18/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 5

O meu marido só tem férias em Agosto. E Agosto é o mês da confusão, é o mês mais caro, é o melhor mês para se trabalhar. Detesto tirar férias em Agosto. Acabamos por ficar sempre entre Lisboa e o Porto e pouco mais.

Este ano, tivemos um bebé. E a licença de paternidade veio alargar as férias da família para o meu mês preferido: Setembro. Partimos rumo ao Algarve. Cabanas de Tavira. Parque de campismo. Bungalow. (Ah! pensavam que eu era menina para dormir no chão e tomar banho em cabines públicas? NOT!)



Foi uma semana muito boa. Perfeita, só mesmo se o vento abrandasse e nos deixasse ir à praia de tarde. Ainda assim, conseguíamos ir de manhã e de tarde ficávamos na piscina do parque que estava mais abrigada. 


Os miúdos cresceram tanto, nessa semana: iam ao parque infantil sozinhos, arranjaram amigos, tiveram a liberdade que quiseram e que precisavam. Principalmente, o António. Foi uma semana muito boa, mesmo. Já está reservado o mesmo bungalow para 2015!! 



(Estão a contar? Cinco semanas, sexta cama.)

17/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 4

Foi a semana da Costa da Caparica.

Esta semana não foi muito emocionante: íamos à praia de manhã até às 11, voltávamos para almoçar, dormir a sesta (o Manu) e adiantar o jantar (eu), voltávamos para a praia pelas 17 até às 19.30, voltávamos para casa, banhos, jantares, xixi, cama.

No primeiro dia, levamos a Teresa: passou a manhã a dormir. À tarde, estava tanto vento que ela não saiu do ovinho e mesmo assim, quando mais tarde a despi para tomar banho, ela tinha areia dentro da fralda. Den-tro!! A partir daí, passei a ir com os rapazes para a praia e o J ficava com ela em casa: assim como assim, ele não é fã de praia, eu não consigo ficar em casa e a Teresa não pode apanhar sol.

Foi a primeira vez que fiquei na Costa. Nunca tinha feito mais do que umas horas de praia e, há muitos anos, uma passagem de ano. Fiquei bem impressionada com as pessoas, a gentileza, a simpatia, a entre-ajuda que fui reparando: são diferentes as pessoas que vivem ali (ou que ali passam o verão) das que vão só à praia. Fez-me lembrar as férias que eu passava em Sesimbra, todos os anos encontrávamos as mesmas famílias, as mesmas pessoas nos mesmo sítios na praia, a mesma senhora do supermercado.

(Quatro semanas, quinta cama)

16/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 3

A viagem estava marcada desde 26 de julho.

Para quem não sabe, eu tenho uma parte do meu coração em Barcelona. Por duas razões: uma porque é a cidade que me apaixona e que me fazia deixar Lisboa sem pensar duas vezes; outra, porque é lá que vive (quase há 10 anos) a minha prima-irmã-amiga-maior-que-a-vida, a P.. Se mais razões fossem precisas, eu já não ia a Barcelona desde a minha lua-de-mel e estava a morrer de saudades da cidade.

Em julho, no final de um almoço com a família de coração, em que eu e a P. estivemos juntas mas que não chegou para os mimos que precisava (ela também teve uma bebé este ano e eu ainda não tinha beijado aquelas mega-bochechas as vezes suficientes), perguntei ao meu J, muito chorosa, "e agora, quando é que as vejo outra vez?". "Mas vocês passam os dias a conversar no viber!!", "não é a mesma coisa...","então, vamos em agosto!" E o meu rosto iluminou.

Fizemos contas à vida, às horas de viagem, à revisão do carro, e no dia 16, pouco faltava para a uma da manhã, fizemo-nos à estrada. Fizemos, praticamente, metade da viagem de noite com os miúdos a dormir (e eu também). A segunda metade foi dura, não pelos mais pequenos, mas pelo António que já está mais difícil de distrair. Jogamos o jogo das rimas, do "eu estou a ver", das adivinhas, dos números, das matrículas, paramos de duas em duas horas, comemos farnel que trazíamos de casa e só chegamos ao destino no final do dia. Mas valeu a pena, oh se valeu!



