15/01/2014

Os meus filhos são estranhos.

Há dois anos, cancelamos o serviço da Meo. Não víamos televisão que justificasse aquela mensalidade e optamos por um serviço só de net e telefone fixo poupando uns trocos. Portanto, há dois anos que temos quatro canais, TDT a funcionar mal e com péssima qualidade de imagem. 
Agora, com os pacotes novos de net + tv + telemóveis, fizemos as contas e chegamos à conclusão que podíamos poupar uns trocos por mês tendo mais canais disponíveis e re-instalamos o serviço. Eu estava em pulgas com a possibilidade de ver outras coisas, outros canais, voltar a ver séries, voltar a poder escolher o que quer que fosse para além do botão OFF da minha televisão (apesar de saber que não tenho tempo para ver televisão e, quando tenho, adormeço em breves cinco segundos). E estava também em pulgas para ver a reacção dos meus filhos, principalmente do mais velho. Seria como ver televisão a cores pela primeira vez, pensei eu, e já o imaginava de queixo caído a ver o Baby TV (o preferido dele há dois anos), o Jim Jam, o Panda... Pensei logo que ele ia deixar de ser ostracizado pelos colegas na escola depois de conhecer o Jake, os Caricas e outros que não têm espaço no Zig-Zag. Imaginei o olhar extasiado do puto, a birra para ir para a cama esta noite, a dificuldade em mudar de canal.
Preparei a máquina fotográfica e anunciei a boa nova:

- António, já temos canais só de desenhos animados! Até temos o Disney Channel onde passa mooooontes de episódios da Casa do Mickey Mouse!!! 

Toda eu era entusiasmo, orgulho e rejubilo. Ele olhou para a caixa mágica e com um sorriso amarelo:

- Boa.

Virou costas e continuou a corrida de carrinhos que estava a acontecer no tapete da sala.
Tive vergonha e não tirei nenhuma foto.

14/01/2014

A Princesa sem nome II

Todas as hipóteses já foram colocadas. E quando eu digo todas, estou mesmo a falar a sério: TODAS, incluindo Jupraltina. A saga da escolha do nome não é de hoje: já dura há cinco anos.
Há algumas condições: não pode/deve começar com a mesma letra dos outros manos, deve manter o estilo dos "nomes antigos" para combinar com os outros, prefiro que não faça homenagem a ninguém (avós, tias, amigas: porque ela vai sempre ter mais que uma avó, mais que uma tia e fazer homenagem a umas e não a outras não me parece nada justo) e, finalmente, nomes de ex-namoradas do Pai estão fora de questão. Também evitamos nomes repetidos de outras crianças que nos são próximas e que têm a mesma idade, porque anda tudo na mesma escola e assim evitamos serem tratadas como na tropa: a Almeida, a Cunha e a Silva (eu sei que é chato: fiz o 9º ano com seis Susana na mesma turma - SEIS).
Portanto, e por exclusão de partes, ficaram estes em cima da mesa: 

         Luísa 
         Teresa
         Isabel
         Sofia

Os rapazes estão inclinados para um, eu estou inclinada para outro, apesar de gostar de todos. 
Querem tentar adivinhar?

13/01/2014

DIY 2

Um dos livros preferidos lá em casa é este e por isso não pensei duas vezes sobre o que fazer com aquela caixa enorme que apareceu lá em casa. Foi até muito simples: bastou pôr o (ainda) mais novo lá dentro e o resto veio sozinho.
A primeira coisa a acontecer, foi o mais velho juntar-se e de repente a caixa não é uma caixa: é um carro. Tivemos que desenhar o painel com conta quilómetros, indicadores de consumo e até rádio (sintonizada na nossa estação preferida, claro).



Rapidamente deixou de ser um carro: só tinha dois lugares e por isso só podia ser uma mota!


Mas não temos capacetes! Toda a gente sabe que é proibido andar de mota sem capacete. Logo chegou outra ideia: tem asas, é um avião! Adicionamos a companhia aérea nas asas, não se fosse confundir com uma low cost qualquer, e estamos prontos para voar. Tio Miguel: prepara a mesa que vamos almoçar ao Brasil!



