Acordo, praticamente todas as noites, pelas quatro da manhã, e penso em vocês. Enquanto o microondas aquece o leite com mel onde vou mergulhar as bolachas de água e sal carregadas de manteiga. Penso se, por acaso, alguma de vocês também está a ser atacada por esta fome urgente. Se alguma de vocês foi também acordada por esta vontade enorme de fazer xixi. E penso na falta que me fazem diariamente, na partilha desta experiência maravilhosa que estamos as 3 a viver. Penso neste triângulo grávido e redondo, com as arestas tão afastadas que dói. Penso em estar com vocês e trocar opiniões e dizer disparates e partilhar enjoos. Penso nas saudades e nos tempos em que as três éramos só uma. Penso se alguma de vocês está a pensar nas outras.
Há saudades que doem...
[Escrito a 27-7-2012, num papel que andava perdido e foi achado hoje de manhã.
As insónias mantêm-se, mas uma das arestas do triângulo já pariu.
O resto continua tudo igual.]