Visitar uma cidade com crianças é toda uma nova experiência: fiquei a conhecer todos os parques infantis da Horta até Gràcia! Mas também conseguimos ir às Ramblas, a Barceloneta, molhar o pé no Mediterrâneo e ao Tibidabo (para nós, ir a Barcelona sem ir ao Tibidabo é como ir a Roma sem ver o Papa), onde andamos várias vezes nas diversões à pala de uma família de emiratis que nos deram umas 12 senhas de entrada. Roda gigante, avião, grua e carrossel: tivemos direito a tudo!

A roda gigante

O avião que saía fora da montanha

A roda gigante vista da grua: era mesmo muito alto!

No regresso, fizemos ao contrário: saímos de manhã e chegamos a Lisboa de madrugada. Mas claro que a viagem de volta foi mais cansativa, mais longa e mais chata: a motivação não era a mesma. 

Nesta altura, em três semanas de férias, cada um de nós já tinha dormido em quatro camas diferentes. Ainda as férias iam a meio...

15/09/2014

Férias 2014 ou Endless Summer - semana 2

Na verdade, de "summer" estas férias não tiveram muito. Tivemos azar com o tempo, o vento perseguiu-nos, não senti aquele calor abrasador que gosto e que me faz vibrar.

Na segunda semana das férias, os miúdos voltaram à escola. Com cinco pessoas num t2, tivemos que fazer umas mudanças para nos encaixarmos sem ter de saltar por cima de móveis. Assim, trocamos de quarto: os miúdos ficaram com o quarto grande e nós mudamos-nos para o pequeno. Com a ajuda preciosa da minha sogra, montamos um beliche, melhoramos o espaço, destralhamos um bocadinho, mudamos a decoração (deixamos o mundo azul, porque agora há uma menina no quarto). Foi uma semana de "Querido, muda aí a casa que eu tomo conta dos filhos".


O mais engraçado foi ver a reacção dos rapazes, que só viram o trabalho final. O António ainda vê coisas novas todos os dias, "oh Mamã, ainda não tinha visto isto!", o Manu anda todo entusiasmado com tantas coisas para explorar (e desarrumar, o patifezinho) e a Teresinha já dorme no quarto com eles. 

Confesso que a minha parte preferida foi ir ao Ikea com a lista de compras. Senti-me uma verdadeira designer de interiores. Mas quisemos fazer tudo em pouco tempo, porque tínhamos algo em mente há já algum tempo... Mas sobre isso, escrevo amanhã!

11/09/2014

Na alcofa.




(Perdoem-me o atraso, por favor.)
Está comprida, pesada, com cara de princesa. É super mimada, reclama colo (e com razão, coitada, que tem dois manos que chamam muuuuito a atenção). Já dorme no quarto dos manos, dorme noites inteiras, baba muito. Já passa mais tempo acordada, dá gritinhos porque descobriu a voz, passa longos minutos a brincar com os pés e com as mãos. Tudo o que apanha, leva à boca, mas de uma maneira tão trôpega que nos faz rir.
Depois destas férias, posso dizer que esta miúda é uma resistente. Mas sobre isto, falarei noutros posts.

10/08/2014

Primeira semana de férias cheia:

Teve viagem pela nacional. Teve a Bohemian Rapsody (versão Marretas) ouvida em loop umas mil vezes, teve passeio pelo Rio Douro, teve visitas ao Norteshopping, teve visitas à família, teve Bom Jesus de Braga, teve parques infantis, teve carrossel, teve farturas e gelados, teve francesinhas e Serralves, teve patos no Parque da Pasteleira, teve birras e gargalhadas, teve Ílhavo e Ovar, teve mimos e saudades, teve torcicolos e dores, teve massagens e mimos. 

O Manu já não anda: corre. Sente-se cada vez mais seguro e autónomo (e como ele gosta de ser autónomo) e refila cada vez que as coisas não correm como ele quer e, quando isso acontece, berra e guincha como ninguém. Canta e dança a toda a hora, come bolachas a toda a hora, quer comer a sopa sozinho, alinha em tudo. Já diz imensas coisas, mas a mais gira é quando chama a Avó: "Paula!!", assim com todas as letras e tudo. 

O António continua na fase do "não quero": dormir, comer, sair do parque, sair de casa, viajar. Só pensa em futebol, respira futebol, pede para ver futebol na TV, todo o mundo dele gira à volta do futebol. Olha para o mundo com aqueles olhos de 4 anos (quase 5) e diz coisas giríssimas (podemos ter um peixe? quando formos de férias, deixamos o peixe no oceanário para lhe darem comida!!).

