29/07/2013

Organizada?? EU??!!??*

Ora bem caríssimos leitores, percebi que não me conhecem. Ando aqui vai para 10 anos e afinal não me dou a conhecer como pensava que dava.
Aqui vão mais informações sobre mim, que o caríssimo leitor também não saberá:

eu já parti duas vezes cada braço: primeiro o esquerdo, depois o direito, e a seguir os dois ao mesmo tempo; consigo mexer um olho de cada vez; consigo mexer as orelhas; já tive dois acidentes de carro no mesmo dia; estive ao lado do Nuno Lopes e não consegui meter conversa com ele; já vi muitos "nasceres" do sol e ainda mais "pores" do sol; já consegui meter sete pessoas e um cão dentro de um Fiat 127; já ensinei duas pessoas a conduzir; já sofri tanto por Amor que pensei que fosse sufocar; já chorei de felicidade; já dancei num palco para centenas de pessoas, já o fiz várias vezes; já estive no deserto do Arizona e por pouco não casei em Las Vegas; já fiz um pacto de sangue e já o quebrei; já fui a miúda mais gozada da escola; já odiei uma pessoa da minha família e já perdoei; já fui tomar um café ao Algarve depois do jantar; já tive um blind date; já traí e já me arrependi, já pensei que merecesse morrer por ter traído e pensei que morresse de arrependimento; já passei férias sozinha e gostei à brava; já surfei na Arrifana com um sueco por quem me ia apaixonando; "eu não gosto de pessoas" deve ser a frase que eu mais digo; gosto muito de acordar cedo, mas nem sempre foi assim; comecei a viver com o meu marido no dia em que começamos a namorar e casamos 7 meses depois; organizei o casamento mais fixe a que fui, e que por acaso foi o meu; já deixei de fumar cinco vezes; a coisa que eu mais gosto quando estou com amigos é de tirar fotografias; sou a pessoa mais esquecida que existe e sou a mulher mais desorganizada que conheço; detesto ir às compras mas nem sempre foi assim; a crise está a tornar-me uma avarenta; tenho pânico de morrer e já vivi muito condicionada por isso; já pensei que conseguisse mudar um homem; já andei de cavalo na praia; já falei com o Eddie Vedder; já desapareci da vida de uma pessoa só porque deixou de fazer sentido. 


* a propósito de um comentário colocado algures ali em baixo, por um anónimo que não consegui identificar e que "pensava que era mais organizada". 

28/07/2013

E no único dia de folga em duas semanas,

é sempre bom ter um dia que começa com chuva. Porque assim, passa-se o dia fechada em casa com duas crianças, que podia ter sido aproveitado para passar a ferro, organizar a ementa semanal, preparar as roupas para a semana, arrumar papelada em dossiers, arrumar gavetas e coser os botões que faltam no bibe do mais velho. 
Mas não: foi passado a catar piolhos. 

26/07/2013

Na alcofa



[Este mês, com muuuuito atraso (ele "faz meses" no dia 9). Tudo porque o meu pequeno computador está a dar as últimas e bloqueia cada vez que lhe dou uma instrução. Enfim, ainda vai ter que aguentar muito tempo.]

Está cada vez mais risonho, mais simpático, mais comunicativo. Dá gargalhadas deliciosas, guincha para chamar a atenção e adora o irmão. Pesado, comprido e branquela. É o meu mais novo.
Andamos na fase das sopas e papas. Não gosta de carne mas come a fruta toda. Vegetariano aos cinco meses, é o que é. Já tem dois dentes, que estão a nascer tortos. Está um castiço.

Ideia daqui.

24/07/2013

Ainda a xuxa.

Já passou um mês desde que a pobre da xuxa foi deitada para um caixote do lixo em Vila Nova de Gaia e levada pelo camião verde para muito muito longe. 
Se soubesse o que sei hoje, não sei se deixava. É que levar três horas para adormecer, é obra e queima a paciência de qualquer um. E se antes isto não me incomodava muito, agora que estou a trabalhar e que tenho de acordar o pirralho às oito da manhã, sob o risco de chegar atrasada, já é coisa que me mói. 
São 23:55. Adormeceu há uns 20 minutos. Na minha cama. Em cima de mim. 

Volta, xuxa: estás perdoada. 

22/07/2013

Tenho muita sorte.

