26/06/2013

Nenhuma criança devia sofrer. Nem as de 36 anos.

Eu sempre disse que o assunto xuxa me era muito sensível. Lembro-me perfeitamente da minha primeira noite sem xuxa e de implorar por mais uns momentos com a minha fiel companheira das noites. Tinha quase seis anos. Lembro-me até da cor dos lençóis. 
Nunca insisti com o António para largar a xuxa precisamente pela lembrança daquela noite. Sempre me fui confortando com a célebre teoria do "ninguém vai para a faculdade a usar xuxa" (excepto a Vanessa, acrescento eu). Até que hoje, por livre e espontânea vontade, o meu mais velho decidiu deitar a xuxa para o lixo. Grande festa com direito a visita ao estádio do Dragão (aproveitando o facto de estarmos de férias no Porto), compras na loja do FCP, bolo, parabéns a você e até, imagine-se, um telefonema do Jackson Martinez, o herói do meu filho, a dar os parabéns pelo grande acontecimento. 
Depois veio a noite. 
E aquela noite, há 30 anos atrás, em que implorava por mais uns momentos com aquela fiel companheira, as lágrimas gordas nos lençóis das riscas, a dor grande no peito, aconteceu outra vez. Mas desta vez, o protagonista era o menino mais especial do Mundo. Aquele sofrimento, aquela dor, aconteceu tudo outra vez. 

O pior já passou, dizem. Espero que sim. 

21/06/2013

Terrible Three

Ouvido no mesmo dia, na mesma birra, aos berros, enquanto lágrimas gordas escorrem pela cara:

- Quero a lua só para mim! Aqui na minha mão!!

e

- Quero ter asas! Não quero braços; quero asas para conseguir voar!

É um drama king, mas pelo menos tem veia poética.

19/06/2013

Serviço Público #8

Há uns dias atrás, provei o melhor pudim de toda a minha vida. Confesso que não sou grande fã de pudins, por isso arrisco mesmo a dizer que este foi o único pudim que gostei na minha vida. Chama-se Maria Mole, que é um produto brasileiro que não encontrei à venda por aqui, mas que, pelo que descobri na net, pode ser substituído por gelatina em pó neutra (usei da Royal).
Segui esta receita e ficou delicioso. Experimentem!


O que eu descobri com esta receita:
- creme de leite = natas (usei do Continente);
- os vários pontos de açúcar, numa infeliz tentativa de fazer caramelo;
- como se faz  torrão de açúcar;
- o caramelo líquido marca Continente é muito bom.

18/06/2013

1000º

É só para informar que este é o milésimo post daqui do tasco. 1000 posts em quase 10 anos.
Gosto de números redondos.

Mixed feelings

Faltam duas semanas. Estive oito meses e meio em casa: baixa de gravidez de risco, licença de maternidade e férias do ano passado. Daqui a duas semanas, regresso ao trabalho.

É esta a informação que me deixa contente e triste, angustiada e aliviada, cheia de genica e cheia de medo. Estou muito contente por voltar a trabalhar, por ouvir falar de outros assuntos além de bebés, partos, dentes e cocós, por deixar de ter tempo para ver o Goucha. Mas o meu  filho pequeno não tem sequer cinco meses e precisa ainda tanto de mim; e o meu filho grande já está tão habituado a esta disponibilidade, às idas ao parque depois da escola, a ter o jantar na mesa às oito da noite, a ir para a cama às nove, a brincar com uma Mãe presente e descansada.

Oito meses e meio em casa e parece que tudo o que há para fazer de urgente, tem que ser feito em Junho: as consultas (pediatra, oftalmologista, otorrino, terapia da fala), a festa da escola, o S. João, a praia com a escola, e ainda aquela pausa zen que preciso para mim em vésperas de algo importante ou marcante. Recomeçar a trabalhar depois de oito meses e meio, é importante não é?

Junho devia ter 60 dias, é o que é!

