14/05/2010
13/05/2010
Achei bem esperar pelo 13 de Maio para escrever sobre este tema.
Não sou católica. Tive uma educação baseada em princípios católicos, andei num colégio católico, fui baptizada, fiz a Primeira Comunhão, andei na catequese. Ia à missa todos os domingos e aquilo fazia sentido: aquelas histórias, aquelas palavras, os valores. Mais do que um complemento à minha educação, aquilo era um complemento à minha formação.
O Padre Jardim era o culpado disto tudo: fazia uma missa especial para crianças, ajudava-nos na confissão e tratava todos os meninos pelo nome. Perguntava se nos tínhamos portado bem na escola, se ajudávamos a Mãe em casa e se brigávamos muito com os irmãos. Contava-nos as histórias da Bíblia como se fossem histórias de encantar ou contos modernos. Ensinava-nos a respeitar o próximo, quem quer que ele fosse. E nunca se esquecia de ir ver-nos nas festas de Natal ou de final de ano lectivo.
Até que chegou o dia em que o Padre Jardim foi embora: sabíamos que tinha ido para outra paróquia, mas éramos muito pequenos para perceber que Carnide fica mesmo aqui ao lado e que a mudança nem sempre traz algo de bom. Com o Padre novo era tudo uma seca e tínhamos imensas coisas para decorar e dizer todos ao mesmo tempo durante a missa. As músicas não eram aquelas que conhecíamos e já não tinham palmas. Para mim, toda a Igreja se tornou sisuda e só ouvia falar de castigo e penitência.
Mais ou menos por esta altura, lidei pela primeira vez com a dura realidade da morte. Sim, as pessoas morriam, mas era lá longe, nos filmes e nas novelas. Como é que, de repente, aquela pessoa que eu via todos os dias podia simplesmente desaparecer? Aquele mesmo Deus com quem eu estava a zangar-me permitiu que isso acontecesse a mim: que sempre tinha ajudado a minha Mãe, que fazia sempre os trabalhos de casa!
Zanguei-me definitivamente com Ele. Mais tarde, ainda houve uma tentativa de reconciliação, quando conheci Roma (quem é que não se torna católico em Roma?), mas logo a seguir outra rasteira ainda mais cruel, ainda mais injusta e tornei-me definitivamente ateia.
No sábado passado, tive uma das maiores (e melhores) surpresas da minha vida. Fui ao casamento do meu amigo mais antigo, que por acaso casou com a minha prima. E qual não é o meu espanto quando vejo, na sacristia, o Padre Jardim. Quando fui dar-lhe um beijinho, ele disse "lembro-me tão bem desse sorriso, mas já não me lembro do nome; afinal, já lá vão 20 anos...". Confesso que fiquei comovida.
Foi uma cerimónia bonita, e, naquele momento, voltei a ter 10 anos e tudo voltou a fazer sentido: o Padre Jardim estava a tratar-nos pelo nome e batemos palmas a cantar. Apesar de não ter conseguido assistir à cerimónia toda (não tinham nada que casar na hora do lanche do esfomeado do meu filho) posso dizer que foi um dos casamentos mais bonitos que já vi.
Gostava que o meu filho conhecesse a Igreja que eu conheci e vivi com o Padre Jardim. Tenho a certeza que faria dele um Homem melhor.
10/05/2010
Serviço Público #3
Os adesivos protectores dos calcanhares da Compeed são tão bons, mas tão bons que só hoje, três dias depois de os pôr é que me lembrei que ainda não os tinha tirado. Quando olhei para os pés, lá estavam eles bem coladinhos no mesmo sítio, desempenhando orgulhosamente a sua função.
Se calhar, e porque não são baratos, deixo-os postos até ao próximo casamento...
...
...
... que é em Julho.
07/05/2010
06/05/2010
05/05/2010
Sou uma mulher simples, mas gostava de gostar de ser coquette.
