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01/04/2014

Mariinha

Durante muitos anos, tive uma bonequinha cor de rosa a quem chamava Mariinha e que dormia comigo todas as noites. Tenho saudades dessa bonequinha de bochechas rosadas e sorriso feliz nos lábios.

Hoje, uma nova Maria entrou na minha vida. Tem bochechas rosadas e deixou-me com um sorriso feliz nos lábios. É a minha nova Mariinha.

Bem vinda, minha linda Sobrinha. 
Luv u already.

26/03/2014

A vingança é um prato que se serve frio,

mas convém não esquecer de o servir.

Depois da pergunta de ontem, perdi a única oportunidade de vingar toda a minha adolescência ao esquecer-me de responder o seguinte:

- Podem sim, mas quero-vos em casa às 11 da noite!!

Bolas...

Mais cenas da vida familiar:

Ontem, ao início da tarde, a minha Mãe liga-me:

- Olá! Podemos ir jantar fora hoje? Os tios M. e A. estão em Lisboa e gostávamos de estar com eles. 

Esta pergunta tem uma razão de ser muito simples. Ontem, passei uma noite péssima (azia e má disposição) e o dia não foi melhor: sensação de desmaio, falta de apetite e tonturas. Nada de grave: coisas típicas das 35 semanas de gravidez. Quando estou mais atrapalhada e o J não está, a minha Mãe vai lá a casa ajudar-me no banho dos miúdos, que é a tarefa mais pesada do dia. Por isso, queria certificar-se que eu teria a ajuda necessária num dia que, ainda por cima, estava a correr mal. 

Mas não deixei de achar piada à pergunta: passei grande parte da minha vida a pedir autorização aos pais para sair. Quase nos 40, sou eu que lhes dou autorização para irem para os copos. 

"Isn't it ironic?"

10/03/2014

Meninos sujos

Ao contrário da minha Mãe, eu adoro ver meninos sujos. Os meus, claro. 
A minha Mãe passa a vida atrás deles para não sujarem as calças na relva, não sujarem a camisola com pingos do iogurte, não molharem as mangas na torneira. Ela é capaz de dar sopa ao António (de quatro anos, qua-tro) só para ele não se sujar ao almoço. Isso deixa-me possessa!!
Quando chego à escola e vejo os bibes cheios de tintas, sei que passaram umas boas horas a pintar em telas enormes ou a mexer em digitintas com aquelas mãos pequeninas. Quando tenho de me sentar à noite com eles a tirar o vermelho e o amarelo das unhas, sei que saíram daquelas mãos verdadeiras obras primas em plasticina. Quando tenho de encharcar as calças de tira-nódoas na zona dos joelhos, sei que estiveram no jardim a rebolar na relva ou a jogar à bola com os amigos. Quando os dispo e vejo restos de bolacha ou pão meio mastigado, sei que se lambuzaram ao lanche com a autonomia de meninos crescidos. Quando tenho de comprar joelheiras para as calças ou vejo biqueiras dos sapatos que não aguentam três meses, sei que o chão do recreio foi palco de novas corridas de carros super velozes.
Eu não quero que os meus filhos andem passados a ferro, sem nódoas e com os cabelos impecáveis. Quanto mais sujos, amarrotados e despenteados estiverem, mais certeza tenho que eles exploraram, conheceram, aprenderam. E só isso irá fazer deles pessoas felizes.

07/03/2014

A última vez.

Ontem fui fazer a ecografia das 32 semanas. 