Vou agora deitar-me, cansada, com as costas feitas num oito, olhos pesados e a casa de pantanas. De tudo o que tenho para fazer, consegui apanhar uma roupa da corda e estender outra que acabou de sair da máquina, lavar biberões, arrumar as compras do Ikea e coser elásticos nas sapatilhas novas do Ballet. Chegamos a casa depois das nove, ainda consumi meia hora de lixo televisivo e é meia noite e meia. Passo no quarto dos miúdos antes de me ir deitar, dou um beijo a cada um e penso tenho muita sorte. 

Estou longe de ter uma vida perfeita. Que o diga o meu colchão defeituoso, o meu carro que precisa de travões, a minha casa desarrumada, a minha falta de organização, a minha pouca vontade de cozinhar, os meus sapatos gastos, o pouco tempo que dou, em exclusivo, ao meu marido. Que o digam algumas discussões (dos adultos), as birras e os choros (das crianças). 
Mas quando passo a esta hora naquele quarto, quando olho para os rapazes a dormir, quando lhes sinto o cheiro, a respiração, quando os vejo felizes e saudáveis, sinto que está tudo ali. Estes rapazes são tudo e eu tenho muita sorte em tê-los na minha vida.    

07/07/2013

Não sou a Super-Mulher, mas não me importava de ser.

Recomecei a trabalhar há uma semana. Foram cinco dias de adaptação e um fim de semana de "descanso" (ponho aqui umas aspas porque teve tanto de cansativo como de divertido, mas é assim que eu gosto). Estou de rastos e amanhã começa tudo outra vez. 
Continuo sem perceber aquelas pessoas que leio todos os dias em blogs, que trabalham, têm filhos (dois ou três ou até, pasme-se, quatro), tratam da casa, têm jantar feito todos os dias e a horas, filhos que não berram nem fazem birras, a casa sem pó, as roupas sem vincos, as unhas pintadas e a depilação feita, fazem o seu jogging diário e por isso não têm celulite, aliás, a força da gravidade é coisa que não lhes assiste, rugas nem vê-las, têm sempre tempo para ir aos saldos e espreitar as ultimas tendências, e ainda, ah a inveja, têm tempo para escrever todos os dias nos seus blogs. 
Vá, tem de haver um segredo. 
Ando aqui há tantos anos, caramba... ninguém quer partilhar esse segredo comigo?

26/06/2013

Nenhuma criança devia sofrer. Nem as de 36 anos.

Eu sempre disse que o assunto xuxa me era muito sensível. Lembro-me perfeitamente da minha primeira noite sem xuxa e de implorar por mais uns momentos com a minha fiel companheira das noites. Tinha quase seis anos. Lembro-me até da cor dos lençóis. 
Nunca insisti com o António para largar a xuxa precisamente pela lembrança daquela noite. Sempre me fui confortando com a célebre teoria do "ninguém vai para a faculdade a usar xuxa" (excepto a Vanessa, acrescento eu). Até que hoje, por livre e espontânea vontade, o meu mais velho decidiu deitar a xuxa para o lixo. Grande festa com direito a visita ao estádio do Dragão (aproveitando o facto de estarmos de férias no Porto), compras na loja do FCP, bolo, parabéns a você e até, imagine-se, um telefonema do Jackson Martinez, o herói do meu filho, a dar os parabéns pelo grande acontecimento. 
Depois veio a noite. 
E aquela noite, há 30 anos atrás, em que implorava por mais uns momentos com aquela fiel companheira, as lágrimas gordas nos lençóis das riscas, a dor grande no peito, aconteceu outra vez. Mas desta vez, o protagonista era o menino mais especial do Mundo. Aquele sofrimento, aquela dor, aconteceu tudo outra vez. 

O pior já passou, dizem. Espero que sim. 

21/06/2013

Terrible Three

Ouvido no mesmo dia, na mesma birra, aos berros, enquanto lágrimas gordas escorrem pela cara:

- Quero a lua só para mim! Aqui na minha mão!!

e

- Quero ter asas! Não quero braços; quero asas para conseguir voar!

É um drama king, mas pelo menos tem veia poética.

19/06/2013

Serviço Público #8

Há uns dias atrás, provei o melhor pudim de toda a minha vida. Confesso que não sou grande fã de pudins, por isso arrisco mesmo a dizer que este foi o único pudim que gostei na minha vida. Chama-se Maria Mole, que é um produto brasileiro que não encontrei à venda por aqui, mas que, pelo que descobri na net, pode ser substituído por gelatina em pó neutra (usei da Royal).
Segui esta receita e ficou delicioso. Experimentem!