A próxima semana vai ser de obras, depois voltamos à estrada. 

Boas férias!!

04/08/2014

De férias.

Este blogue vai ficar meio parado no próximo mês. Fomos de férias e fomos mais ou menos assim.


Boas férias!

29/07/2014

Na alcofa.



3 meses. 6kg e pouco. Percentil 85 de comprimento e 50 de peso: uma top model, portanto. De ar frágil e doce, finalmente aprendeu a chorar. Já passa mais tempo acordada, já faz sorrisos abertos (com uma covinha amorosa na bochecha direita) e adora os manos. O António está apaixonado e o Manu quer brincar com ela: de vez em quando lá leva com um livro na cabeça ou um pato na barriga. Já tem horários mais definidos e tem dormido noites inteiras. Por acaso, hoje estive a arrumar a roupa que já não lhe serve: tanta mas tanta roupa! As gavetas ficaram praticamente vazias. 

P.S. Fiquei com um dilema enorme: guardo a roupa de recém (há prá menina e pró menino) ou dou a quem precisa? Guardo ou não guardo? Guardo ou não guardo? Nunca se sabe o dia de amanhã!! 

27/07/2014

Frida Khalo

Todos os dias penso na Frida Khalo. Todos, desde que acordo (principalmente quando acordo) até ir para a cama. Ela teve um acidente grave em miúda que a levou a ter muitos problemas de coluna (e não só), teve que ser várias vezes operada, passou meses na cama, enfim... uma vida de sofrimento. 
Eu olho para os quadros dela e sinto-lhe as dores.

Eu vivo diariamente com dores. Não serão, com certeza, tão fortes como as da Frida Khalo, nem tão graves. Mas são diárias, constantes e acompanham-me há anos. Lembro-me de ter dores nos ossos, ainda muito pequena, principalmente no verão quando o calor aperta e queremos dormir destapados. Lembro-me do meu Pai dizer-me que eram dores de crescimento. Entretanto, cresci tudo e as dores continuam. Estas, as de crescimento, as dores nos ossos, eu já sei evitar. O problema agora são as outras: as das costas, aquelas que pioram enquanto durmo, aquelas que me levam às urgências de vez em quando, aquelas que me fazem fechar na casa de banho para os meus filhos não me verem chorar.

Todos os dias penso na Frida Khalo e sinto-lhe as dores. E penso também para que me serve ter filhos que dormem noites inteiras, se isto não me deixa dormir? 


23/07/2014

Dos dias xoxos.

Hoje, descobri o que quero ser quando for grande. E se isso é uma boa notícia para muita gente, para mim é só um motivo para ter uma lágrima no olho o dia todo, porque também percebi que é tarde demais. Sou grande demais, agora.
Já não posso ser aquilo que quero ser.

21/07/2014

O melhor presente que se pode dar a um filho é um irmão.

O Manuel nasceu em Fevereiro, o inverno foi frio e húmido, choveu quase todos os dias e passávamos muito tempo em casa. Ele foi um bebé tranquilo e passou os primeiros três meses, praticamente, a dormir. Deitava-o na almofada-ferradura e ele ali ficava o dia todo com a chucha na boca e a fralda na cara, com barulho ou sem, com visitas ou sem, com aspirador ou sem. Ainda assim, e para o confortar, punha a seu lado um boneco do António, o Kico. O boneco com que ele sempre dormiu (e ainda dorme). Sentia-o mais descansado, tranquilo.

A Teresa é uma bebé muito calma, também. Mas não tanto como o Manuel: apesar de passar o dia a dormir, passeia muito mais (aliás, é raro ficarmos em casa que eu tenho bicho carpinteiro nos sofás) e pelas nove, 10 da noite, dá-lhe o amoque. Guincha, esperneia, refila, fica toda vermelha, zangada com o mundo e comigo. O ataquito dura entre 30 a 40 minutos e depois cai redonda a dormir até de manhã. Já fiz várias tentativas para a acalmar (lembram-se disto?), umas com mais sucesso que outras. 

Hoje, para confortar o Manuel que teve um pesadelo bem na hora do ataquito da princesa, tive que a pôr na cama do António (que entretanto estava a dormir na minha cama). Aquilo demorou um bocado porque o rapaz estava inconsolável mas acabou por acalmar. Deitei-o novamente na cama dele e, quando olhei para ela, dormia profundamente enrolada nos lençóis do mano mais velho. A expressão dela era a mais serena.

