23/09/2014

Momento emotivo do dia II:

De manhã, fui buscá-lo e levei-o para a nossa cama. Ficamos os três num abraço bem apertado e cantamos os parabéns. Ele ria baixinho, esfregava os olhos e, de vez em quando, soltava gritinhos nervosos. "Queres os teus presentes?", perguntei. "Sim!". E fui buscar três embrulhos: "este é da Teresinha, este é do Manu e este é dos Papás", expliquei. "Oh, e eu não tenho nenhum??".

Momento emotivo do dia I:

Já passava da meia noite, fui espreita-lo. Adoro vê-lo a dormir, sentir a respiração calma, o corpo quente, o ar sereno. Sussurrei "parabéns, António" e ele nem se mexeu. Voltei para a sala onde o J via um filme, sentei-me no colo dele: "o nosso bebé já tem cinco anos". E desabei.
Ali ficamos um bom bocado a lembrar aquele dia, há cinco anos, e como a nossa vida mudou. 

O amor é um lugar estranho, dizem. Eu concordo: mas é o meu lugar preferido.

22/09/2014

Carta ao meu filho que ainda não sabe ler.

Não sei se algum dia vais ler isto, António, mas hoje escrevo para ti. Hoje, que fazes cinco anos (inteirinhos!!). Hoje, que faz cinco anos que sou Mãe. Hoje, que faz anos que me mudaste para sempre. 
És um menino muito especial, sabes? Podes pensar que eu digo isto só porque sou tua Mãe. Provavelmente, terás razão. Mas para mim, tu serás sempre o melhor filho, o melhor irmão, o melhor neto, o melhor sobrinho e, mais recentemente, o melhor primo. Gosto de te ver brincar com o mano. Gosto que gostes de fazer rir os teus irmãos: as tuas palhaçadas, as tuas músicas, os teus mimos. Gosto do teu carinho com as primas, o cuidado e preocupação com elas. O que eu gosto mesmo é que vejas a Família como uma Família e que lhe percebas a importância. E eu sei que nessa cabeça (tantas vezes muito distraída) tu percebes quão importante ela é.
Gosto de te ver brincar sozinho. Gosto das histórias que inventas, de te ver no teu mundo de Faíscas e Jakes, gosto que faças de um chinelo o navio pirata, gosto de faças um quadrado de molas e lhe chames de "minha casinha". Gosto que vibres com o futebol (tinhas mesmo de ser do Benfica????), gosto quando vês jogos e discutes com os jogadores que não marcam golo, gosto das tuas dicas ("chuta daí!!"), gosto de te ver a roer as unhas com os nervos.
Há algumas coisas que eu não gosto, António, mas essas agora não importam para nada porque hoje é o teu dia. E neste dia, vais fazer as coisas que mais gostas: vais à escola e vais ao futebol. E vais ser o campeão. Porque ser campeão não é só marcar golos e festeja-los com os outros meninos da tua equipa. Ser campeão é ser o menino que és: aquele que faz massagens à Mamã quando a vê com dores, aquele que dá o brinquedo preferido ao mano, aquele que chora com saudades das pedrinhas que guardou nas férias, mas também aquele que tem coragem de subir à grua do Tibidabo, aquele que come strogonoff duas vezes, aquele que ensina o Pai a jogar Angry Birds.
Parabéns, António. Estes cinco anos fizeram de mim uma pessoa rica. Tu foste o meu primeiro tesouro.

20/09/2014

Kindle

O que é que fomos mesmo fazer a Barcelona? Desde que a Amazon.uk passou a cobrar gastos de envio para Portugal, as minhas compras têm sido feitas na Amazon.es. Esta foi a última e fomos lá busca-la:



E como estou contente!

19/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - notas soltas

- O Manu ficou sem sapatos a meio das férias: todos os que tinha levado deixaram de servir e eu recusei-me (ainda que por uns dias) a gastar dinheiro nuns novos que iria usar tão pouco tempo. Rendi-me à evidência que o miúdo já não para quieto e que as férias não foram passadas em exclusivo na praia, e descobri uns chinelos por 7€, que comprei no Algarve. Ele andou 90% do tempo descalço. Chorei-os como se fossem 70.


