13/12/2004

Amanhã,

logo de manhã, vou às compras. Não, de Natal, não. Essas já estão todas feitas. Vou comprar roupa. É que, no meu novo emprego, não vou poder andar vestida assim, à "puto das fisgas*", como ando todos os dias. Vou ter que andar vestida como uma verdadeira mulher de 27 anos (que, na verdade é o que sou, apesar de não querer acreditar nessa triste realidade).
Portanto, lista de compras para amanhã:

- 3/4 calças (daquelas com vinco);
- 5 blazers (é assim que se escreve?);
- 2 saias (saias!! AHAHA! Eu de saias!);
- 1 par de botas de matar barata no canto da sala;
- 5 camisas (eu?!?! Eu a usar camisas?!?!);
- 1 casaco 3/4;
- 1 mala pipi (adeus, mochila... Adeus).
(Já tenho os sapatos, que comprei para as entrevistas.)

E mais o que a minha Mãe achar bem, porque ela, pela experiência, sabe mais destas coisas que eu (e, no fim das contas, é quem vai patrocinar tudo).
A partir do final deste mês, e como diz a minha Amiga S., não vou ter tempo para gastar as calças de ganga. (E os meus 12 pares de ténis?? Quando é que eu vou calçar os meus ténis?!?!)
Até lá, vou treinar muito a vestir a minha roupa nova, não vá eu cair dos meus saltos altos ou tropeçar no meu casaco comprido ou escorregar com a saia travada logo no primeiro dia de trabalho. Vou treinar muito para ser uma verdadeira Lili.

Ai vou, vou!

* - que saudades que eu tenho desta expressão e da pessoa que a usava

07/12/2004

Boas e más notícias.

Já me resignei. Fiz tudo para que o meu computador-zinho voltasse a ser o que era. Só não o levei à PC Clinic (obrigada pela dica, Patrícia), porque não valia a pena. Uns amigos especialistas tantaram de tudo, mas não havia já nada a fazer. Ainda recuperei algumas coisas: fotos que tinha em CD, documentos (muito poucos), enfim... O pior já passou.
E estas eram as más notícias. As boas, são mesmo muito boas.
Em primeiro lugar, já comprei as prendas todas de Natal, e quase sem sair de casa. Isto de ter bons conhecimentos, é sempre uma vantagem. Só faltam duas, as mais difíceis. Mas isso também se resolve facilmente. O melhor de tudo é que gastei muito menos do que eu pensava.
Em segundo lugar, e muito mais importante que tudo o que contei atrás (e eu sei que isto vai deixar muitas pessoas que gostam de mim muito felizes), vou mudar de trabalho. E mais não conto, porque só começo no final do mês e não sou pessoa pôr o carro à frente dos bois. Só espero uma coisa: que daqui a comprar a minha casa seja só um pulinho.

E, por último, espero que estas boas notícias me dêem mais ânimo para escrever. É que, ultimamente, não tenho tido muita motivação para andar por aqui, a "encher chouriços", apesar de andar muito atenta ao que os meus blog-amigos escrevem.
We'll see...

24/11/2004

Fatalidade

Ontem à noite, alguém ou alguma coisa entrou no meu computador e apagou tudo o que havia lá dentro: desde o Office até ao documento word mais pequenino, incluindo as quase 1000 fotografias que tirei ao longo deste ano.
Foi tudo.
Fiquei sem nada.

Preciso de miminhos, por favor…

18/11/2004

Era uma menina muito mimada.

Gostava de fazer tudo o que os outros meninos faziam, mas às vezes não conseguia e ficava muito triste. Quando estava triste, a menina mimada chorava e fugia para junto do Papá, que era um senhor muito alto e muito magrinho. Ele dava-lhe miminhos e a menina ficava contente.
Nas fotografias, a menina olhava sempre para os meninos mais velhos porque queria ficar igual eles.
A menina da nossa história gostava muito de ir à praia. Passava as férias grandes entre Faro e Sesimbra. Em Sesimbra, gostava da Tia Mariazinha que era muito velhinha e que ralhava de vez em quando. Gostava dos gelados e da gata Raposinha e de ir ao cinema e de andar no taxi do Tio Pinto. Em Faro, gostava de brincar com a Pita, de passear no Gafanhoto com a Tia Luisinha e de passar os dias com os primos todos. Os dias eram muito compridos e as malas térmicas tinham sempre coisas boas para comer.
A menina mimada cresceu.
Hoje, continua mimada.
A menina sou eu.


