15/02/2013

Eu andava a abusar,

bem sei. Mas já estava cansada daquela azia e, sinceramente, dava imenso jeito ao meu marido que o Manuel nascesse naquele fim de semana. Ainda assim, estava a abusar para que acontecesse no domingo.
Ainda no sábado, depois do almoço, começaram as contracções. Sem dor, muito irregulares (ora de 20 em 20 minutos, ora de cinco em cinco) e eu em casa sozinha com o António a brincar: puzzles, pistas de comboios, corridas de carros, tudo! A partir das seis da tarde, as contracções começaram a chegar com dor. Numa escala de 0 a 10, alternavam entre o nível 4 e o 6. Mandei mensagem ao meu médico, que me disse para ir andando para o Hospital para ser avaliada. "Humm" - pensei eu - "se eu for, mandam-me para trás porque isto ainda está atrasado". Pelo sim, pelo não, fui fazer uma sopa para deixar aos rapazes. Liguei ao J para saber se ele continuava alerta. "Mas queres que eu vá já?", pergunta. "Não! Isto ainda está atrasado!"
Comecei a apontar as horas das contracções, pus tudo na Bimby e continuei a brincar com o mais velho. Uma das brincadeiras era-me muito conveniente: a estátua. Quando eu dissesse "estátua", tínhamos que ficar muito quietinhos (aqui para nós que o puto não ouve, até a contracção passar). 
Pelas oito da noite, depois da sopa feita e do mais velho jantar, elas começaram a apertar: três em três minutos. Toca de ligar ao marido outra vez:: "é melhor vires andando. Mas janta antes que eu não fiz nada para ti". 
OK, estava decidido que iria ao Hospital, quando é que seria a próxima vez que ia lavar o meu cabelo? Nem pensar: toca a tomar banho. Um banho quente para relaxar antes de parir é das melhores coisas do mundo. Já da outra vez foi assim e recomendo. Claro que tive um pequeno deslize hormonal e chorei no banho. Nervos? Ansiedade? Felicidade? Medo? Não sei... talvez tudo ao mesmo tempo.
Quando acabei o J já tinha chegado (sem jantar!!!), sequei o cabelo, vesti-me, tiramos as fotos da praxe antes de sairmos, e  fomos deixar o mais velho nos Avós. 
Eram 10 e meia da noite.

...Continua... 

O Manel já chegou

e agora é só encaixar mais horas no meu dia para vir aqui contar as novidades.
E são tantas...

E tão boas!!

08/02/2013

Sai uma cesariana para a mesa do canto, s.f.f.

Se há coisa que eu gosto é de estar grávida. Gosto de sentir os pontapés a toda a hora, gosto de ser mimada por todos, gosto das perguntas das vizinhas, gosto dos palpites ("com essa barriga, só pode ser menina"), gosto das conversas com o médico. Dispensava as milhentas análises e a azia. Do resto, não me posso queixar.
Nunca percebi as outras Mães que diziam que estavam fartas, que queriam já os bebés nascessem logo, que já não aguentavam estar grávidas. Muito menos aquelas que diziam que não gostaram de estar grávidas. Nunca disse isto a ninguém, mas sempre considerei que quem dissesse uma coisa dessas era um bocado esquisita.

Até agora...
Ora bem: estou, praticamente, há quatro meses em casa a ver se o puto não nasce antes do tempo. Há quatro meses com contracções, colo vigiado, ameaças de parto prévio, o diabo a sete. Quatro meses nisto, e chego às 38 semanas sem sinais de que o miúdo queira vir cá para fora. Eu nem me importo muito com isso: enquanto aqui está dentro, vou podendo dormir quando quero, fazer o que quero à hora que quero. Mas, enquanto aqui está dentro, ele está a crescer (e o médico já me assegurou que este vai ser maior que o primeiro)! E ponho-me a pensar que ele vai ter de sair por algum lado, a bem ou a mal.

Desejos para Fevereiro? É voltar a ler o título, por favor.

01/02/2013

36


Entretanto fiz anos. 36. TRI-TA-E-SE-IS!!! Ofereci-me uma máquina de lavar louça e sou a mais feliz. As malas estão prontas, a casa está pronta para receber o novo membro da família, eu estou pronta.... Bullshit!! Estou com mais medo do que da outra vez. Agora sei ao que vou e o que me espera. Não tenho medo do parto, nunca tive. Tenho medo do depois, da má experiência com a amamentação, da falta de paciência para algumas visitas, da privação do sono, da recuperação. Se por um lado me sinto mais madura para enfrentar algumas situações complicadas, por outro lado sinto-me insegura porque tenho outro filho a quem dar atenção e mimo sem mudar muito a rotina. 