09/06/2013

Na alcofa


Não pensem que ele não tirou a roupa durante um mês, só porque o body nas duas últimas fotos é o mesmo. 
Está muito crescido e simpático, anda aflito dos dentes que teimam em não espreitar, dorme noites inteiras (e manhãs inteiras, se eu deixar) e adora o irmão. É um espectáculo!

Ideia daqui.

03/06/2013

Fim de Semana

Foi um fim de semana tão intenso e tão delicioso, que não há palavras para o descrever. Aqui ficam as imagens. 






Temos de rever alguns valores...

- Hoje também é dia da Criança?
- Hoje não. 
-Não faz mal: já tenho os meus presentes! 

19/05/2013

Dos sacrifícios da Maternidade.

Não foram as saídas à noite. Não foram os copos que acabaram. Os festivais de verão, as férias sem horários, as jantaradas até às tantas. Não foram as horas só para mim, o acordar sem horários, as folgas sem sair do sofá. Não foi ver a celulite a crescer, a flacidez a aparecer e as maminhas a caírem. Não foi ter perdido a barriga lisa ou ter ganho rugas e cabelos brancos. Não foi o dinheiro que se gasta em coisas que não são para mim: roupas, medicamentos, comida. Não foram os amigos que se afastaram pela minha falta de tempo e de disponibilidade. Não foi o cansaço ao fim de um dia de trabalho. Não foi a falta de tempo para namorar. 
Nada disso. 

O que me custou mesmo nesta coisa da maternidade, foi ter desistido do Ballet. 

16/05/2013

09/05/2013

Três meses


Quando, há um mês, comemoramos o segundo "mensário" do mais novo, tive a sensação que ainda era tudo muito estranho. Ainda não conhecia este bebé que veio aqui parar, o parto estava muito presente, as rotinas ainda não existiam. Era tudo vivido ao sabor da experiência e do acaso.
Agora que comemoramos o terceiro "mensário", já não imagino a vida sem este bebé de biquinho na boca e cabelo rebelde que tem o sorriso mais luminoso (mas que não partilha facilmente). Este bebé que me encontra sempre, mesmo numa sala cheia de gente, e que não tira os olhos de mim. Este bebé que reclama quando o mano não lhe dá a devida atenção. Este bebé que faz os meus dias muito mais ricos.
Cansativos, mas muito ricos.

Dos(as) Avós

A propósito deste post, e porque não quero mal entendidos, sinto-me na obrigação de esclarecer umas coisinhas.
Começo por dizer que acho que o papel dos Avós é estragar os netos. É para isso que eles existem! Para comprar os cromos dos Angry Birds que os pais não compram, para dar a sopa à boca, para dar colo, para dar mimo, para estragar com mimo, para levar ao Jardim Zoológico, para fazer bolo de iogurte, para comprar potes de fruta e dar ao lanche. Enfim... servem para tudo aquilo que os pais não fazem ou só fazem como recompensa (quando se portam bem, quando não fazem xixi na cama, quando têm uma estrelinha na escola, etc.).
Eu tenho muita pena de não ter, nas memórias da minha infância, uns Avós presentes. Tinha os Avós das férias (grandes, da Páscoa, do Natal) e os Avós de Lisboa, que criaram (ou ajudaram a criar) grande parte dos meus primos. Adoro as minhas Avós (os meus Avôs já cá não estão) mas não tenho com elas a relação tão próxima como gostaria (como, por exemplo, a minha Mãe teve com a Avó dela, e que conta em muitas histórias cheias de saudade).
É esta Avó que eu quero que os meus filhos tenham. A Avó (agora escrevo a palavra Avó como instituição) presente, que mima, estraga, aperta, beija repenicadamente. Quero que os meus filhos tenham os Avós que façam com eles o que nunca fizeram com os filhos: jogar à bola dentro de casa, brincar no chão, levar ao parque todos os dias. Sinceramente, acho que os meus filhos estão muito bem servidos de Avós. Têm quatro Avós completamente diferentes, que se complementam e que, mesmo estando longe (dois deles) vejo-lhes uma cumplicidade que eu nunca tive com ninguém da minha família. Não sinto qualquer mágoa por isso. Não sinto mágoa quando vejo o meu Pai a fazer coisas que nunca fez comigo ou com o meu irmão. São outros tempos, outra disponibilidade, outra maneira de estar e de educar.

