Emily Brontë, O Monte dos Vendavais"O meu amor pelo Linton é como as folhas do bosque: o tempo vai alterá-lo, como o Inverno altera as árvores.
O meu amor pelo Heathcliff... é como as rochas eternas: uma fonte de delícias invisíveis, mas necessárias.
Eu sou o Heathcliff."
01/02/2005
Livro de Citações #1
31/01/2005
Again...

Volta e meia fico assim: com vontade de gritar tudo o que sinto, tudo o que ficou por dizer, para que toda a gente ouça, para que todos saibam que esta sou eu.
Esta sou eu.
E este GRITO é meu!
29/01/2005
Não, ainda não desapareci...
O que aconteceu foi que tive uma série de tempo sem internet: o aquecedor queimou o cabo, ou coisa que o valha.
Depois, tive sem computador: pifou qualquer coisa que eu ainda não percebi.
A seguir, foi o anti-vírus, que desapareceu no nevoeiro, qual D. Sebastião, e ainda não está completamente bom.
E com isto, fico ausente quase um mês desta minha Casca e nem publico o meu aniversário. Além disso, fico com a sensação que estive fora um ano, em vez de um mês. As coisas que tenho para ler são tantas, que nem sei por onde começar.
O pior é que com a constipação que tenho em cima, quase não consigo abrir os olhos, o que torna a leitura um exercício doloroso, com muitas lágrimas e muitos lenços de papel à mistura.
O que eu vim aqui dizer é que continuo por aqui, sempre atenta ao que se passa à minha volta, mas sem muito tempo para escrever. Este ritmo alucinante em que ando, está a deixar-me de rastos. Resultado: hoje dormi 14 horas seguidas e já estou cheia de sono.
Depois, tive sem computador: pifou qualquer coisa que eu ainda não percebi.
A seguir, foi o anti-vírus, que desapareceu no nevoeiro, qual D. Sebastião, e ainda não está completamente bom.
E com isto, fico ausente quase um mês desta minha Casca e nem publico o meu aniversário. Além disso, fico com a sensação que estive fora um ano, em vez de um mês. As coisas que tenho para ler são tantas, que nem sei por onde começar.
O pior é que com a constipação que tenho em cima, quase não consigo abrir os olhos, o que torna a leitura um exercício doloroso, com muitas lágrimas e muitos lenços de papel à mistura.
O que eu vim aqui dizer é que continuo por aqui, sempre atenta ao que se passa à minha volta, mas sem muito tempo para escrever. Este ritmo alucinante em que ando, está a deixar-me de rastos. Resultado: hoje dormi 14 horas seguidas e já estou cheia de sono.
10/01/2005
Cá em casa, voltámos a ser cinco.
A Avó L. junta-se agora a mim, aos Pais e ao Gato Simão. A tosse não a deixa sozinha, mas é uma companhia que ela não aprecia. E, como já está fraquinha para andar a ralhar com tosses e com quebras de tensão, veio cá para casa fazer companhia à Mãe e à sua vontade de conversar.
É uma experiência nova. Outra. Para acompanhar a chegada do novo ano.
Vai correr tudo bem...
...espero.
É uma experiência nova. Outra. Para acompanhar a chegada do novo ano.
Vai correr tudo bem...
...espero.
03/01/2005
Caro Ano Novo:
Espero que tenha feito uma boa viagem e que o frio não tenha prejudicado a sua chegada. Desculpe não ter ido buscá-lo ao aeroporto, mas não estava em Lisboa: fui passar o fim de semana a Milfontes.
O inquilino anterior não deixou boas recordações. Houve algumas situações complicadas e quase foi despejado. Espero que tenha algum cuidado com determinadas situações que podem vir a prejudicar o nosso bom relacionamento, nomeadamente:
- visitas indesejadas;
- barulho fora de horas;
- gastos excessivos de água, luz e gás;
- infiltrações;
e outras sobre as quais, atempadamente, poderemos conversar.
