"Se todos os teus esforços forem vistos com indiferença, não desanimes.
Porque também o Sol, ao nascer, dá um espectáculo incrível e, no entanto, a maioria da plateia continua a dormir."
31/01/2004
Já passaram uns dias,
por isso acho que já posso falar no assunto, mais friamente.
Num post, a Loira disse que estava desiludida com o mundo em geral, e com algumas pessoas em particular. Eu não iria tão longe, e deixava o mundo sossegadito onde está, nas suas voltas habituais. Mas há pessoas que não sabem onde parar, e desiludem (e irritam), mesmo sem que eu saiba quem são.
Quem tem acompanhado a Casca desde o início sabe do que estou a falar. Mesmo assim, quero explicar.
No campo Comentários, que eu retirei há alguns dias, por motivos de força maior, alguém que assina como Int3rrupt começou a fazer uma pseudo-campanha política, deixando aos 20 e 30 comentários que nada tinham que ver com nada do que se falava aqui. Eu, que até achei piada nos primeiros dias, e que até tenho bom feitio e tolerância para esse tipo de brincadeiras, fui deixando passar, para ver se o personagem se cansava e acabava por desistir.
Não desistiu. E eu respondi às provocações da melhor maneira que soube: pedi que parasse com a campanha na MINHA Casca, que criasse um blog dele, onde ele pudesse escrever o que lhe apetecesse, e pedi que, pelo menos, assinasse o nome verdadeiro ("ou não tens tomates para te mostrares, escondendo atrás de um nick?" – foram, mais ou menos, as minhas palavras). Não sei se fui muito rude, se ofendi, o que é certo é que é assim que eu sou, e não sei ser de outra maneira.
Ao tirar o campo Comentários da Casca, alguém ainda me falou em censura.
-Vê lá, Susana, não podes proibir que as pessoas escrevam os comentários que querem. Isso é censura!
Mas posso não convidar estranhos para dentro da MINHA casa, e obrigar os MEUS convidados a conviver com eles. E foi isso que eu fiz: retirei os Comentários, inseri um link com o mail da Casca, e convido TODOS (incluindo o In3rrupt) a deixar os comentários que quiserem, por mail.
É que o Int3rrupt não percebeu que não estava apenas a incomodar-me a mim, mas a todos os outros visitantes da Casca d’Ovo!
Censurem-me, critiquem-me, chamem-me os nomes que quiserem. Mas este blog é MEU (sim, Int3rrupt, é MEU, e não é teu, como escreveste mais que uma vez) e EU faço dele o que EU quiser.
Agora, e voltando ao início, esta foi a razão da minha desilusão com algumas pessoas em particular (e espero que o mundo em geral continue no seu cantinho, nas voltas do costume).
E eu, que gostava tanto de ter um feed-back do que eu escrevo…
Num post, a Loira disse que estava desiludida com o mundo em geral, e com algumas pessoas em particular. Eu não iria tão longe, e deixava o mundo sossegadito onde está, nas suas voltas habituais. Mas há pessoas que não sabem onde parar, e desiludem (e irritam), mesmo sem que eu saiba quem são.
Quem tem acompanhado a Casca desde o início sabe do que estou a falar. Mesmo assim, quero explicar.
No campo Comentários, que eu retirei há alguns dias, por motivos de força maior, alguém que assina como Int3rrupt começou a fazer uma pseudo-campanha política, deixando aos 20 e 30 comentários que nada tinham que ver com nada do que se falava aqui. Eu, que até achei piada nos primeiros dias, e que até tenho bom feitio e tolerância para esse tipo de brincadeiras, fui deixando passar, para ver se o personagem se cansava e acabava por desistir.
Não desistiu. E eu respondi às provocações da melhor maneira que soube: pedi que parasse com a campanha na MINHA Casca, que criasse um blog dele, onde ele pudesse escrever o que lhe apetecesse, e pedi que, pelo menos, assinasse o nome verdadeiro ("ou não tens tomates para te mostrares, escondendo atrás de um nick?" – foram, mais ou menos, as minhas palavras). Não sei se fui muito rude, se ofendi, o que é certo é que é assim que eu sou, e não sei ser de outra maneira.
Ao tirar o campo Comentários da Casca, alguém ainda me falou em censura.
-Vê lá, Susana, não podes proibir que as pessoas escrevam os comentários que querem. Isso é censura!
Mas posso não convidar estranhos para dentro da MINHA casa, e obrigar os MEUS convidados a conviver com eles. E foi isso que eu fiz: retirei os Comentários, inseri um link com o mail da Casca, e convido TODOS (incluindo o In3rrupt) a deixar os comentários que quiserem, por mail.
É que o Int3rrupt não percebeu que não estava apenas a incomodar-me a mim, mas a todos os outros visitantes da Casca d’Ovo!
Censurem-me, critiquem-me, chamem-me os nomes que quiserem. Mas este blog é MEU (sim, Int3rrupt, é MEU, e não é teu, como escreveste mais que uma vez) e EU faço dele o que EU quiser.
Agora, e voltando ao início, esta foi a razão da minha desilusão com algumas pessoas em particular (e espero que o mundo em geral continue no seu cantinho, nas voltas do costume).
E eu, que gostava tanto de ter um feed-back do que eu escrevo…
30/01/2004
Um dia,
ainda hei-de escrever aqui sobre:
as músicas que fazem levantar os pêlos dos meus braços - Mafalda, Palma, Dave Mathews, Tom Jobim…
a minha fixação por cabelos compridos - porque tenho o cabelo fininho e não consigo deixar crescer
os livros de Vergílio Ferreira, e o que eles me fazem sentir
os filmes da minha vida
o meu Gato Simão, e outros animais da família (o Tobias, o Tomás, o Nicolau, que é Gandalf, e o novíssimo Bekas)
as memórias que os meus pais trazem de um continente longínquo que deixaram para trás, a meio das suas vidas
os lugares por onde viajei - desde as capitais europeias ao deserto do Arizona
a vida no Teatro - porque ainda há tanta coisa por contar
o Gosto/Não Gosto especial, sobre uma pessoa especial - que já está escrito, e só falta publicar
os meus amigos - aqueles que ainda falam, os que já não aparecem, os que não estão, mas sei onde encontrá-los, os que estão sempre, os que estão às vezes, mas que gostariam de estar mais vezes
E tantas outras coisas…
Só escrevi este post para que não aconteça o mesmo que ontem: fiquei a olhar para o ecrã e o máximo que eu consegui escrever foi – Já disse que odeio o Inverno?