Isto lido assim, não passa de uma informação banal. Simples. Um facto. E para mim, até ontem, até ao momento que saí daquela sala escura onde disseram que a minha filha está óptima e no percentil 75 de comprimento (o que me deixou muito feliz porque gostava que ela fosse alta como a Mãe), também era um facto banal.
Foi quando me deitei que percebi tudo. Como é que não percebi antes??
Esta foi, muito (muuuuito) provavelmente, a última ecografia que farei porque esta será, muuuuito provavelmente, a minha última gravidez. E foi ali deitada na minha cama, com o meu filho mais velho a dormir encostado a mim e o (ainda) mais novo no quarto ao lado, que senti uma tristeza imensa. Porque para mim, isto de ter filhos é muito giro. Acho mesmo que foi para isto que nasci e tenho pena de ter percebido isso tão tarde (ou não, mas isso não interessa para agora). Mas o melhor nesta coisa de ter filhos, pelo menos para mim, é estar grávida. Adoro estar grávida, sempre adorei, era capaz de estar num permanente estado de graça. Adoro sentir-me especial, adoro sentir uma vida a crescer, adoro sentir os pontapés, adoro adoro adoro! (É provável que o facto de não fazer barrigas muito grandes, não engordar mais que 8kg, não enjoar, ajude a sentir-me bem com esta pança.)
E depois desta? Como vai ser? E se o meu marido nunca ganhar o euromilhões, condição declarada para termos mais filhos?

Ontem, tal como disse aqui, foi um bom dia. Mas acabei-o a chorar: de tristeza e de felicidade ao mesmo tempo. 
Se é que isso é possível...

06/03/2014

Hoje foi um bom dia.

- Finalmente, e depois de 5 longos dias fechado em casa por causa do vírus mão-pé-boca (quem não sabe, googla), o pequeno Manuel saiu de casa, parou de choramingar e voltou a mostrar aquele sorriso delicioso;
- Comprei um sling especial para oferecer a uma pessoa especial que está quase quase a ter um bebé (seguramente) especial;
- Inscrevi-me num workshop que vai mudar a minha vida (ou assim espero);
- Veio uma senhora cá a casa limpar a humidade (e o bolor) que se acumulou neste inverno na varanda/quarto-de-brincar dos putos; ou seja, vou voltar a ter uma sala de estar que parece uma sala de estar, e não uma sala de infantário; 
- Andei de carro com as janelas abertas, mangas arregaçadas e óculos de sol e tive calor;
- Vi a minha filha que está a crescer bem, com 2kg e pouco, e um fémur que anuncia uma verdadeira top model. 

Hoje foi um bom dia, sim senhor! Estamos prontos para voltar ao blog. 

03/02/2014

As decisões de ano novo

Eu estava lançada a escrever todos os dias (o que era mentira pois eu escrevia uma data de posts e agendava um por dia). E isto correu bem até meio de Janeiro. Positivo (NOT!): a única resolução para 2014 (eu, que não sou nada de tomar decisões porque sei que não vou conseguir cumprir e depois fico zangada comigo e com o mundo), foi mantida nos primeiros 15 dias. Ponto final. Acabou.
O que aconteceu é que o Manuel adoeceu e eu andei a arrastar-me durante mais de duas semanas porque não dormia nada: o puto não conseguia respirar bem e só dormia no colo ou fazia cocós de duas em duas horas, daqueles que sujam até ao pescoço ou tinha febre ou era hora do antibiótico...
E trocou-me toda.

Seguiremos em breve, assim que os sonos estiverem em dia.

Adenda: o puto está bem e os pulmões estão limpinhos. Agora, só falta tratar do mimo que ganhou em quase duas semanas em casa (culpa da Avó).

25/01/2014

Acordar em casa.

Uma das coisas de que tenho mais saudades da casa dos meus pais, é do acordar de fim de semana. Ainda deitada na cama, passo os últimos minutos de sono a ouvir o barulho da casa, depois desperto e 

- Papááááá!!!

O meu Pai senta-se à beira da cama e conversamos no mimo. Depois chega a minha Mãe e junta-se a nós. E passamos assim uns bons minutos até sair da cama.

Já depois de sair de casa dos meus pais, lembro-me de isto ter acontecido duas vezes, ainda que com algumas diferenças. 
Em 2004, num hotel no Porto onde estava alojada (estive lá a trabalhar durante 3 meses e fiquei a viver no hotel). Os meus pais visitaram-me e ficaram no quarto do lado. Não podendo chama-los, levantei-me, bati à porta do quarto deles, e meti-me na cama deles para o mimo.
Em 2009, em vésperas de parir do meu mais velho, o meu marido precisou de se ausentar durante uma semana. Nessa semana, e na recta final de uma gravidez de risco, mudei-me para casa dos meus pais, não fosse acontecer alguma coisa durante a noite. Uma manhã, lá estava eu:

- Papááááá!!!