- O António, sempre que chegava à praia perguntava pelo creme de assoar. Só ao terceiro dia é percebemos que era o creme solar.

- Numa brincadeira em casa, a cabeça do António teve um encontro imediato de terceiro grau com a esquina da mesa de cabeceira. Teve sangue e tudo. Partir a cabeça em Barcelona traz algum charme, certo?

- A Teresa adorou andar mais de um mês de colo em colo, de passeio em passeio, de viagem em viagem. Desde que chegamos, está mais rabugenta, mais chorona e mais chata.

- O António pensou que eram as gaivotas que arrumavam a bandeira e que "fechavam" a praia.

- O Manu fala imenso, repete tudo, compreende tudo, faz recados simples (pôr a fralda no lixo, dar a chuchinha à Teresa). Deixou de ser o bebézão e está sempre a chamar o irmão para brincar: "Nóni!!"

- O António roi as unhas. 

- No Algarve, os miúdos passaram uma semana na rua: praticamente só entravam em casa para dormir.

- O Manu, destemido, adora a piscina e já pensava que, finalmente, tinha um filho que me acompanhava dentro de água. Até que caiu na piscina. Pronto, Teresinha, és tu que vais ser a minha salvação...

- Nestas férias, cada um de nós dormiu em 6 camas diferentes.

18/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 5

O meu marido só tem férias em Agosto. E Agosto é o mês da confusão, é o mês mais caro, é o melhor mês para se trabalhar. Detesto tirar férias em Agosto. Acabamos por ficar sempre entre Lisboa e o Porto e pouco mais.

Este ano, tivemos um bebé. E a licença de paternidade veio alargar as férias da família para o meu mês preferido: Setembro. Partimos rumo ao Algarve. Cabanas de Tavira. Parque de campismo. Bungalow. (Ah! pensavam que eu era menina para dormir no chão e tomar banho em cabines públicas? NOT!)



Foi uma semana muito boa. Perfeita, só mesmo se o vento abrandasse e nos deixasse ir à praia de tarde. Ainda assim, conseguíamos ir de manhã e de tarde ficávamos na piscina do parque que estava mais abrigada. 


Os miúdos cresceram tanto, nessa semana: iam ao parque infantil sozinhos, arranjaram amigos, tiveram a liberdade que quiseram e que precisavam. Principalmente, o António. Foi uma semana muito boa, mesmo. Já está reservado o mesmo bungalow para 2015!! 



(Estão a contar? Cinco semanas, sexta cama.)

17/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 4

Foi a semana da Costa da Caparica.

Esta semana não foi muito emocionante: íamos à praia de manhã até às 11, voltávamos para almoçar, dormir a sesta (o Manu) e adiantar o jantar (eu), voltávamos para a praia pelas 17 até às 19.30, voltávamos para casa, banhos, jantares, xixi, cama.

No primeiro dia, levamos a Teresa: passou a manhã a dormir. À tarde, estava tanto vento que ela não saiu do ovinho e mesmo assim, quando mais tarde a despi para tomar banho, ela tinha areia dentro da fralda. Den-tro!! A partir daí, passei a ir com os rapazes para a praia e o J ficava com ela em casa: assim como assim, ele não é fã de praia, eu não consigo ficar em casa e a Teresa não pode apanhar sol.

Foi a primeira vez que fiquei na Costa. Nunca tinha feito mais do que umas horas de praia e, há muitos anos, uma passagem de ano. Fiquei bem impressionada com as pessoas, a gentileza, a simpatia, a entre-ajuda que fui reparando: são diferentes as pessoas que vivem ali (ou que ali passam o verão) das que vão só à praia. Fez-me lembrar as férias que eu passava em Sesimbra, todos os anos encontrávamos as mesmas famílias, as mesmas pessoas nos mesmo sítios na praia, a mesma senhora do supermercado.

(Quatro semanas, quinta cama)

16/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 3

A viagem estava marcada desde 26 de julho.