as músicas que fazem levantar os pêlos dos meus braços - Mafalda, Palma, Dave Mathews, Tom Jobim…
a minha fixação por cabelos compridos - porque tenho o cabelo fininho e não consigo deixar crescer
os livros de Vergílio Ferreira, e o que eles me fazem sentir
os filmes da minha vida
o meu Gato Simão, e outros animais da família (o Tobias, o Tomás, o Nicolau, que é Gandalf, e o novíssimo Bekas)
as memórias que os meus pais trazem de um continente longínquo que deixaram para trás, a meio das suas vidas
os lugares por onde viajei - desde as capitais europeias ao deserto do Arizona
a vida no Teatro - porque ainda há tanta coisa por contar
o Gosto/Não Gosto especial, sobre uma pessoa especial - que já está escrito, e só falta publicar
os meus amigos - aqueles que ainda falam, os que já não aparecem, os que não estão, mas sei onde encontrá-los, os que estão sempre, os que estão às vezes, mas que gostariam de estar mais vezes
E tantas outras coisas…
Só escrevi este post para que não aconteça o mesmo que ontem: fiquei a olhar para o ecrã e o máximo que eu consegui escrever foi – Já disse que odeio o Inverno?
Tenho pena!
Tenho muita pena de não ter mais tempo para dedicar à minha Casca.
Perdi umas manhãs (duas, para ser mais precisa), a navegar pela blogosfera. Descobri coisas lindíssimas, outras muito giras, outras menos interessantes. Descobri que há pessoas que escrevem do seu sofá à espera que o seu bebé chegue, outras que escrevem posts de minuto a minuto, outras ainda escrevem do Norte da Europa, a contar as suas experiências de Erasmus.
Descobri que seria mais fácil se tivesse um portátil constantemente ligado à net sem fios, onde pudesse espreitar todos os blogs quando estivesse no Metro, no autocarro, na casa de banho.
Ou então, que toda a blogosfera estivesse compilada num livro, que eu pudesse levar na minha mochila, e sendo constantemente actualizada, por páginas que apareciam e desapareciam, consoante o que eu fosse descobrindo, qual mundo fantástico do Harry Potter.
Ou uma maneira que eu pudesse escrever todos os posts que me surgem já escritos na minha cabeça, mas que, ao fim do dia, com tanto cansaço acumulado, ficam guardados em hiden folders, nos my documents deste mini portátil que é o meu cérebro. E vejo-me, de olhar vazio, às 10 da noite, a tentar lembrar-me do turbilhão de posts que não escrevi.
Resultado: comprei um caderno A5 de capa azul e com argolas (iguais aos que eu usava no Colégio, que saudades), que anda sempre na dita mochila. Já consigo escrever posts no Metro; resta-me preencher a lacuna de ver blogs na casa de banho.
É que a vida do Teatro é assim: absorve-nos o tempo, a atenção. Mas eu gosto tanto dela assim…
Perdi umas manhãs (duas, para ser mais precisa), a navegar pela blogosfera. Descobri coisas lindíssimas, outras muito giras, outras menos interessantes. Descobri que há pessoas que escrevem do seu sofá à espera que o seu bebé chegue, outras que escrevem posts de minuto a minuto, outras ainda escrevem do Norte da Europa, a contar as suas experiências de Erasmus.
Descobri que seria mais fácil se tivesse um portátil constantemente ligado à net sem fios, onde pudesse espreitar todos os blogs quando estivesse no Metro, no autocarro, na casa de banho.
Ou então, que toda a blogosfera estivesse compilada num livro, que eu pudesse levar na minha mochila, e sendo constantemente actualizada, por páginas que apareciam e desapareciam, consoante o que eu fosse descobrindo, qual mundo fantástico do Harry Potter.
Ou uma maneira que eu pudesse escrever todos os posts que me surgem já escritos na minha cabeça, mas que, ao fim do dia, com tanto cansaço acumulado, ficam guardados em hiden folders, nos my documents deste mini portátil que é o meu cérebro. E vejo-me, de olhar vazio, às 10 da noite, a tentar lembrar-me do turbilhão de posts que não escrevi.
Resultado: comprei um caderno A5 de capa azul e com argolas (iguais aos que eu usava no Colégio, que saudades), que anda sempre na dita mochila. Já consigo escrever posts no Metro; resta-me preencher a lacuna de ver blogs na casa de banho.
É que a vida do Teatro é assim: absorve-nos o tempo, a atenção. Mas eu gosto tanto dela assim…
27/01/2004
E a vida continua...
Ainda estou meio "hipnotizada". Acontece sempre que chego de viagem. Passo dias a tentar absorver tudo o que se passa à minha volta, tudo o que vejo, o que oiço, o que leio, e fico assim, quando tudo acaba.
Eu sei que as pessoas são todas iguais, independentemente de terem nascido e de viverem noutro país, mas, é mais forte que eu, a minha tendência é ficar a olhar para elas, para ver se descubro alguma diferença.
Também sei que há culturas mais distantes, onde se notam logo as diferenças, não físicas, mas de hábitos, de gestos, de olhares... E que Espanha está aqui tão perto e nem se notam esse tipo de diferenças com o nosso país, à beira-mar plantado. Mas fico sempre à espera DA diferença, DO original, de alguma coisa que nunca vi. E fico assim, "hipnotizada".
Barcelona.
Eu bem disse que o fim-de-semana ia ser comprido... Nunca lá tinha estado e já era a minha cidade de eleição. Por tudo o que eu tinha visto em filmes, lido em livros, por todas as fotos que já tinha visto, pelos relatos que me faziam, quem lá tinha estado, era A MINHA cidade de eleição. E se eu já tinha como sonho viver em Barcelona, agora tenho a certeza que esse sonho vai concretizar-se, ou pelo menos vou fazer por isso.
Só para finalizar, não queria deixar de confessar o seguinte: senti-me em casa. Houve momentos em que senti que já tinha visto aquelas casas, já tinha andado por aquelas ruas, já tinha visto aqueles parques. Não acredito na reencarnação, mas...
... mas a vida continua, e cá estou eu em Lisboa, outra vez.
Eu sei que as pessoas são todas iguais, independentemente de terem nascido e de viverem noutro país, mas, é mais forte que eu, a minha tendência é ficar a olhar para elas, para ver se descubro alguma diferença.
Também sei que há culturas mais distantes, onde se notam logo as diferenças, não físicas, mas de hábitos, de gestos, de olhares... E que Espanha está aqui tão perto e nem se notam esse tipo de diferenças com o nosso país, à beira-mar plantado. Mas fico sempre à espera DA diferença, DO original, de alguma coisa que nunca vi. E fico assim, "hipnotizada".