Só não gosto quando a minha autoridade junto dos meus filhos é posta em causa pelos Avós (ou quem quer que seja). Só isso.

Na Alcofa

Ideia daqui.

05/05/2013

O meu Dia da Mãe

Começou às 7:20 da manhã com o mais velho a sussurrar-me ao ouvido:
- É dia. Não qué'o du'mi mais.
Pedi-lhe que fosse para a sala ver o zig-zag para que eu e o mano (que já dorme 8h por noite) dormíssemos mais um bocadinho. Lembrei ainda que hoje é dia das Mães e que os filhos devem portar-se muito bem. Ele foi para a sala e voltou nem cinco minutos depois:
- Está muito sol. Vou ficá aqui contigo.
E pôs-se a cantar baixinho uma data de músicas, a bater com os pés na cama, a falar para o ursinho de peluche, a chuchar na chucha com bastante convicção. Aqui já os meus nervos estavam na ponta dos  dedos. Pelas 8 da  manhã,  acorda o mais novo a pedir leite. Aproveito para fazer a papa do mais velho.
Resignada, o mais novo continua o seu sono da manhã, o mais velho já está a dar-lhe nos beyblades, eu aproveito para tomar banho e arranjar-me nas calmas. Mais ou menos de 10 em 10 minutos pergunta-me:
- Estou a po'tar bem?
Quer eu esteja na banheira, a esfregar creme hidratante nas pernas ou a cortar as unhas dos pés. Visto-nos, dou mais um biberão, dou um jeito à casa e pelas 12:30 saímos de casa. A moínha na cabeça por falta de café começa a atacar e passamos pelo café do costume. Hora da saída da missa: entrei no café com duas pessoas, saí de lá com umas 15. Demorei 10 minutos só para conseguir pagar, tempo que o mais velho passou a brincar com a tampa do caixote do lixo. Ainda passamos no Chinês para comprar um saco para embrulharmos o presente da minha Mãe.
Chegamos a casa dos meus pais, onde almoçamos. O mais novo refila e é posto à frente do BabyTV (obrigada, TV por cabo), enquanto nos sentamos à mesa. Mais velho começa por dizer que não gosta da comida e que quer massa em vez de arroz. Tenho de proibir a minha Mãe de fazer massa. Refila porque o arroz está frio. Aquece-se no microondas. Refila porque está quente. Choraminga. Brinca com os talheres. Arroz salta para o chão. Aqui, já  a minha paciência está a chegar ao limite, pego no puto e levo-o para o quarto para pensar na vida. Nem dois minutos depois, a minha Mãe sai da mesa e vai ver como ele está. Aparece com ele ao colo.
Conto mentalmente até 30 e acabo a minha sobremesa.
Traz um livro para a mesa e dá-lhe o arroz à boca, como se tivesse um ano outra vez. O mais novo farta-se do BabyTV e começa a choramingar. O meu Pai continua em silêncio, como se não estivesse ninguém naquela sala. São duas da tarde e vou dar outro biberão que é rapidamente devorado pelo mais novo. Saímos para tomar café na rua. Mais uma birra, mais um "quero isto, quero chucha, quero pôr o açúcar no café, quero cartas dos Angry Birds" e eu a dar desprezo enquanto a minha Mãe faz tudo o que ele quer. TU-DO. Daqui até ao "quero colo" foi um instante e a minha Mãe pega nele. 
Conto até 50 muito depressa. 
Ao sairmos do café, a tampa salta-me com o "não quero chapéu". Arranco o puto do colo da minha Mãe, pego-lhe na mão e digo: vamos para casa; assim não dá. Ainda ouço:
- Ele que durma lá em casa...
Tive que berrar. Há mais de duas horas que as minhas ordens são contrariadas pela minha Mãe. Eu ponho de castigo e a Avó tira, eu digo não e a Avó diz sim, eu proíbo e a Avó deixa. Já não sei se me apetecia mais dar uma palmada ao puto ou à minha Mãe.
Chegamos a casa e foi directo para a cama. O mais novo continuou no carrinho de passeio. Fui lavar biberões e apanhar roupa da corda e estender uma máquina.
Às 5 fomos à festa de anos do grande amigo do mais velho, depois de pedidas muitas desculpas e dados muitos beijinhos e abracinhos.
- Não faz out'a vez, Mamã.
Portou-se lindamente e quando disse que estava na hora de ir para casa, disse "adeus, todos!", deu-me a mão e saímos. Sem fita.
Passamos no parque infantil para mais 10 minutos de queima-energia. Ao fim de dois minutos, "qué'o xixi". Levo-o atrás da moita, saca da piroca e faz. Volta para o escorrega. Dois minutos depois, "qué'o cocó", e vai para a moita. Digo que é maluco da cabeça e que não se faz cocó na rua. Chora. Alto. Muito alto. Por solidariedade, o mais novo também começa a chorar. Caminho para casa com os dois a chorar.
Conto até 200.
Mal chegamos, o mais velho salta para o banho (não sem antes refilar e dizer que não quer, não sem antes levar com a 14ª palmada no rabo). Enquanto toma banho, improviso um arroz de atum. Não há sopa. Visto-o. O mais novo continua a refilar. Salta para o banho também. Às 8:30 da noite, tenho o mais velho a jantar ("está quente", "não quero mais", "há banana?") e o mais novo no biberão. Às 9, o mais velho está na cama, o mais novo a adormecer no colo, o Sócrates na televisão. Às 9:30, o mais novo vai para a cama e eu vejo a série que sigo, religiosamente, na RTP. Choro, comovida. 
Acaba o dia, com a sensação que tive um dia de birras, lágrimas e ranhoca. Ainda bem que o dia da Mãe é só uma vez por ano.