Para quem não sabe, eu tenho uma parte do meu coração em Barcelona. Por duas razões: uma porque é a cidade que me apaixona e que me fazia deixar Lisboa sem pensar duas vezes; outra, porque é lá que vive (quase há 10 anos) a minha prima-irmã-amiga-maior-que-a-vida, a P.. Se mais razões fossem precisas, eu já não ia a Barcelona desde a minha lua-de-mel e estava a morrer de saudades da cidade.

Em julho, no final de um almoço com a família de coração, em que eu e a P. estivemos juntas mas que não chegou para os mimos que precisava (ela também teve uma bebé este ano e eu ainda não tinha beijado aquelas mega-bochechas as vezes suficientes), perguntei ao meu J, muito chorosa, "e agora, quando é que as vejo outra vez?". "Mas vocês passam os dias a conversar no viber!!", "não é a mesma coisa...","então, vamos em agosto!" E o meu rosto iluminou.

Fizemos contas à vida, às horas de viagem, à revisão do carro, e no dia 16, pouco faltava para a uma da manhã, fizemo-nos à estrada. Fizemos, praticamente, metade da viagem de noite com os miúdos a dormir (e eu também). A segunda metade foi dura, não pelos mais pequenos, mas pelo António que já está mais difícil de distrair. Jogamos o jogo das rimas, do "eu estou a ver", das adivinhas, dos números, das matrículas, paramos de duas em duas horas, comemos farnel que trazíamos de casa e só chegamos ao destino no final do dia. Mas valeu a pena, oh se valeu!



Visitar uma cidade com crianças é toda uma nova experiência: fiquei a conhecer todos os parques infantis da Horta até Gràcia! Mas também conseguimos ir às Ramblas, a Barceloneta, molhar o pé no Mediterrâneo e ao Tibidabo (para nós, ir a Barcelona sem ir ao Tibidabo é como ir a Roma sem ver o Papa), onde andamos várias vezes nas diversões à pala de uma família de emiratis que nos deram umas 12 senhas de entrada. Roda gigante, avião, grua e carrossel: tivemos direito a tudo!

A roda gigante

O avião que saía fora da montanha

A roda gigante vista da grua: era mesmo muito alto!

No regresso, fizemos ao contrário: saímos de manhã e chegamos a Lisboa de madrugada. Mas claro que a viagem de volta foi mais cansativa, mais longa e mais chata: a motivação não era a mesma. 

Nesta altura, em três semanas de férias, cada um de nós já tinha dormido em quatro camas diferentes. Ainda as férias iam a meio...

15/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 2

Na verdade, de "summer" estas férias não tiveram muito. Tivemos azar com o tempo, o vento perseguiu-nos, não senti aquele calor abrasador que gosto e que me faz vibrar.

Na segunda semana das férias, os miúdos voltaram à escola. Com cinco pessoas num t2, tivemos que fazer umas mudanças para nos encaixarmos sem ter de saltar por cima de móveis. Assim, trocamos de quarto: os miúdos ficaram com o quarto grande e nós mudamos-nos para o pequeno. Com a ajuda preciosa da minha sogra, montamos um beliche, melhoramos o espaço, destralhamos um bocadinho, mudamos a decoração (deixamos o mundo azul, porque agora há uma menina no quarto). Foi uma semana de "Querido, muda aí a casa que eu tomo conta dos filhos".


O mais engraçado foi ver a reacção dos rapazes, que só viram o trabalho final. O António ainda vê coisas novas todos os dias, "oh Mamã, ainda não tinha visto isto!", o Manu anda todo entusiasmado com tantas coisas para explorar (e desarrumar, o patifezinho) e a Teresinha já dorme no quarto com eles. 

Confesso que a minha parte preferida foi ir ao Ikea com a lista de compras. Senti-me uma verdadeira designer de interiores. Mas quisemos fazer tudo em pouco tempo, porque tínhamos algo em mente há já algum tempo... Mas sobre isso, escrevo amanhã!

11/09/2014

Na alcofa.