Os meus mais novos já sabem que têm muita sorte porque têm o melhor irmão mais velho que alguém pode ter.

18/07/2014

Sem título.

Comprei um creme anti-celulite. Dois dias depois de o usar:

- Marido, achas que estou melhor da celulite?
- Da cel...? Claro que sim! Muito melhor! Nada a ver!!
- Oh, marido... Adoro quando me mentes!

17/07/2014

Queridos joelhos,

a malta está parada há séculos, eu sei. E quando digo parada, é mesmo parada: com a obrigação de ficar de rabo colado ao sofá a risco de parir cedo demais. E isto não aconteceu só uma vez: foram três delas! E também sei que a malta ganhou peso. O que esperavam?, que eu desistisse das gomas e das pizzas? Assim, de um dia para o outro? Já ouviram falar em desejos de grávida?
Mas pronto, os bebés já estão cá todos. Prometo-vos que não vem mais nenhum até porque quero recuperar o peso e, porque não?, o corpo de antigamente. E estava mesmo empenhada nisso, queridos joelhos, vocês sabem que estava e até se portaram muito bem naqueles 10 dias seguidos a alternar caminhada com corrida. CO-RRI-DA, ouviram?, aquilo que eu só fazia quando estava atrasada e tinha de apanhar o metro. Eu!!!, que não ando de metro vai para sete anos, iria correr para quê? Mas vocês foram uns fofos e fizeram-me acreditar que eu era capaz, ah pois fizeram. E cada dia corria mais um bocadinho. E a Teresa já estava habituada aos passeios matinais. E até eu.
Caramba, joelhos, porque é que haviam de ficar todos empenados logo agora, que eu estou tão empenhada na cena da corrida? Hein?
Já vos dei uma semana de descanso. Já podiam parar de doer, não??

14/07/2014

Quem sai aos seus...

Mostra-me o ecrã do tablet com o resultado de um jogo.

- Como é que se lê este número?
- Cento e quarenta e três.
- Isto é mais que infinitos?
- Não! Infinitos é mais que todos!
- Não é não, Mamã. Quinhentos infinitos é que é!



Private joke aqui para casa: Marido, ainda lhe vou ensinar que infinitos elevado a infinitos vezes infinitos elevado a infinitos com infinitos parêntesis é que é maior! ;)

12/07/2014

Tem mania que é artista, o puto...

Depois de uma manobra de estacionamento executada na perfeição e à primeira num daqueles lugares que se parecem com a Rua da Betesga, sendo o meu carro o Rossio*:

- Máquina!! Máááááááááááquina! Eu-sou-u-ma-má-qui-na-na-es-tra-da. Sou um espectÁÁÁÁÁÁculo!!
- Oh Mamã, mas se tu és um espectáculo, onde é que está o teu palco?


* - a modéstia é coisa que não me assiste, quando tenho um volante nas mãos.

11/07/2014

Sem título.

O passeio tinha sido rápido e curto, aquele que um domingo chuvoso de verão nos permitiu. Estávamos os cinco no carro e vemos ao fundo o sinal a mudar de vermelho para verde. Nem paramos mas reparamos que o carro da frente, que já estava parado do semáforo, continua sem se mexer. E eu, sempre sensível "e este, já morreu ou quê?" Ao passar devagar pelo carro, vemos o condutor com a mão na cabeça, tombada para a esquerda. O carro continua parado. O meu marido não acelera, continua a olhar o espelho retrovisor, o homem na mesma posição, o carro imóvel. "Ele não está bem. Aquele homem não está bem, Susana." "E agora? Vais salvá-lo?" "Agora? AGORA?? Por causa de pessoas como tu é que isto está como está! É esta sociedade em que vivemos, passamos pelas pessoas que sofrem e fingimos que não é nada connosco. Coitado do homem, a ter um AVC! Onde é que isto vai parar!" Decide encostar, desaperta o cinto e sai do carro a correr em direcção ao outro imóvel no sinal verde. Eu com os miúdos atrás "o Papá??", "porque é que paramos?", "quem era aquele senhor?" viro-me para trás e ele já está mesmo mesmo a chegar ao carro que arranca como se nada fosse. Vejo a cara do meu marido num misto de incredulidade e espanto. O carro, antes imóvel, passa agora por mim e eu olho lá para dentro. O homem não tinha morrido: estava a conduzir de perfeita saúde com a mão na cabeça, sim, porque segurava o telemóvel.