(Não faço ideia que combustível levam os aviões, por isso não gozem, ok??)

Personalizamos mais um bocado a máquina, escrevendo "este avião é do António". Quem não percebe que é isto que está ali escrito, é uma batata podre.
Mais tarde, já com o avião aos comandos exclusivos do António (já se sabe que os mais pequenos se fartam rapidamente das novidades), foi transformado em garagem de carros e autocarros (e de peças de dominó, mas não percebi a lógica).


Com esta brincadeira e com os dois dominados num espaço seguro e vigiado (sobretudo o mais pequeno), consegui arrumar a cozinha toda, fazer sopa e adiantar o jantar. Cool!!!
O mais engraçado de tudo é que para além dos desenhos, eu não tive que fazer nada: as ideias surgiram naturalmente da cabeça do mais velho.

12/01/2014

A Princesa sem nome (porque eu ainda sou a Rainha nesta casa)

Desde que engravidamos a primeira vez, decidimos que, se fosse menina, chamar-se-ia Ana. Só Ana, sem mais nada. O médico confirmou que era um rapaz e, por sugestão do Pai, que me agradou bastante, ficou António.

Na segunda gravidez, combinamos que, sendo menina, se chamaria Ana. Sem qualquer dúvida. Só Ana, sem mais nada. Confirmou-se que seria mais um rapaz, o António chamou-o Manel assim de chofre. Gostamos e ficou Manuel.
Entretanto, o meu irmão que (pensávamos nós) nasceu para ser Tio e apenas Tio babado dos seus sobrinhos, anuncia que está grávido e que tem uma filha de coração. Nome da filha de coração? Ana. Ahahahah!!!!

Terceira gravidez: já que Ana está ocupado, Maria seria a segunda escolha. Só Maria, sem mais nada.
Eles fizeram o teste, será uma menina.
- Vai chamar-se Maria!, disseram.
E o nosso é confirmado como sendo um rapaz. Perfeito: nós fazemos os meninos e eles as meninas, nomes perfeitos, dúvida entre José e Joaquim, o António decidiu, está decidido: Joaquim! Melhor não podia ser, até porque eu e o J não chegamos a acordo sobre nomes de meninas: todos os que eu gosto ele não gosta e todos os que ele gosta não me dizem nada.

Às 22 semanas, o médico 

"ah, que giro, afinal o Joaquim tem um pipi!"
"está a gozar comigo, certo?"
"mas está tudo bem com a bebé!"
"diga-me que está a gozar comigo!"

E ele ficou sem perceber que, estando Joaquina fora de questão pelas razões óbvias (perdoem-me as Joaquinas que me lêem), ficamos com uma menina sem nome.

11/01/2014

Falar Inglês

O meu filho mais velho aprende inglês na escola. Além de outras coisas, ele aprende a cantar músicas em Inglês. Ele, que é o maior trapalhão do mundo a falar Português, fica muito cómico a cantar em Inglês. Saem assim coisas deste género:

Jingle Bells Jingle Bells, Jingle all the waine...

Ou então:

Xeiquó éd, quicó leds, ueió amx (em vez de shake you head, kick your legs, wave your arms).

E eu farto-me de rir com ele e penso sempre que da próxima vez tenho mesmo que gravar, porque um dia ele aprende a dizer as coisas bem e perde metade da piada. 
Mas lembro-me também da primeira música que eu aprendi a cantar em Inglês, antes mesmo de saber o que era o Inglês ou de perceber que havia pessoas no mundo que falam outra língua. Foi, por influência do meu irmão, o Walk of Life dos Dire Straits e lembro-me do que ele gozava de cada vez que eu a cantava (e atenção que eu cantava TUDO, do início ao fim!!). 
E ainda aquela cassete (aqui já mais velha) com as minhas músicas preferidas, gravadas da Rádio Cidade, que ficou gasta de tanto se ouvir. Na caixa da cassete, tinha a lista das músicas que eu própria tinha escrito à mão e uma delas era esta:


Cada vez mais acho que a minha infância e juventude tinham sido muito mais felizes com internet...