(Perdoem-me o atraso, por favor.)
Está comprida, pesada, com cara de princesa. É super mimada, reclama colo (e com razão, coitada, que tem dois manos que chamam muuuuito a atenção). Já dorme no quarto dos manos, dorme noites inteiras, baba muito. Já passa mais tempo acordada, dá gritinhos porque descobriu a voz, passa longos minutos a brincar com os pés e com as mãos. Tudo o que apanha, leva à boca, mas de uma maneira tão trôpega que nos faz rir.
Depois destas férias, posso dizer que esta miúda é uma resistente. Mas sobre isto, falarei noutros posts.

10/08/2014

Primeira semana de férias cheia:

Teve viagem pela nacional. Teve a Bohemian Rapsody (versão Marretas) ouvida em loop umas mil vezes, teve passeio pelo Rio Douro, teve visitas ao Norteshopping, teve visitas à família, teve Bom Jesus de Braga, teve parques infantis, teve carrossel, teve farturas e gelados, teve francesinhas e Serralves, teve patos no Parque da Pasteleira, teve birras e gargalhadas, teve Ílhavo e Ovar, teve mimos e saudades, teve torcicolos e dores, teve massagens e mimos. 

O Manu já não anda: corre. Sente-se cada vez mais seguro e autónomo (e como ele gosta de ser autónomo) e refila cada vez que as coisas não correm como ele quer e, quando isso acontece, berra e guincha como ninguém. Canta e dança a toda a hora, come bolachas a toda a hora, quer comer a sopa sozinho, alinha em tudo. Já diz imensas coisas, mas a mais gira é quando chama a Avó: "Paula!!", assim com todas as letras e tudo. 

O António continua na fase do "não quero": dormir, comer, sair do parque, sair de casa, viajar. Só pensa em futebol, respira futebol, pede para ver futebol na TV, todo o mundo dele gira à volta do futebol. Olha para o mundo com aqueles olhos de 4 anos (quase 5) e diz coisas giríssimas (podemos ter um peixe? quando formos de férias, deixamos o peixe no oceanário para lhe darem comida!!).

A próxima semana vai ser de obras, depois voltamos à estrada. 

Boas férias!!

04/08/2014

De férias.

Este blogue vai ficar meio parado no próximo mês. Fomos de férias e fomos mais ou menos assim.


Boas férias!

29/07/2014

Na alcofa.



3 meses. 6kg e pouco. Percentil 85 de comprimento e 50 de peso: uma top model, portanto. De ar frágil e doce, finalmente aprendeu a chorar. Já passa mais tempo acordada, já faz sorrisos abertos (com uma covinha amorosa na bochecha direita) e adora os manos. O António está apaixonado e o Manu quer brincar com ela: de vez em quando lá leva com um livro na cabeça ou um pato na barriga. Já tem horários mais definidos e tem dormido noites inteiras. Por acaso, hoje estive a arrumar a roupa que já não lhe serve: tanta mas tanta roupa! As gavetas ficaram praticamente vazias. 

P.S. Fiquei com um dilema enorme: guardo a roupa de recém (há prá menina e pró menino) ou dou a quem precisa? Guardo ou não guardo? Guardo ou não guardo? Nunca se sabe o dia de amanhã!! 

27/07/2014

Frida Khalo

Todos os dias penso na Frida Khalo. Todos, desde que acordo (principalmente quando acordo) até ir para a cama. Ela teve um acidente grave em miúda que a levou a ter muitos problemas de coluna (e não só), teve que ser várias vezes operada, passou meses na cama, enfim... uma vida de sofrimento. 
Eu olho para os quadros dela e sinto-lhe as dores.

Eu vivo diariamente com dores. Não serão, com certeza, tão fortes como as da Frida Khalo, nem tão graves. Mas são diárias, constantes e acompanham-me há anos. Lembro-me de ter dores nos ossos, ainda muito pequena, principalmente no verão quando o calor aperta e queremos dormir destapados. Lembro-me do meu Pai dizer-me que eram dores de crescimento. Entretanto, cresci tudo e as dores continuam. Estas, as de crescimento, as dores nos ossos, eu já sei evitar. O problema agora são as outras: as das costas, aquelas que pioram enquanto durmo, aquelas que me levam às urgências de vez em quando, aquelas que me fazem fechar na casa de banho para os meus filhos não me verem chorar.

