Parece que um furacão passou por aqui. Agora andam todas a olhar umas para as outras com cara de caso, como se lançassem raios e coriscos dos olhos (oh, se o olhar matasse). E há burburinhos em todos os corredores.
O ambiente está pesado, mas ninguém puxou cabelos nem arrancou olhos.
Que desilusão...
19/02/2004
Trabalhar com mulheres
é muito cansativo.
De um problema pequenino, fazem logo uma tempestade. E, nas discussões, fazem uma barulheira, que ninguém consegue concentrar-se.
Importam-se de discutir mais baixinho, por favor? Estou a tentar trabalhar, aqui! DUUH!
(Ainda bem que eu faço parte das excepções que confirmam a regra, ufa!)
De um problema pequenino, fazem logo uma tempestade. E, nas discussões, fazem uma barulheira, que ninguém consegue concentrar-se.
Importam-se de discutir mais baixinho, por favor? Estou a tentar trabalhar, aqui! DUUH!
(Ainda bem que eu faço parte das excepções que confirmam a regra, ufa!)
Sou, muitas vezes,
criticada por gostar de te ouvir.
Vais ser, para sempre, a intérprete de "Pássaros do Sul", com a "voz de menina mimada". Cresceste muito, desde essa altura. Amadureceste bastante e isso reflecte-se nas tuas letras e nas músicas que compões, que me fazem pensar, com as quais me identifico, que me fazem levantar os pêlos dos braços.
A tua mensagem é quase sempre a mesma: a vida, o dia-a-dia, as barreiras que surgem, as pessoas que passam, os amigos que ficam. E sempre a esperança de um dia melhor, de um tempo melhor, de uma vida melhor.
Em vez de tentar escrever sobre ti, deixo aqui a letra da música que mais me tocou, até agora, e que até conseguiu soltar uma lágrima, num dos teus concertos no CCB, onde o cenário (panos de cores quentes que ligavam o chão ao tecto) era, na sua simplicidade, encantador. Tal como tu.
Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá
Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo - o MEDO - levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter
Não percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar
Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti
Lume, Mafalda Veiga
Vais ser, para sempre, a intérprete de "Pássaros do Sul", com a "voz de menina mimada". Cresceste muito, desde essa altura. Amadureceste bastante e isso reflecte-se nas tuas letras e nas músicas que compões, que me fazem pensar, com as quais me identifico, que me fazem levantar os pêlos dos braços.
A tua mensagem é quase sempre a mesma: a vida, o dia-a-dia, as barreiras que surgem, as pessoas que passam, os amigos que ficam. E sempre a esperança de um dia melhor, de um tempo melhor, de uma vida melhor.
Em vez de tentar escrever sobre ti, deixo aqui a letra da música que mais me tocou, até agora, e que até conseguiu soltar uma lágrima, num dos teus concertos no CCB, onde o cenário (panos de cores quentes que ligavam o chão ao tecto) era, na sua simplicidade, encantador. Tal como tu.
Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá
Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo - o MEDO - levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter
Não percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar
Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti
Lume, Mafalda Veiga
Ontem, à tarde
tivemos a sala cheia de crianças. Foi o máximo!
Desde que estou a trabalhar aqui, foi a terceira vez, e parece sempre a primeira...
Adoro os gritos, o burburinho, as palmas, os gritos e até os assobios.
E no fim, foi delirante ouvir 700 crianças aos gritos:
BEIJA, BEIJA!!!
Eles não se beijaram, mas foi giro na mesma.
Desde que estou a trabalhar aqui, foi a terceira vez, e parece sempre a primeira...
Adoro os gritos, o burburinho, as palmas, os gritos e até os assobios.
E no fim, foi delirante ouvir 700 crianças aos gritos:
BEIJA, BEIJA!!!
Eles não se beijaram, mas foi giro na mesma.
18/02/2004
O mistério do Sr. A. - Parte II
Dois dias, passei eu com este assunto na cabeça. A falta dos dentes chegou a tirar-me o sono.
Hoje, quando cheguei, os dentes já estavam no seu sítio: na boca do Sr. A. Ali, brilhantes, reluzentes, branquinhos.
A saga acabou, mas o mistério prevalece: o que terá acontecido com a dentadura?
Hoje, quando cheguei, os dentes já estavam no seu sítio: na boca do Sr. A. Ali, brilhantes, reluzentes, branquinhos.
A saga acabou, mas o mistério prevalece: o que terá acontecido com a dentadura?
17/02/2004
O mistério do Sr. A. - Parte I*
Hoje, cheguei dez minutos antes da hora. Eu chego sempre dez minutos antes, para dar tempo para um café curto, um cigarro e uma espreitadela no jornal. Mas hoje, cheguei dez minutos antes e já tinha feito isto tudo.
Bato à porta. Entro. O Sr. A. dá-me os bons dias, como sempre. Respondo, como sempre, maldizendo o frio, o Inverno, a hora, os transportes, o cansaço, e tudo a que tenho direito, porque afinal são dez para as dez da manhã e o meu mau feitio só passa lá para as onze e meia, meio-dia. Ele respondeu, no alto da sua paciência, que não podia ser assim, uma menina tão nova e…
…e não ouvi mais nada. Fiquei a olhar para ele, e ele a falar, a falar, e eu não conseguia descobrir o que havia de diferente no Sr. A. Mas que havia qualquer coisa diferente, havia.