Além de inútil, sou uma  medricas!
Prometi uma série de coisas quando fiquei em casa de baixa: escrever mais, ler mais, aprender a acalmar-me mais. Olhando agora para trás, vejo mais um bullshit! O livro está na mesma página, comecei a ler outro com a desculpa que este não estava a interessar, li umas 50 páginas, e ali está ele, pronto para levar para as consultas onde consigo ler mais duas ou três páginas. 
O blog estava parado há quase um mês. 
Continuo a stressar com pequenos nadas.

Sou uma inútil.

E contra todas as previsões,

cheguei a Fevereiro grávida. Todos os dias digo que amanhã é que vai ser, porque já conheço os sinais, porque da outra vez aconteceu assim ou assado, porque sinto isto ou aquilo. Bullshit!! O excesso de confiança está a mostrar-me que não sei nada de nada e muito menos de sinais de parto. Ainda faltam três semanas para o fim de tempo. Tudo pode acontecer.

04/01/2013

Dos outros

Quando me perguntam o que é que vem aí desta vez, se é menino ou menina, as pessoas têm das reacções mais idiotas que podem existir. Estou a falar das pessoas que me conhecem mal, como vizinhas, por exemplo. À mesma pergunta, eu respondo sempre "é outro rapaz" e sorrio. Não só porque queria mesmo outro rapaz, mas também porque dá imenso jeito que seja outro rapaz e porque sou (minimamente) educada, ainda que pouco simpática. Acho que um sorriso não é exagero. 
Depois... depois é só ouvi-las dizer coisas parvas do género:

- Ah, então ainda vai tentar a menina?
(como se isto fosse uma questão de tentativa-erro, ou fossemos todos obrigados a ter o casalinho piroso)

- Que pena... Era mais giro um casalinho!
(mas porque raio é que toda a gente acha piada a casalinhos?)

- AH!! O António vai ter um amiguinho para brincar!
(como se até aqui ele nunca tivesse brincado com ninguém... Além disso, a probabilidade de eles brincarem juntos, com a diferença de três anos e meio, é mínima. Eu sei por experiência própria! Ah, espera... nós éramos um "casalinho")

E o vencedor de todos os comentários:

- Pronto... lá terá que ser, não é?
(WTF???!!???! não me ocorre mais nada para comentar este... comentário)

03/01/2013

Férias

O Pai teve umas férias e, juntando à minha baixa, optamos por ficar com o puto em casa durante 15 dias. Não os acompanhei como gostaria, é certo, mas adorei vê-los juntos. Foram para o Porto sozinhos, passearam, andaram de metro e eléctrico e autocarro e no comboio do Pai Natal e não há dia nenhum que o miúdo não fale nisso com orgulho: "fui com o meu Papá". Foram ao Dragão, montaram móveis do Ikea, tomaram banho, dormiram juntos. Uma festa!

Fico a pensar no tempo que não temos para ser Pais como gostaríamos, mas também no exemplo que estamos a ser para os nossos filhos, mostrando que podemos conjugar o melhor de dois  mundos. E vê-los felizes, caramba... é a razão de viver.

26/12/2012

Agora, as birras para comer a sopa são uma constante. Já não tenho paciência e hoje foi para a cama sem jantar. Ficou uma hora e meia na cama entre choro, cantigas e fita.
Depois, chamou-me e disse: quero comer a sopa. Aqueci, comeu sozinho, comeu o peixe e banana. No final, perguntou se a Mamã está contente. Disse que sim. "E o Papá?", também está contente. "Boa!!!!" Mandei-o para a cama e adormeceu. Assim, como se fosse fácil!

20/12/2012

Análises.

Aos sete meses e meio da segunda gravidez, continuo tão perdida como no primeiro dia. Estou a falar de um assunto importantíssimo que dá o nome de análises durante a gravidez. Por que nós, as grávidas, temos que fazer uma série de análises: às sete semanas, às doze, às 22 e por aí adiante. E quanto mais "adiante" mais vontade temos de fazer xixi. Principalmente, durante a noite.
Pois que cada vez que me mandam fazer uma bateria de análises, pedem-me a "primeira urina da manhã". Hummm... Se eu acordo umas três vezes por noite para fazer xixi, qual destas vezes é que é considerada a "primeira da manhã"? Ou é só quando o sol nasce que é considerado manhã? Ou quando o despertador toca?

Sou só eu que penso nestas coisas? Sou?