30/04/2013

Sou uma chorinhas.

Cena:
Televisão ligada na Sic, no programa da Conceição Lino. Na tela vê-se o Ricardo Afonso (se não sabem quem é, googlem) a cantar e o Nuno Feist ao piano. A canção era "No teu Poema", diz a Sic, de José Luís Tinoco. Linda, a música.
Eu começo a chorar comovida. Porquê? Por causa da emoção com que esta senhora traduz o que está a ser cantado:


Acho que cheguei ao nível mais alto da choraminguice.

23/04/2013

APAQA*


O João Miguel Tavares escreveu sobre a sua alergia, por mim também partilhada, ao psicólogo Eduardo Sá. Não é tanto o que ele diz, mas a forma com diz começando logo pelo cumprimento arrastado e lânguido à  Isabel Stilwell (que também me irrita um bocadinho): "olá Isabeeel".
Mas muito mais que o Eduardo Sá, irrita-me o Quintino Aires, e isto foi percebido muito tarde. Ouvia o programa dele na Antena 3, "A Hora do Sexo" com a Raquel Bulha e até encontrava algum interesse apesar da forma implacável que ele têm de dizer certas coisas. Isto, muitas vezes originava diálogos interessantíssimos com o meu marido:
- Fofucho, amas-me?
- Claro, Fofucha.
- Não amas nada.
- Se estou a dizer que amo é porque amo. O que é que se passa?
- Ah, estás a falar comigo daquela maneira. É melhor pensarmos já no divórcio.
- Estiveste a ouvir outra vez aquele gajo psicólogo??

A minha auto-estima é demasiado baixa para ouvir este senhor por isso decidi mudar de estação quando começa o programa dele.