[A minha Mãe descobriu um rolo de fotografias por revelar. Ninguém sabia o que era, ninguém o tinha perdido. Resolveu mandar revelar, para que o mistério se resolvesse. Eram fotografias de umas férias de Verão. Eu devia ter uns três anos. São verdadeiros tesouros e vieram arrancar da memória pérolas como estas.
Dizem que sou muito agarrada ao passado. É possível. Mas é normal para quem teve uma infância como a minha: feliz. Acho que estas fotografias revelam bem a sorte que eu tive.]


14/11/2004

Hoje, vi-te. Viste-me?

Descias a rua com a tua farda branca, elegante, charmoso como sempre. Preparavas-te para embarcar outra vez no Funchal, rumo ao Norte de África. Toda a vida foi assim: quatro meses em terra, dois no mar. Passaste por mim, olhaste-me com o teu olhar ternurento, pegaste-me ao colo. Eu tinha dois anos outra vez e tu
- És a bebé mais bonita que eu já vi
com a tua voz de fadista gingão. Agora, já estamos em casa, tu com o cabelo grisalho, eu com dez anos. Pegas na viola e cantas para toda a família, sentado na cabeceira da mesa, que está cheia de gente: filhos, netos, sobrinhos, vizinhos. Estamos todos a ouvir-te cantar, os mais crescidos fazem coros e os mais pequenos tiram bonecos de chocolate da árvore de Natal. É domingo e estamos todos juntos. Como todos os domingos.
Passaram três, quatro anos? Já nem sei...
Nunca mais passámos domingos em tua casa. Nunca mais roubei chocolates da árvore de Natal ou da tua geleira. Nunca mais te vi sentado na tua poltrona. Nunca mais cantámos fados alentejanos. Nunca mais te visitamos ao navio.

Mas eu hoje vi-te.
Descias a rua com a tua farda branca e eu
- Pardinho! Pareces um fanã...
cruzaste-te comigo e nós
- Tenho saudades
seguimos os nosso caminho.

01/11/2004

Há coisas, no quotidiano, que me irritam profundamente.

Uma delas é a luz temporizada nas casas de banho públicas. Até compreendo que seja muito útil para a poupança de energia. Essas coisas ficam sempre bem agora: a poupança do recurso, enfim... O resto já todos sabemos. Mas irrita-me as figuras que se faz dentro de uma casa de banho com luz temporizada.
Ontem fui à casa de banho do restaurante X. Os problemas começaram logo na porta, porque eu perdi, no mínimo, trinta segundos à procura do interruptor para acender a luz. Quando, finalmente, percebi que não tem interruptores, já se fez uma fila enorme atrás de mim, com aqueles olhares reprovadores que só as mulheres sabem fazer.
Entrei e baixei as calças. Estou no meio do “trabalho”, quando, de repente, PUF, apaga-se a luz. Ainda tentei gritar um “tá gente!!”, mas lá percebi a tempo que, se aquela coisa acendeu sozinha, é natural que apague sozinha também.
E segue-se a parte mais desconfortável da cena: eu, de calças pelos joelhos, agachada, com o papel higiénico já devidamente preparado na mão direita, a olhar para a escuridão e a acenar com a mão esquerda, para que o detector de movimentos me detecte, e faça com que a luz se acenda. E não é que, nessas alturas, parece sempre que aquela porcaria avariou? Por mais que me mexesse e abanasse as mãos e me levantasse e saltasse, aquela porcaria não acendia.
Depois de me resignar, só me restou terminar às escuras. Subi as calças, apertei-as, procurei o trinco às apalpadelas e, qual não é o meu espanto, quando abri a porta, a luz volta a acender. Se tivesse cara, de certeza estaria a deitar-me a língua de fora, em tom de gozo.
Mas eu, qual mulher do século XXI, saí da casa de banho cheia de estilo, a olhar para as outras que estavam na fila de cima para baixo, como se tudo tivesse corrido bem, e ainda com direito a rímel e batom.