Não me lembro de falar aqui de vestidos-sapatos-maquilhagem-e-afins. Sim, já falei de roupa e tal, mas não é tema de conversa que eu goste de ter e muito menos de puxar. Odeio ir às compras, experimentar roupa e normalmente, vou sempre comprar uma coisa muito específica: uma camisa branca, umas calças verdes, uma camisola azul. Quando olho para o roupeiro e o vejo vazio (aconteceu duas vezes: uma quando comecei a trabalhar num sítio onde não podia usar calças de ganga e ténis, e outra depois de parir porque nada me servia e tudo me incomodava), telefono à minha amiga R. que faz o sacrifício (not) de ir comigo às compras.
Não arranjo as mãos, não pinto o cabelo, já fiz madeixas uma vez (devia estar distraída) e nunca arranjei os pés.
Não perco nem um minuto em maquilhagem, simplesmente porque não uso. De todo! Uso creme hidratante e é quando não me esqueço de o pôr. Seco o cabelo porque sou uma flor de estufa e tenho medo de sair com ele molhado, e escolho a roupa do dia três minutos antes de sair de casa.
Por tudo isto, não percebo porque é que a cabeleireira que me corta o cabelo duas vezes por ano há uns 10 anos ficou em choque quando eu marquei hora para sábado para fazer um rabo-de-cavalo para o casamento da M. e do S.
- Um rabo-de-cavalo? Vais pagar para te fazerem um rabo-de-cavalo? - pergunta ela.
- Mas não quero um rabo-de-cavalo qualquer. Quero este:

Nota: o leitor que não pense que sou uma desmazelada-amarrotada; faço depilação de 3 em 3 semanas, religiosamente. Ok?
02/05/2010
Dona de casa quase desesperada.
Estou aqui a pensar que:
também tenho uma D. Lurdes uma vez por semana que me limpa arruma passa,
também tenho um filho porreiro que dorme 10h por noite,
tenho um marido que come fora na grande maioria dos dias (almoço e jantar),
raramente cozinho,
ainda por cima, trabalho 5 horas por dia.
Então porque raio não consigo:
ler duas páginas de um livro sem adormecer,
ver 15 minutos de um filme sem adormecer,
encostar a cabeça por mais 5 segundos sem adormecer?
Há pessoas que sabem o segredo e não querem partilhar.
Não há?
Dia da Mãe
Eu podia escrever tanta coisa sobre a minha Mãe e sobre mim que sou Mãe e sobre este dia que faço imensos meses de namoro e bués de meses de casada e sobre a importância do dia 2 nas nossas vidas...
Mas não vou escrever nada. Estou a namorar o meu bebé.
Costas.
Se alguém souber um truque ou mezinha para que estas dores de costas, estas aqui mesmo no meio que parecem paus a espetar de dentro para fora e que vem a subir até ao pescoço e que não deixam dormir nem estar confortável em posição nenhuma e que agravam na hora do banho diário de uma determinada criança de 8,5kg, agradeço que me informem.
Muitíssimo obrigada.
30/04/2010
23/04/2010
Friday's Ritual - #1
Este ritual encontrei na Paixão Fotográfica, que por sua vez encontrou no Rummey Bears, que foi encontrar no Soul Mama. É apenas uma fotografia, sem palavras nem explicação, de um momento especial da semana. Um momento que queremos guardar.
Um bom fim de semana!
Bublé.
Serei eu a única pessoa do país que não percebe qual a piada do Michael Bublé? Querem explicar-me?
22/04/2010
C'a nervos!
Agora que a Veronica ia entender-se com o bonzão do Chris, pumba, um assalto, mata um bandido, volta o stress pós-traumático e o ex-marido.
Ainda não é desta que se entendem, e isso irrita-me!
Nota: para quem não percebeu nada disto, estou a falar do Mercy, quintas-feiras na FoxLife, pelas 22.15.