E o ritual aconteceu. Acho que foi a ultima vez.

Hoje de manhã lembrei-me disto. E senti saudades da casa dos meus pais, do cheiro, dos barulhos, do mimo.

24/01/2014

37

Eu não gosto de fazer anos. Nunca gostei. Uma das maiores desilusões da minha vida aconteceu no meu dia de anos. Há muitos anos. Hoje, continuo sem gostar de fazer anos. E gostava de gostar de fazer anos. Mas não gosto. Porque, invariavelmente, acontece qualquer coisa que troca as voltas aos meus anos. 
prometi uma vez que não fazia mais anos. Nunca mais.

Talvez seja uma questão de expectativa. Mas hoje não foi um bom dia.

(Obrigada R., por me teres salvo o dia com a tua companhia!)

22/01/2014

Lavar roupa suja


1+0=1
Vivemos sozinhas durante anos e habituamo-nos a fazer duas máquinas de roupa por semana: uma de roupa clara e outra de roupa escura. Passamos umas pecinhas de vez em quando, aos domingos à noite, durante a opinião do Prof. Marcelo dobramos as meias e as cuecas e estamos com o assunto tratado.

1+1=2
Depois casamos e deixamos de carregar no botão "meia máquina" porque já temos a roupa do marido. Passamos umas t-shirts a mais (sim, sou uma sortuda e cá em casa não há gravatas nem camisas nem fatos para lavar), dobramos mais umas meias e assunto arrumado. Pacífico.

2+1=3
Nasce o primeiro filho e o caso muda de figura: somos Mães de primeira viagem e fazemos uma máquina de dois em dois dias só com roupa do bebé com detergente especial aloe vera super mega hiper ultra delicado, além das outras máquinas normais que já fazíamos antes. Aos domingos passamos a ferro a roupa do bebé com água destilada com cheiro de rosas silvestres. O resto da roupa começamos a ponderar em passar com a mão. Aos domingos, começas a dobrar as cuecas e as meias a meio da tarde.

3+1=4
Começamos a perceber que a matemática é uma batata e, definitivamente, não se aplica ao assunto da roupa. A quantidade de roupa para tratar triplica com o aumento do agregado familiar: se agora são quatro pessoas, a roupa passa a equivaler a um batalhão de 12. Fazemos máquinas praticamente todos os dias, misturamos a roupa de bebé, de criança, dos pais, de banho, de cama. Utilizamos o detergente mais barato, deixamos de usar detergente líquido porque se gasta mais rapidamente que um litro de leite, escolhemos o amaciador que estiver em promoção e o tira-nódoas de marca branca. Deixamos de passar a ferro e começamos a dobrar a roupa mal ela sai da corda (encostando-a à barriga e passando várias vezes com a mão para tirar os vincos maiores) e daí directa para a gaveta. Rezamos para que as educadoras na escola não perguntem aos nossos filhos "mas a tua Mãe não passa a ferro??". Gastamos mais tempo a dobrar cuecas e meias do que a escrever no blogue e não é raro andar pela casa todos nus para ir buscar umas cuecas ao alguidar porque a gaveta já está vazia.

4+1=5
Aguardamos com curiosidade.

21/01/2014

As maiores mentiras que se diz a uma grávida e/ou tudo o que eu gostaria que me dissessem antes de ser Mãe:

1) "Aproveita para dormir enquanto ele dorme"
É mentira! Quando ele dorme, tu vais querer tratar daquela roupa suja que se acumula desde que foste para a maternidade. Ou vais querer tomar aquele banho relaxado sem pensar em nada. Ou vais ter aquela visita. Ou vais receber mais um telefonema. Ou, simplesmente, vais querer olhar para o teu bebé novo, estudar-lhe os traços, ouvi-lo respirar. A verdade é que nunca mais vais ter o mesmo sono que tinhas antes: vais conseguir dormir como um pedra com o teu marido a ressonar ao teu lado mas vais acordar ao primeiro gemido que ouvires do quarto ao lado.