E ele continuava a falar, e eu só pensava
não olhes assim… ele vai perceber… mas o que é… não consigo parar de olhar… há qualquer coisa ali… mas o quê… não olhes... não olhes...
E, de repente: uma luz! O mistério desvendou-se, estava ali, mesmo à frente, e eu não conseguia ver!!! Tão perto, mas tão longe…
O Sr. A. não tinha os dentes da frente!!!
Teria perdido a dentadura? Teria partido os dentes? Teria, simplesmente, esquecido a dentadura em casa?
- Não é, menina?
é, é, Sr. A.
mas não faço a mínima ideia o que é que ele disse...
E despedimo-nos - até já - mas não consigo tirar da cabeça aquela imagem.
O que terá acontecido aos dentes do Sr. A.?
Mistério…
* - Não sei se haverá Parte II, mas pelo sim, pelo não…
Bato à porta. Entro. O Sr. A. dá-me os bons dias, como sempre. Respondo, como sempre, maldizendo o frio, o Inverno, a hora, os transportes, o cansaço, e tudo a que tenho direito, porque afinal são dez para as dez da manhã e o meu mau feitio só passa lá para as onze e meia, meio-dia. Ele respondeu, no alto da sua paciência, que não podia ser assim, uma menina tão nova e…
…e não ouvi mais nada. Fiquei a olhar para ele, e ele a falar, a falar, e eu não conseguia descobrir o que havia de diferente no Sr. A. Mas que havia qualquer coisa diferente, havia.
E ele continuava a falar, e eu só pensava
não olhes assim… ele vai perceber… mas o que é… não consigo parar de olhar… há qualquer coisa ali… mas o quê… não olhes... não olhes...
E, de repente: uma luz! O mistério desvendou-se, estava ali, mesmo à frente, e eu não conseguia ver!!! Tão perto, mas tão longe…
O Sr. A. não tinha os dentes da frente!!!
Teria perdido a dentadura? Teria partido os dentes? Teria, simplesmente, esquecido a dentadura em casa?
- Não é, menina?
é, é, Sr. A.
mas não faço a mínima ideia o que é que ele disse...
E despedimo-nos - até já - mas não consigo tirar da cabeça aquela imagem.
O que terá acontecido aos dentes do Sr. A.?
Mistério…
* - Não sei se haverá Parte II, mas pelo sim, pelo não…
16/02/2004
Sou contra as segundas-feiras.
Se antes já não gostava de segundas-feiras, agora, desde que trabalho no Teatro, ainda gosto menos.
O Teatro, onde trabalham mais de 100 pessoas, num ambiente descontraído ainda que profissional, acorda sempre, por razões óbvias, da parte da tarde. De manhã, tirando uma pequena minoria na qual, claro está, eu estou incluída, não há ninguém. Não há o barulho da música, não há o barulho das claquetes de sapateado, não há ensaios, não há aquecimento de voz, não há nada! Só se ouve o barulho dos telefones, dos teclados do computador, e as vozes de meia dúzia de pessoas…
Às segundas-feiras é este vazio o dia todo!
Chega a doer os ouvidos com tanto silêncio. Chegam a parar os ponteiros do relógio grande na parede da sala. E o trabalho não diminui (e ainda bem), mas mesmo assim, o tempo custa tanto a passar…
E depois, porque só folgo ao domingo, o que faz com que o meu organismo pense que segunda-feira ainda é dia de descanso.
O Teatro, onde trabalham mais de 100 pessoas, num ambiente descontraído ainda que profissional, acorda sempre, por razões óbvias, da parte da tarde. De manhã, tirando uma pequena minoria na qual, claro está, eu estou incluída, não há ninguém. Não há o barulho da música, não há o barulho das claquetes de sapateado, não há ensaios, não há aquecimento de voz, não há nada! Só se ouve o barulho dos telefones, dos teclados do computador, e as vozes de meia dúzia de pessoas…
Às segundas-feiras é este vazio o dia todo!
Chega a doer os ouvidos com tanto silêncio. Chegam a parar os ponteiros do relógio grande na parede da sala. E o trabalho não diminui (e ainda bem), mas mesmo assim, o tempo custa tanto a passar…
E depois, porque só folgo ao domingo, o que faz com que o meu organismo pense que segunda-feira ainda é dia de descanso.
Mas quem
é que inventou as segundas feiras???
Dois cafés e 3 cigarros depois, o meu cérebro ainda está parado.
Dois cafés e 3 cigarros depois, o meu cérebro ainda está parado.
13/02/2004
É sexta feira
e amanhã é dia dos Namorados.
No meu passeio pela blogosfera, não vi nenhum blog que não falasse no mesmo: o Dia dos Namorados.
Yah, yah... é giro, e tal... coraçõezinhos... tudo cor-de-rosa... não se quê... love is in the air... whatever... beijinhos... abraços... prendinhas pra cá... rosas pra lá... enfim... Todos os anos a mesma coisa.
Cúmulo: a sala do Teatro, amanhã, está apinhada. Hoje, só por ser 6ª feira, 13, vazia. Achas normal?!?!?
Eu, que tenho um gato preto (que, ainda por cima dorme comigo), que, logo de manhã, fui obrigada a passar por baixo de um escadote (o porteiro do meu prédio estava a mudar uma lâmpada na entrada do prédio, e o escadote ocupava toda a entrada, o que me "obrigou" a passar po baixo dele - do escadote e do porteiro, salvo seja), e não acredito nada nestas coisas do azar (ooops... disse azar no Teatro - palavra proibidérrima!!! Lagarto, lagarto, lagarto, bater na madeira três vezes, e de baixo para cima), vejo-me deparada com uma sala meio vazia (ou será meio cheia??), só porque é 6ª feira, 13.
