutá-lo. O sono... ah, o sono: eu durmo a correr e acordo cansada (e sou uma sortuda porque durmo a noite toda).
Tenho a sensação que passo os dias a correr entre a gazela e o leão: corro para não ser comida e corro para comer. Nos escassos segundos que consigo parar, olho para o espelho e não me reconheço. Olho para a pessoa que dorme comigo e não o reconheço. Olho para os miúdos e quase não os reconheço.
Eu gosto da vida que tenho. Eu sinto-me feliz. Verdadeiramente feliz. Mas não quero viver a correr. Recuso-me.


* Pergunta ouvida no workshop de Escrita Habitual que fiz com a Dora.

03/11/2014

Na alcofa.




6 meses. Meio ano. Interinho!! Adaptou-se lindamente à escola, às rotinas, às sopas e papas e frutas novas. Tantos sabores novos, tantas experiências, tantos meninos, tantas viroses! Pois, uma semana depois de começar a escola chegou a ranhoca e ainda não a largou. Dorme noites inteiras (muitas delas, pelo menos), adormece sozinha, adora ver os manos a brincar, chama a nossa atenção. Está super atenta a tudo o que a rodeia e não dá trabalho nenhum. Está a crescer tão bem, esta filha!