Barcelona.
Eu bem disse que o fim-de-semana ia ser comprido... Nunca lá tinha estado e já era a minha cidade de eleição. Por tudo o que eu tinha visto em filmes, lido em livros, por todas as fotos que já tinha visto, pelos relatos que me faziam, quem lá tinha estado, era A MINHA cidade de eleição. E se eu já tinha como sonho viver em Barcelona, agora tenho a certeza que esse sonho vai concretizar-se, ou pelo menos vou fazer por isso.
Só para finalizar, não queria deixar de confessar o seguinte: senti-me em casa. Houve momentos em que senti que já tinha visto aquelas casas, já tinha andado por aquelas ruas, já tinha visto aqueles parques. Não acredito na reencarnação, mas...
... mas a vida continua, e cá estou eu em Lisboa, outra vez.
22/01/2004
26 anos, 364 dias, algumas horas...
Último post com 26 anos.
Avizinha-se um fim de semana comprido.
Até terça companheiros, amigos, palhaços, marionetas deste Teatro que é a vida.
Até ao meu regresso.
Avizinha-se um fim de semana comprido.
Até terça companheiros, amigos, palhaços, marionetas deste Teatro que é a vida.
Até ao meu regresso.
19/01/2004
Ary Poeta (ou o medo da Solidão)
Amarga, a tua vida
Breve, fugaz, genial
Brincas com as palavras
Gozas, picas, provocas
Tens a voz da revolução
Lutas com o punho erguido
Com o cravo na boca
“Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia”
Tens medo da solidão
Enches a tua casa
De risos, de álcool
De amigos, de pessoas
Desconhecidos, por vezes
Companhia, sempre
Angústias sem fim
Depressões, opções, opressões
“Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazemos da tristeza
graça.”
No alto desta cidade
Desta Lisboa que tanto amas
Descansas agora em paz
Morto, não! Adormecido.
Os génios nunca morrem
Vivem, para sempre
Na história de um povo
“É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.”
E tu, ah, Poeta,
Tu vives neste povo de Abril
Que te amou, odiou
Mas nunca te esqueceu!
Adeus, Poeta,
Até breve!
Breve, fugaz, genial
Brincas com as palavras
Gozas, picas, provocas
Tens a voz da revolução
Lutas com o punho erguido
Com o cravo na boca
“Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia”
Tens medo da solidão
Enches a tua casa
De risos, de álcool
De amigos, de pessoas
Desconhecidos, por vezes
Companhia, sempre
Angústias sem fim
Depressões, opções, opressões
“Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazemos da tristeza
graça.”
No alto desta cidade
Desta Lisboa que tanto amas
Descansas agora em paz
Morto, não! Adormecido.
Os génios nunca morrem
Vivem, para sempre
Na história de um povo
“É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.”
E tu, ah, Poeta,
Tu vives neste povo de Abril
Que te amou, odiou
Mas nunca te esqueceu!
Adeus, Poeta,
Até breve!
11/01/2004
Gosto / Não Gosto
Gosto do mar, do azul, do Verão.
Não gosto do Inverno. Odeio o Inverno.
Gosto de passear na praia e do bronze do final do Verão. Gosto de ficar a olhar as pessoas que passam e imaginar como será a vida delas.
Gosto de escrever, gosto de ler, gosto de passar horas no computador. Não gosto de não ter tempo para passar horas no computador.
Gosto de cores fortes (agora, porque antes não gostava) e dos meus sapatos Camper. Gosto de ténis de todas as cores. Gosto de cor-de-laranja, não gosto do amarelo. Não gosto de futebol.
Não gosto de comer, mas gosto de sopa, de puré de batata instantâneo (tem de ser da Maggi) e de peixe cozido. E de gomas. Adoro gomas.
Gosto de dormir. Não gosto do tempo que se perde a dormir.
Gosto do Gato Simão e do Cão Nicolau, que é Gandalf. Não gosto de aves nem de penas.
Gosto do meu carro, de andar a pé e da rapidez e da comodidade do Metro.
Gosto de trabalhar, gosto do Teatro, gosto dos colegas e do ambiente do Teatro. Não gosto quando as coisas correm mal, não gosto de culpas mal atribuídas.
Gosto de café e de fumar um cigarro antes de dormir. Gosto de fumar mal acordo, mas só o faço de férias.
Gosto de gostar.
Não gosto de não gostar.
Mas do Inverno, não gosto mesmo.
Não gosto do Inverno. Odeio o Inverno.
Gosto de passear na praia e do bronze do final do Verão. Gosto de ficar a olhar as pessoas que passam e imaginar como será a vida delas.
Gosto de escrever, gosto de ler, gosto de passar horas no computador. Não gosto de não ter tempo para passar horas no computador.
Gosto de cores fortes (agora, porque antes não gostava) e dos meus sapatos Camper. Gosto de ténis de todas as cores. Gosto de cor-de-laranja, não gosto do amarelo. Não gosto de futebol.
Não gosto de comer, mas gosto de sopa, de puré de batata instantâneo (tem de ser da Maggi) e de peixe cozido. E de gomas. Adoro gomas.
Gosto de dormir. Não gosto do tempo que se perde a dormir.
Gosto do Gato Simão e do Cão Nicolau, que é Gandalf. Não gosto de aves nem de penas.
Gosto do meu carro, de andar a pé e da rapidez e da comodidade do Metro.
Gosto de trabalhar, gosto do Teatro, gosto dos colegas e do ambiente do Teatro. Não gosto quando as coisas correm mal, não gosto de culpas mal atribuídas.
Gosto de café e de fumar um cigarro antes de dormir. Gosto de fumar mal acordo, mas só o faço de férias.
Gosto de gostar.
Não gosto de não gostar.
Mas do Inverno, não gosto mesmo.
A Vida no Teatro – ou o Teatro da Vida
Amanhã é outro dia...
Vamos todos para casa, cansados mas felizes. Os aplausos, as ovações, 600 pessoas de pé que, durante estas (quase) três horas, sonharam, riram, aplaudiram e – tenho a certeza, algumas delas – choraram. Mais um dia, valeu a pena. Só por causa do público, vale a pena voltar amanhã. Aquele tempo todo com um sorriso estampado no rosto, a energia da dança, a magia da música, a correria dos camarins, muda a roupa, troca a peruca, os improvisos
o cansaço, não aguenta
entra o palco, ar snob, é aristocrata, é finíssima, é novo-rico, sai do palco, muda a roupa
merda, todos os dias o mesmo
é taberneiro, é bêbedo, é varredora de ruas, mas o sorriso está lá, sempre um sorriso, como se fosse a estreia, como se fosse a primeira vez. O espectáculo vai começar
e já o cansaço
ouve o público entrar na sala, a agitação, a maquilhagem, a concentração.