O que eu descobri com esta receita:
- creme de leite = natas (usei do Continente);
- os vários pontos de açúcar, numa infeliz tentativa de fazer caramelo;
- como se faz  torrão de açúcar;
- o caramelo líquido marca Continente é muito bom.

18/06/2013

1000º

É só para informar que este é o milésimo post daqui do tasco. 1000 posts em quase 10 anos.
Gosto de números redondos.

Mixed feelings

Faltam duas semanas. Estive oito meses e meio em casa: baixa de gravidez de risco, licença de maternidade e férias do ano passado. Daqui a duas semanas, regresso ao trabalho.

É esta a informação que me deixa contente e triste, angustiada e aliviada, cheia de genica e cheia de medo. Estou muito contente por voltar a trabalhar, por ouvir falar de outros assuntos além de bebés, partos, dentes e cocós, por deixar de ter tempo para ver o Goucha. Mas o meu  filho pequeno não tem sequer cinco meses e precisa ainda tanto de mim; e o meu filho grande já está tão habituado a esta disponibilidade, às idas ao parque depois da escola, a ter o jantar na mesa às oito da noite, a ir para a cama às nove, a brincar com uma Mãe presente e descansada.

Oito meses e meio em casa e parece que tudo o que há para fazer de urgente, tem que ser feito em Junho: as consultas (pediatra, oftalmologista, otorrino, terapia da fala), a festa da escola, o S. João, a praia com a escola, e ainda aquela pausa zen que preciso para mim em vésperas de algo importante ou marcante. Recomeçar a trabalhar depois de oito meses e meio, é importante não é?

Junho devia ter 60 dias, é o que é!

09/06/2013

Na alcofa


Não pensem que ele não tirou a roupa durante um mês, só porque o body nas duas últimas fotos é o mesmo. 
Está muito crescido e simpático, anda aflito dos dentes que teimam em não espreitar, dorme noites inteiras (e manhãs inteiras, se eu deixar) e adora o irmão. É um espectáculo!

Ideia daqui.

03/06/2013

Fim de Semana

Foi um fim de semana tão intenso e tão delicioso, que não há palavras para o descrever. Aqui ficam as imagens. 






Temos de rever alguns valores...

- Hoje também é dia da Criança?
- Hoje não. 
-Não faz mal: já tenho os meus presentes! 

19/05/2013

Dos sacrifícios da Maternidade.

Não foram as saídas à noite. Não foram os copos que acabaram. Os festivais de verão, as férias sem horários, as jantaradas até às tantas. Não foram as horas só para mim, o acordar sem horários, as folgas sem sair do sofá. Não foi ver a celulite a crescer, a flacidez a aparecer e as maminhas a caírem. Não foi ter perdido a barriga lisa ou ter ganho rugas e cabelos brancos. Não foi o dinheiro que se gasta em coisas que não são para mim: roupas, medicamentos, comida. Não foram os amigos que se afastaram pela minha falta de tempo e de disponibilidade. Não foi o cansaço ao fim de um dia de trabalho. Não foi a falta de tempo para namorar. 
Nada disso. 

O que me custou mesmo nesta coisa da maternidade, foi ter desistido do Ballet. 

16/05/2013

09/05/2013

Três meses


Quando, há um mês, comemoramos o segundo "mensário" do mais novo, tive a sensação que ainda era tudo muito estranho. Ainda não conhecia este bebé que veio aqui parar, o parto estava muito presente, as rotinas ainda não existiam. Era tudo vivido ao sabor da experiência e do acaso.
Agora que comemoramos o terceiro "mensário", já não imagino a vida sem este bebé de biquinho na boca e cabelo rebelde que tem o sorriso mais luminoso (mas que não partilha facilmente). Este bebé que me encontra sempre, mesmo numa sala cheia de gente, e que não tira os olhos de mim. Este bebé que reclama quando o mano não lhe dá a devida atenção. Este bebé que faz os meus dias muito mais ricos.
Cansativos, mas muito ricos.