A minha vida é muito simples: trabalho na 5 de Outubro, entro às oito e meia pelo que, cá em casa, a alvorada é às seis da manhã. Tenho um despertar do mais rabugento que há, principalmente quando fico a jogar PS2 até às duas da manhã. Almoço todos os dias ao lado do Citeforma, normalmente sozinha, e não tenho horário de saída. Ando de Metro, porque não quero (e não posso) pagar parquímetro, e conto sair da casa dos meus pais até ao final do nosso contrato.
As cartas são estas, meu caro 2005. Se aceita, tudo bem. Se não aceita, é melhor dar lugar a outro, que eu não estou com paciência para muitos stresses. Por uns pagam os outros, e isto não é justo. Mas, repito: a experiência com o inquilino anterior não foi das melhores e eu não vou passar por aquilo outra vez.
Para finalizar, quero pedir-lhe desculpa pelo tom ameaçador desta carta, que devia ser de boas vindas, mas é bom saber quem é que manda aqui.
Sem mais de momento, despeço-me com os meus melhores cumprimentos,
Susana.
O inquilino anterior não deixou boas recordações. Houve algumas situações complicadas e quase foi despejado. Espero que tenha algum cuidado com determinadas situações que podem vir a prejudicar o nosso bom relacionamento, nomeadamente:
- visitas indesejadas;
- barulho fora de horas;
- gastos excessivos de água, luz e gás;
- infiltrações;
e outras sobre as quais, atempadamente, poderemos conversar.
A minha vida é muito simples: trabalho na 5 de Outubro, entro às oito e meia pelo que, cá em casa, a alvorada é às seis da manhã. Tenho um despertar do mais rabugento que há, principalmente quando fico a jogar PS2 até às duas da manhã. Almoço todos os dias ao lado do Citeforma, normalmente sozinha, e não tenho horário de saída. Ando de Metro, porque não quero (e não posso) pagar parquímetro, e conto sair da casa dos meus pais até ao final do nosso contrato.
As cartas são estas, meu caro 2005. Se aceita, tudo bem. Se não aceita, é melhor dar lugar a outro, que eu não estou com paciência para muitos stresses. Por uns pagam os outros, e isto não é justo. Mas, repito: a experiência com o inquilino anterior não foi das melhores e eu não vou passar por aquilo outra vez.
Para finalizar, quero pedir-lhe desculpa pelo tom ameaçador desta carta, que devia ser de boas vindas, mas é bom saber quem é que manda aqui.
Sem mais de momento, despeço-me com os meus melhores cumprimentos,
Susana.
02/01/2005
30/12/2004
Boas entradas, Amiguinhos!!
Só devo voltar cá no próximo ano. Por isso, meus Amigos, desejo-vos uma boa passagem de ano, com muita festa e música bem alta para abanar a carola. E tenham cuidado com os desejos que pedem nas doze badaladas. É que, nunca se sabe, o desejo que pedirem pode realizar-se...
29/12/2004
Ando tristinha.
Devia estar contente. Apesar da primeira metade do ano ter sido o pior que eu me lembro (com a ida para o Porto, com o afastamento de uma pessoa muito especial, com a minha saída do Teatro), os últimos cinco meses deste ano correram-me muito bem. Encontrei uma pessoa que me completa, que me acompanha e de quem eu gosto muito. Comecei a trabalhar num sítio que (espero eu) me vai dar muita estabilidade e boas perspectivas de carreira...
Enfim, tenho tudo para acabar o ano em beleza e esperar que o próximo entre com muita força e com muito optimismo. Tenho tudo para me sentir bem e feliz...
... mas estou triste.
Sinto-me sozinha. Nunca pensei que fosse reagir tão mal a esta distância. E não queria acabar o ano com esta disposição. Sou daquelas pessoas que pensa que, para o ano que entra correr bem, temos que sair bem do ano anterior. Mas, entretanto, estou sem vontade de fazer nada.