10/01/2014

[Não tenho título para isto]

Um português estava a estagiar num país do norte da Europa (Finlândia, Noruega, Suécia, não sei qual). Um dia apanhou boleia de um colega que o levou de carro até ao trabalho. Foram dos primeiros a chegar e, apesar de haver imensos lugares de estacionamento mesmo à porta do edifício, o colega estacionou num lugar bem mais longe. Ao ver aquilo, o português achou estranho e perguntou porque é que ele tinha escolhido aquele lugar, com tantos que havia mesmo à porta:
- Não tenho pressa! Estes lugares ficam para aqueles que, por qualquer imprevisto, tiverem que chegar atrasados. Assim, não perdem tempo a chegar ao edifício.

Já não sei quem me contou esta história e nem sequer se ela é verdadeira. Isto é impensável no nosso país, certo?

Todos os dias choco com pessoas que se estão a cagar para os outros. Desculpa a linguagem, Mamã, mas é esta mesmo a expressão que quero usar: cagar para o próximo. Não é egoísmo: eu também sou egoísta, gosto de ver os meus interesses em primeiro lugar, gosto de me colocar em primeiro, mas caramba!, não passo por cima de ninguém para o fazer. Não piso ninguém! Ok, se calhar, não sou egoísta pura, sou só uma egoísta-zinha ou uma pseudo-egoísta. 
Ontem, entrava no edifício onde trabalho. Da porta, vejo o elevador: são uns 8/10 passos, e vi uma senhora a entrar, olhar para mim, carregar no botão e fechar a porta. Eu fiquei de fora.
Hoje, dia de chuva intensa, vi carros estacionados nas passadeiras à porta do edifício e, para passar por eles, não só tive que ziguezaguear com o meu carro como, a pé, tive que os contornar sendo obrigada a ir pelo meio da estrada.
Atenção: trabalho num sítio com estacionamento reservado (não há lugares marcados mas está reservado para funcionários, pessoas que trabalham comigo todos os dias, directa ou indirectamente).
Claramente, estas pessoas estão a cagar-se para as outras. Acho que isto ultrapassa o egoísmo: estão mesmo a CAGAR. Não lhes interessa todas as pessoas que os rodeiam, não lhes interessa! Para eles, não existe mais nada para além do seu próprio umbigo.
Não estou à espera de ter um lugar à porta quando entro às 10h, como na história que contei. Estou apenas à espera de consideração, de respeito. 
No mínimo, de respeito.

09/01/2014

Na alcofa.






11 meses! 
Céus, como o tempo passa depressa! Parece que ainda há dias entramos nesta casa com este bebé pequenino e dorminhoco.
Está cada vez mais engraçado. Alinha muito bem nas brincadeiras, é muito atrevido e mete-se connosco para chamar a atenção. A roupa está toda apertada (não curta: apertada mesmo), continua a comer bem e de tudo. Já tem 9 dentes (mas já andam mais a incomodar) e os caracóis estão a crescer outra vez. Já se põe de pé, invade o espaço do irmão sem medos e adora a escola. 

No próximo mês, acabamos este desafio. Já estou com saudades. Em Abril recomeçamos com um bebé diferente. :)

Peço desculpa, mas não tenho feito a referência ao blog onde tirei esta ideia. Lembro que a roubei daqui.

08/01/2014

DFU

A ideia não é minha, é descaradamente copiada daqui mas acho uma ideia tão boa, tão importante, que valoriza tanto os miúdos que achei imprescindível imitar. O António não mostra qualquer animosidade em relação ao irmão e até acho que se adaptou muito bem a esta pessoa pequenina que entrou na nossa vida e que passou os primeiros meses, basicamente, a dormir. De repente, começou a invadir o nosso espaço e tempo. Para uma criança de 4 anos, acho que se portou muito bem! Eu é que cheguei à conclusão que ele estava a ouvir vezes demais coisas como "não podes porque o mano...". Seja "não faças barulho que o mano está a dormir"ou "não brinques com isso que tem peças pequenas e o mano pode engolir" ou "não vamos ao parque que o mano tem de lanchar" e por aí fora. 
Decidimos que seria no meu primeiro dia de férias, planeamos muito bem o dia com tudo o que o António queria fazer, até decidimos a que horas faríamos as coisas. Então era isto:

- levar o Manu à escola
- andar de teleférico
- almoçar com o Papá
- andar na roda gigante
- passear muito
- andar sempre de metro

O dia começou logo mal com uma greve de metro até às 10 da manhã, com chuva e uma grande ventania. Lá tivemos de ir de carro, que deixamos depois estacionado na Feira Popular (não se pagava e o passeio acabaria lá). Se tivéssemos passado o dia dentro do metro o puto seria o mais feliz. Não consigo perceber esta fixação por transportes públicos. Dali fomos até ao Colombo ver o Pai Natal (conseguimos apanhar o Tio Nino, que eu acredito piamente ser O verdadeiro Pai Natal), tiramos fotos, depois fomos ter com o J, fomos de autocarro até ao Parque das Nações onde almoçamos. Não andamos de teleférico: já não chovia mas estava muito vento. Aquilo estava a funcionar, mas eu tive medo.
Voltamos para Entrecampos, a roda gigante estava parada mas jogamos matraquilhos, comi pão com chouriço e uma fartura. Fomos buscar o Manu, depois o Papá e acabou o dia.
O puto estava radiante. "Gostei muito do meu dia", dizia com orgulho. Sem dúvida, para repetir.

07/01/2014

DIY

Com os dias chuvosos e de férias com duas crianças, fica difícil entrete-las sem me cansar muito. Ainda por cima com idades tão diferentes...
O mais velho sempre gostou de brincar sozinho e nunca gostou de dormir a sesta, por isso sempre foi fácil esticar-me no sofá a ver filmes sem me preocupar muito com ele. Quer fosse nas férias quer nos fins de semana em que não trabalho. Agora, com o (ainda) mais novo a explorar a casa no seu rastejar enérgico, é mais difícil descansar durante mais do que uns minutos.

- Manu, estás a destruir a minha corrida!
- Mamã, ele está a comer papel.
- Opá, sai de cima de mim!

São as frases mais ouvidas cá em casa. Principalmente a segunda, que eu não sei onde o rapaz vai encontrar tanto papel nesta casa.

Um dia o António quis fazer "o projecto da pista do caracol" e eu: está bem! Pegamos numa folha (que consegui fotografar antes de ser comida pelo Manel) onde desenhamos o que ele queria fazer, como queria fazer, que materiais íamos usar e um esboço do resultado final. Por mais estranho que isto me possa parecer, é isto que ele faz na escola: projectos. Esquematiza, investiga, estuda, concretiza e, no fim, comunica a outras salas. Eu, que não percebo nada de pedagogia e que não me lembro nada da minha pré-escola, acho isto fantástico.
Ideias dele: rectângulos de papel de várias cores que fazem uma pista com números e depois fazemos corridas de caracóis.


Ok, na foto não se percebe nada mas até estava um projecto engraçado.
Pusemos Pus mãos à obra e comecei a cortar os rectângulos de várias cores. Usei cartolinas para ficar mais resistente.



O rapaz queria (porque queria) fazer um dado. Não podia ser utilizado um dos outros jogos "porque podemos perder". E pronto: aqui entrou a parte da investigação e fomos à internet ver como se faziam cubos. Só aqui é que eu percebi que o que ele queria era um jogo com casas, para jogar com o dado.


Aqui tivemos de fazer uma pausa para almoço, arrumar a cozinha, adormecer o Manel e lanchar. Mas da parte da tarde, voltamos a pôr mãos à obra e colamos os rectângulos de várias cores com fita cola, de modo a fazer uma pista. Em cada rectângulo escrevemos o número correspondente (aquele não parece, mas é um 7).


Desenhamos uma partida e uma chegada e estava feita a pista-jogo.