30/10/2004

Odeio.

Por causa da burrice de outras pessoas, hoje podia estar no Alentejo, a gozar um fim de semana fantástico com a pessoa fantástica, e estou aqui.
Três dias em minha casa. Já não passo um fim de semana em minha casa há que tempos! Não sei se vou sobreviver...
Odeio pessoas burras. Odeio.

27/10/2004

Desculpa por tudo...

Mas:
enxaqueca + temporal = mau feitio.

Sorry...

Já tenho saudades

de dormir a teu lado.
Já tenho saudades de olhar para ti, enquanto dormes. De sentir a tua respiração ao meu lado, o teu calor, o teu cheiro. Tenho tantas saudades de passar um fim-de-semana inteiro contigo...
E ainda nem foste embora.
E só vais na sexta.
E ainda hoje é quarta...

Volta depressa, voltas?

19/10/2004

Muito silêncio,

durante esta última semana. É que, tenho a sensação, não consegui parar. Não me lembro de ter uns dias tão atrapalhados (mentira, eu bem me lembro deles, mas faço questão de os esquecer, de tão furiosos, stressantes, revoltantes e engolesapantes que eram, e há bem pouco tempo, mesmo antes das férias forçadas).
Muito resumidamente, durante a semana que passou aconteceram uma série de coisas interessantes:
- conheci uma pessoa especial,
- arrependi-me de cortar o cabelo,
- arranjei outro part-time,
- voltei a gostar do meu corte de cabelo novo,
- percebi que a pessoa não era assim tão especial,
- voltei a arrepender-me de ter cortado o cabelo,
- perdi esse part-time, mesmo antes de o começar,
- voltei a gostar do meu corte de cabelo novo,
- o meu horário de trabalho mudou,
- arrependi-me, mais uma vez, de ter cortado o cabelo,
- corri Lisboa e meia à procura dos livros para as aulas de Espanhol, e ainda não os encontrei (a culpa é da rapariga do Corte Inglês, que me disse, cheia de segurança e certeza, que os livros demorariam menos de uma semana a chegar e já lá vão três!),
- voltei a achar que fiz bem ter cortado o cabelo,
- chegou o Inverno.
E (quem me conhece bem, sabe) esta última deixa-me arrebatadoramente deprimida (mesmo com este novo [des]penteado que uso, ao qual ainda não me habituei, mas que dá muito menos trabalho e que fica muito mais giro nos dias de chuva e vento.)
Principalmente num dia como hoje, que nem chegou a amanhecer.

Como estou assim-assim meio a confundir tudo e para encher chouriços mais vale ficar calada, vou dar lugar a outro.

05/10/2004

Hoje fazes anos.

Ainda me é complicado escrever sobre ti porque, apesar de sentirmos que nos conhecemos desde sempre, não foi nem há dois meses que nos vimos pela primeira vez. Desde aí, vemo-nos quase todos os dias, e aqueles que não posso ver-te parecem não acabar nunca. Podem dizer-nos que estamos na fase cor-de-rosa, que estamos mesmo no início, que agora corre tudo bem porque ainda nem tivemos tempo para nos conhecermos. Pode até ser verdade. Mas, se depender de mim (e, eu sei, se depender de ti, também), esta fase não irá acabar.
É esta a minha maneira de gostar de ti. E é esta maneira de gostar que eu te ofereço hoje, no teu dia de anos. E amanhã. E todos os outros dias a seguir a esse. Todos, até ao dia em que o Mar evapore e que o Sol se apague.

Parabéns.

28/09/2004

Gabriel García Márquez

"A mis doce años de edad estuve a punto de ser atropellado por una bicicleta. Un señor cura que pasaba me salvó con un grito: ¡Cuidado! El ciclista cayó a tierra. El señor cura, sin detenerse, me dijo: ¿Ya vio lo que es el poder de la palabra? Ese día lo supe. Ahora sabemos, además, que los mayas lo sabían desde los tiempos de Cristo, y con tanto rigor, que tenían un dios especial para las palabras".