Dos(as) Avós

A propósito deste post, e porque não quero mal entendidos, sinto-me na obrigação de esclarecer umas coisinhas.
Começo por dizer que acho que o papel dos Avós é estragar os netos. É para isso que eles existem! Para comprar os cromos dos Angry Birds que os pais não compram, para dar a sopa à boca, para dar colo, para dar mimo, para estragar com mimo, para levar ao Jardim Zoológico, para fazer bolo de iogurte, para comprar potes de fruta e dar ao lanche. Enfim... servem para tudo aquilo que os pais não fazem ou só fazem como recompensa (quando se portam bem, quando não fazem xixi na cama, quando têm uma estrelinha na escola, etc.).
Eu tenho muita pena de não ter, nas memórias da minha infância, uns Avós presentes. Tinha os Avós das férias (grandes, da Páscoa, do Natal) e os Avós de Lisboa, que criaram (ou ajudaram a criar) grande parte dos meus primos. Adoro as minhas Avós (os meus Avôs já cá não estão) mas não tenho com elas a relação tão próxima como gostaria (como, por exemplo, a minha Mãe teve com a Avó dela, e que conta em muitas histórias cheias de saudade).
É esta Avó que eu quero que os meus filhos tenham. A Avó (agora escrevo a palavra Avó como instituição) presente, que mima, estraga, aperta, beija repenicadamente. Quero que os meus filhos tenham os Avós que façam com eles o que nunca fizeram com os filhos: jogar à bola dentro de casa, brincar no chão, levar ao parque todos os dias. Sinceramente, acho que os meus filhos estão muito bem servidos de Avós. Têm quatro Avós completamente diferentes, que se complementam e que, mesmo estando longe (dois deles) vejo-lhes uma cumplicidade que eu nunca tive com ninguém da minha família. Não sinto qualquer mágoa por isso. Não sinto mágoa quando vejo o meu Pai a fazer coisas que nunca fez comigo ou com o meu irmão. São outros tempos, outra disponibilidade, outra maneira de estar e de educar.

Só não gosto quando a minha autoridade junto dos meus filhos é posta em causa pelos Avós (ou quem quer que seja). Só isso.

Na Alcofa

Ideia daqui.