Lembram-se disto? Ainda não foi desta que o meu marido salvou alguém. 

10/07/2014

Mais uma noite normal num T2 para 5

O relógio diz que passam 13 minutos da meia noite. Finalmente, consigo ouvir o silêncio da casa. Hoje, não foi um dia particularmente cansativo, nem triste, nem especial. Foi até bastante normal. Não sei porque é que o adormecer das crianças foi tão atribulado, especialmente o da Teresa. Antes de me deitar, vou vê-las e o cenário é este:

António: destapado, agarrado ao KicoNico (que já foi) branco, com cerca de 22 carros da série Faísca McQueen à sua volta e a pequena lanterna acesa.

Manuel: destapado, pés em cima da almofada, cabeça em cima do KicoNico (ainda) azul, 4 chuchas espalhadas pela cama, fralda do ó-ó amachucada, barriga para baixo, mão direita de fora das grades, caracóis enrolados no lençol.

Teresa: chucha na boca, respiração serena, KicoNico rosa do seu lado esquerdo, fralda do ó-ó no lado direito. A cobri-la, não está o lençol Zara Home oferecida pela Avó nem a manta fofa e cheirosa acabada de lavar, mas a t-shirt que usei hoje na corrida e que ficou a cheirar a transpiração. Só assim é que ela acalmou.

09/07/2014

#3

Vai ser tão bom, não foi?

Ok, não é original, mas tem seis palavras e é uma história.

08/07/2014

Conversas

- Mamã, o que é que queres ser quando fores grande?
- Quero ser escritora.
- Escritora? Que escreve livros?
- Sim! Gostava de escrever livros para crianças.
- Então, quando eu encontrar um livro que não tem letras nem palavras, eu dou-te para tu escreveres. Está bem?

07/07/2014

Sem título.

Há uns tempos, o meu marido chegou a casa com um ar preocupado. Quando isto acontece, a primeira coisa que eu pergunto é "o carro ficou muito partido?". E ele que não, não teve nada que ver com o carro mas com um cão com bom aspecto que estava na porta do prédio ao lado. Eu, com a insensibilidade que me caracteriza, "e???", e ele continuava com um ar sério e grave "coitado, cheio de fome e ainda por cima está a chover, claramente foi abandonado há semanas e encontrou agora a casa e deve ter fome e o dono não o quer, o que é o jantar?" "Desculpa?? Bacalhau espiritual lá é comida de cão? Já agora leva umas gambas alijo para ele saber o que é bom! Era o que faltava ter trabalho de cozinhar e dar a um cão. Deve estar à espera do dono." "Achas? À chuva? Nenhum dono deixa o cão à chuva. Foi abandonado e está faminto, pobre do cão que se não fosse a minha asma já estava cá em casa. A que horas fecha o Pingo Doce?" "Já fechou a esta hora, e agora eu até já me apeguei ao raio do cão, porque é que não vais à bomba de gasolina e compras aquelas latas de comida para cão, pelo menos o pobrezinho sobrevive à noite. Amanhã logo vemos que fazer dele." E lá foi ele, com uma garrafa de água numa mão e dois tupperwares vazios na outra (um para a comida e outro para a água) a caminho da bomba. 
Chegou meia hora mais tarde com a garrafa de água, os tupperwares, a lata por abrir e um ar ainda mais miserável. "Quando estava a chegar encontrei a D. Maria (a senhora que faz a limpeza dos prédios aqui da rua) que me explicou que este cão é do vizinho do prédio de baixo, que apaixonou-se pela cadela do prédio de cima e como ela está com o cio não sai da porta à espera dela. Não tem fome, não foi abandonado, não está infeliz. Só carente."

Desde esse dia, tenho uma lata de comida marca Pedigree à espera que um canídeo abandonado mexa com o coração do meu marido novamente.

04/07/2014

Depois disto digam-me com sinceridade: de zero a 10, quão chanfrada é esta cabeça?