E amanhã, só porque alguém se lembrou de inventar um Dia dos Namorados (e felizmente para o Teatro), a sala está cheia.
Ele há coisas...
Quando se ama, ama-se todos os dias, mostra-se que se ama todos os dias, dão-se prendas todos os dias (um olhar especial, uma palavra mais romântica, uma flor, um mail, um sms, um telefonema, um blog especial!!!). Quando se ama, quer-se saber que se é amado(a) todos os dias, e não só no dia 14 de Fevereio!!!
Ok, ok... confesso... Já me rendi a esta sociedade de consumo desenfreado e já comprei a prenda para o meu mais-que-tudo.
Pronto. Já contei.
No meu passeio pela blogosfera, não vi nenhum blog que não falasse no mesmo: o Dia dos Namorados.
Yah, yah... é giro, e tal... coraçõezinhos... tudo cor-de-rosa... não se quê... love is in the air... whatever... beijinhos... abraços... prendinhas pra cá... rosas pra lá... enfim... Todos os anos a mesma coisa.
Cúmulo: a sala do Teatro, amanhã, está apinhada. Hoje, só por ser 6ª feira, 13, vazia. Achas normal?!?!?
Eu, que tenho um gato preto (que, ainda por cima dorme comigo), que, logo de manhã, fui obrigada a passar por baixo de um escadote (o porteiro do meu prédio estava a mudar uma lâmpada na entrada do prédio, e o escadote ocupava toda a entrada, o que me "obrigou" a passar po baixo dele - do escadote e do porteiro, salvo seja), e não acredito nada nestas coisas do azar (ooops... disse azar no Teatro - palavra proibidérrima!!! Lagarto, lagarto, lagarto, bater na madeira três vezes, e de baixo para cima), vejo-me deparada com uma sala meio vazia (ou será meio cheia??), só porque é 6ª feira, 13.
E amanhã, só porque alguém se lembrou de inventar um Dia dos Namorados (e felizmente para o Teatro), a sala está cheia.
Ele há coisas...
Quando se ama, ama-se todos os dias, mostra-se que se ama todos os dias, dão-se prendas todos os dias (um olhar especial, uma palavra mais romântica, uma flor, um mail, um sms, um telefonema, um blog especial!!!). Quando se ama, quer-se saber que se é amado(a) todos os dias, e não só no dia 14 de Fevereio!!!
Ok, ok... confesso... Já me rendi a esta sociedade de consumo desenfreado e já comprei a prenda para o meu mais-que-tudo.
Pronto. Já contei.
09/02/2004
Sabias que...
os antigos Egípcios acreditavam que o sol nascia todos os dias do ovo de uma pata gigante?
08/02/2004
Folga Day!!!
Hoje, fui passear pelo Parque dos Poetas (Oeiras).
Foi bom ver...
... que há pais que preferem levar os filhos a passear ao ar livre, em vez de os levar a Centros Comerciais.
... que há pais que deixam os filhos sujarem-se à vontade, rebolarem na relva, caírem de bicicleta e esfolarem os joelhos quando caem de patins.
... um grupo de homens e mulheres a jogarem à malha.
... que, mesmo com um vento frio, o dia estava soalheiro e agradável.
... tão pouca gente num sítio tão agradável (*).
Foi mau ver...
... que as trotinetes da moda são eléctricas (e o exercício físico??).
... que há pais que não deixam os filhos brincarem e correrem e rebolarem, porque podem magoar-se, ou sujar as calças.
... tão pouca gente num sítio tão agradável (*).
(*) - É bom, porque posso passear à vontade, sem ser atropelada por uma bicicleta, ou esmagada por um triciclo. É mau porque significa que os pais preferem deixar os filhos em casa, em frente a televisões, playstations, segas e nintendos. Ou, pior, fecham-nos em centros comerciais.
Foi bom ver...
... que há pais que preferem levar os filhos a passear ao ar livre, em vez de os levar a Centros Comerciais.
... que há pais que deixam os filhos sujarem-se à vontade, rebolarem na relva, caírem de bicicleta e esfolarem os joelhos quando caem de patins.
... um grupo de homens e mulheres a jogarem à malha.
... que, mesmo com um vento frio, o dia estava soalheiro e agradável.
... tão pouca gente num sítio tão agradável (*).
Foi mau ver...
... que as trotinetes da moda são eléctricas (e o exercício físico??).
... que há pais que não deixam os filhos brincarem e correrem e rebolarem, porque podem magoar-se, ou sujar as calças.
... tão pouca gente num sítio tão agradável (*).
(*) - É bom, porque posso passear à vontade, sem ser atropelada por uma bicicleta, ou esmagada por um triciclo. É mau porque significa que os pais preferem deixar os filhos em casa, em frente a televisões, playstations, segas e nintendos. Ou, pior, fecham-nos em centros comerciais.
03/02/2004
Ainda ontem,
sonhei contigo outra vez.
Estavas vestida de branco e azul, como sempre. Sussurraste qualquer coisa no meu ouvido, e eu acenei com a cabeça. Depois, pegaste na minha mão e levaste-me a passear.
Andámos por campos muito verdes, com muitas papoilas. Chegámos a um deserto, muito quente e amarelo. Andámos muito, até que o deserto acabou numa praia, com o Mar muito calmo, muito limpo e muito azul, onde molhámos os pés e sentimos a água muito fria, com peixes muito grandes e muito coloridos (nos sonhos é assim, tudo muito nítido, muito "muito").