05/05/2013

O meu Dia da Mãe

Começou às 7:20 da manhã com o mais velho a sussurrar-me ao ouvido:
- É dia. Não qué'o du'mi mais.
Pedi-lhe que fosse para a sala ver o zig-zag para que eu e o mano (que já dorme 8h por noite) dormíssemos mais um bocadinho. Lembrei ainda que hoje é dia das Mães e que os filhos devem portar-se muito bem. Ele foi para a sala e voltou nem cinco minutos depois:
- Está muito sol. Vou ficá aqui contigo.
E pôs-se a cantar baixinho uma data de músicas, a bater com os pés na cama, a falar para o ursinho de peluche, a chuchar na chucha com bastante convicção. Aqui já os meus nervos estavam na ponta dos  dedos. Pelas 8 da  manhã,  acorda o mais novo a pedir leite. Aproveito para fazer a papa do mais velho.
Resignada, o mais novo continua o seu sono da manhã, o mais velho já está a dar-lhe nos beyblades, eu aproveito para tomar banho e arranjar-me nas calmas. Mais ou menos de 10 em 10 minutos pergunta-me:
- Estou a po'tar bem?
Quer eu esteja na banheira, a esfregar creme hidratante nas pernas ou a cortar as unhas dos pés. Visto-nos, dou mais um biberão, dou um jeito à casa e pelas 12:30 saímos de casa. A moínha na cabeça por falta de café começa a atacar e passamos pelo café do costume. Hora da saída da missa: entrei no café com duas pessoas, saí de lá com umas 15. Demorei 10 minutos só para conseguir pagar, tempo que o mais velho passou a brincar com a tampa do caixote do lixo. Ainda passamos no Chinês para comprar um saco para embrulharmos o presente da minha Mãe.
Chegamos a casa dos meus pais, onde almoçamos. O mais novo refila e é posto à frente do BabyTV (obrigada, TV por cabo), enquanto nos sentamos à mesa. Mais velho começa por dizer que não gosta da comida e que quer massa em vez de arroz. Tenho de proibir a minha Mãe de fazer massa. Refila porque o arroz está frio. Aquece-se no microondas. Refila porque está quente. Choraminga. Brinca com os talheres. Arroz salta para o chão. Aqui, já  a minha paciência está a chegar ao limite, pego no puto e levo-o para o quarto para pensar na vida. Nem dois minutos depois, a minha Mãe sai da mesa e vai ver como ele está. Aparece com ele ao colo.
Conto mentalmente até 30 e acabo a minha sobremesa.
Traz um livro para a mesa e dá-lhe o arroz à boca, como se tivesse um ano outra vez. O mais novo farta-se do BabyTV e começa a choramingar. O meu Pai continua em silêncio, como se não estivesse ninguém naquela sala. São duas da tarde e vou dar outro biberão que é rapidamente devorado pelo mais novo. Saímos para tomar café na rua. Mais uma birra, mais um "quero isto, quero chucha, quero pôr o açúcar no café, quero cartas dos Angry Birds" e eu a dar desprezo enquanto a minha Mãe faz tudo o que ele quer. TU-DO. Daqui até ao "quero colo" foi um instante e a minha Mãe pega nele. 
Conto até 50 muito depressa. 
Ao sairmos do café, a tampa salta-me com o "não quero chapéu". Arranco o puto do colo da minha Mãe, pego-lhe na mão e digo: vamos para casa; assim não dá. Ainda ouço:
- Ele que durma lá em casa...
Tive que berrar. Há mais de duas horas que as minhas ordens são contrariadas pela minha Mãe. Eu ponho de castigo e a Avó tira, eu digo não e a Avó diz sim, eu proíbo e a Avó deixa. Já não sei se me apetecia mais dar uma palmada ao puto ou à minha Mãe.
Chegamos a casa e foi directo para a cama. O mais novo continuou no carrinho de passeio. Fui lavar biberões e apanhar roupa da corda e estender uma máquina.
Às 5 fomos à festa de anos do grande amigo do mais velho, depois de pedidas muitas desculpas e dados muitos beijinhos e abracinhos.
- Não faz out'a vez, Mamã.
Portou-se lindamente e quando disse que estava na hora de ir para casa, disse "adeus, todos!", deu-me a mão e saímos. Sem fita.
Passamos no parque infantil para mais 10 minutos de queima-energia. Ao fim de dois minutos, "qué'o xixi". Levo-o atrás da moita, saca da piroca e faz. Volta para o escorrega. Dois minutos depois, "qué'o cocó", e vai para a moita. Digo que é maluco da cabeça e que não se faz cocó na rua. Chora. Alto. Muito alto. Por solidariedade, o mais novo também começa a chorar. Caminho para casa com os dois a chorar.
Conto até 200.
Mal chegamos, o mais velho salta para o banho (não sem antes refilar e dizer que não quer, não sem antes levar com a 14ª palmada no rabo). Enquanto toma banho, improviso um arroz de atum. Não há sopa. Visto-o. O mais novo continua a refilar. Salta para o banho também. Às 8:30 da noite, tenho o mais velho a jantar ("está quente", "não quero mais", "há banana?") e o mais novo no biberão. Às 9, o mais velho está na cama, o mais novo a adormecer no colo, o Sócrates na televisão. Às 9:30, o mais novo vai para a cama e eu vejo a série que sigo, religiosamente, na RTP. Choro, comovida. 
Acaba o dia, com a sensação que tive um dia de birras, lágrimas e ranhoca. Ainda bem que o dia da Mãe é só uma vez por ano.

30/04/2013

Sou uma chorinhas.

Cena:
Televisão ligada na Sic, no programa da Conceição Lino. Na tela vê-se o Ricardo Afonso (se não sabem quem é, googlem) a cantar e o Nuno Feist ao piano. A canção era "No teu Poema", diz a Sic, de José Luís Tinoco. Linda, a música.
Eu começo a chorar comovida. Porquê? Por causa da emoção com que esta senhora traduz o que está a ser cantado:


Acho que cheguei ao nível mais alto da choraminguice.

23/04/2013

APAQA*


O João Miguel Tavares escreveu sobre a sua alergia, por mim também partilhada, ao psicólogo Eduardo Sá. Não é tanto o que ele diz, mas a forma com diz começando logo pelo cumprimento arrastado e lânguido à  Isabel Stilwell (que também me irrita um bocadinho): "olá Isabeeel".
Mas muito mais que o Eduardo Sá, irrita-me o Quintino Aires, e isto foi percebido muito tarde. Ouvia o programa dele na Antena 3, "A Hora do Sexo" com a Raquel Bulha e até encontrava algum interesse apesar da forma implacável que ele têm de dizer certas coisas. Isto, muitas vezes originava diálogos interessantíssimos com o meu marido:
- Fofucho, amas-me?
- Claro, Fofucha.
- Não amas nada.
- Se estou a dizer que amo é porque amo. O que é que se passa?
- Ah, estás a falar comigo daquela maneira. É melhor pensarmos já no divórcio.
- Estiveste a ouvir outra vez aquele gajo psicólogo??