2) Não tenhas medo do parto. 
Por pior que possa correr, há uma coisa chamada anestesia e tu não vais sentir nada. Nem se ele tiver que sair a ferros ou ventosas ou o diabo a sete. Isso é o menos.
Teme, sim, o pós parto. E não acredites que os primeiros 10 dias são os piores. É mentira! O pior é o primeiro mês. Às vezes, dois meses. Às vezes ficas um ano sem conseguires vestir umas calças de ganga porque te magoam o pipi e aí juras que nunca mais vais querer ter filhos na vida e até és capaz de culpar teu marido. Depois passa. Passa sempre.
(Passa tanto que até há quem arrisque um terceiro filho!!)

3) Confia no teu instinto.
Se puseres três pessoas à volta de um bebé a chorar, vais ver que as três pessoas vão dizer coisas diferentes sobre o choro do bebé: é fome, é cólica, é mimo, é manha, é sono, é fralda. Confia no teu instinto: se achas que é colo, dá-lhe colo mesmo que haja logo um velho do Restelo a pregar "oh deus, vais habitua-lo ao colo, estás perdida!!". Se achas que é fome, dá-lhe de comer. Se achas que é mimo, enche-o de mimo. É um bebé. É teu. Faz dele o que achas que é certo.

4)"Perfeito, perfeito é mamar ao peito."
É mentira! Não duvido que seja bom e uma experiência única e maravilhosa, que seja prático, barato. Mas há quem não consiga/ não queira/ não tenha leite. E isso não faz mal!! Apesar de todo o fundamentalismo que existe à volta da amamentação em pleno século XXI, de toda a informação que te impingem sobre o tema, de toda a formação que vão querer dar-te em todo o lado por onde te vires durante essa gravidez, não vais ser pior Mãe se ficares com as mamas a sangrar ao segundo dia e/ou se optares por dar leite adaptado ao fim de 24 horas de vida do teu bebé. O teu filho vai gostar de ti na mesma, juro! Quem sabe de ti e das tuas mamas és tu. Caga para as fundamentalistas da amamentação. 

5) Nem todas as Mães se apaixonam pelos filhos à primeira vista.
E não há mal nenhum nisso. Estás a conhece-lo, estás a habituar-te a um estranho que não tem rotinas, que não tem hábitos, que é totalmente dependente, que é frágil, que não fala, que não se faz entender. Estás a habituar-te ao teu corpo e ao teu novo Eu-Mãe. Estás a ter a maior descarga hormonal que um ser humano consegue suportar. Estás a lidar com a maior mudança da vida de uma pessoa. Estás a lidar com outra pessoa (o Pai) que está tão ou mais perdido que tu. Se tiveres que chorar, chora. Se tiveres que mandar todas as visitas para fora da tua casa, manda. Se tiveres de dizer asneiras bem alto, diz. Ninguém te vai levar a mal e eu garanto que alivia. Se olhares para o teu filho no terceiro dia e pensares "o que é que eu fui fazer da minha vida", é normal. Mas ele é o teu filho e vai ser sempre o maior Amor da tua vida. Mesmo que não comece bem, será sempre mas sempre o teu coração a bater no peito de outra pessoa. E vale a pena. Vais ver que vale muuuuito a pena.

16/01/2014

As palavras podiam ser minhas

Li isto e pensei que podia ter sido eu a escrever.
Várias vezes por dia penso que gostava de voltar a ter uma hora apenas sem filhos. Não estou a falar das horas em que os deixo na escola e tenho folga e posso fazer o que me der na real gana. Não!, estou a falar daquele tempo em que eu não vivia com o coração fora do peito, em que na minha vida era eu e só eu, em que tudo o que eu fizesse só teria implicações na minha vida. É aquilo que está ali escrito, sem tirar nem pôr.

Depois há aqueles dias que são invadidos pela nuvem negra da incerteza, que fazem os relógios parar, que nada faz sentido e que tudo gira ao contrário. Nesses dias, é tê-los aqui ao pé de mim, bem debaixo da minha asa e tenho logo a certeza que é assim que deve ser. Assim é que faz sentido.

E não podia ser de outra maneira.


11/01/2014

Falar Inglês

O meu filho mais velho aprende inglês na escola. Além de outras coisas, ele aprende a cantar músicas em Inglês. Ele, que é o maior trapalhão do mundo a falar Português, fica muito cómico a cantar em Inglês. Saem assim coisas deste género:

Jingle Bells Jingle Bells, Jingle all the waine...