Quando fiquei em casa de baixa, descobri que ele frequenta o programa do Goucha de manhã, e dando-lhe o benefício da dúvida (e também porque só tenho 4 canais), ia ouvindo o que o senhor tinha para dizer. E o meu estômago ia centrifugando, centrifugando... Explodi quando ouvi a seguinte teoria deste senhor: "se os pais amam realmente os filhos, não os levam a restaurantes antes dos 12 anos". E, continua, condescendente: "a partir dos 8/9 anos, podem começar a ir para se ambientarem, mas só aos 12 é que as crianças têm maturidade para estarem à mesa". 
Ora aqui encontram-se tantos disparates que nem sei por onde começar. Se calhar, interessa dizer que nunca estudei psicologia (para além de um ou dois anos lectivos; só retive a teoria do iceberg e pouco mais), e todas as minhas teorias sobre a maternidade baseiam-se na minha curta experiência de três anos e meio.
Sempre fui almoçar/jantar fora e não é por ter filhos que vou deixar de o fazer. Vamos muito menos vezes, desde há um ano e meio, mas a culpa é do Passos Coelho, assunto sobre o qual o Quintino não opina. Quando vamos comer fora, o meu filho grande porta-se lindamente, come à mesa com os adultos (como o faz em casa), conversa (no seu antoniês quase imperceptível), escolhe o que quer comer e a sobremesa, que é sempre uma banana. Sim, às vezes levanta-se e decide ir ver as outras mesas: não me lembro de ter incomodado ninguém ou de alguém ter ficado chocado com a sua "visita". Nunca destruiu um restaurante, nunca viajou por baixo das mesas, nunca sequer partiu um copo. Tem três anos e meio. Amo-o muito. O mais novo tem dois meses: não vai comer fora tantas vezes como foi o irmão (ai troika, troika), mas já conhece a realidade, por enquanto vista de um ovinho Maxi-cosi. Amo-o muito, também.

Eu sempre fui comer fora com os meus pais, e de tão raro (porque o orçamento também era curto, não porque tínhamos menos de 12 anos) era uma festa. Era a minha Mãe a dizer "podem ver a ementa mas comem bitoque" ou "não pedem sobremesa que há fruta em casa", e nós obedecíamos! E não me lembro de ter destruído um restaurante. E os meus Pais amam-nos, tenho a certeza.
Penso que o Quintino Aires devia era fazer filhos em vez de teorizar sobre psicologia. Isso, ou tirar um curso de Gestão Bancária. Tanto faz.

* Associação de Pais Alérgicos a Quintino Aires

22/04/2013

Na eira, filha, na eira!!!!

Ao fim de duas semanas de rotina, é seguro dizer que o meu filho novo dorme 7 horas seguidas à noite. Tenho posto o gaiato na cama pelas 22.30 e ele só acorda para novo biberon pelas cinco ou seis da manhã. O mais velho, com três meses, estava a dormir a noite toda no quarto dele; este para lá caminha.
Realmente, o que mais custa nisto de ter filhos, é o primeiro mês. As hormonas estão aos pulos, ainda não conhecemos o puto que saiu de dentro de nós, estamos todos a criar rotinas e a fomentar hábitos. Não melhora quando já se tem um mais velho, ainda muito dependente. A partir do momento em que conseguimos dormir bem, várias noites seguidas, fica tudo muito mais fácil.
É quando tudo fica mais fácil com os filhos que fica mais difícil para a nossa auto-estima: esta barriga ainda não desapareceu porquê?, o cabelo começa a cair como se não houvesse amanhã, a celulite parece aumentar de dia para dia e a vontade de comer açúcar e bolos e porcarias não desaparece.

Como é que é aquele ditado? Não se pode ter sol não-sei-onde e chuva no nabal. 
Hã?

16/04/2013

Ainda a propósito

dos projectos de sala de aula, que falei aqui, aconteceu ao jantar o seguinte diálogo:

- Estás a gostar do projecto do chocolate?
- Eu não estou no projecto do chocolate, Estou no projecto dos elefantes e no das cobras.
- Ah, boa! E o que é que já sabes sobre os elefantes?
- Muitas coisas.
- São grandes ou pequenos?
- Os filhos são pequenos. As mães são... são... são mais ou menos!

Como é óbvio, errei na profissão.