A minha auto-estima é demasiado baixa para ouvir este senhor por isso decidi mudar de estação quando começa o programa dele.

Quando fiquei em casa de baixa, descobri que ele frequenta o programa do Goucha de manhã, e dando-lhe o benefício da dúvida (e também porque só tenho 4 canais), ia ouvindo o que o senhor tinha para dizer. E o meu estômago ia centrifugando, centrifugando... Explodi quando ouvi a seguinte teoria deste senhor: "se os pais amam realmente os filhos, não os levam a restaurantes antes dos 12 anos". E, continua, condescendente: "a partir dos 8/9 anos, podem começar a ir para se ambientarem, mas só aos 12 é que as crianças têm maturidade para estarem à mesa". 
Ora aqui encontram-se tantos disparates que nem sei por onde começar. Se calhar, interessa dizer que nunca estudei psicologia (para além de um ou dois anos lectivos; só retive a teoria do iceberg e pouco mais), e todas as minhas teorias sobre a maternidade baseiam-se na minha curta experiência de três anos e meio.
Sempre fui almoçar/jantar fora e não é por ter filhos que vou deixar de o fazer. Vamos muito menos vezes, desde há um ano e meio, mas a culpa é do Passos Coelho, assunto sobre o qual o Quintino não opina. Quando vamos comer fora, o meu filho grande porta-se lindamente, come à mesa com os adultos (como o faz em casa), conversa (no seu antoniês quase imperceptível), escolhe o que quer comer e a sobremesa, que é sempre uma banana. Sim, às vezes levanta-se e decide ir ver as outras mesas: não me lembro de ter incomodado ninguém ou de alguém ter ficado chocado com a sua "visita". Nunca destruiu um restaurante, nunca viajou por baixo das mesas, nunca sequer partiu um copo. Tem três anos e meio. Amo-o muito. O mais novo tem dois meses: não vai comer fora tantas vezes como foi o irmão (ai troika, troika), mas já conhece a realidade, por enquanto vista de um ovinho Maxi-cosi. Amo-o muito, também.

Eu sempre fui comer fora com os meus pais, e de tão raro (porque o orçamento também era curto, não porque tínhamos menos de 12 anos) era uma festa. Era a minha Mãe a dizer "podem ver a ementa mas comem bitoque" ou "não pedem sobremesa que há fruta em casa", e nós obedecíamos! E não me lembro de ter destruído um restaurante. E os meus Pais amam-nos, tenho a certeza.
Penso que o Quintino Aires devia era fazer filhos em vez de teorizar sobre psicologia. Isso, ou tirar um curso de Gestão Bancária. Tanto faz.

* Associação de Pais Alérgicos a Quintino Aires

22/04/2013

Na eira, filha, na eira!!!!

Ao fim de duas semanas de rotina, é seguro dizer que o meu filho novo dorme 7 horas seguidas à noite. Tenho posto o gaiato na cama pelas 22.30 e ele só acorda para novo biberon pelas cinco ou seis da manhã. O mais velho, com três meses, estava a dormir a noite toda no quarto dele; este para lá caminha.
Realmente, o que mais custa nisto de ter filhos, é o primeiro mês. As hormonas estão aos pulos, ainda não conhecemos o puto que saiu de dentro de nós, estamos todos a criar rotinas e a fomentar hábitos. Não melhora quando já se tem um mais velho, ainda muito dependente. A partir do momento em que conseguimos dormir bem, várias noites seguidas, fica tudo muito mais fácil.
É quando tudo fica mais fácil com os filhos que fica mais difícil para a nossa auto-estima: esta barriga ainda não desapareceu porquê?, o cabelo começa a cair como se não houvesse amanhã, a celulite parece aumentar de dia para dia e a vontade de comer açúcar e bolos e porcarias não desaparece.

Como é que é aquele ditado? Não se pode ter sol não-sei-onde e chuva no nabal. 
Hã?