Blogues
E no primeiro de quatro dias de folga, consegui ler os 473 posts que tinha em atraso, ver dois Mercy's, dois So You Think You Can Dance, e ainda tive tempo para ir pôr o carro na oficina, ir buscá-lo, lanchar com a R. e ir ao Pngo Doce.
20/04/2010
Vulcão
Se eu puser o António a martelar o teclado do computador, ele escreverá o nome de um vulcão islandês?
10/04/2010
Reconsidero.
Caro S. Pedro,
Depois de uma análise exaustiva ao meu roupeiro e principalmente, ao meu espelho, decidi que afinal já não quero o Verão. Seis meses depois de parir, quase dois anos depois da última ida à praia, algures entre orca e elefanta banhada em lixívia, sinto-me melhor toda tapada com as roupas de Inverno. Manda lá vir o dito.
Obrigada.
09/04/2010
05/04/2010
Sou só eu que acho?
Todos os dias tristes deviam ser dias cinzentos.
Daqui, consigo ver o mar.
Depois daqueles prédios laranja e do casario branco, lá ao bem longe vejo o mar.
Hoje, está muito azul. Talvez o dia do ano que se vê mais azul. A linha do horizonte estende-se e vejo dois tons de azul: o do céu e o do mar.
Às vezes acho que teria mais lógica se chovesse. Um dia triste é um dia de chuva. Cinzento. Escuro. Assim deviam ser todos os dias tristes. Com o sol assim a brilhar, parece que não está a prestar a devida homenagem a quem parte. Todos os dias tristes deviam ser dias cinzentos.
03/04/2010
Mais sobre filhos.
Li algures alguém que criticava os casais que "depois de terem filhos deixavam de viver", porque abdicavam de saídas com os amigos, noitadas e outros programas sociais. O post era bem crítico, apesar de bem escrito e com algum fundamento. Notava-se, contudo, que quem escrevia não tem filhos. Pobrezinha...
Não é pobrezinha por não ter filhos!! Eu própria, até ter decidido engravidar, não queria filhos, e era muito feliz sem eles. A verdade, é que sou muito mais feliz com um filho! E quando há saídas ou noitadas, não apetece ir, porque já temos um dia cheio de mimos e sorrisos que só queremos partilhar com quem mais amamos. E não, não damos em malucas por deixarmos de sair. Damos em malucas sim, se ficamos longe dos nossos bebés mais que uma hora seguida.
As Mães trabalhadoras (praticamente todas, que hoje em dia é muito difícil ser uma stay-at-home-mum em Portugal) têm que deixar os filhos em infantários ou amas; as que têm sorte, conseguem deixá-los com os avós; as que têm ainda mais sorte trabalham 5 horas e voltam a correr para junto dos seus filhos (eu sou uma sortuda ao quadrado). Mesmo essas, como eu, que passam o dia de trabalho a correr para que tudo fique feito em 5 horas, com objectivos a cumprir e a pressão da hierarquia, têm tempo para sentir saudades. Acredito que os Pais também as sintam.
Não pensem que deixamos de viver: a vida, a partir daí, tem um sentido diferente e tudo à volta passa a ser olhado de outra maneira. As prioridades são outras e o mundo deixa de rodar à volta do nosso umbigo.
Não pensem que nos deixamos passar para segundo plano: nós estamos em primeiro plano mas já não estamos sozinhas.
Não pensem que deixamos de sair: saímos com Amigos, jantamos fora e até vamos ao cinema ou fins-de-semana a dois. Mas quando eles não podem ir, as coisas não sabem tão bem porque pensamos que podíamos aproveitar aquelas horas com os nosso bebés.
É sempre "mais um bocadinho".
E é sempre tão pouco.
O que eu não quero é olhar para trás e ver que perdi a melhor fase de crescimento, descoberta e conquista do meu filho. Que se lixem as noitadas. Já tive tantas!!
27/03/2010
Não gosto de pessoas.