Adoro ser convidada para fazer actividades no colégio do meu filho. Só não vou mais vezes porque, a verdade é esta, não tenho jeito para fazer nada: trabalhos manuais, zero; actividades físicas, zero ao quadrado; dança, eles têm; desenhos, pinturas, instalações e que tais, menos zero! Resta-me a cozinha, que mesmo sendo uma nabiça, safo-me nos bolos e doces.
No ano passado fui fazer um bolo e adorei. Desta vez, fui convocada para fazer bombons no âmbito do "projecto do chocolate" que está a decorrer na sala. Lá fui, levei barras de chocolate branco, de leite e preto, derreteu-se e enchemos couvettes de gelo com formas giras. Numas pusemos uma amêndoa, noutras misturamos dois tipos de chocolate. Simples mais simples, não há!
A verdade é que depois destas visitas (e do Dia da Mãe e do Natal e de todas as reuniões de pais), fico sempre arrependida de não ter dado ouvidos à minha Mãe e não ter seguido uma carreira no ensino. É que me sinto mesmo bem com os miúdos, adoro ouvi-los, adoro a maneira como se explicam, adoro os disparates que fazem e o caos que rapidamente aparece à sua volta. 
Foi uma manhã em cheio!

10/04/2013

Luv u, big bro!

Diz que hoje foi dia dos irmãos. Acontece que eu tenho o maior irmão de todos. E o melhor, também. Este meu irmão, calha ser ainda o melhor tio e, na isenta opinião da minha Mãe, o melhor filho. 
Não falo muito do meu irmão aqui no tasco. Agora que penso nisso, nem sei bem porquê... Sei que ele sofreu muito comigo quando era daquelas miúdas birrentas, mimadas e chatas (basicamente, a minha infância toda), e nem se zangou comigo quando eu lhe destruí o carro em dois acidentes na mesma tarde. Mas eu também sofri ao ouvir milhentas vezes que era adoptada ou que tinha sido encontrada no caixote do lixo. Pode parecer estranho, mas foi a ausência dele que nos aproximou e houve muitas alturas que a impossibilidade de lhe falar dava cabo de mim.
Somos tão diferentes em tanta coisa. Já a minha professora de Fisico-Química do 8º ano me perguntava, ao entregar-me o teste com 5%, se eu tinha a certeza que era irmã do Miguel. 
Foi com ele que aprendi a "dar sentido à viagem para sentir que sou capaz e se o meu peito diz coragem, volto a partir em paz"*. 

Orgulho-me muito do Homem que ele se tornou.


03/04/2013

Depois, vem aquele dia...

... que eu vejo, pela primeira vez, o Amor que os meus filhos têm um pelo outro. E só por isso já valeu a pena toda esta loucura.

...


Não chorava há uma semana. Estava a achar estranha a rapidez com que as hormonas tinham acalmado, desta vez. Até que uma noite destas, fui deitar o mais velho com o ritual do beijinho e do leite quente (lembro que este foi o filho que não adormecia sozinho, por mais métodos Estivill que lhe quisesse aplicar), e voltei para a sala para dar biberon ao mais novo e acabar de passar a roupa a ferro. Ouvi o mais velho cantar 20 músicas diferentes, conversar com os Faíscas MacQueen todos que parecem nascer na minha tijoleira, chamar por mim, pelo Pai, pelos Avós e por toda a gente que ele conhece, mas resisti à visita ao quarto. Deixei de o ouvir passada uma hora. Nada de novo: adormeceu.
Muito tempo depois, fui deitar-me. Entrei no meu quarto e vi o puto a dormir na minha cama, em vez de estar a dormir onde o deixei. Foi aqui que chorei.
Chorei porque nunca mais vou poder dar a este filho a atenção que ele teve durante três anos. Chorei porque o mais novo nunca vai ter a atenção que eu consegui dar ao mais velho. Chorei porque, apesar de querer evitar pôr filhos únicos no mundo, de ser apologista (e apaixonada) por famílias numerosas, tenho medo que os meus filhos não consigam ser tão felizes. Vão ter de partilhar o mesmo quarto, os mesmos brinquedos, a mesma Mãe e o mesmo Pai. 
Chorei porque tive saudades do tempo em que éramos só os dois: eu e o António. E que dormíamos os dois juntos, em conchinha, com aqueles pequenos dedos a fazerem-me cafuné.
Chorei porque tinha o Manuel ao colo e não deixei de sentir estas saudades.