Quando nos deitámos na areia quente, senti a tua mão pequenina a tocar na minha cara. Abri os olhos e vi-te, o teu rosto colado ao meu, o teu cabelo sujo de areia e de sal, o teu olhar cheio de Mar e o teu sorriso, que me encheu a vida.
O sol queimou os nossos corpos, enquanto brincámos na areia molhada. As ondas insistiam em destruir os nossos castelos. E nós ríamos. Ríamos muito e as nossas gargalhadas chegaram ao céu e voltaram em forma de pinguinhas quentes que nos molharam o cabelo.
Olhaste para mim, riste ainda mais alto e correste pela praia, até te perder de vista. Não voltaste mais, nessa noite.
Hoje, o dia amanheceu mais claro e mais quente.
E, saber que tu existes, assim pequenina, mesmo que seja só nos meus sonhos, mesmo que seja só dentro de mim, deixa-me muito mais feliz.
Estavas vestida de branco e azul, como sempre. Sussurraste qualquer coisa no meu ouvido, e eu acenei com a cabeça. Depois, pegaste na minha mão e levaste-me a passear.
Andámos por campos muito verdes, com muitas papoilas. Chegámos a um deserto, muito quente e amarelo. Andámos muito, até que o deserto acabou numa praia, com o Mar muito calmo, muito limpo e muito azul, onde molhámos os pés e sentimos a água muito fria, com peixes muito grandes e muito coloridos (nos sonhos é assim, tudo muito nítido, muito "muito").
Quando nos deitámos na areia quente, senti a tua mão pequenina a tocar na minha cara. Abri os olhos e vi-te, o teu rosto colado ao meu, o teu cabelo sujo de areia e de sal, o teu olhar cheio de Mar e o teu sorriso, que me encheu a vida.
O sol queimou os nossos corpos, enquanto brincámos na areia molhada. As ondas insistiam em destruir os nossos castelos. E nós ríamos. Ríamos muito e as nossas gargalhadas chegaram ao céu e voltaram em forma de pinguinhas quentes que nos molharam o cabelo.
Olhaste para mim, riste ainda mais alto e correste pela praia, até te perder de vista. Não voltaste mais, nessa noite.
Hoje, o dia amanheceu mais claro e mais quente.
E, saber que tu existes, assim pequenina, mesmo que seja só nos meus sonhos, mesmo que seja só dentro de mim, deixa-me muito mais feliz.
02/02/2004
Falta-me inspiração
para escrever.
SOCORRO: é segunda feira! Haverá mais alguma coisa para dizer?
Cheguei há pouco e parece que não saí daqui.
Como ultrapassar este sentimento?
Aceitam-se sugestões...
SOCORRO: é segunda feira! Haverá mais alguma coisa para dizer?
Cheguei há pouco e parece que não saí daqui.
Como ultrapassar este sentimento?
Aceitam-se sugestões...
01/02/2004
Gosto / Não Gosto Especial
Gosto de ti.
Gosto quando nos olhamos nos olhos.
Gosto dos teus abraços e de ficar horas a conversar encostada ao teu peito.
Gosto quando adivinhas o que estou a pensar só por olhares para mim. Gosto quando dizes o que eu quero ouvir, e gosto quando me criticas com razão.
Gosto da tua maturidade, da tua sensatez e do teu ar de bebé crescido. Gosto de saber que me conheces bem.
Gosto de te ver a dormir. Gosto de ficar a olhar para ti, só porque sim.
Não gosto que roas as unhas a ver jogos de futebol.
Gosto da tua voz. Gosto quando te ris. Adoro o teu sorriso.
Gosto de ver o teu nome no meu telemóvel, quando ele toca.
Gosto do teu sentido prático e dos teus pés bem assentes na terra. Gosto da tua casa, dos teus pais e das tuas cadelas.
Gosto de dormir contigo – não gosto que ressones – e de te ver acordar.
Gosto de olhar para os teus olhos e perceber que gostas de mim, como eu gosto de ti.
Gosto quando nos olhamos nos olhos.
Gosto dos teus abraços e de ficar horas a conversar encostada ao teu peito.
Gosto quando adivinhas o que estou a pensar só por olhares para mim. Gosto quando dizes o que eu quero ouvir, e gosto quando me criticas com razão.
Gosto da tua maturidade, da tua sensatez e do teu ar de bebé crescido. Gosto de saber que me conheces bem.
Gosto de te ver a dormir. Gosto de ficar a olhar para ti, só porque sim.
Não gosto que roas as unhas a ver jogos de futebol.
Gosto da tua voz. Gosto quando te ris. Adoro o teu sorriso.
Gosto de ver o teu nome no meu telemóvel, quando ele toca.
Gosto do teu sentido prático e dos teus pés bem assentes na terra. Gosto da tua casa, dos teus pais e das tuas cadelas.
Gosto de dormir contigo – não gosto que ressones – e de te ver acordar.
Gosto de olhar para os teus olhos e perceber que gostas de mim, como eu gosto de ti.
31/01/2004
Pensamento do Dia
"Se todos os teus esforços forem vistos com indiferença, não desanimes.
Porque também o Sol, ao nascer, dá um espectáculo incrível e, no entanto, a maioria da plateia continua a dormir."
Porque também o Sol, ao nascer, dá um espectáculo incrível e, no entanto, a maioria da plateia continua a dormir."