Jogamos uma vez, mas achamos que faltava ali qualquer coisa. Por isso, pusemos alguns obstáculos/tarefas em algumas casas, como por exemplo: "joga outra vez", "canta uma canção", avança duas casas", "lava a cabeça ao teu vizinho" (ideia do puto), entre outras. Ficou bem divertido e fartamo-nos de jogar até o Manel acordar. Bem divertido, este domingo!





06/01/2014

E a novidade do ano é:


Eu: O Dr. está a gozar comigo, certo???
Médico: Mas está tudo bem com o bebé!
Eu: DIGA-ME QUE ESTÁ A GOZAR COMIGO!

05/01/2014

Caso não tenham percebido,

a Casca esteve de férias e eu também. O Natal e a passagem de ano já lá vão, são quadras que eu não ligo muito e foram comemoradas de forma calma, tranquila e quente. Sim: quente. Os meus filhos decidiram fazer febrões alternados. O (ainda) mais novo na Consoada e o mais velho no dia de Natal. Só um febrão cada um, para estragar mesmo a quadra natalícia e chatear-me um bocadinho, porque isto de ter filhos doentes fora da nossa casa, é coisa para me deixar muito transtornada. No dia 26, já estavam bons, como se nada se tivesse passado. Ainda assim, fica a lição: quando sairmos de casa por uns dias, não esquecer de levar TODOS os medicamentos que eles possam (eventualmente-hipoteticamente-remotamente) precisar.
A grande vantagem foi ter o J sempre connosco: a barriga já pesa e o Manu também e por isso todas as ajudas são preciosas.

Fizemos o primeiro DFU da família (sem grande sucesso por causa do tempo), inventamos brincadeiras de casa, demos uma fugida ao parque no meio de duas chuvadas, comemoramos os nosso 5 anos de casamento e, sobre isto tudo, vou falando por aqui nos próximos posts. Que podem demorar dias a chegar, já sabem. Ou não.

A grande novidade da família também será lançada em post próprio. Agora que o choque já me passou, estou pronta para falar nisso.
Até breve, Amigos!

Let the new year begin!

Bom ano para todos!

(pronto, é só isto por agora)

25/12/2013

Cúmulo da popularidade:

Há-de chegar o ano em que não és convidada para nenhum jantar de Natal.
Este é o ano. 

24/12/2013

Bom Natal

Não me lembro quando é que deixei de gostar do Natal. Lembro-me de olhar pela janela daquele 8º andar em Loures e ver os meus tios a trazerem os presentes do carro, em vez de ver o Pai Natal com as renas. Lembro-me de deixar de passar o Natal com a família materna, mas não sei porquê. Lembro-me de receber sempre muito menos presentes que as minhas primas, mas receber sempre dos meus pais o que tinha pedido. Excepto a mota: nunca recebi a mota. Lembro-me de me ter zangado definitivamente com Deus e deixar de ver o Natal como um recomeço e uma esperança, mas apenas como uma reunião de família. Como um casamento ou um baptizado. 
Depois o meu Avô parte em vésperas do Natal. E a família assim desmebrada ficou marcada por Dezembro para sempre. Ainda assim, reunia-se sempre. E foi crescendo: cada vez mais mulheres à frente de uma matriarca que sempre fez de tudo para que não faltasse um único pormenor naquela mesa. Excepto o bacalhau cozido, porque havia quem preferisse com natas. E eu, cozido, sempre cozido. 
Percebia o nervoso miudinho em vésperas de Natal, a obrigação da troca de presentes, a necessidade de dar qualquer coisa em deterimento da solidariedade com aqueles que menos têm, as lojas cheias, as pessoas malucas, o trânsito infernal e comecei a pensar que, qualquer dia, adormeço no dia 20 e só acordo no ano seguinte. 
Tive esperança que isto passasse com os filhos e desde 2009 que há uma árvore de Natal na minha casa, enfeites à porta e luzes a piscar. Comecei a comprar presentes só para as crianças e a fazer os presentes dos adultos: biscoitos, compotas, licores (obrigada, Bimby). Mas a loucura fora de casa continua e, invariavelmente, nos últimos 10 dias passei a demorar uma hora para chegar a casa.
Já vou no segundo filho e continuo a odiar o Natal. 

