17/06/2016

Parem de crescer!

Às vezes, agarro-me a eles e brinco: parem de crescer!, e eles gritam, riem muito alto e dizem em tom de gozo: estou a crescer, estou a crescer!, como quem diz toma toma que em mim não mandas. 
Olho para eles e vejo-os a subir aos escorregas, a balouçar sem a minha ajuda, a perder o medo da água e a dar mergulhos na piscina. Vejo-os a desafiarem-se uns aos outros, a crescerem juntos, a deixarem de ser os meus bebés. Sinto-os a voarem sozinhos e incentivo-os a isso, mesmo sabendo que um dia eles tomarão o seu rumo e que vou ficar aqui sozinha. 
Nessa altura, saberei que fiz um bom trabalho com eles mas vou sofrer cada minuto da sua ausência. Nunca tive tanto medo que o tempo passasse como agora. Nunca temi tanto o futuro como este que terei de enfrentar. 
Por enquanto, resta-me brincar com isso e pedir-lhes (como quem pede para arrumar o quarto): parem de crescer, já! E eles riem!

08/06/2016

Quero mais.

Sento-me em frente a esta folha branca. Quero escrever sobre o fim de semana passado. Quero contar como correu o espectáculo da escola de Ballet, todos os pormenores, todos os episódios. Tento concentrar-me e não consigo escrever nada. 
Acontece todos os anos: são emoções muito fortes. Fortes demais para serem contadas: têm de ser vividas. A única coisa que eu consigo explicar é que vivi um sonho. Durante dois dias, vivi um sonho.
Correu muito bem: enchi a alma de aplausos, senti as gargalhadas do público, provoquei emoções, tive 1470 pessoas a olhar para mim. Dancei e actuei numa das melhores salas de espectáculo do país. É assustador e ao mesmo tempo esmagador. E viciante. Inebriante. Inexplicável.
Chorei, ri, tive medo, cansei-me, mas acima de tudo, diverti-me muito. E tive muita pena que tivesse chegado ao fim. Foram muitas emoções: fez acordar sentimentos adormecidos, fez reavivar memórias guardadas, fez descobrir novas amizades, cimentar antigas, sentir novas energias. Fez-me, sobretudo, crescer e amadurecer esta minha realidade.

Agora, voltou este vazio de uma vida normal, de um emprego normal, de uma rotina normal. Não é mau ser-se normal. É-se apenas.

E eu não nasci para ser apenas.