Jurei que não ia sentir esta solidão nunca mais... Mas sinto-me tão sozinha hoje.
E tão tristinha...
Enfim, tenho tudo para acabar o ano em beleza e esperar que o próximo entre com muita força e com muito optimismo. Tenho tudo para me sentir bem e feliz...
... mas estou triste.
Sinto-me sozinha. Nunca pensei que fosse reagir tão mal a esta distância. E não queria acabar o ano com esta disposição. Sou daquelas pessoas que pensa que, para o ano que entra correr bem, temos que sair bem do ano anterior. Mas, entretanto, estou sem vontade de fazer nada.
Jurei que não ia sentir esta solidão nunca mais... Mas sinto-me tão sozinha hoje.
E tão tristinha...
28/12/2004
És o meu amigo mais antigo
(tirando os primos emprestados, claro). Aliás, considero-te mesmo um primo emprestado (e tu sabes bem a minha relação com os primos emprestados).
E hoje fazes anos.
Queria prestar-te aqui a homenagem que tu mereces, mas os comentários que deixam no teu blog são tão expressivos, que eu não tenho coragem de dizer mais nada. Penso mesmo que, se disser alguma coisa, não vou ser nada original, e vou acabar por repetir as palavras dos teus leitores.
A única coisas que consigo dizer, meu Amigo, é
Queria prestar-te aqui a homenagem que tu mereces, mas os comentários que deixam no teu blog são tão expressivos, que eu não tenho coragem de dizer mais nada. Penso mesmo que, se disser alguma coisa, não vou ser nada original, e vou acabar por repetir as palavras dos teus leitores.
A única coisas que consigo dizer, meu Amigo, é
MUITOS PARABÉNS.
E que este dia seja o teu dia. E que este ano que agora entra seja o teu ano.
Gosto muito de ti, sabias?
Gosto muito de ti, sabias?
26/12/2004
Comi tanto!
Este Natal fiz duas coisas, apenas: comi e dormi.
Abri todos os presentes com uma dor de estômago daquelas! Deve ter sido das quatro fatias de Molotov que comi à sobremesa. Ou talvez não.
So sei que me sinto balofa. Muito BALOFA.
Abri todos os presentes com uma dor de estômago daquelas! Deve ter sido das quatro fatias de Molotov que comi à sobremesa. Ou talvez não.
So sei que me sinto balofa. Muito BALOFA.
24/12/2004
22/12/2004
A correr...
Os três dias de formação foram cansativos mas até correram bem. Amanhã, é a valer, já na frente de combate. Medo medo.
Entretanto, como não sei a minha disponibilidade nos próximos dias, quero desejar a toda a Blogosfera um óptimo Natal, com muitas prendinhas no sapatinho e mais aquelas coisas que toda a gente sabe. E, para quem mandou mails de Boas Festas, um muito obrigada do fundo do meu coração.
:)
Entretanto, como não sei a minha disponibilidade nos próximos dias, quero desejar a toda a Blogosfera um óptimo Natal, com muitas prendinhas no sapatinho e mais aquelas coisas que toda a gente sabe. E, para quem mandou mails de Boas Festas, um muito obrigada do fundo do meu coração.
:)
19/12/2004
Muitos nervos.
É amanhã.
É já amanhã que começo um trabalho de muita responsabilidade, e que me pode trazer grandes e boas contrapartidas. Estou muito ansiosa e não me apetece escrever.
Ponto final.
É já amanhã que começo um trabalho de muita responsabilidade, e que me pode trazer grandes e boas contrapartidas. Estou muito ansiosa e não me apetece escrever.
Ponto final.
15/12/2004
Já está.