Já passaram uns dias,
por isso acho que já posso falar no assunto, mais friamente.
Num post, a Loira disse que estava desiludida com o mundo em geral, e com algumas pessoas em particular. Eu não iria tão longe, e deixava o mundo sossegadito onde está, nas suas voltas habituais. Mas há pessoas que não sabem onde parar, e desiludem (e irritam), mesmo sem que eu saiba quem são.
Quem tem acompanhado a Casca desde o início sabe do que estou a falar. Mesmo assim, quero explicar.
No campo Comentários, que eu retirei há alguns dias, por motivos de força maior, alguém que assina como Int3rrupt começou a fazer uma pseudo-campanha política, deixando aos 20 e 30 comentários que nada tinham que ver com nada do que se falava aqui. Eu, que até achei piada nos primeiros dias, e que até tenho bom feitio e tolerância para esse tipo de brincadeiras, fui deixando passar, para ver se o personagem se cansava e acabava por desistir.
Não desistiu. E eu respondi às provocações da melhor maneira que soube: pedi que parasse com a campanha na MINHA Casca, que criasse um blog dele, onde ele pudesse escrever o que lhe apetecesse, e pedi que, pelo menos, assinasse o nome verdadeiro ("ou não tens tomates para te mostrares, escondendo atrás de um nick?" – foram, mais ou menos, as minhas palavras). Não sei se fui muito rude, se ofendi, o que é certo é que é assim que eu sou, e não sei ser de outra maneira.
Ao tirar o campo Comentários da Casca, alguém ainda me falou em censura.
-Vê lá, Susana, não podes proibir que as pessoas escrevam os comentários que querem. Isso é censura!
Mas posso não convidar estranhos para dentro da MINHA casa, e obrigar os MEUS convidados a conviver com eles. E foi isso que eu fiz: retirei os Comentários, inseri um link com o mail da Casca, e convido TODOS (incluindo o In3rrupt) a deixar os comentários que quiserem, por mail.
É que o Int3rrupt não percebeu que não estava apenas a incomodar-me a mim, mas a todos os outros visitantes da Casca d’Ovo!
Censurem-me, critiquem-me, chamem-me os nomes que quiserem. Mas este blog é MEU (sim, Int3rrupt, é MEU, e não é teu, como escreveste mais que uma vez) e EU faço dele o que EU quiser.
Agora, e voltando ao início, esta foi a razão da minha desilusão com algumas pessoas em particular (e espero que o mundo em geral continue no seu cantinho, nas voltas do costume).
E eu, que gostava tanto de ter um feed-back do que eu escrevo…
Num post, a Loira disse que estava desiludida com o mundo em geral, e com algumas pessoas em particular. Eu não iria tão longe, e deixava o mundo sossegadito onde está, nas suas voltas habituais. Mas há pessoas que não sabem onde parar, e desiludem (e irritam), mesmo sem que eu saiba quem são.
Quem tem acompanhado a Casca desde o início sabe do que estou a falar. Mesmo assim, quero explicar.
No campo Comentários, que eu retirei há alguns dias, por motivos de força maior, alguém que assina como Int3rrupt começou a fazer uma pseudo-campanha política, deixando aos 20 e 30 comentários que nada tinham que ver com nada do que se falava aqui. Eu, que até achei piada nos primeiros dias, e que até tenho bom feitio e tolerância para esse tipo de brincadeiras, fui deixando passar, para ver se o personagem se cansava e acabava por desistir.
Não desistiu. E eu respondi às provocações da melhor maneira que soube: pedi que parasse com a campanha na MINHA Casca, que criasse um blog dele, onde ele pudesse escrever o que lhe apetecesse, e pedi que, pelo menos, assinasse o nome verdadeiro ("ou não tens tomates para te mostrares, escondendo atrás de um nick?" – foram, mais ou menos, as minhas palavras). Não sei se fui muito rude, se ofendi, o que é certo é que é assim que eu sou, e não sei ser de outra maneira.
Ao tirar o campo Comentários da Casca, alguém ainda me falou em censura.
-Vê lá, Susana, não podes proibir que as pessoas escrevam os comentários que querem. Isso é censura!
Mas posso não convidar estranhos para dentro da MINHA casa, e obrigar os MEUS convidados a conviver com eles. E foi isso que eu fiz: retirei os Comentários, inseri um link com o mail da Casca, e convido TODOS (incluindo o In3rrupt) a deixar os comentários que quiserem, por mail.
É que o Int3rrupt não percebeu que não estava apenas a incomodar-me a mim, mas a todos os outros visitantes da Casca d’Ovo!
Censurem-me, critiquem-me, chamem-me os nomes que quiserem. Mas este blog é MEU (sim, Int3rrupt, é MEU, e não é teu, como escreveste mais que uma vez) e EU faço dele o que EU quiser.
Agora, e voltando ao início, esta foi a razão da minha desilusão com algumas pessoas em particular (e espero que o mundo em geral continue no seu cantinho, nas voltas do costume).