A aula de voz, o aquecimento, a aula de sapateado, não, hoje é de ballett. Chega mais cedo, vai ao bar, vai à contabilidade, ao guarda-roupa, à bilheteira. A produção, o encenador, amanhã começa mais cedo
há ensaios: está tudo mal
amanhã, não sabe se vem. Cansaço, exaustão, não quer mais representar.
quero ser eu, deixem-me ser eu. Vou desistir, hoje, é o meu último dia. Não quero mais.
Chega. Olá, bom dia!
Vamos todos para casa, cansados mas felizes. Os aplausos, as ovações, 600 pessoas de pé que, durante estas (quase) três horas, sonharam, riram, aplaudiram e – tenho a certeza, algumas delas – choraram. Mais um dia, valeu a pena. Só por causa do público, vale a pena voltar amanhã. Aquele tempo todo com um sorriso estampado no rosto, a energia da dança, a magia da música, a correria dos camarins, muda a roupa, troca a peruca, os improvisos
o cansaço, não aguenta
entra o palco, ar snob, é aristocrata, é finíssima, é novo-rico, sai do palco, muda a roupa
merda, todos os dias o mesmo
é taberneiro, é bêbedo, é varredora de ruas, mas o sorriso está lá, sempre um sorriso, como se fosse a estreia, como se fosse a primeira vez. O espectáculo vai começar
e já o cansaço
ouve o público entrar na sala, a agitação, a maquilhagem, a concentração.
A aula de voz, o aquecimento, a aula de sapateado, não, hoje é de ballett. Chega mais cedo, vai ao bar, vai à contabilidade, ao guarda-roupa, à bilheteira. A produção, o encenador, amanhã começa mais cedo
há ensaios: está tudo mal
amanhã, não sabe se vem. Cansaço, exaustão, não quer mais representar.
quero ser eu, deixem-me ser eu. Vou desistir, hoje, é o meu último dia. Não quero mais.
Chega. Olá, bom dia!
08/01/2004
Resposta à Loira
Tomei uma decisão:
vou lutar com todas as minhas forças. Nada vale a pena se nada fizermos.
Obrigada, Loira. Mesmo longe, foste uma grande ajuda.
vou lutar com todas as minhas forças. Nada vale a pena se nada fizermos.
Obrigada, Loira. Mesmo longe, foste uma grande ajuda.
Casca d'Ovo
Já me perguntaste
as poucas pessoas a quem eu falei do meu blog
porquê Casca d’Ovo?
Tentei explicar
e até acho que consegui
o melhor que pude, mas vou deixar aqui a explicação. Primeiro, porque tem lógica; segundo, porque me parece o local mais adequado para deixar a explicação e, terceiro, para não ter que explicar a mais ninguém.
O nome do meu blog foi difícil de encontrar. Pensei em nomes vulgares, para ser original porque pensei em nomes originais, e caí na vulgaridade. Então pensei
o que é isto do meu blog?
é só um espaço para expor os meus pensamentos?
um diário secreto?
E cheguei à conclusão que queria que o meu blog fosse um sítio
sim, um sítio, um local, físico, palpável
onde eu me sentisse bem, aconchegada, quentinha, confortável, protegida, onde eu não tenha medo de nada nem ninguém, onde nada nem ninguém me possa fazer mal. O sítio mais parecido com isto de que me lembrei, foi a barriga da minha mãe
o que faria um nome piroso
ou a placenta
ainda pior
e fui levada a pensar nas barrigas das mães de outros animais. Pensei, pensei... e cheguei às aves
e eu que odeio aves e penas e todos os animais que voam
e imaginei-me uma ave dentro do seu ovo, quentinha, protegida, aconchegada, confortável. E pensei que, dentro da casca do ovo, deve ser um sítio perfeito para me esconder.
E aqui me tens, na casca do meu ovo.
Na Casca d’Ovo.
as poucas pessoas a quem eu falei do meu blog
porquê Casca d’Ovo?
Tentei explicar
e até acho que consegui
o melhor que pude, mas vou deixar aqui a explicação. Primeiro, porque tem lógica; segundo, porque me parece o local mais adequado para deixar a explicação e, terceiro, para não ter que explicar a mais ninguém.
O nome do meu blog foi difícil de encontrar. Pensei em nomes vulgares, para ser original porque pensei em nomes originais, e caí na vulgaridade. Então pensei
o que é isto do meu blog?
é só um espaço para expor os meus pensamentos?
um diário secreto?
E cheguei à conclusão que queria que o meu blog fosse um sítio
sim, um sítio, um local, físico, palpável
onde eu me sentisse bem, aconchegada, quentinha, confortável, protegida, onde eu não tenha medo de nada nem ninguém, onde nada nem ninguém me possa fazer mal. O sítio mais parecido com isto de que me lembrei, foi a barriga da minha mãe
o que faria um nome piroso
ou a placenta
ainda pior
e fui levada a pensar nas barrigas das mães de outros animais. Pensei, pensei... e cheguei às aves
e eu que odeio aves e penas e todos os animais que voam
e imaginei-me uma ave dentro do seu ovo, quentinha, protegida, aconchegada, confortável. E pensei que, dentro da casca do ovo, deve ser um sítio perfeito para me esconder.
E aqui me tens, na casca do meu ovo.
Na Casca d’Ovo.
07/01/2004
Estou na merda, mas sempre cheia de estilo!
Um dia destes
pensando bem, já lá vão uns meses. Bolas! Como o tempo passa depressa
eu estava no Centro de Emprego, na sala de espera, e encontro um amigo de longa data, que já não via há algum tempo. Os dias estavam lindos, o verão estava a chegar, mas as coisas não corriam lá muito bem. Ele tinha sido despedido, por qualquer razão que eu não fixei; a mim, não me renovaram o contrato devido a “cortes orçamentais”. Claro que, no Centro de Emprego, dois amigos encontram-se, as novidades nunca podem ser boas.
Nota: este meu amigo, sempre de distinguiu dos outros amigos por andar sempre bem vestido. Enquanto andávamos todos vestidos à puto das fisgas (calças, ténis, t-shirts, o mais prático possível), ele fazia questão de aparecer de fato e gravata, muito cheiroso, como quem acaba de sair do banho.
Continuando, o que te traz cá, que é feito de ti, mas, a sério: como é que estás? E a resposta, das mais pequenas e mais complexas que já ouvi na vida e que, até hoje, nunca me saiu da cabeça
Estou na merda, mas sempre cheio de estilo!