Não me levem a mal: adoro a reunião familiar, a consoada, a alegria e a excitação na cara dos mais novos. Mas odeio tudo o resto. E tendo a odiar cada vez mais. 
Acordem-me em 2014, sim?

21/12/2013

Na alcofa





10 meses. E a revelar um feitio lixado uma personalidade cada vez mais forte. Todos os dias mostra que não é como nós queremos, mas como ele quer. E eu, todos os dias, várias vezes por dia, a mostrar o contrário. Continua a comer bem, gosta de provar coisas novas, nunca diz que não a comida. Adora música, dançar, quando deitado já consegue sentar-se sozinho mas continua a rastejar. Desde que aprendeu a dança das Galinhas Doidas (graças a uns longos 20 minutos fechados no elevador às escuras), não faz outra coisa: sempre aquele dedo espetado a bater na palma da mão. As brincadeiras com o mano são cada vez mais regulares e divertidas. Tirando esta parte gira, está cada vez mais cansativo. 

(Está cada vez mais difícil divulgar este desafio a horas... Peço desculpa, mais uma vez, pelo atraso. E também pela qualidade da foto, que está uma desgraça.)

16/12/2013

20 anos

Já se passaram 20 anos.
Sei que não fomos muito chegados, porque a distância impôs as regras. Ao ver esta tela branca quero escrever aquilo que foste para mim mas não consigo encontrar nenhuma definição. 
Eras o Pai do meu Pai, o olhar claro e profundo, o homem sentado no cadeirão à espera que alguma neta lhe pedisse colo. E eu pedia. Pedia sempre.
Eras a figura à cabeceira da mesa todos os Natais, o primeiro a aplaudir os nossos teatros, aquele que nunca faltava à missa do Galo.
Eras o Avô sério com humor genial, que conseguias pôr toda a gente a rir sem alterares a tua expressão. E eu muito pequena não percebia como é que com o teu ar grave e sério desmanchavas tanta gente.
Hoje, faz 20 anos que partiste. E hoje a saudade bateu forte. E passei o dia a pensar em ti.
Hoje, gostava de encontrar uma definição para a pessoa que foste na minha vida. E não consigo.

Desculpa. Só consigo pensar na palavra saudade.

05/12/2013

Da sensibilidade (ou falta dela)

Ao jantar, os quatro à mesa, aproveitamos para falar do Natal e do Pai Natal que vem da Lapónia distribuir presentes aos meninos que se portam bem. Que na Lapónia faz muito frio e neva muito. Que o Pai Natal anda de trenó puxado por renas e tem muitos ajudantes.
Explicada a parte bonita da cena, que incluía uma lareira gigante para aquecer todos aqueles duendes, chá e bolinhos antes de eles dormirem e uma colcha quentinha tricotada pela Mãe Natal, disse ao António que tinha tido uma boa ideia:

- Podíamos escolher uns brinquedos teus que já não usas porque estás crescido, pôr todo num saco e dar a outros meninos.

- Oh, porquê?

- Porque há meninos que não têm presentes no Natal mesmo quando se portam bem.

- Não? Porquê?

- Alguns, nem sequer têm casa onde o Pai Natal pode passar...

          (o puto começa a mudar o semblante)

- ... e não têm sapatinhos...

          (cai uma lágrima)

- ... esses meninos não têm nunca brinquedos novos e não têm um quarto de brincar como o nosso e às vezes nem sequer têm jantar assim como nós.

E começa o berreiro com lágrimas a cair aos pares e a cara de infeliz que dá dó. Eu e o Pai trocamos olhares enternecidos "tão bom e sensível que é o nosso mais velho", achando que acabamos de mudar uma criança e estamos a tomar o primeiro passo para o  transformar num Homem melhor, com H grande. "Bom trabalho, marido", "bom trabalho, mulher", eram essas as palavras nos nossos olhos.
Até ouvirmos:

- MAS EU NÃO QUERO DAR OS MEUS BRINQUEDOS!!!

...

...