Já me refiz da manhã das compras e da tarde sísmica. Já posso contar, assim por alto, o que comprei (não que isto interesse muito, mas também não tenho mais nada para escrever e hoje apetece-me encher chouriços):
- 1 fato de saia e blaser;
- 2 blasers;
- 1 botas de cano alto castanhas;
- 1 sapatos encarnados;
- 1 sapatos castanhos;
- 1 calças;
- 1 cinto;
- 1 camisa branca;
- 3 camisolas de malha fininha, de gola alta;
- uma mala.
Acho que, para os três dias de formação, chega.
P. S. - Não me culpem dos erros que pode ter esta posta. Se eu nunca vesti um blaser, muito menos saberei escrever a palavra. Ok?
- 1 fato de saia e blaser;
- 2 blasers;
- 1 botas de cano alto castanhas;
- 1 sapatos encarnados;
- 1 sapatos castanhos;
- 1 calças;
- 1 cinto;
- 1 camisa branca;
- 3 camisolas de malha fininha, de gola alta;
- uma mala.
Acho que, para os três dias de formação, chega.
P. S. - Não me culpem dos erros que pode ter esta posta. Se eu nunca vesti um blaser, muito menos saberei escrever a palavra. Ok?
13/12/2004
Porque é que,
depois de ter gasto pra lá de um dinheirão em roupa, continuo com esta depressão inverno-pré-natalícia?
Amanhã,
logo de manhã, vou às compras. Não, de Natal, não. Essas já estão todas feitas. Vou comprar roupa. É que, no meu novo emprego, não vou poder andar vestida assim, à "puto das fisgas*", como ando todos os dias. Vou ter que andar vestida como uma verdadeira mulher de 27 anos (que, na verdade é o que sou, apesar de não querer acreditar nessa triste realidade).
Portanto, lista de compras para amanhã:
- 3/4 calças (daquelas com vinco);
- 5 blazers (é assim que se escreve?);
- 2 saias (saias!! AHAHA! Eu de saias!);
- 1 par de botas de matar barata no canto da sala;
- 5 camisas (eu?!?! Eu a usar camisas?!?!);
- 1 casaco 3/4;
- 1 mala pipi (adeus, mochila... Adeus).
(Já tenho os sapatos, que comprei para as entrevistas.)
E mais o que a minha Mãe achar bem, porque ela, pela experiência, sabe mais destas coisas que eu (e, no fim das contas, é quem vai patrocinar tudo).
A partir do final deste mês, e como diz a minha Amiga S., não vou ter tempo para gastar as calças de ganga. (E os meus 12 pares de ténis?? Quando é que eu vou calçar os meus ténis?!?!)
Até lá, vou treinar muito a vestir a minha roupa nova, não vá eu cair dos meus saltos altos ou tropeçar no meu casaco comprido ou escorregar com a saia travada logo no primeiro dia de trabalho. Vou treinar muito para ser uma verdadeira Lili.
Ai vou, vou!
* - que saudades que eu tenho desta expressão e da pessoa que a usava
Portanto, lista de compras para amanhã:
- 3/4 calças (daquelas com vinco);
- 5 blazers (é assim que se escreve?);
- 2 saias (saias!! AHAHA! Eu de saias!);
- 1 par de botas de matar barata no canto da sala;
- 5 camisas (eu?!?! Eu a usar camisas?!?!);
- 1 casaco 3/4;
- 1 mala pipi (adeus, mochila... Adeus).
(Já tenho os sapatos, que comprei para as entrevistas.)
E mais o que a minha Mãe achar bem, porque ela, pela experiência, sabe mais destas coisas que eu (e, no fim das contas, é quem vai patrocinar tudo).
A partir do final deste mês, e como diz a minha Amiga S., não vou ter tempo para gastar as calças de ganga. (E os meus 12 pares de ténis?? Quando é que eu vou calçar os meus ténis?!?!)
Até lá, vou treinar muito a vestir a minha roupa nova, não vá eu cair dos meus saltos altos ou tropeçar no meu casaco comprido ou escorregar com a saia travada logo no primeiro dia de trabalho. Vou treinar muito para ser uma verdadeira Lili.