Ou seja, a vida é curta; na sua pequenez, parece que nada está certo, temos uns dias bons e
parece
o dobro de dias maus mas, o que é que isso importa? Por fora, estamos lindos, bem arranjados, animados, cheios de estilo.
Esta foi das lições mais curtas e básicas, e uma das mais importantes que aprendi na vida. Posso estar na lama, devastada por dentro mas, por fora, ninguém nota, ninguém desconfia, ninguém vê.
Estou na merda, mas sempre cheia de estilo.
pensando bem, já lá vão uns meses. Bolas! Como o tempo passa depressa
eu estava no Centro de Emprego, na sala de espera, e encontro um amigo de longa data, que já não via há algum tempo. Os dias estavam lindos, o verão estava a chegar, mas as coisas não corriam lá muito bem. Ele tinha sido despedido, por qualquer razão que eu não fixei; a mim, não me renovaram o contrato devido a “cortes orçamentais”. Claro que, no Centro de Emprego, dois amigos encontram-se, as novidades nunca podem ser boas.
Nota: este meu amigo, sempre de distinguiu dos outros amigos por andar sempre bem vestido. Enquanto andávamos todos vestidos à puto das fisgas (calças, ténis, t-shirts, o mais prático possível), ele fazia questão de aparecer de fato e gravata, muito cheiroso, como quem acaba de sair do banho.
Continuando, o que te traz cá, que é feito de ti, mas, a sério: como é que estás? E a resposta, das mais pequenas e mais complexas que já ouvi na vida e que, até hoje, nunca me saiu da cabeça
Estou na merda, mas sempre cheio de estilo!
Ou seja, a vida é curta; na sua pequenez, parece que nada está certo, temos uns dias bons e
parece
o dobro de dias maus mas, o que é que isso importa? Por fora, estamos lindos, bem arranjados, animados, cheios de estilo.
Esta foi das lições mais curtas e básicas, e uma das mais importantes que aprendi na vida. Posso estar na lama, devastada por dentro mas, por fora, ninguém nota, ninguém desconfia, ninguém vê.
Estou na merda, mas sempre cheia de estilo.
05/01/2004
Não... Hoje não...
Hoje foi um dos piores dias da minha vida.
Não me apetece escrever nada.
Talvez amanhã...
Não me apetece escrever nada.
Talvez amanhã...
29/12/2003
Meio-termo
Isto é tudo muito complicado...
Quando é que sabemos onde parar? Qual é o limite entre lutar por alguém e ser uma melga? Entre querer conquistar um homem e pressioná-lo?
Se desisto e relaxo, ele nunca vai saber quais as minhas verdadeiras intenções, e nem sequer vai aperceber-se do meu interesse e do meu desejo. Se eu ligar, mandar mensagens, aparecer, vai achar que sou uma melga, que estou a pressionar, que não o deixo respirar...
E o meio-termo? Onde está o meio-termo?
Insistir dia-sim-dia-não? Mandar uma mensagem por dia? Ligar às 2ªs, 4ªs e 6ªs? É este o meio-termo?
Não sou pessoa de esperar que os milagres caiam do céu. Acredito que faço os meus próprios milagres e, normalmente, eles acontecem. Não me tenho dado mal nas conquistas da vida. Mas, muitas vezes, neste longo caminho que tenho percorrido, aparecem umas barreiras que me deixam sem saber como seguir. Algumas, com as quais eu choco de frente, deixam-me zonza, sem saber onde estou, quem sou, para onde vou. E é nestas alturas, diante destas barreiras, ainda meio atordoada, que fico sem saber se estou a agir correctamente, ou se ainda vou errar muito. E é, ainda, nestas alturas, que eu fico sem saber onde está o meio-termo, o ponto exacto em que não estou a insistir nem a relaxar. Que não estou a ser melga nem desinteressada. É, nestas alturas, que eu queria um livro de instruções, para saber como agir.
E, por falar nisso, se alguém puder ajudar-me a encontrar o meio-termo (um número de telemóvel, um mail, qualquer coisa), por favor, avisem-me.
Quando é que sabemos onde parar? Qual é o limite entre lutar por alguém e ser uma melga? Entre querer conquistar um homem e pressioná-lo?
Se desisto e relaxo, ele nunca vai saber quais as minhas verdadeiras intenções, e nem sequer vai aperceber-se do meu interesse e do meu desejo. Se eu ligar, mandar mensagens, aparecer, vai achar que sou uma melga, que estou a pressionar, que não o deixo respirar...
E o meio-termo? Onde está o meio-termo?
Insistir dia-sim-dia-não? Mandar uma mensagem por dia? Ligar às 2ªs, 4ªs e 6ªs? É este o meio-termo?
Não sou pessoa de esperar que os milagres caiam do céu. Acredito que faço os meus próprios milagres e, normalmente, eles acontecem. Não me tenho dado mal nas conquistas da vida. Mas, muitas vezes, neste longo caminho que tenho percorrido, aparecem umas barreiras que me deixam sem saber como seguir. Algumas, com as quais eu choco de frente, deixam-me zonza, sem saber onde estou, quem sou, para onde vou. E é nestas alturas, diante destas barreiras, ainda meio atordoada, que fico sem saber se estou a agir correctamente, ou se ainda vou errar muito. E é, ainda, nestas alturas, que eu fico sem saber onde está o meio-termo, o ponto exacto em que não estou a insistir nem a relaxar. Que não estou a ser melga nem desinteressada. É, nestas alturas, que eu queria um livro de instruções, para saber como agir.
E, por falar nisso, se alguém puder ajudar-me a encontrar o meio-termo (um número de telemóvel, um mail, qualquer coisa), por favor, avisem-me.