19/12/2012

Três anos e picos

Eu sempre disse que se os bebés nascessem com três anos, há muito que já era Mãe. O que eu não sabia é que com três anos os miúdos eram tão giros. Começar a perceber a personalidade de uma pessoa pela capacidade de argumentação, pela capacidade de encaixe,  pela paciência que têm (ou não) em superar os obstáculos sem perceber que estes foram ali postos pelo pais para os avaliar... É uma tarefa incrível. 
O meu filho começou a falar tarde. Com dois anos dizia três palavras, talvez, mas percebia tudo o que lhe era dito. Preguiçoso como só ele. Agora, nota-se a a ânsia de aprender mais coisas e de emendar o que lhe corrigimos. 

Mamã, como chama-se esta let'a do Avô? 

ou então

Esta é a let'a da Bola, Papá?

E o melhor de tudo, a conversa que ele teve com o mano Manel, que ainda está na barriga.

Manéue, estes são os binquêdos do António. E os binquêdos do Manéue. Tás a ouvi'ue? António é gande, o Manéue é piquitito. És meu amigo? (e como não tinha resposta) Mamã, o Manéue é meu amigo?

Agora digam-me: onde está o botão de pausa para eles não crescerem mais?

18/12/2012

18_rush

Odeio quando ele me foge das fotos giras.
[ideia daqui]

9 anos

É assim todos os anos. Acho que nunca me lembrei do aniversário deste tasco no dia certo: 4 de Dezembro.
Parabéns a mim!!

P.S. Com a quantidade de leitores que isto tem, diria que ganhei meio leitor por ano.

A Importância de se Chamar Ernesto

Volto a achar que ter um hífen no nome ou um Y ou um TH, faz a diferença. 
Desde que saí da Faculdade que deixei esta minha teoria de lado. Treze anos depois, volto a achar o mesmo.

E não quero falar mais nisto.

14/12/2012

14_fear

Como é que se fotografa o pavor da Morte, da doença, do cancro? É complicado. 
Acima de todos estes, existe um maior: o pavor de perder o meu filho. Perda no sentido mais literal: de o ver num minuto e no minuto seguinte já não o encontrar. 
Nunca mais. Sem saber se está vivo ou não. 
Fico sufocada só de pensar. 
Como é que fotografa este pavor? Não se fotografa. 
É um buraco negro no qual eu nem quero pensar...

(post original aqui)
[ideia daqui]

13/12/2012

Sabes que estás a ser uma forte influência no teu filho quando o ouves a jogar jogos no android:

"Ah, cauáças, só uma est'êua..."

ou pior:

"Fââââque, pe'di."

10/12/2012

10_power

I've got the power!
(not always...)
[ideia daqui]

Querido Pai Natal:

Eu sei, eu sei... Não existes por isso escuso de enviar a carta no meu nome. Ainda assim, e como o tempo livre é muito, decidi fazer uma listinha de coisas que me fazem falta, no caso, vá... de existires.


1. Com a família a crescer e a casa a encolher, esta parece-me a solução para o quarto dos pequenos. Quando acordam, puxam "as orelhas" às camas e fecham-nas como se de uma prateleira de tratasse. Boa ideia, não? 
[Pensando bem, este presente pode esperar mais um ano que o mais pequeno ainda vai aguentar a cama de grades uns bons meses.].
2. Umas pantufas novas, para substituir as minhas que já estão abertas à frente. E atrás. Ah! E de lado também...
[Pensando bem, estas ainda continuam quentinhas, podem aguentar mais um ano.]
3. Ah, o sonho de qualquer dona de casa: uma máquina de lavar louça. *suspiro*
[Pensando bem, quem lava louça há 8 anos, pode muito bem aguentar mais um ano a lavar, ainda que nos últimos 4 anos a família tenha quadriplicado.]
4. Esta estante para a entrada, do Ikea.
[Pensando bem, a mesa que lá está agora, que já foi mesa de cabeceira do meu quarto na casa dos meus pais durante anos, traz algumas memórias. E aguenta mais um ano.]
5. Como boa hipster que sou, eu queria mesmo um iphone (não acreditem em mim quando critico a Apple; é pura inveja). 
[Pensando bem, o meu Samsung-zito ainda aguenta umas boas 4 horas de bateria, e, se não me esquecer de andar sempre com o carregador comigo, aguenta mais um ano.]
4. Molduras. Muitas e muitas e brancas e pretas e cinza e 10x15, para fazer uma parede gira na minha sala. Baratas no Ikea. Ou num chinês qualquer (será que na Lapónia há lojas do chinês??)

Pensando bem, Pai Natal, com a crise que por aqui anda, não me importo que tragas só uma moldura, ok? O resto, pode esperar por melhores dias.