E eu, que gostava tanto de ter um feed-back do que eu escrevo…
30/01/2004
Um dia,
ainda hei-de escrever aqui sobre:
as músicas que fazem levantar os pêlos dos meus braços - Mafalda, Palma, Dave Mathews, Tom Jobim…
a minha fixação por cabelos compridos - porque tenho o cabelo fininho e não consigo deixar crescer
os livros de Vergílio Ferreira, e o que eles me fazem sentir
os filmes da minha vida
o meu Gato Simão, e outros animais da família (o Tobias, o Tomás, o Nicolau, que é Gandalf, e o novíssimo Bekas)
as memórias que os meus pais trazem de um continente longínquo que deixaram para trás, a meio das suas vidas
os lugares por onde viajei - desde as capitais europeias ao deserto do Arizona
a vida no Teatro - porque ainda há tanta coisa por contar
o Gosto/Não Gosto especial, sobre uma pessoa especial - que já está escrito, e só falta publicar
os meus amigos - aqueles que ainda falam, os que já não aparecem, os que não estão, mas sei onde encontrá-los, os que estão sempre, os que estão às vezes, mas que gostariam de estar mais vezes
E tantas outras coisas…
Só escrevi este post para que não aconteça o mesmo que ontem: fiquei a olhar para o ecrã e o máximo que eu consegui escrever foi – Já disse que odeio o Inverno?
as músicas que fazem levantar os pêlos dos meus braços - Mafalda, Palma, Dave Mathews, Tom Jobim…
a minha fixação por cabelos compridos - porque tenho o cabelo fininho e não consigo deixar crescer
os livros de Vergílio Ferreira, e o que eles me fazem sentir
os filmes da minha vida
o meu Gato Simão, e outros animais da família (o Tobias, o Tomás, o Nicolau, que é Gandalf, e o novíssimo Bekas)
as memórias que os meus pais trazem de um continente longínquo que deixaram para trás, a meio das suas vidas
os lugares por onde viajei - desde as capitais europeias ao deserto do Arizona
a vida no Teatro - porque ainda há tanta coisa por contar
o Gosto/Não Gosto especial, sobre uma pessoa especial - que já está escrito, e só falta publicar
os meus amigos - aqueles que ainda falam, os que já não aparecem, os que não estão, mas sei onde encontrá-los, os que estão sempre, os que estão às vezes, mas que gostariam de estar mais vezes
E tantas outras coisas…
Só escrevi este post para que não aconteça o mesmo que ontem: fiquei a olhar para o ecrã e o máximo que eu consegui escrever foi – Já disse que odeio o Inverno?
Tenho pena!
Tenho muita pena de não ter mais tempo para dedicar à minha Casca.
Perdi umas manhãs (duas, para ser mais precisa), a navegar pela blogosfera. Descobri coisas lindíssimas, outras muito giras, outras menos interessantes. Descobri que há pessoas que escrevem do seu sofá à espera que o seu bebé chegue, outras que escrevem posts de minuto a minuto, outras ainda escrevem do Norte da Europa, a contar as suas experiências de Erasmus.
Descobri que seria mais fácil se tivesse um portátil constantemente ligado à net sem fios, onde pudesse espreitar todos os blogs quando estivesse no Metro, no autocarro, na casa de banho.
Ou então, que toda a blogosfera estivesse compilada num livro, que eu pudesse levar na minha mochila, e sendo constantemente actualizada, por páginas que apareciam e desapareciam, consoante o que eu fosse descobrindo, qual mundo fantástico do Harry Potter.
Ou uma maneira que eu pudesse escrever todos os posts que me surgem já escritos na minha cabeça, mas que, ao fim do dia, com tanto cansaço acumulado, ficam guardados em hiden folders, nos my documents deste mini portátil que é o meu cérebro. E vejo-me, de olhar vazio, às 10 da noite, a tentar lembrar-me do turbilhão de posts que não escrevi.
Resultado: comprei um caderno A5 de capa azul e com argolas (iguais aos que eu usava no Colégio, que saudades), que anda sempre na dita mochila. Já consigo escrever posts no Metro; resta-me preencher a lacuna de ver blogs na casa de banho.
É que a vida do Teatro é assim: absorve-nos o tempo, a atenção. Mas eu gosto tanto dela assim…
Perdi umas manhãs (duas, para ser mais precisa), a navegar pela blogosfera. Descobri coisas lindíssimas, outras muito giras, outras menos interessantes. Descobri que há pessoas que escrevem do seu sofá à espera que o seu bebé chegue, outras que escrevem posts de minuto a minuto, outras ainda escrevem do Norte da Europa, a contar as suas experiências de Erasmus.
Descobri que seria mais fácil se tivesse um portátil constantemente ligado à net sem fios, onde pudesse espreitar todos os blogs quando estivesse no Metro, no autocarro, na casa de banho.
Ou então, que toda a blogosfera estivesse compilada num livro, que eu pudesse levar na minha mochila, e sendo constantemente actualizada, por páginas que apareciam e desapareciam, consoante o que eu fosse descobrindo, qual mundo fantástico do Harry Potter.
Ou uma maneira que eu pudesse escrever todos os posts que me surgem já escritos na minha cabeça, mas que, ao fim do dia, com tanto cansaço acumulado, ficam guardados em hiden folders, nos my documents deste mini portátil que é o meu cérebro. E vejo-me, de olhar vazio, às 10 da noite, a tentar lembrar-me do turbilhão de posts que não escrevi.
Resultado: comprei um caderno A5 de capa azul e com argolas (iguais aos que eu usava no Colégio, que saudades), que anda sempre na dita mochila. Já consigo escrever posts no Metro; resta-me preencher a lacuna de ver blogs na casa de banho.
É que a vida do Teatro é assim: absorve-nos o tempo, a atenção. Mas eu gosto tanto dela assim…
27/01/2004
E a vida continua...