15/12/2003
20.000 Seconds by K’s Choice
20.000 seconds since you’ve left and I’m still counting
And 20.000 reasons to get up, get some thing done
But I’m still waiting
Is someone kind enough to
Pick me up and give me food, assure me that the world is good
But you should be here, you should be here
How colours can change and even the texture of the rain
And what’s that ugly little stain on the bathroom floor
I’d rather not deal with that right now
I’d rather be floating in space somewhere or
Worry about the ozone layer
And it’ almost like a corny movie scene
But I’m out of frame and the lighting’s bad
And the music as no theme
And we’re all so strong when nothing’s wrong
And the world is at your feet
But how small we are when our love is far away
And all you need is you…
And 20.000 reasons to get up, get some thing done
But I’m still waiting
Is someone kind enough to
Pick me up and give me food, assure me that the world is good
But you should be here, you should be here
How colours can change and even the texture of the rain
And what’s that ugly little stain on the bathroom floor
I’d rather not deal with that right now
I’d rather be floating in space somewhere or
Worry about the ozone layer
And it’ almost like a corny movie scene
But I’m out of frame and the lighting’s bad
And the music as no theme
And we’re all so strong when nothing’s wrong
And the world is at your feet
But how small we are when our love is far away
And all you need is you…
11/12/2003
Carta a uma Menina by Sara Belo Luís
Já sei, querida Madalena, o que queres para o Natal. Um carrinho, uma caixa de lápis e mais uma boneca – nada que as meninas da tua idade não costumem pedir. Sossega. Não deixarei que te censurem só por pedires brinquedos. Não tem mal nenhum só pedires brinquedos, todas as crianças os pedem. Mas, um dia, Madalena, quando fores mais velhinha, vais ficar farta de tantos brinquedos, vais perceber que o Natal – como a avó te disse – não é só receber presentes. Que há meninos cujos pais não conseguem dar-lhes o que eles desejam. Que há meninos que não passam a noite de 24 de Dezembro com a família. Que há meninos que, na mesa da Consoada, não têm bacalhau cozido, bolo-rei, azevias e muitos chocolates, como tu tens. Que há meninos que vivem em cidades sem ruas iluminadas. Que há meninos que nunca viram as aventuras do Peter Pan, do Rei Leão e da Pequena Sereia. Que há meninos que, nesta altura do ano, não podem ir ao circo ver os acrobatas, os trapezistas e os palhaços a contarem tolices sobre “cocós e chichis”. Que há meninos que não têm casas com lareiras para os aquecer.
Um dia mais tarde, vais compreender isto tudo. Por favor, não te sintas culpada por (felizmente) teres tudo e haver quem (infelizmente) tenha pouco mais que nada. Tenho a certeza, querida, que, se pudesses, davas-lhes um bocadinho do que tu tens. Vais descobrir que houve quem te protegesse de todas as coisas menos boas que acontecem no mundo. Acredita que apenas quiseram evitar que sofresses. Nesse dia, vais ainda entender porque é que há adultos (os crescidos, para ti que tens 4 anos) que não adoram o Natal como tu agora adoras. Eles também gostam de receber embrulhos, não é isso. Eles ficam é tristes por sentirem mais saudades dos que já cá não estão. E, nessa noite em que o Menino Jesus nasce (esta história tu já sabes, já aprendeste), lembram-se mais deles. É só por isso que eles ficam menos alegres no Natal. Não te preocupes, Madalena, depois passa. Falta dizer que, pela minha parte, fica prometida a boneca. Tem mesmo que se uma Barbie?
In Visão – 04.12.03
Suplemento Especial de Natal
Um dia mais tarde, vais compreender isto tudo. Por favor, não te sintas culpada por (felizmente) teres tudo e haver quem (infelizmente) tenha pouco mais que nada. Tenho a certeza, querida, que, se pudesses, davas-lhes um bocadinho do que tu tens. Vais descobrir que houve quem te protegesse de todas as coisas menos boas que acontecem no mundo. Acredita que apenas quiseram evitar que sofresses. Nesse dia, vais ainda entender porque é que há adultos (os crescidos, para ti que tens 4 anos) que não adoram o Natal como tu agora adoras. Eles também gostam de receber embrulhos, não é isso. Eles ficam é tristes por sentirem mais saudades dos que já cá não estão. E, nessa noite em que o Menino Jesus nasce (esta história tu já sabes, já aprendeste), lembram-se mais deles. É só por isso que eles ficam menos alegres no Natal. Não te preocupes, Madalena, depois passa. Falta dizer que, pela minha parte, fica prometida a boneca. Tem mesmo que se uma Barbie?
In Visão – 04.12.03
Suplemento Especial de Natal
10/12/2003
Solidão
A droga vicia, mas a solidão quando se apodera do coração de alguém e lá cria raízes, torna-se num vício muito maior.
Solidão procura solidão e, quanto mais uma pessoa se isola, à medida que o tempo vai passando, mais isolada quer estar. Quando as pessoas se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento.
Solidão procura solidão e, quanto mais uma pessoa se isola, à medida que o tempo vai passando, mais isolada quer estar. Quando as pessoas se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento.
07/12/2003
Para os que passaram a barreira dos 25 - NÓS TIVEMOS SORTE!!!...
Olhando para trás, é difícil acreditar que estejamos vivos. Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em frascos de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos boleia.
Bebíamos água directamente da mangueira e não da garrafa.
Gastamos horas a construir os nossos carrinhos de rolamentos para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que nos tínhamos esquecido dos travões. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema.
Saíamos de casa de manhã, brincávamos o dia inteiro, e só voltávamos quando se acendiam as luzes da rua. Ninguém nos podia localizar. Não havia telemóveis.
Nós partimos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós próprios.
Tivemos brigas, esmurrámo-nos uns aos outros e aprendemos a superar isto.
Comemos doces e bebemos refrigerantes mas não éramos gordos.
Estávamos sempre ao ar livre, a correr e a brincar. Compartilhamos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.
Não tivemos Playstations, Nintendos e toda a parafernália de jogos de vídeo, nem 99 canais de TV Cabo, som surround, telemóveis, computadores ou Internet.
Nós tivemos amigos! Saíamos e íamos ter com eles. Íamos de bicicleta ou a pé até casa deles e batíamos à porta. Imaginem tal coisa... sem pedir autorização aos pais nem a ninguém, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável!
Como conseguimos fazer isto?
Fizemos jogos com bastões e bolas de ténis e comemos minhocas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca nos caíram os olhos nem as minhocas ficaram vivas na nossa barriga para sempre.
Nos jogos da escola, nem toda a gente fazia parte da equipa. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... sem psicólogos!
Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano! Não inventavam testes extra. Éramos responsáveis pelas nossas acções e arcávamos com as consequências. Não havia ninguém que pudesse resolver isso. A ideia de um pai a proteger-nos, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Os pais protegiam as leis! Imaginem!
A nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas ideias.
Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com isso.
Tu és um deles. Parabéns!
(autor desconhecido)
Bebíamos água directamente da mangueira e não da garrafa.
Gastamos horas a construir os nossos carrinhos de rolamentos para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que nos tínhamos esquecido dos travões. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema.
Saíamos de casa de manhã, brincávamos o dia inteiro, e só voltávamos quando se acendiam as luzes da rua. Ninguém nos podia localizar. Não havia telemóveis.
Nós partimos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós próprios.
