14/04/2008

# 105

Passeio pela cidade... ainda.
Não consigo perceber como é que deixam apodrecer estes edifícios...

Eu sou o Ilídio - Parte VI

Passaram seis semanas, seis, e Ilídio não obteve qualquer resposta da parte dos peitos, perdão, por parte da mulher amada e por isso os seus poemas tornaram-se tristes e escuros, longos fados e canções de desespero e desilusão descorridos naquele caderninho que o acompanhava. Como eram cruéis o mundo e o amor, e como estava mais bonita Svetlana, cada dia que passava! Centenas de milhares de suspiros quebraram o silêncio da portaria daquele edifício, rasgaram a escuridão, penetraram fundo na solidão daquele espaço marcado pela dor do desprezo.

13/04/2008

# 104

Waiting...
[¿Hasta cuando?]

...

Leva-me contigo.
Vamo-nos sentar numa qualquer esplanada à beira-mar. Tu a leres o jornal diário, eu com um livro aberto nas mãos. Ou então, vamos passear de mão dada, ver o pôr do sol numa praia qualquer, inventar conversas e histórias só para poder ouvir a tua voz durante horas.

Leva-me contigo.
Mostra-me os teus lugares, confia-me os teus segredos, o teu corpo. Deixa-me conhecer-te, ensina-me a ler-te e a interpretar-te. Deixa-me ser eu a primeira pessoa em quem pensas de manhã. Deixa ser a minha boca a beijar-te antes de adormeceres.

Leva-me contigo.
Vamos misturar o nosso suor nas noites aquecidas por nós, misturar os nossos cheiros, os nossos cabelos, entrelaçar os dedos das nossas mãos. Vamos engolir a respiração um do outro, fazer os corações baterem ao mesmo tempo, fechar os olhos e saber de cor quais dos nossos movimentos nos dão mais prazer.

Leva-me contigo.
Vamos ficar assim muito mas muito tempo. Tanto tempo até que os nossos corpos se fartem das mesmas curvas, das mesmas marcas e percebam que, neste jogo da paixão, não se pode fingir o amor.

10/04/2008

# 101

Passeio pela Cidade.

Words don't come easy

Tenho visto o desafio em alguns blogs e tive vontade de aderir. Como ninguém me desafia, lanço-me sozinha no jogo e exponho aqui as minhas 12 palavras preferidas. Sem qualquer ordem ou lógica de exposição, cá vão elas:

  • Mar;
  • Viagem;
  • Primavera;
  • Música;
  • Papá / Mamã;
  • Caramelo;
  • Concomitantemente;
  • FUCK!;
  • Parcimónia;
  • Alentejo;
  • Dançar;
  • Parametrização.

A explicação sobre cada uma delas surgirá nos próximos dias. Como ninguém me lançou o repto, eu vou amuar e também não o vou lançar a ninguém. Quem quiser, chegue-se à frente.

Eu sou o Ilídio - Parte V

Uma noite, Ilídio perdeu a vergonha e decidiu enviar uma mensagem para Svetlana através de um dos sites onde estavam registados. Enviou-lhe o soneto mais bonito que alguma vez os peitos de Svetlana inspiraram e que deixaria Florbela Espanca corada de vergonha. Escolheu milimetricamente cada palavra, mas também o tipo, a cor e o tamanho da letra. Queria que tudo estivesse perfeito para que a mulher que amava há tanto tempo se apaixonasse por ele no momento em que olhasse o écran do seu computador, e por isso optou por escrever em Monotype Corsiva número 12 a Mogno, que era uma cor discreta e, sobretudo, romântica. O seu soneto começava assim:


Eu sou o Ilídio...

Uma foto por dia.

É bem mais difícil do que eu pensava...

09/04/2008

Just Perfect

Perfeito perfeito é esquecer o telemóvel em casa às 8 da manhã, chegar depois das 6 da tarde e ver que ninguém tentou contactar comigo durante um dia inteirinho.

# 100

Importa-se de repetir?

07/04/2008

Eu sou o Ilídio - Parte IV

A noite de um Segurança de serviço não tem muito que se lhe diga, por isso Ilídio passava o seu tempo a ler jornais desportivos do dia anterior, a fazer Sudokus, a escrever poemas e a ver sites pornográficos registado com o nick de Poderoso69 (porque este era o ano do seu nascimento). Foi num desses sites que se apaixonou por Svetlana, uma búlgara loira e de olhos azuis, com as medidas de uma Deusa Grega, ou pelo menos era o que dizia no perfil que usava. O que ele gostava mesmo era de ficar a olhar para aquela foto em que se via o peito farto de Svetlana, e era vê-lo a escrever sonetos atrás de sonetos, quadras e mais quadras, rimas ricas, rimas pobres acabadas em AR; Ilídio olhava para o peito de Svetlana e vomitava estrofes decassilábicas como se não houvesse amanhã. Depois, suspirava tão profundamente, como se o desejo de ver a sua musa inspiradora fosse a única razão do bater do seu coração.

# 98

Chuva de volta à Primavera.

06/04/2008

05/04/2008

Eu sou o Ilídio - Parte III

Havia semanas que Ilídio não falava com ninguém. Tirando o final do mês, em que fazia questão de comprar o passe no quiosque para dois dedos de conversa e, muito de vez em quando, quando a Central ligava para o Instituto para saber quem estava de serviço naquela noite, não tinha necessidade de abrir a boca para nada. Ainda se lembrava daquela semana em que teve que falar duas vezes, e como isso o deixou meio abananado e um bocado zonzo. Até pensou em meter baixa, mas para isso tinha de ligar ao Supervisor e falar com ele, por isso decidiu tomar um Valdispert e esperar que passasse.

# 96

Os vizinhos mais chatos do mundo.

...

I can't take my mind off of you 'till I find somebody new.


The Blower's Daughter
Damien Rice

04/04/2008

Eu sou o Ilídio - Parte II

O nosso protagonista era Segurança de profissão e fazia, há já vários anos, o turno da noite numa Instituição Pública, daquelas que passa o dia cheia de gente enfadonha a tratar de assuntos enfadonhos, gente que demora duas horas para ser atendida, que reclama, que grita, que chora, que lamenta que o Estado não é justo e que só ajuda os ricos porque os pobres não dão a render e que quem se lixa é sempre mas sempre o mexilhão, mas que de noite não se vê nem se ouve sequer um mosquito porque, ao que parece, também estes fazem o horário das 9 às 5 com intervalos de café, almoço, lanche e, mais recentemente, cigarro.

# 95

Restos do Inverno.