...

04/12/2013

Give away

Se isto fosse um blog a sério, daqueles com patrocínios e marcas em todo o lado e a fervilhar coisas fashion, tinha preparado um give away ou um passatempo que incluiria prémios como produtos de maquilhagem, pacotes de fraldas ou entradas no Kidzania. Tudo para comemorar em grande e como deve ser o 10º aniversário da Casca.
Mas isto é um blog pelintra que não tem nada para dar. Quanto muito tem para vender...

Muito obrigada pelas mensagens que me têm deixado por aqui, pelo Facebook, por sms, whatsapp e afins. É muito bom saber-vos desse lado. A Casca também são vocês todos, cada um do seu jeito especial de partilhar os meus dias.
Obrigada!

10 anos

Não sou muito de comemorar efemérides. É muito comum esquecer-me de aniversários importantes. Datas que marcam... não me marcam: marcam-me pessoas, acontecimentos, cheiros, imagens. As datas, pouco me importam.
Mas passaram-se 10 anos desde este post. O primeiro. E 10 anos é muito ano. Olhar para trás e ver tudo o que aconteceu neste período de tempo é um exercício engraçado mas remexer no histórico do blog abriria algumas feridas que há muito estão saradas e não vale a pena fazê-lo.
Gosto, sim, de pensar nas pessoas que se cruzaram comigo por causa da Casca (algumas ainda se mantém), gosto de perceber que isto nunca deixou de ser o meu cantinho preferido, gosto de nunca ter desistido (apesar de ter ameaçado), gosto de tudo o que partilhei. 
Às vezes, penso que gostava de ser parte mais integrante da blogosfera, mais popular, já que por aqui ando há tanto tempo (éramos tão poucos!!) mas sei que a linha editorial da Casca não é nem nunca será interessante para as massas. Nunca quis escrever coisas que considero banais só para encher chouriços. Nunca foi esse o propósito e nem tenho tempo para isso. Já segui muitos blogs e já desisti de os seguir precisamente por achar que não havia mais valia que pudesse tirar dali (btw, está na hora de fazer uma limpeza ao Feedly). Escrevo apenas aquilo que acho que merece ser partilhado, que eu quero ler no futuro, aquilo que eu quero guardar porque a memória vai perder, com certeza. Se passei a ferro ou não, se vesti azul com amarelo, se comi um pastel de nata inesquecível, isso não interessa para ninguém. Acho eu.
Há quatro anos, tonou-se um baby blog. Ou mais um mummy blog. Nunca prometi que não iria ser assim, até porque acho inevitável. Afinal, a Casca é a minha vida e a maternidade também! Todos os dias penso "é desta que vou escrever todos os dias", mas o corre-corre e a rotina fazem os dias todos iguais e, lá está: não queremos encher chouriços. 
Há ainda muita coisa que não vem para aqui. Algumas ficam nos meus cadernos outras apenas entaladas na garganta. Há lágrimas que não são publicadas, há conquistas guardadas, há vitórias saboreadas a solo. E há as coisas que ponho aqui. Que quero que vocês vivam comigo, que quero partilhar, que quero lembrar no futuro, que quero que os meus filhos saibam e que nunca esqueçam. E isso é a Casca. Tudo o que ponho na Casca sou eu mas eu não sou só a Casca. Sou também a Susana que alguns de vocês vêem todos os dias, uma Mãe descontraída, uma péssima dona de casa, uma mulher que faz os possíveis para ser feliz.

Parabéns a mim!

28/11/2013

O terceiro filho.

Muito se diz sobre os segundos e terceiros (e por aí adiante) filhos. A minha "história" preferida é a que diz que quando o primeiro filho engole uma moeda, vai tudo a correr para o hospital; quando o segundo filho engole uma moeda, olha-se para o bacio e espera-se que saia. Quando o terceiro filho engole a moeda, desconta-se na mesada. 
Não sei se isto acontece com todas as Mães, mas nesta terceira gravidez já perdi a conta das semanas, nunca senti o bebé e a maior parte das vezes esqueço-me que estou grávida. Se não fossem as pessoas do dia-a-dia a perguntarem como é que "nós" estamos, esta gravidez passava-me mesmo despercebida.
E se na maior parte do tempo isto é uma vantagem, porque tenho tanta coisa para fazer que não posso perder tempo a ler livros e sites sobre o tamanho do bebé e os sintomas da Mãe em cada semana, às vezes gostava de conseguir parar para reflectir e apreciar esta gravidez. 
A bem da verdade, eu páro! Mas quando páro, adormeço. 