Ou então:

Xeiquó éd, quicó leds, ueió amx (em vez de shake you head, kick your legs, wave your arms).

E eu farto-me de rir com ele e penso sempre que da próxima vez tenho mesmo que gravar, porque um dia ele aprende a dizer as coisas bem e perde metade da piada. 
Mas lembro-me também da primeira música que eu aprendi a cantar em Inglês, antes mesmo de saber o que era o Inglês ou de perceber que havia pessoas no mundo que falam outra língua. Foi, por influência do meu irmão, o Walk of Life dos Dire Straits e lembro-me do que ele gozava de cada vez que eu a cantava (e atenção que eu cantava TUDO, do início ao fim!!). 
E ainda aquela cassete (aqui já mais velha) com as minhas músicas preferidas, gravadas da Rádio Cidade, que ficou gasta de tanto se ouvir. Na caixa da cassete, tinha a lista das músicas que eu própria tinha escrito à mão e uma delas era esta:


Cada vez mais acho que a minha infância e juventude tinham sido muito mais felizes com internet...

10/01/2014

[Não tenho título para isto]

Um português estava a estagiar num país do norte da Europa (Finlândia, Noruega, Suécia, não sei qual). Um dia apanhou boleia de um colega que o levou de carro até ao trabalho. Foram dos primeiros a chegar e, apesar de haver imensos lugares de estacionamento mesmo à porta do edifício, o colega estacionou num lugar bem mais longe. Ao ver aquilo, o português achou estranho e perguntou porque é que ele tinha escolhido aquele lugar, com tantos que havia mesmo à porta:
- Não tenho pressa! Estes lugares ficam para aqueles que, por qualquer imprevisto, tiverem que chegar atrasados. Assim, não perdem tempo a chegar ao edifício.

Já não sei quem me contou esta história e nem sequer se ela é verdadeira. Isto é impensável no nosso país, certo?

Todos os dias choco com pessoas que se estão a cagar para os outros. Desculpa a linguagem, Mamã, mas é esta mesmo a expressão que quero usar: cagar para o próximo. Não é egoísmo: eu também sou egoísta, gosto de ver os meus interesses em primeiro lugar, gosto de me colocar em primeiro, mas caramba!, não passo por cima de ninguém para o fazer. Não piso ninguém! Ok, se calhar, não sou egoísta pura, sou só uma egoísta-zinha ou uma pseudo-egoísta. 
Ontem, entrava no edifício onde trabalho. Da porta, vejo o elevador: são uns 8/10 passos, e vi uma senhora a entrar, olhar para mim, carregar no botão e fechar a porta. Eu fiquei de fora.
Hoje, dia de chuva intensa, vi carros estacionados nas passadeiras à porta do edifício e, para passar por eles, não só tive que ziguezaguear com o meu carro como, a pé, tive que os contornar sendo obrigada a ir pelo meio da estrada.
Atenção: trabalho num sítio com estacionamento reservado (não há lugares marcados mas está reservado para funcionários, pessoas que trabalham comigo todos os dias, directa ou indirectamente).
Claramente, estas pessoas estão a cagar-se para as outras. Acho que isto ultrapassa o egoísmo: estão mesmo a CAGAR. Não lhes interessa todas as pessoas que os rodeiam, não lhes interessa! Para eles, não existe mais nada para além do seu próprio umbigo.
Não estou à espera de ter um lugar à porta quando entro às 10h, como na história que contei. Estou apenas à espera de consideração, de respeito. 
No mínimo, de respeito.

06/01/2014

E a novidade do ano é:


Eu: O Dr. está a gozar comigo, certo???
Médico: Mas está tudo bem com o bebé!
Eu: DIGA-ME QUE ESTÁ A GOZAR COMIGO!

25/12/2013

Cúmulo da popularidade:

Há-de chegar o ano em que não és convidada para nenhum jantar de Natal.
Este é o ano. 