Todos os dias penso na Frida Khalo e sinto-lhe as dores. E penso também para que me serve ter filhos que dormem noites inteiras, se isto não me deixa dormir? 


23/07/2014

Dos dias xoxos.

Hoje, descobri o que quero ser quando for grande. E se isso é uma boa notícia para muita gente, para mim é só um motivo para ter uma lágrima no olho o dia todo, porque também percebi que é tarde demais. Sou grande demais, agora.
Já não posso ser aquilo que quero ser.

21/07/2014

O melhor presente que se pode dar a um filho é um irmão.

O Manuel nasceu em Fevereiro, o inverno foi frio e húmido, choveu quase todos os dias e passávamos muito tempo em casa. Ele foi um bebé tranquilo e passou os primeiros três meses, praticamente, a dormir. Deitava-o na almofada-ferradura e ele ali ficava o dia todo com a chucha na boca e a fralda na cara, com barulho ou sem, com visitas ou sem, com aspirador ou sem. Ainda assim, e para o confortar, punha a seu lado um boneco do António, o Kico. O boneco com que ele sempre dormiu (e ainda dorme). Sentia-o mais descansado, tranquilo.

A Teresa é uma bebé muito calma, também. Mas não tanto como o Manuel: apesar de passar o dia a dormir, passeia muito mais (aliás, é raro ficarmos em casa que eu tenho bicho carpinteiro nos sofás) e pelas nove, 10 da noite, dá-lhe o amoque. Guincha, esperneia, refila, fica toda vermelha, zangada com o mundo e comigo. O ataquito dura entre 30 a 40 minutos e depois cai redonda a dormir até de manhã. Já fiz várias tentativas para a acalmar (lembram-se disto?), umas com mais sucesso que outras. 

Hoje, para confortar o Manuel que teve um pesadelo bem na hora do ataquito da princesa, tive que a pôr na cama do António (que entretanto estava a dormir na minha cama). Aquilo demorou um bocado porque o rapaz estava inconsolável mas acabou por acalmar. Deitei-o novamente na cama dele e, quando olhei para ela, dormia profundamente enrolada nos lençóis do mano mais velho. A expressão dela era a mais serena.

Os meus mais novos já sabem que têm muita sorte porque têm o melhor irmão mais velho que alguém pode ter.

18/07/2014

Sem título.

Comprei um creme anti-celulite. Dois dias depois de o usar:

- Marido, achas que estou melhor da celulite?
- Da cel...? Claro que sim! Muito melhor! Nada a ver!!
- Oh, marido... Adoro quando me mentes!

17/07/2014

Queridos joelhos,

a malta está parada há séculos, eu sei. E quando digo parada, é mesmo parada: com a obrigação de ficar de rabo colado ao sofá a risco de parir cedo demais. E isto não aconteceu só uma vez: foram três delas! E também sei que a malta ganhou peso. O que esperavam?, que eu desistisse das gomas e das pizzas? Assim, de um dia para o outro? Já ouviram falar em desejos de grávida?
Mas pronto, os bebés já estão cá todos. Prometo-vos que não vem mais nenhum até porque quero recuperar o peso e, porque não?, o corpo de antigamente. E estava mesmo empenhada nisso, queridos joelhos, vocês sabem que estava e até se portaram muito bem naqueles 10 dias seguidos a alternar caminhada com corrida. CO-RRI-DA, ouviram?, aquilo que eu só fazia quando estava atrasada e tinha de apanhar o metro. Eu!!!, que não ando de metro vai para sete anos, iria correr para quê? Mas vocês foram uns fofos e fizeram-me acreditar que eu era capaz, ah pois fizeram. E cada dia corria mais um bocadinho. E a Teresa já estava habituada aos passeios matinais. E até eu.
Caramba, joelhos, porque é que haviam de ficar todos empenados logo agora, que eu estou tão empenhada na cena da corrida? Hein?
Já vos dei uma semana de descanso. Já podiam parar de doer, não??

14/07/2014

Quem sai aos seus...

Mostra-me o ecrã do tablet com o resultado de um jogo.

- Como é que se lê este número?
- Cento e quarenta e três.
- Isto é mais que infinitos?
- Não! Infinitos é mais que todos!
- Não é não, Mamã. Quinhentos infinitos é que é!