20/11/2013

Ser Tia é ser especial.

Podia vir aqui com uma daquelas frases feitas sobre como é ser Tia, mas isso não seria especial.
Vou ser Tia. Já sou Tia do coração dos sobrinhos mais fofos do mundo mas desta vez é de verdade. Vou ser daquelas Tias irmãs do Pai, sabem? E isto é tão especial por tantas razões. 
A primeira, e a mais especial, é que nunca imaginei o meu irmão com filhos. Era daquelas coisas que não ia acontecer. Ponto. A segunda, é ser uma menina: já se sabe que esta que vocês lêem só sabe fazer rapazes e uma menina vai encher as nossas vidas de cor-de-rosa, de Hello Kittys Minnies e de laçarotes no cabelo. A terceira razão, é porque esta sobrinha de sangue, ainda antes de chegar, já me deu uma outra sobrinha de coração que tem o sorriso mais bonito e as bochechas mais apetitosas do mundo.
Mas há mais: a Maria (assim se chama) vai chegar praticamente ao mesmo tempo que o nosso Joaquim e vem viver (se tudo correr bem) para bem pertinho dos Tios e dos Primos. E eu, que adoro famílias grandes, casas cheias de crianças e uma boa confusão, já estou em pulgas para os ver todos juntos.
Esperamos ansiosamente pelas nossas meninas. Que este inverno passe bem depressa porque a primavera adivinha-se cor-de-rosa!



Imagem googlada.

19/11/2013

Eu digo-te porquê...

3h17m.
Estou no sono mais profundo. Sinto uma mão pequenina na minha cara e um sussurro:

- Mamã!
- Sim...
- Porque é que... porque é que... porque é que...

(ele às vezes gagueja)

- ... porque é que... porque é que...
- Aaaai!!
- Porque é que acordamos?

...

...

...

18/11/2013

Os meus filhos são horríveis

Depois há aqueles dias em que o mais velho não fala sem chorar, o do meio só se cala no colo, a pilha de roupa para passar chega até ao tecto, há brinquedos espalhados pela casa toda e a cabeça parece explodir de tanta dor. Nesses dias, e depois de ver um pé [de 9 meses acabado de sair do banho envolto num pijama branco lavado, passado e perfumado] dentro da sopa, só apetece fugir. 
Largar tudo e fugir. 

Os meus filhos são os melhores

Há dias bons. Normalmente, os dias são fantásticos. Mesmo quando não apetece acordar de manhã ou ir trabalhar, mesmo quando não há forças sequer para tomar um banho. Nesses dias, basta esperar que os miúdos acordem. Depois, é só olhar para aqueles sorrisos, ouvir um "mamãzica princesa cinderela", receber os abraços, os beijinhos cheios de baba e passa tudo. 
A partir daí, os dias são fantásticos.

09/11/2013

Na alcofa





9 meses!!! 9 kg (muito pesados, btw). Estava aqui a pensar no que escrever sobre este filho quando me lembrei que já há outro a caminho e que em breve este deixa de ser O bebé da casa.
Continua a comer bem e de tudo, e descobriu o pepino que adorou. Adora fruta e sopa com peixe mas se lhe pusermos uma bolacha Maria na mão, não dura nem um minuto. Ainda não aprendeu que gatinhar é que é bom e continua a rastejar. Faz hi5, dá turrinhas, dorme bem, adora a escola e já foi ao cabeleireiro. Quando ouve música abana a cabeça e está viciado em colo da Mãe. O mesmo colo que já tem uma barriga de 4 meses e que não aguenta muito peso. Enfim... wish me luck!