Detesto conhecer pessoas, cumprimentar pessoas que mal conheço, muito menos ser abordada na rua por pessoas que não conheço de todo (tem acontecido muito desde que mudei de casa).
Tenho péssima memória: caras, nomes, datas, filmes, actores, histórias, anedotas, acontecimentos.
Odeio conversas da treta: de cabeleireiro, de taxista, de paragem de autocarro, de sala de espera de médicos. Não tenho paciência e a minha imaginação para a introdução de novos assuntos é nula, portanto a minha parte do "diálogo" limita-se a vários pois, alguns exactos e bastantes hum-hum.
Não sei consolar ninguém: aquela conversa do "ai meu deus, o meu marido isto e a minha mãe aquilo, e o meu patrão o outro", comigo não funciona. Sou excelente ouvinte mas nunca me ouvirão dar conselhos sobre atitudes a tomar (salvo raras excepções que têm a ver com a minha própria experiência e em casos muito parecidos).
Resumindo: não gosto de pessoas. Não gosto mesmo. E se pudesse, trabalhava numa sala sozinha, com um computador e um leitor de mp3. De preferência sem telefone.
Agora, as pessoas que eu conheço, que eu escolhi como "as minhas pessoas", os meus Amigos, a minha família. Esses, eu adoro.
E adorei o jantar de ontem. A conversa. O serão. Os conselhos. Os desabafos.
Sabe tão bem, estar entre Amigas.
21/03/2010
Super-fantástico.
Sou uma mulher bafejada pela sorte. Quem conhece a Casca sabe que nem sempre foi assim. Desde há quase dois anos que posso dizer com todo o orgulho e peito inchado que sou uma mulher de sorte. Não vou aqui dizer as razões porque toda a gente já conhece e tem a ver com uma família fantástica constituída por um filho fantástico e um marido fantástico. Temos uma casa fantástica, vamos ter um carro fantástico e ainda por cima tenho os amigos mais fantásticos.
Então, se é assim tudo tão fantasticamente fantástico, porque é que eu tenho esta nuvem cinzenta colada a mim e uma tristeza pesada e peganhenta que não se vai embora?
Pode ser que seja da chuva.
Cheiros.
Gosto do cheiro do meu bebé. Não é o cheiro Mustela acabado de sair do banho. Não! É o cheiro dele, mesmo. O cheiro que tem antes do banho, depois de um dia de actividade e alguns momentos de calor. Chamem-me maluca, mas gosto deste cheiro.
Sempre tive um olfacto muito apurado (uma amiga esotérica dizia que era por causa da posição da Lua - ou Júpiter, ou Saturno, ou Plutão, um deles - da minha carta astral) e muitas vezes tenho déjà-vu pelo cheiros (será que existe déjá-senti?). Identifico perfeitamente do cheiro da casa da porteira do prédio onde vivi a minha infância: um cheiro forte e amargo, nada agradável, que a filha levava com ela quando íamos brincar na rua. O cheiro do roupeiro do quarto dos meus pais, de alfazema. O cheiro da casa dos meus avós paternos, que cheira a livros antigos, a alfarrabista. O cheiro do hálito do meu professor de Francês da faculdade, cheiro forte a café acabado de tomar depois do almoço. O cheiro do meu irmão, que tem maresia e primavera. Tenho a certeza que os identificava, se tivesse os olhos fechados.
O cheiro das pessoas nem sempre é agradável. Incluindo, obviamente, o cheiro da transpiração (aka sovacum), principalmente sentido em transportes públicos ao final do dia. Mas quando é o cheiro mesmo da pessoa, aquele cheiro sem perfumes nem cremes, sem máscaras ou disfarces, pode até ser bastante sensual. (Tenho a certeza que o cheiro do meu marido influenciou imenso a minha paixão por ele).
Agora, o cheiro do meu bebé, aquele cheiro mesmo dele sem Mustelas ou Adermas, é viciante.
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