Tivemos brigas, esmurrámo-nos uns aos outros e aprendemos a superar isto.
Comemos doces e bebemos refrigerantes mas não éramos gordos.
Estávamos sempre ao ar livre, a correr e a brincar. Compartilhamos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.
Não tivemos Playstations, Nintendos e toda a parafernália de jogos de vídeo, nem 99 canais de TV Cabo, som surround, telemóveis, computadores ou Internet.
Nós tivemos amigos! Saíamos e íamos ter com eles. Íamos de bicicleta ou a pé até casa deles e batíamos à porta. Imaginem tal coisa... sem pedir autorização aos pais nem a ninguém, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável!
Como conseguimos fazer isto?
Fizemos jogos com bastões e bolas de ténis e comemos minhocas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca nos caíram os olhos nem as minhocas ficaram vivas na nossa barriga para sempre.
Nos jogos da escola, nem toda a gente fazia parte da equipa. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... sem psicólogos!
Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano! Não inventavam testes extra. Éramos responsáveis pelas nossas acções e arcávamos com as consequências. Não havia ninguém que pudesse resolver isso. A ideia de um pai a proteger-nos, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Os pais protegiam as leis! Imaginem!
A nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas ideias.
Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com isso.
Tu és um deles. Parabéns!
(autor desconhecido)
06/12/2003
O Rapaz Azul by João Paulo Vieira
Era uma vez um rapaz azul que vivia na lua... Ele nunca soube como foi lá para. Passava os dias a correr, na verdade, não tinha outra opção. No dia em que se distraísse e não corresse no sentido contrário ao da rotação da lua, cairia no infinito. É que na lua (pelo menos naquela onde viva) existia uma gravidade bizarra: tudo o que ficasse de cabeça para baixo, caía, naturalmente (esta é uma das explicações possíveis para as chuvas de meteoros, que não são mais que pequenas pedras atiradas pelo rapaz azul, durante os momentos de reflexão). Ele tinha de palmilhar todos os dias muitos e muitos quilómetros e quilómetros para evitar a queda. Mas esta não era a única cruz que carregava. As estrelas remotas e minúsculas são o único pedaço de luz a que tem direito.
Um dia, deixou-se adormecer, aconchegado numa pequena cratera, e só acordou quando o corpo começou a deslizar sorrateiramente. Sobressaltado, levantou a cabeça e desatou a correr. O pânico aumentou-lhe o ritmo das passadas e disparou carradas de adrenalina para o sangue (obviamente azul). Com os sentidos mais alerta, não conseguiu evitar e olhou, de relance, para baixo. Viu uma bola gigante, iluminada e igualmente azulada (o tom de azul era mais brilhante que o da sua pele). Durante os muitos e muitos anos que se seguiram ao deslize, nem por ma vez conseguiu voltar a olhar para a grande bola luminosa. Embora a visse todos os dias, cada vez mais brilhante, na sua memória. Sempre que se deitava, desejava voltar a escorregar. Uma tentação que lhe aparecia em forma de sussurro, inconsciente e tentados, sempre que olhava a escuridão. Um dia, encheu-se de coragem, despediu-se das estrelas, companheiras e confidentes numa existência solitária, e mergulhou. A viagem já ia longa. Umas três horas. Pelo menos. A bola gigante atingia proporções descomunais, até que os pormenores se tornaram evidentes, até que... Trás! Objectivo atingido. O rapaz azul caiu dentro do saco de um senhor gordo, com barbas brancas, vestido de vermelho e que dizia, insistentemente, “oh, oh, oh!. Olhou em redor e ficou pasmado com o cenário: muitas luzes, cores sem fim, ruídos que nunca tinha ouvido e muitos seres parecidos com ele, mas bastante maiores: estavam todos a correr, tinham sacos na mão e não eram azuis. De repente, o homem gordo pegou no rapaz da lua e entregou-o a um desses seres. A felicidade encheu-lhe a alma. Até que se ouviu: “Como funciona?” Depois de várias experiências falhadas, o rapaz da lua foi abandonado, já sem pernas, braços e cabeça no meio de uma enorme poça de... tinta azul.
In Visão – 04.12.03
Suplemento Especial de Natal
Um dia, deixou-se adormecer, aconchegado numa pequena cratera, e só acordou quando o corpo começou a deslizar sorrateiramente. Sobressaltado, levantou a cabeça e desatou a correr. O pânico aumentou-lhe o ritmo das passadas e disparou carradas de adrenalina para o sangue (obviamente azul). Com os sentidos mais alerta, não conseguiu evitar e olhou, de relance, para baixo. Viu uma bola gigante, iluminada e igualmente azulada (o tom de azul era mais brilhante que o da sua pele). Durante os muitos e muitos anos que se seguiram ao deslize, nem por ma vez conseguiu voltar a olhar para a grande bola luminosa. Embora a visse todos os dias, cada vez mais brilhante, na sua memória. Sempre que se deitava, desejava voltar a escorregar. Uma tentação que lhe aparecia em forma de sussurro, inconsciente e tentados, sempre que olhava a escuridão. Um dia, encheu-se de coragem, despediu-se das estrelas, companheiras e confidentes numa existência solitária, e mergulhou. A viagem já ia longa. Umas três horas. Pelo menos. A bola gigante atingia proporções descomunais, até que os pormenores se tornaram evidentes, até que... Trás! Objectivo atingido. O rapaz azul caiu dentro do saco de um senhor gordo, com barbas brancas, vestido de vermelho e que dizia, insistentemente, “oh, oh, oh!. Olhou em redor e ficou pasmado com o cenário: muitas luzes, cores sem fim, ruídos que nunca tinha ouvido e muitos seres parecidos com ele, mas bastante maiores: estavam todos a correr, tinham sacos na mão e não eram azuis. De repente, o homem gordo pegou no rapaz da lua e entregou-o a um desses seres. A felicidade encheu-lhe a alma. Até que se ouviu: “Como funciona?” Depois de várias experiências falhadas, o rapaz da lua foi abandonado, já sem pernas, braços e cabeça no meio de uma enorme poça de... tinta azul.
In Visão – 04.12.03
Suplemento Especial de Natal
05/12/2003
A Baixa
Muitos anos antes de nascerem monstros, como as Amoreiras, o Colombo e outros afins, a Baixa era o grande centro comercial onde os lisboetas (e não só) vinham comprar as prendas de Natal.
oh, não! Outra crónica de Natal, não!
Não te preocupes, Leitor: a quadra ainda não começou e eu já estou farta dela.