Ai vou, vou!
* - que saudades que eu tenho desta expressão e da pessoa que a usava
07/12/2004
Boas e más notícias.
Já me resignei. Fiz tudo para que o meu computador-zinho voltasse a ser o que era. Só não o levei à PC Clinic (obrigada pela dica, Patrícia), porque não valia a pena. Uns amigos especialistas tantaram de tudo, mas não havia já nada a fazer. Ainda recuperei algumas coisas: fotos que tinha em CD, documentos (muito poucos), enfim... O pior já passou.
E estas eram as más notícias. As boas, são mesmo muito boas.
Em primeiro lugar, já comprei as prendas todas de Natal, e quase sem sair de casa. Isto de ter bons conhecimentos, é sempre uma vantagem. Só faltam duas, as mais difíceis. Mas isso também se resolve facilmente. O melhor de tudo é que gastei muito menos do que eu pensava.
Em segundo lugar, e muito mais importante que tudo o que contei atrás (e eu sei que isto vai deixar muitas pessoas que gostam de mim muito felizes), vou mudar de trabalho. E mais não conto, porque só começo no final do mês e não sou pessoa pôr o carro à frente dos bois. Só espero uma coisa: que daqui a comprar a minha casa seja só um pulinho.
E, por último, espero que estas boas notícias me dêem mais ânimo para escrever. É que, ultimamente, não tenho tido muita motivação para andar por aqui, a "encher chouriços", apesar de andar muito atenta ao que os meus blog-amigos escrevem.
We'll see...
E estas eram as más notícias. As boas, são mesmo muito boas.
Em primeiro lugar, já comprei as prendas todas de Natal, e quase sem sair de casa. Isto de ter bons conhecimentos, é sempre uma vantagem. Só faltam duas, as mais difíceis. Mas isso também se resolve facilmente. O melhor de tudo é que gastei muito menos do que eu pensava.
Em segundo lugar, e muito mais importante que tudo o que contei atrás (e eu sei que isto vai deixar muitas pessoas que gostam de mim muito felizes), vou mudar de trabalho. E mais não conto, porque só começo no final do mês e não sou pessoa pôr o carro à frente dos bois. Só espero uma coisa: que daqui a comprar a minha casa seja só um pulinho.
E, por último, espero que estas boas notícias me dêem mais ânimo para escrever. É que, ultimamente, não tenho tido muita motivação para andar por aqui, a "encher chouriços", apesar de andar muito atenta ao que os meus blog-amigos escrevem.
We'll see...
24/11/2004
Fatalidade
Ontem à noite, alguém ou alguma coisa entrou no meu computador e apagou tudo o que havia lá dentro: desde o Office até ao documento word mais pequenino, incluindo as quase 1000 fotografias que tirei ao longo deste ano.
Foi tudo.
Fiquei sem nada.
Foi tudo.
Fiquei sem nada.
Preciso de miminhos, por favor…
18/11/2004
Era uma menina muito mimada.
Gostava de fazer tudo o que os outros meninos faziam, mas às vezes não conseguia e ficava muito triste. Quando estava triste, a menina mimada chorava e fugia para junto do Papá, que era um senhor muito alto e muito magrinho. Ele dava-lhe miminhos e a menina ficava contente.
Nas fotografias, a menina olhava sempre para os meninos mais velhos porque queria ficar igual eles.
A menina da nossa história gostava muito de ir à praia. Passava as férias grandes entre Faro e Sesimbra. Em Sesimbra, gostava da Tia Mariazinha que era muito velhinha e que ralhava de vez em quando. Gostava dos gelados e da gata Raposinha e de ir ao cinema e de andar no taxi do Tio Pinto. Em Faro, gostava de brincar com a Pita, de passear no Gafanhoto com a Tia Luisinha e de passar os dias com os primos todos. Os dias eram muito compridos e as malas térmicas tinham sempre coisas boas para comer.
