20/04/2008

# 111

Tecto.

O poema que eu gostava de ter escrito:

Estrela do Mar, Jorge Palma

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia sozinho ao relento
E ali longe do tempo acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: Estrela do Mar

Sou a Estrela do Mar, só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou no princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força ser dono de mim

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
E inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para a Estrela do Mar

Sou a Estrela do Mar, só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou no princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força ser dono de mim

16/04/2008

# 107

Blanc sur blanc.

2. VIAGEM

Adoro viajar: de carro, avião, combóio. Dentro ou fora do país. Tanto faz. Viajar sozinha é como um reencontro comigo mesma, uma introspecção involuntária, quase uma terapia. Adoro viajar de carro à noite. Adoro conduzir. A ida tem o entusiasmo das férias-reencontro-descanso; o regresso está cheio de saudades.

Continuação deste desafio.

14/04/2008

1. MAR

Porque é aqui que eu encontro o meu refúgio, a Paz que muitas vezes parece faltar. Porque adoro o silêncio do fundo do mar mas também a música que ele produz. Porque é junto do infinito que eu me vejo pequenina mas com força para continuar. E porque fico doente, se passo uma semana sem entrar dentro de água do mar.

Continuação deste desafio.

# 105

Passeio pela cidade... ainda.
Não consigo perceber como é que deixam apodrecer estes edifícios...

Eu sou o Ilídio - Parte VI

Passaram seis semanas, seis, e Ilídio não obteve qualquer resposta da parte dos peitos, perdão, por parte da mulher amada e por isso os seus poemas tornaram-se tristes e escuros, longos fados e canções de desespero e desilusão descorridos naquele caderninho que o acompanhava. Como eram cruéis o mundo e o amor, e como estava mais bonita Svetlana, cada dia que passava! Centenas de milhares de suspiros quebraram o silêncio da portaria daquele edifício, rasgaram a escuridão, penetraram fundo na solidão daquele espaço marcado pela dor do desprezo.

13/04/2008

# 104

Waiting...
[¿Hasta cuando?]

...

Leva-me contigo.
Vamo-nos sentar numa qualquer esplanada à beira-mar. Tu a leres o jornal diário, eu com um livro aberto nas mãos. Ou então, vamos passear de mão dada, ver o pôr do sol numa praia qualquer, inventar conversas e histórias só para poder ouvir a tua voz durante horas.

Leva-me contigo.
Mostra-me os teus lugares, confia-me os teus segredos, o teu corpo. Deixa-me conhecer-te, ensina-me a ler-te e a interpretar-te. Deixa-me ser eu a primeira pessoa em quem pensas de manhã. Deixa ser a minha boca a beijar-te antes de adormeceres.

Leva-me contigo.
Vamos misturar o nosso suor nas noites aquecidas por nós, misturar os nossos cheiros, os nossos cabelos, entrelaçar os dedos das nossas mãos. Vamos engolir a respiração um do outro, fazer os corações baterem ao mesmo tempo, fechar os olhos e saber de cor quais dos nossos movimentos nos dão mais prazer.

Leva-me contigo.
Vamos ficar assim muito mas muito tempo. Tanto tempo até que os nossos corpos se fartem das mesmas curvas, das mesmas marcas e percebam que, neste jogo da paixão, não se pode fingir o amor.

10/04/2008

# 101

Passeio pela Cidade.

Words don't come easy

Tenho visto o desafio em alguns blogs e tive vontade de aderir. Como ninguém me desafia, lanço-me sozinha no jogo e exponho aqui as minhas 12 palavras preferidas. Sem qualquer ordem ou lógica de exposição, cá vão elas:

  • Mar;
  • Viagem;
  • Primavera;
  • Música;
  • Papá / Mamã;
  • Caramelo;
  • Concomitantemente;
  • FUCK!;
  • Parcimónia;
  • Alentejo;
  • Dançar;
  • Parametrização.

A explicação sobre cada uma delas surgirá nos próximos dias. Como ninguém me lançou o repto, eu vou amuar e também não o vou lançar a ninguém. Quem quiser, chegue-se à frente.

Eu sou o Ilídio - Parte V

Uma noite, Ilídio perdeu a vergonha e decidiu enviar uma mensagem para Svetlana através de um dos sites onde estavam registados. Enviou-lhe o soneto mais bonito que alguma vez os peitos de Svetlana inspiraram e que deixaria Florbela Espanca corada de vergonha. Escolheu milimetricamente cada palavra, mas também o tipo, a cor e o tamanho da letra. Queria que tudo estivesse perfeito para que a mulher que amava há tanto tempo se apaixonasse por ele no momento em que olhasse o écran do seu computador, e por isso optou por escrever em Monotype Corsiva número 12 a Mogno, que era uma cor discreta e, sobretudo, romântica. O seu soneto começava assim:


Eu sou o Ilídio...

Uma foto por dia.

É bem mais difícil do que eu pensava...

09/04/2008

Just Perfect

Perfeito perfeito é esquecer o telemóvel em casa às 8 da manhã, chegar depois das 6 da tarde e ver que ninguém tentou contactar comigo durante um dia inteirinho.