Ainda estou meio "hipnotizada". Acontece sempre que chego de viagem. Passo dias a tentar absorver tudo o que se passa à minha volta, tudo o que vejo, o que oiço, o que leio, e fico assim, quando tudo acaba.
Eu sei que as pessoas são todas iguais, independentemente de terem nascido e de viverem noutro país, mas, é mais forte que eu, a minha tendência é ficar a olhar para elas, para ver se descubro alguma diferença.
Também sei que há culturas mais distantes, onde se notam logo as diferenças, não físicas, mas de hábitos, de gestos, de olhares... E que Espanha está aqui tão perto e nem se notam esse tipo de diferenças com o nosso país, à beira-mar plantado. Mas fico sempre à espera DA diferença, DO original, de alguma coisa que nunca vi. E fico assim, "hipnotizada".
Barcelona.
Eu bem disse que o fim-de-semana ia ser comprido... Nunca lá tinha estado e já era a minha cidade de eleição. Por tudo o que eu tinha visto em filmes, lido em livros, por todas as fotos que já tinha visto, pelos relatos que me faziam, quem lá tinha estado, era A MINHA cidade de eleição. E se eu já tinha como sonho viver em Barcelona, agora tenho a certeza que esse sonho vai concretizar-se, ou pelo menos vou fazer por isso.
Só para finalizar, não queria deixar de confessar o seguinte: senti-me em casa. Houve momentos em que senti que já tinha visto aquelas casas, já tinha andado por aquelas ruas, já tinha visto aqueles parques. Não acredito na reencarnação, mas...
... mas a vida continua, e cá estou eu em Lisboa, outra vez.
Eu sei que as pessoas são todas iguais, independentemente de terem nascido e de viverem noutro país, mas, é mais forte que eu, a minha tendência é ficar a olhar para elas, para ver se descubro alguma diferença.
Também sei que há culturas mais distantes, onde se notam logo as diferenças, não físicas, mas de hábitos, de gestos, de olhares... E que Espanha está aqui tão perto e nem se notam esse tipo de diferenças com o nosso país, à beira-mar plantado. Mas fico sempre à espera DA diferença, DO original, de alguma coisa que nunca vi. E fico assim, "hipnotizada".
Barcelona.
Eu bem disse que o fim-de-semana ia ser comprido... Nunca lá tinha estado e já era a minha cidade de eleição. Por tudo o que eu tinha visto em filmes, lido em livros, por todas as fotos que já tinha visto, pelos relatos que me faziam, quem lá tinha estado, era A MINHA cidade de eleição. E se eu já tinha como sonho viver em Barcelona, agora tenho a certeza que esse sonho vai concretizar-se, ou pelo menos vou fazer por isso.
Só para finalizar, não queria deixar de confessar o seguinte: senti-me em casa. Houve momentos em que senti que já tinha visto aquelas casas, já tinha andado por aquelas ruas, já tinha visto aqueles parques. Não acredito na reencarnação, mas...
... mas a vida continua, e cá estou eu em Lisboa, outra vez.
22/01/2004
26 anos, 364 dias, algumas horas...
Último post com 26 anos.
Avizinha-se um fim de semana comprido.
Até terça companheiros, amigos, palhaços, marionetas deste Teatro que é a vida.
Até ao meu regresso.
Avizinha-se um fim de semana comprido.
Até terça companheiros, amigos, palhaços, marionetas deste Teatro que é a vida.
Até ao meu regresso.
19/01/2004
Ary Poeta (ou o medo da Solidão)
Amarga, a tua vida
Breve, fugaz, genial
Brincas com as palavras
Gozas, picas, provocas
Tens a voz da revolução
Lutas com o punho erguido
Com o cravo na boca
“Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia”
Tens medo da solidão
Enches a tua casa
De risos, de álcool
De amigos, de pessoas
Desconhecidos, por vezes
Companhia, sempre
Angústias sem fim
Depressões, opções, opressões
“Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazemos da tristeza
graça.”
No alto desta cidade
Desta Lisboa que tanto amas
Descansas agora em paz
Morto, não! Adormecido.
Os génios nunca morrem
Vivem, para sempre
Na história de um povo
“É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.”
E tu, ah, Poeta,
Tu vives neste povo de Abril
Que te amou, odiou
Mas nunca te esqueceu!
Adeus, Poeta,
Até breve!
Breve, fugaz, genial
Brincas com as palavras
Gozas, picas, provocas
Tens a voz da revolução
Lutas com o punho erguido
Com o cravo na boca
“Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia”
Tens medo da solidão
Enches a tua casa
De risos, de álcool
De amigos, de pessoas
Desconhecidos, por vezes
Companhia, sempre
Angústias sem fim
Depressões, opções, opressões
“Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazemos da tristeza
graça.”
No alto desta cidade
Desta Lisboa que tanto amas
Descansas agora em paz
Morto, não! Adormecido.
Os génios nunca morrem
Vivem, para sempre
Na história de um povo
“É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.”
E tu, ah, Poeta,
Tu vives neste povo de Abril
Que te amou, odiou
Mas nunca te esqueceu!
Adeus, Poeta,
Até breve!
11/01/2004
Gosto / Não Gosto
Gosto do mar, do azul, do Verão.
Não gosto do Inverno. Odeio o Inverno.
Gosto de passear na praia e do bronze do final do Verão. Gosto de ficar a olhar as pessoas que passam e imaginar como será a vida delas.
Gosto de escrever, gosto de ler, gosto de passar horas no computador. Não gosto de não ter tempo para passar horas no computador.