24/12/2013

Bom Natal

Não me lembro quando é que deixei de gostar do Natal. Lembro-me de olhar pela janela daquele 8º andar em Loures e ver os meus tios a trazerem os presentes do carro, em vez de ver o Pai Natal com as renas. Lembro-me de deixar de passar o Natal com a família materna, mas não sei porquê. Lembro-me de receber sempre muito menos presentes que as minhas primas, mas receber sempre dos meus pais o que tinha pedido. Excepto a mota: nunca recebi a mota. Lembro-me de me ter zangado definitivamente com Deus e deixar de ver o Natal como um recomeço e uma esperança, mas apenas como uma reunião de família. Como um casamento ou um baptizado. 
Depois o meu Avô parte em vésperas do Natal. E a família assim desmebrada ficou marcada por Dezembro para sempre. Ainda assim, reunia-se sempre. E foi crescendo: cada vez mais mulheres à frente de uma matriarca que sempre fez de tudo para que não faltasse um único pormenor naquela mesa. Excepto o bacalhau cozido, porque havia quem preferisse com natas. E eu, cozido, sempre cozido. 
Percebia o nervoso miudinho em vésperas de Natal, a obrigação da troca de presentes, a necessidade de dar qualquer coisa em deterimento da solidariedade com aqueles que menos têm, as lojas cheias, as pessoas malucas, o trânsito infernal e comecei a pensar que, qualquer dia, adormeço no dia 20 e só acordo no ano seguinte. 
Tive esperança que isto passasse com os filhos e desde 2009 que há uma árvore de Natal na minha casa, enfeites à porta e luzes a piscar. Comecei a comprar presentes só para as crianças e a fazer os presentes dos adultos: biscoitos, compotas, licores (obrigada, Bimby). Mas a loucura fora de casa continua e, invariavelmente, nos últimos 10 dias passei a demorar uma hora para chegar a casa.
Já vou no segundo filho e continuo a odiar o Natal. 

Não me levem a mal: adoro a reunião familiar, a consoada, a alegria e a excitação na cara dos mais novos. Mas odeio tudo o resto. E tendo a odiar cada vez mais. 
Acordem-me em 2014, sim?

16/12/2013

20 anos

Já se passaram 20 anos.
Sei que não fomos muito chegados, porque a distância impôs as regras. Ao ver esta tela branca quero escrever aquilo que foste para mim mas não consigo encontrar nenhuma definição. 
Eras o Pai do meu Pai, o olhar claro e profundo, o homem sentado no cadeirão à espera que alguma neta lhe pedisse colo. E eu pedia. Pedia sempre.
Eras a figura à cabeceira da mesa todos os Natais, o primeiro a aplaudir os nossos teatros, aquele que nunca faltava à missa do Galo.
Eras o Avô sério com humor genial, que conseguias pôr toda a gente a rir sem alterares a tua expressão. E eu muito pequena não percebia como é que com o teu ar grave e sério desmanchavas tanta gente.
Hoje, faz 20 anos que partiste. E hoje a saudade bateu forte. E passei o dia a pensar em ti.
Hoje, gostava de encontrar uma definição para a pessoa que foste na minha vida. E não consigo.

Desculpa. Só consigo pensar na palavra saudade.

28/11/2013

O terceiro filho.

Muito se diz sobre os segundos e terceiros (e por aí adiante) filhos. A minha "história" preferida é a que diz que quando o primeiro filho engole uma moeda, vai tudo a correr para o hospital; quando o segundo filho engole uma moeda, olha-se para o bacio e espera-se que saia. Quando o terceiro filho engole a moeda, desconta-se na mesada. 
Não sei se isto acontece com todas as Mães, mas nesta terceira gravidez já perdi a conta das semanas, nunca senti o bebé e a maior parte das vezes esqueço-me que estou grávida. Se não fossem as pessoas do dia-a-dia a perguntarem como é que "nós" estamos, esta gravidez passava-me mesmo despercebida.
E se na maior parte do tempo isto é uma vantagem, porque tenho tanta coisa para fazer que não posso perder tempo a ler livros e sites sobre o tamanho do bebé e os sintomas da Mãe em cada semana, às vezes gostava de conseguir parar para reflectir e apreciar esta gravidez. 
A bem da verdade, eu páro! Mas quando páro, adormeço.