Private joke aqui para casa: Marido, ainda lhe vou ensinar que infinitos elevado a infinitos vezes infinitos elevado a infinitos com infinitos parêntesis é que é maior! ;)

12/07/2014

Tem mania que é artista, o puto...

Depois de uma manobra de estacionamento executada na perfeição e à primeira num daqueles lugares que se parecem com a Rua da Betesga, sendo o meu carro o Rossio*:

- Máquina!! Máááááááááááquina! Eu-sou-u-ma-má-qui-na-na-es-tra-da. Sou um espectÁÁÁÁÁÁculo!!
- Oh Mamã, mas se tu és um espectáculo, onde é que está o teu palco?


* - a modéstia é coisa que não me assiste, quando tenho um volante nas mãos.

11/07/2014

Sem título.

O passeio tinha sido rápido e curto, aquele que um domingo chuvoso de verão nos permitiu. Estávamos os cinco no carro e vemos ao fundo o sinal a mudar de vermelho para verde. Nem paramos mas reparamos que o carro da frente, que já estava parado do semáforo, continua sem se mexer. E eu, sempre sensível "e este, já morreu ou quê?" Ao passar devagar pelo carro, vemos o condutor com a mão na cabeça, tombada para a esquerda. O carro continua parado. O meu marido não acelera, continua a olhar o espelho retrovisor, o homem na mesma posição, o carro imóvel. "Ele não está bem. Aquele homem não está bem, Susana." "E agora? Vais salvá-lo?" "Agora? AGORA?? Por causa de pessoas como tu é que isto está como está! É esta sociedade em que vivemos, passamos pelas pessoas que sofrem e fingimos que não é nada connosco. Coitado do homem, a ter um AVC! Onde é que isto vai parar!" Decide encostar, desaperta o cinto e sai do carro a correr em direcção ao outro imóvel no sinal verde. Eu com os miúdos atrás "o Papá??", "porque é que paramos?", "quem era aquele senhor?" viro-me para trás e ele já está mesmo mesmo a chegar ao carro que arranca como se nada fosse. Vejo a cara do meu marido num misto de incredulidade e espanto. O carro, antes imóvel, passa agora por mim e eu olho lá para dentro. O homem não tinha morrido: estava a conduzir de perfeita saúde com a mão na cabeça, sim, porque segurava o telemóvel.

Lembram-se disto? Ainda não foi desta que o meu marido salvou alguém. 

10/07/2014

Mais uma noite normal num T2 para 5

O relógio diz que passam 13 minutos da meia noite. Finalmente, consigo ouvir o silêncio da casa. Hoje, não foi um dia particularmente cansativo, nem triste, nem especial. Foi até bastante normal. Não sei porque é que o adormecer das crianças foi tão atribulado, especialmente o da Teresa. Antes de me deitar, vou vê-las e o cenário é este:

António: destapado, agarrado ao KicoNico (que já foi) branco, com cerca de 22 carros da série Faísca McQueen à sua volta e a pequena lanterna acesa.

Manuel: destapado, pés em cima da almofada, cabeça em cima do KicoNico (ainda) azul, 4 chuchas espalhadas pela cama, fralda do ó-ó amachucada, barriga para baixo, mão direita de fora das grades, caracóis enrolados no lençol.

Teresa: chucha na boca, respiração serena, KicoNico rosa do seu lado esquerdo, fralda do ó-ó no lado direito. A cobri-la, não está o lençol Zara Home oferecida pela Avó nem a manta fofa e cheirosa acabada de lavar, mas a t-shirt que usei hoje na corrida e que ficou a cheirar a transpiração. Só assim é que ela acalmou.

09/07/2014

#3

Vai ser tão bom, não foi?

Ok, não é original, mas tem seis palavras e é uma história.

08/07/2014

Conversas

- Mamã, o que é que queres ser quando fores grande?
- Quero ser escritora.
- Escritora? Que escreve livros?
- Sim! Gostava de escrever livros para crianças.
- Então, quando eu encontrar um livro que não tem letras nem palavras, eu dou-te para tu escreveres. Está bem?