Não, eu queria escrever sobre a magia que envolve a Baixa lisboeta e que, felizmente, não se perdeu com o “assalto” das grandes superfícies. É que, na minha (modesta) opinião – e este BLOG é meu, e eu posso fazer dele o que eu quiser – a Baixa é a Grande Superfície, por excelência.
Mas, recomendo vivamente: num dia frio e soalheiro como o de hoje, passear na Baixa deixa um sorriso no rosto de qualquer lisboeta.
Desço a Rua Augusta: os restaurantes, os cafés, as pessoas que sobem, as que descem, os pombos, as lojas, os pintores, os hippies, o homem-estátua, o frio, os desenhos da calçada, o blaser de xadrez, as luzes, os jovens, os velhos, os menos velhos, as beatas dos cigarros, o lixo no chão, os gorros, as castanhas assadas, do Rossio até ao Arco, os ciganos, os brancos, os pretos, os namorados, os grupos, as excursões, os solitários,
ah, os solitários
os rostos pesados e frios, o calor de um olhar esquecido... e o Fado. O Fado perdido nas ruas, vindo não se sabe bem de onde. Às vezes, tenho a sensação que o Fado sempre esteve ali.
Porque Lisboa não existe sem Fado.
Porque Lisboa não existe sem a Baixa.
E paro. O meio da Praça, paro.
Porque Lisboa não existe sem o Rio.
Porque, Lisboa, eu não existo sem ti.
oh, não! Outra crónica de Natal, não!
Não te preocupes, Leitor: a quadra ainda não começou e eu já estou farta dela.
Não, eu queria escrever sobre a magia que envolve a Baixa lisboeta e que, felizmente, não se perdeu com o “assalto” das grandes superfícies. É que, na minha (modesta) opinião – e este BLOG é meu, e eu posso fazer dele o que eu quiser – a Baixa é a Grande Superfície, por excelência.
Mas, recomendo vivamente: num dia frio e soalheiro como o de hoje, passear na Baixa deixa um sorriso no rosto de qualquer lisboeta.
Desço a Rua Augusta: os restaurantes, os cafés, as pessoas que sobem, as que descem, os pombos, as lojas, os pintores, os hippies, o homem-estátua, o frio, os desenhos da calçada, o blaser de xadrez, as luzes, os jovens, os velhos, os menos velhos, as beatas dos cigarros, o lixo no chão, os gorros, as castanhas assadas, do Rossio até ao Arco, os ciganos, os brancos, os pretos, os namorados, os grupos, as excursões, os solitários,
ah, os solitários
os rostos pesados e frios, o calor de um olhar esquecido... e o Fado. O Fado perdido nas ruas, vindo não se sabe bem de onde. Às vezes, tenho a sensação que o Fado sempre esteve ali.
Porque Lisboa não existe sem Fado.
Porque Lisboa não existe sem a Baixa.
E paro. O meio da Praça, paro.
Porque Lisboa não existe sem o Rio.
Porque, Lisboa, eu não existo sem ti.
04/12/2003
Infância
Tenho muitas memórias da minha infância, que fiz questão de nunca esquecer por sentir que foi a época mais feliz, mais despreocupada e, principalmete, mais mimada da minha vida (e como eu gosto de ser mimada...). Sei também que há muitas cenas desta época que se perderam nos recantos mais escuros da memória. Nunca pensei muito nisto porque, como é óbvio, se estão perdidos, só os vou encontrar se, por algum acaso, viver qualquer outra cena que os faça sair do seu canto escuro. E foi o que se passou ontem à noite. Passo a contar...
Tenho andado gripada há uns dias: nariz entupido, tosse, garganta inflamada, o costume. Depois de passar uma noite em claro, com ataques de tosse consecutivos (e de não deixar o resto da família dormir), a Mãe lembrou-se de uma mezinha antiga, que costumava fazer quando eu era pequena: esfregar Vick no peito. Ora, mesmo sem querer e sem pensar nisso, cumprimos o ritual antigo do vestir pijama - lavar os dentes - chichi - cama. Deitei-me e
Mãe, já estou na cama!
ela entrou com o frasquinho na mão, tirou a tampa verde, pôs um pouco daquele creme esbranquiçado nos dedos, esfregou-o no meu peito...
Eu não sei se foi do cheiro, se foi do toque dos seus dedos no meu pescoço, se foi das suas mãos frias, ou se foi tudo junto, este pedaço de memória foi sair disparado do seu cantinho escuro para um espaço muito mais recente.
E eu vivi tudo aquilo outra vez.
A Mãe afagou-me os lencóis, o edredon, bem junto ao peito, beijou-me a testa, apagou a luz
Boa noite!
E, naquele momento, eu tive sete anos, outra vez...
Tenho andado gripada há uns dias: nariz entupido, tosse, garganta inflamada, o costume. Depois de passar uma noite em claro, com ataques de tosse consecutivos (e de não deixar o resto da família dormir), a Mãe lembrou-se de uma mezinha antiga, que costumava fazer quando eu era pequena: esfregar Vick no peito. Ora, mesmo sem querer e sem pensar nisso, cumprimos o ritual antigo do vestir pijama - lavar os dentes - chichi - cama. Deitei-me e
Mãe, já estou na cama!
ela entrou com o frasquinho na mão, tirou a tampa verde, pôs um pouco daquele creme esbranquiçado nos dedos, esfregou-o no meu peito...
Eu não sei se foi do cheiro, se foi do toque dos seus dedos no meu pescoço, se foi das suas mãos frias, ou se foi tudo junto, este pedaço de memória foi sair disparado do seu cantinho escuro para um espaço muito mais recente.
E eu vivi tudo aquilo outra vez.
A Mãe afagou-me os lencóis, o edredon, bem junto ao peito, beijou-me a testa, apagou a luz
Boa noite!
E, naquele momento, eu tive sete anos, outra vez...
O Primeiro
Séc. XXI - Esse Ganda Maluco!
Para o bem ou para o mal, as novas tecnologias trouxeram-me esta nova maneira de comunicar.
Por agora, não tenho muito tempo a perder com esta nova brincadeira. Isto, na verdade é mais um teste do que qualquer outra coisa.
Anyway, bem-vinda/o ao meu espaço de pequenos / grandes pensamentos que, por vezes, povoam a minha a cabeça.
Para o bem ou para o mal, as novas tecnologias trouxeram-me esta nova maneira de comunicar.
Por agora, não tenho muito tempo a perder com esta nova brincadeira. Isto, na verdade é mais um teste do que qualquer outra coisa.
Anyway, bem-vinda/o ao meu espaço de pequenos / grandes pensamentos que, por vezes, povoam a minha a cabeça.
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