A menina mimada cresceu.
Hoje, continua mimada.
A menina sou eu.
Nas fotografias, a menina olhava sempre para os meninos mais velhos porque queria ficar igual eles.
A menina da nossa história gostava muito de ir à praia. Passava as férias grandes entre Faro e Sesimbra. Em Sesimbra, gostava da Tia Mariazinha que era muito velhinha e que ralhava de vez em quando. Gostava dos gelados e da gata Raposinha e de ir ao cinema e de andar no taxi do Tio Pinto. Em Faro, gostava de brincar com a Pita, de passear no Gafanhoto com a Tia Luisinha e de passar os dias com os primos todos. Os dias eram muito compridos e as malas térmicas tinham sempre coisas boas para comer.
A menina mimada cresceu.
Hoje, continua mimada.
A menina sou eu.
[A minha Mãe descobriu um rolo de fotografias por revelar. Ninguém sabia o que era, ninguém o tinha perdido. Resolveu mandar revelar, para que o mistério se resolvesse. Eram fotografias de umas férias de Verão. Eu devia ter uns três anos. São verdadeiros tesouros e vieram arrancar da memória pérolas como estas.
Dizem que sou muito agarrada ao passado. É possível. Mas é normal para quem teve uma infância como a minha: feliz. Acho que estas fotografias revelam bem a sorte que eu tive.]
14/11/2004
Hoje, vi-te. Viste-me?
Descias a rua com a tua farda branca, elegante, charmoso como sempre. Preparavas-te para embarcar outra vez no Funchal, rumo ao Norte de África. Toda a vida foi assim: quatro meses em terra, dois no mar. Passaste por mim, olhaste-me com o teu olhar ternurento, pegaste-me ao colo. Eu tinha dois anos outra vez e tu
- És a bebé mais bonita que eu já vi
com a tua voz de fadista gingão. Agora, já estamos em casa, tu com o cabelo grisalho, eu com dez anos. Pegas na viola e cantas para toda a família, sentado na cabeceira da mesa, que está cheia de gente: filhos, netos, sobrinhos, vizinhos. Estamos todos a ouvir-te cantar, os mais crescidos fazem coros e os mais pequenos tiram bonecos de chocolate da árvore de Natal. É domingo e estamos todos juntos. Como todos os domingos.
Passaram três, quatro anos? Já nem sei...
Nunca mais passámos domingos em tua casa. Nunca mais roubei chocolates da árvore de Natal ou da tua geleira. Nunca mais te vi sentado na tua poltrona. Nunca mais cantámos fados alentejanos. Nunca mais te visitamos ao navio.
Mas eu hoje vi-te.
Descias a rua com a tua farda branca e eu
- Pardinho! Pareces um fanã...
cruzaste-te comigo e nós
- Tenho saudades
seguimos os nosso caminho.
- És a bebé mais bonita que eu já vi
com a tua voz de fadista gingão. Agora, já estamos em casa, tu com o cabelo grisalho, eu com dez anos. Pegas na viola e cantas para toda a família, sentado na cabeceira da mesa, que está cheia de gente: filhos, netos, sobrinhos, vizinhos. Estamos todos a ouvir-te cantar, os mais crescidos fazem coros e os mais pequenos tiram bonecos de chocolate da árvore de Natal. É domingo e estamos todos juntos. Como todos os domingos.
Passaram três, quatro anos? Já nem sei...
Nunca mais passámos domingos em tua casa. Nunca mais roubei chocolates da árvore de Natal ou da tua geleira. Nunca mais te vi sentado na tua poltrona. Nunca mais cantámos fados alentejanos. Nunca mais te visitamos ao navio.
Mas eu hoje vi-te.
Descias a rua com a tua farda branca e eu
- Pardinho! Pareces um fanã...
cruzaste-te comigo e nós
- Tenho saudades
seguimos os nosso caminho.
09/11/2004
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