Odeio comer. Acho uma perda de tempo, sou esquisita, detesto provar coisas, não gosto de legumes. Por tudo isto, detesto cozinhar: aborrece-me, faço-o por obrigação, diariamente. Faço sempre as mesmas coisas, não sei conjugar sabores, sigo receitas para tudo. Não tenho imaginação para variar nos pratos e nos sabores. A Bimby é a minha melhor amiga, bem como o livro base (nem sequer arrisco nos outros livros, e tenho quase todos).
Adoro ver programas de culinária e desde que tenho tv por cabo, o meu canal preferido é o 24 Kitchen. Gosto daquela Filipa Qualquer-Coisa, sou fã do Jamie Oliver, até gosto de ver aquele padeiro holandês na sua língua arranhada.
Ultimamente, dou por mim a cozinhar como se tivesse uma câmara de filmar à frente e a apresentar um programa de culinária. Explico em voz alta o que estou a fazer, faço comentários como "hum!, adoro o cheiro do gengibre acabado de cortar" ou "basta pôr uma colher de sopa de mel para apurar todos os sentidos" ou ainda "estão a ver a explosão de cores desta salada?".
Desta maneira, em vez de o fazer com sacrifício, faço-o com algum prazer. 

03/07/2014

É agora ou nunca.

Na verdade, já começou há uns dias. Mas eu não gosto de publicitar estas coisas porque os planos podem sair furados e fico a sentir-me uma fraude. Além disso, hoje em dia toda a gente fala no mesmo e eu não sou pessoa de gostar de fazer parte da carneirada. No entanto, a motivação tem de vir de algum sítio e eu não a tenho encontrado. Escrever sobre isto pode servir para motivar-me ou, pelo menos, para lembrar-me dos objectivos. (Isto e um caixote de roupa 36 que tenho ali na arrecadação.)
Na primeira gravidez, ganhei 7kg. Ao fim de 15 dias já tinha recuperado praticamente todo o peso, excepto 2kg. Na sequência de uma gravidez de risco, e porque estive deitada durante três meses, os músculos tornaram-se preguiçosos e moles, a celulite ficou mais funda e o corpo mais lento.
Na segunda gravidez, ganhei 9kg. Ao fim de 20 dias perdi-os todos, excepto dois. Estava pronta para recuperar a forma rapidamente e levei os ténis de correr para as férias. Até que soube que estava grávida... outra vez.
Na terceira gravidez, ganhei novamente 9kg. Quando a Teresa fez um mês, já tinha perdido sete. Até hoje. Faltam dois. Outra vez aqueles dois teimosos quilos que ganharam tanto carinho por mim que não vão embora. Noves fora, nada: tenho 6kg para perder. E, mais que isso, tenho muito abdominal para tonificar, muito glúteo para queimar e muita celulite para destruir.
Entre os 20 e os 30 anos, bastava-me fechar os olhos para perder peso. A sério: queria perder e perdia. Aquilo era tão natural como respirar: em Maio achava que 55kg era demais e em Junho já tinha 50 outra vez. Assim, sem muito esforço. E ia de férias com os calções 34 que eu adorava. A partir dos 30, a coisa começou a complicar. Aos 37 e com três filhos... é uma missão impossível.
Está nas minhas mãos mudar isto (e as dores nas costas que estes 6kg e 3 filhos, dois que não andam - não, o Manu ainda não anda!!!) representam. Tenho feito algumas caminhadas. Na última, consegui correr um bocadinho. Tenho feito uns batidos ao almoço que me saciam até meio da tarde. Ainda não consegui eliminar o açúcar, mas também não vale a pena tentar muito: a última vez que o fiz tive vontade de matar pessoas. Muitas pessoas. Já reduzi a quantidade!
O objectivo é perder estes 6kg e com eles a barriga de 3 meses. Não me imponho uma data porque não gosto de ameaças. E não se preocupem que eu não vou andar aqui a mostrar fotos de comidas saudáveis nem fotos minhas dentro daquelas calças que comprei em 1999 e que não apertam o fecho e muito menos vos vou maçar com planos de treino e de corridas.
Neste momento, o foco está na balança. E a mudança nas minhas mãos.

01/07/2014

Na alcofa.


Dois meses. O que ela cresceu! Tem imensa roupa que já não lhe serve (sorte que foi tudo emprestado), o cabelo está a ficar com caracóis (como o Manu) e mais clarinho (como o António). Continuam a dizer que ela é parecida com o Manu: cada vez acho mais diferente. Já ri com intenção, reconhece as vozes de casa, segue os movimentos. Está cada vez mais bonita, com uns olhos pestanudos e ar sereno. 
A nossa princesa já foi à praia, aos santos populares e a uma festa de família com mais de 50 pessoas. Sempre a dormir. Seeeeeempre!

Ideia daqui.