21/09/2004

A pressão

está a ficar insuportável. O peso nos ombros é demasiado para este corpo. Não vejo solução, excepto ouvir e calar. Há valores que não se esquecem, independentemente do que toda a gente diz. E eu não fui educada assim. Seria este o objectivo daquela educação?
Eu não me sinto reprimida. Nem frustrada. Nem sufocada. Sinto-me dependente, e a dependência financeira é a pior, porque é a única que me faz ouvir e calar, o que vai contra a minha natureza. Sinto-me cansada, estafada, absorvida, sem forças, vazia.
Bolas...
Ninguém vive com os pais aos 27 anos!!!
Para o bem da sanidade mental desta família, tenho que sair de casa.

20/09/2004

Este post é para ti.

Sim, para ti.
Não penses que eu me esqueço de ti. Às vezes parece, porque ando distante, com mais gente para dar atenção, com mais trabalho a ocupar-me o tempo. Mas eu não esqueço nunca. Não esqueço que a nossa amizade é mais forte que qualquer muralha, que o tempo que já "desperdiçaste" comigo foi muito importante para a minha capacidade de ultrapassar alguns dos meus maus momentos, que tudo o que partilhamos - segredos, conversas, opiniões, músicas e tantas, tantas horas - fez-me acreditar que ia ter a tua companhia para sempre.
Fazes-me muita falta. As nossas brincadeiras, as nossas piadas, as gargalhadas, os silêncios, até. Esta separação tem-me custado muito. Pelas razões que toda a gente sabe e mais aquelas que só nós sabemos. Mas, principalmente, pelas razões que só nós sabemos.
Só quero que percebas que eu ainda estou aqui. À distância de um toque, de uma mensagem, de um telefonema. Quero que saibas que não vou faltar; só que, às vezes, tens de ajudar-me, porque eu também ainda não consigo adivinhar coisas. E só te peço uma coisa: dá uma hipótese. Não vais arrepender-te e é muito importante para mim.

Gostava tanto de partilhar contigo o que estou a viver...

14/09/2004

Comecei a trabalhar.

A primeira semana já passou. Somos poucos, as funções estão bem definidas desde o primeiro dia, há ponto para picar (ao contrário de muita gente, sou apologista deste tipo de controle porque, normalmente, eu sou o mexilhão que se lixa), enfim, uma coisa bem estruturada e organizada.
É um trabalho muito vocacionado para as artes plásticas e antiguidades. Como sempre gostei de ser rato de biblioteca, trabalhar numa galeria de arte não vai ser nada difícil.
Enfim, as perspectivas são boas. Isto, somado à comemoração do primeiro mês de namoro (é hoje, é hoje), são razões para dizer que a vida anda a correr-me bem. Para melhorar, só falta recomeçar o Curso de Espanhol. As aulas começam na próxima segunda.
Que emoção!

Ao que parece,

e com a preciosa ajuda dos meninos do Apdeites, lá consegui resolver o meu problema de escrita. Bom, resolver, não resolvi, mas consegui fintar bem a cena, e agora publico posts com o BlogThis!, em vez de os publicar no blogger.com. Já não tenho as mariquices das cores, dos diferentes tipos de letras, dos diferentes tamanhos de letras e outros que tais, mas também não se pode ter tudo. Um dia destes, vou vencê-lo pelo cansaço. Tanta vez fiz correr o antivírus, tanto spy-ware instalado, tanta pesquisa, tantas horas de sono perdidas, que um dia ainda vou vencer esta máquina.
Ai vou, vou.

06/09/2004

Ele há coisas...

Mãe: Já mataste o vírus no teu computador?
Eu: Não, ainda não consegui.
Mãe: E faz o quê, esse vírus?
Eu: Basicamente, faz com que haja erros nas páginas da Internet. Inclusivamente, não me deixa escrever no blog. Tive que arranjar um truque para poder escrever.
Mãe: Isso não é do vírus! Isso é porque já o encheste. Escreves tanto que já lhe gastaste a memória!

05/09/2004

Findos os posts lamechas,

a volta à realidade.
Amanhã, (re)começo a trabalhar. A desvantagem é ser um part-time. A vantagem é que vou poder acabar o curso de espanhol, vou ter tempo para fazer mais coisas de que gosto, mais tempo para mim.
Não consigo esconder a falta de entusiasmo...