Gosto de cores fortes (agora, porque antes não gostava) e dos meus sapatos Camper. Gosto de ténis de todas as cores. Gosto de cor-de-laranja, não gosto do amarelo. Não gosto de futebol.
Não gosto de comer, mas gosto de sopa, de puré de batata instantâneo (tem de ser da Maggi) e de peixe cozido. E de gomas. Adoro gomas.
Gosto de dormir. Não gosto do tempo que se perde a dormir.
Gosto do Gato Simão e do Cão Nicolau, que é Gandalf. Não gosto de aves nem de penas.
Gosto do meu carro, de andar a pé e da rapidez e da comodidade do Metro.
Gosto de trabalhar, gosto do Teatro, gosto dos colegas e do ambiente do Teatro. Não gosto quando as coisas correm mal, não gosto de culpas mal atribuídas.
Gosto de café e de fumar um cigarro antes de dormir. Gosto de fumar mal acordo, mas só o faço de férias.
Gosto de gostar.
Não gosto de não gostar.
Mas do Inverno, não gosto mesmo.
Não gosto do Inverno. Odeio o Inverno.
Gosto de passear na praia e do bronze do final do Verão. Gosto de ficar a olhar as pessoas que passam e imaginar como será a vida delas.
Gosto de escrever, gosto de ler, gosto de passar horas no computador. Não gosto de não ter tempo para passar horas no computador.
Gosto de cores fortes (agora, porque antes não gostava) e dos meus sapatos Camper. Gosto de ténis de todas as cores. Gosto de cor-de-laranja, não gosto do amarelo. Não gosto de futebol.
Não gosto de comer, mas gosto de sopa, de puré de batata instantâneo (tem de ser da Maggi) e de peixe cozido. E de gomas. Adoro gomas.
Gosto de dormir. Não gosto do tempo que se perde a dormir.
Gosto do Gato Simão e do Cão Nicolau, que é Gandalf. Não gosto de aves nem de penas.
Gosto do meu carro, de andar a pé e da rapidez e da comodidade do Metro.
Gosto de trabalhar, gosto do Teatro, gosto dos colegas e do ambiente do Teatro. Não gosto quando as coisas correm mal, não gosto de culpas mal atribuídas.
Gosto de café e de fumar um cigarro antes de dormir. Gosto de fumar mal acordo, mas só o faço de férias.
Gosto de gostar.
Não gosto de não gostar.
Mas do Inverno, não gosto mesmo.
A Vida no Teatro – ou o Teatro da Vida
Amanhã é outro dia...
Vamos todos para casa, cansados mas felizes. Os aplausos, as ovações, 600 pessoas de pé que, durante estas (quase) três horas, sonharam, riram, aplaudiram e – tenho a certeza, algumas delas – choraram. Mais um dia, valeu a pena. Só por causa do público, vale a pena voltar amanhã. Aquele tempo todo com um sorriso estampado no rosto, a energia da dança, a magia da música, a correria dos camarins, muda a roupa, troca a peruca, os improvisos
o cansaço, não aguenta
entra o palco, ar snob, é aristocrata, é finíssima, é novo-rico, sai do palco, muda a roupa
merda, todos os dias o mesmo
é taberneiro, é bêbedo, é varredora de ruas, mas o sorriso está lá, sempre um sorriso, como se fosse a estreia, como se fosse a primeira vez. O espectáculo vai começar
e já o cansaço
ouve o público entrar na sala, a agitação, a maquilhagem, a concentração.
A aula de voz, o aquecimento, a aula de sapateado, não, hoje é de ballett. Chega mais cedo, vai ao bar, vai à contabilidade, ao guarda-roupa, à bilheteira. A produção, o encenador, amanhã começa mais cedo
há ensaios: está tudo mal
amanhã, não sabe se vem. Cansaço, exaustão, não quer mais representar.
quero ser eu, deixem-me ser eu. Vou desistir, hoje, é o meu último dia. Não quero mais.
Chega. Olá, bom dia!
Vamos todos para casa, cansados mas felizes. Os aplausos, as ovações, 600 pessoas de pé que, durante estas (quase) três horas, sonharam, riram, aplaudiram e – tenho a certeza, algumas delas – choraram. Mais um dia, valeu a pena. Só por causa do público, vale a pena voltar amanhã. Aquele tempo todo com um sorriso estampado no rosto, a energia da dança, a magia da música, a correria dos camarins, muda a roupa, troca a peruca, os improvisos
o cansaço, não aguenta
entra o palco, ar snob, é aristocrata, é finíssima, é novo-rico, sai do palco, muda a roupa
merda, todos os dias o mesmo
é taberneiro, é bêbedo, é varredora de ruas, mas o sorriso está lá, sempre um sorriso, como se fosse a estreia, como se fosse a primeira vez. O espectáculo vai começar
e já o cansaço
ouve o público entrar na sala, a agitação, a maquilhagem, a concentração.
A aula de voz, o aquecimento, a aula de sapateado, não, hoje é de ballett. Chega mais cedo, vai ao bar, vai à contabilidade, ao guarda-roupa, à bilheteira. A produção, o encenador, amanhã começa mais cedo
há ensaios: está tudo mal
amanhã, não sabe se vem. Cansaço, exaustão, não quer mais representar.
quero ser eu, deixem-me ser eu. Vou desistir, hoje, é o meu último dia. Não quero mais.
Chega. Olá, bom dia!
Subscrever:
Mensagens (Atom)